Política

Um conhecido dicionário traz as seguintes definições para o verbete "política":

• Princípio doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do Estado.
• Sistema de regras respeitantes à direção dos negócios públicos.
• Maneira hábil de agir, astúcia, ardil, artifício, esperteza.

A última definição é, sem dúvida, a que melhor caracteriza a política em nossa época. Aliás, o termo "politiqueiro", definido nos dicionários como "aquele que em política se utiliza de processos menos corretos", e também "indivíduo intrigante, mexeriqueiro", apareceu pela primeira vez no ano de 1899, como que num prenúncio do que seria a política no século XX.

Sinônimo ainda de corrupção e atuação em benefício próprio, a política atual é mais um dos frutos podres que a humanidade tem de deglutir agora no Juízo, um efeito decorrente da atuação errada de povos inteiros, um carma coletivo.

Nenhum dos regimes de governo atualmente em vigor está de acordo com as Leis naturais e, por isso, não há possibilidades de que possam subsistir no Juízo. O colapso recente do comunismo em escala mundial, que em pouquíssimo tempo virou pó, é apenas mais um dos muitos efeitos do Juízo Final, o qual atua em todos os aspectos da vida humana e elimina tudo quanto é errado, doentio e nocivo.

Em épocas passadas, quando a humanidade ainda estava ligada à Luz, os regimes de governo também eram diferentes. Na Caldéia, em Sabá e no Império Inca vigoravam a verdadeira arte de governar, em consonância com as Leis da Criação. Poder-se-ia chamar esses regimes de autocracias, porém com diferenças fundamentais em relação ao conceito que se tem hoje desta forma de governo.

Em primeiro lugar, a autocracia daqueles tempos não era o "regime do mais forte", e sim o "regime do mais sábio". E mais sábio era aquele que melhor compreendia as Leis da vida e que mais desenvolvido se encontrava espiritualmente. Os dirigentes eram pessoas que já nasciam predestinadas a governar. Traziam em si um sentido incorruptível da verdadeira justiça e, com a sua visão mais ampla que os demais, estavam aptos a reconhecer de que forma deveriam conduzir o povo, para que este alcançasse seu máximo desenvolvimento espiritual e terreno. Uma maneira de governar que o ser humano de hoje sequer consegue imaginar, preferindo taxá-la de fantasia…

Os povos daqueles tempos reconheciam com gratidão a sabedoria dos seus governantes e, por isso, seguiam à risca, confiantemente, as diretrizes de governo. A mais importante dessas diretrizes dizia respeito à religião, a qual constituía o ponto central na vida desses povos. Os dirigentes não toleravam o mínimo desvio em relação à verdadeira crença, pois conheciam os efeitos da mentira e das falsas concepções religiosas sobre a alma humana. Sabiam que cada mentira religiosa, aceita como verdadeira, significava uma dose a mais de um veneno mortífero para alma, que acabaria por destruí-la totalmente.




Os seres humanos daquelas épocas remotas aprendiam que deveriam esforçar-se para alcançar o mais alto grau de enobrecimento espiritual, pois era esta a maneira certa de retribuir um pouco ao seu Criador todas as graças e auxílios que recebiam durante a sua vida. O texto a seguir foi proferido por um sábio da Caldéia1:

"Nossos ensinamentos têm um ponto central, em torno do qual gira toda a nossa vida. Esse ponto central é o Onipotente Criador, ao Qual devemos nossa vida! Ele nos dá a vida. E nossa maior preocupação é provar que somos dignos dessa dádiva."

Os habitantes daqueles países integravam-se naturalmente em castas sociais; não umas sobre as outras, mas umas ao lado das outras. Não havia evidentemente nenhum tipo de opressão, mas todas as castas, da mais alta à mais baixa, eram consideradas de igual importância, pois o bem do país e do povo dependiam do trabalho harmonioso de todas elas, segundo as capacitações de cada um. As castas se formavam de acordo com a maturidade espiritual das pessoas. A mais elevada era a formada pelos sábios.

Poderíamos fazer uma analogia desse tipo de governo com um navio que singra o oceano. A segurança e a tranqüilidade da viagem dependem da atuação conjunta e harmoniosa de todos os membros da tripulação. O capitão do navio tem a missão de levá-lo em segurança a um bom destino, pois é ele quem melhor está capacitado para isso e de seu posto de observação tem a mais ampla visão dos acontecimentos. Compete a ele também dar as diretrizes corretas no caso da aproximação de tempestades perigosas, que possam por em risco o destino final da viagem. O pessoal que trabalha no convés, na casa de máquinas e na manutenção da embarcação não têm a visão do comandante, mas confiam nele integralmente e trabalham diligentemente para que os motores funcionem bem e o leme mantenha-se firme. Da mesma forma, sem o seu importante trabalho, a viagem também não chegaria a bom termo.

O navio é a nação; a viagem é a vida terrena, que deve estar voltada para a ascensão espiritual e o progresso terreno; as tempestades são todos os perigos que ameaçam o curso da viagem, como o surgimento de falsos profetas, doutrinas distanciadas da Verdade, influências nocivas, comodismo, falta de vigilância espiritual e terrena, etc.; o capitão é o sábio dirigente que, destacando-se espiritualmente dos demais, indica com energia e justiça o rumo a seguir; os outros membros da tripulação, que têm variadas funções a bordo, constituem as castas que se formam automaticamente de acordo com as capacitações e o desenvolvimento interior de cada um.

Não há atualmente sobre a Terra nenhum resquício de regime de governo que sequer se aproxime da forma correta de outrora. Na realidade, nenhum povo hoje merece ser governado assim, mas, ao contrário, apenas por essa classe degenerada de políticos que mais parece um câncer mundial, interessada apenas em proveitos e vantagens pessoais. No entanto, isso é também um efeito retroativo da própria atuação do povo, muito mais interessado em direitos do que em deveres, e propenso a ser seduzido por um palavreado vazio em épocas de campanha eleitoral. Cada povo tem, literalmente, o governo que merece.

O regime de governo considerado hoje como o mais aperfeiçoado é a democracia, que significa "governo do povo". É o regime onde a vontade da maioria é soberana. Pressupõe, portanto, que a maioria conheça melhor do que a minoria a diretriz correta a ser dada ao país e ao próprio povo.

A democracia não leva em conta, porém, uma circunstância muito simples: a profunda decadência espiritual da quase totalidade da humanidade. Assim, a vontade da maioria das pessoas hoje dirige-se predominantemente para baixo, para o que é do mal, das trevas, como uma decorrência natural do desligamento voluntário da Luz. Nunca a vontade da maioria de indolentes seres humanos exigirá alguma ação governamental que estimule o progresso espiritual. Essa massa inerte só vai querer saber sempre de vantagens, nunca de obrigações.

A este respeito, o grande físico Albert Einstein disse o seguinte: "Às massas, por toda a parte, falta a capacidade de julgamento político independente. Pode-se levar o povo de qualquer país, no espaço de duas semanas, a um tal grau de ódio e histeria que seus membros individuais estarão prontos para matar ou ser mortos, em armadilhas militares, por qualquer motivo, sem que se leve em conta o mérito pessoal." O filósofo americano John Dewey resumiu desta forma seu conceito sobre política: "A política é a sombra projetada sobre a sociedade pelos grandes negócios."

Nas campanhas eleitorais, os políticos fazem várias promessas de atendimento aos anseios dessa maioria. Eles mentem de antemão descaradamente, sabendo que se trata de promessas que jamais serão cumpridas, seja por total desinteresse ou por serem mesmo inexeqüíveis. Os raríssimos políticos sinceros, que com grande esforço conseguem atender algumas dessas reivindicações, percebem, desolados, que materializados seus projetos eleitorais, o resultado prático é quase nulo. A urbanização de favelas, por exemplo, em nada reduz os índices de violência e criminalidade nas metrópoles; escolas, postos de saúde e cabines telefônicas estão invariavelmente sujeitos a atos de vandalismo pelos que deveriam cuidar desse patrimônio.

A primeira forma de regime democrático surgiu na Grécia antiga, em Atenas, no ano 508 a.C. Platão, que era ateniense, foi um crítico severo da democracia. Naquela época, quem tinha o dom da oratória dominava a cena política, independentemente das idéias defendidas. O poder ficava centralizado na "Assembléia dos Cidadãos", cujos representantes eram escolhidos por sorteio para um mandato de um ano. Relatos da época informam que o comparecimento à Assembléia era freqüentemente escasso, já que muitos dos integrantes preferiam ocupar-se de seus negócios particulares… Interessante como essa característica tão marcante da democracia permaneceu inalterada até a nossa época.

Um recente ensaio publicado sobre a democracia ateniense, de autoria de José Américo Pessanha, é taxativo quanto ao tipo de política que se desenvolvia sob esse regime: "Parecia não existir em Atenas um partido no qual um homem que não quisesse abrir mão de princípios éticos pudesse se integrar."

Na época do surgimento da democracia, a humanidade há muito já não sabia o que era um regime de governo correto. E daí para a frente não foi diferente. Do Império Romano até o século XVIII predominaram os regimes absolutistas, em que os respectivos reis se atribuíam "origem divina". Essa idéia tão pouco modesta conseguiu sobreviver até o nosso século por intermédio do imperador do Japão, que era tido por si e pelos súditos como um "ser de origem divina". Somente após a derrota na Segunda Guerra Mundial foi que o imperador declinou da sua "divindade".

Os regimes democráticos espalharam-se pelo mundo na segunda metade do nosso século. No mundo ocidental a propaganda democrática pregava que este era o regime de governo das pessoas de bem, em contraposição ao totalitarismo dos regimes de força, em especial os do mundo comunista. Apesar dos esforços de ambos os lados em proclamar as vantagens de suas diferenças, a mais destacada característica da democracia e do totalitarismo sempre foi uma só: corrupção.

Para o dirigente poder governar num regime democrático ele tem de fazer concessões, pois sem isso não terá a necessária base parlamentar de apoio. Esse apoio, porém, tem um preço: nomeação de políticos e apadrinhados para cargos públicos, tráfico de influência, negócios escusos com empresas públicas, etc.

O totalitarismo comunista, por sua vez, que visava eliminar as classes sociais, gerou apenas duas: a dos privilegiados e a dos miseráveis. A corrupção na cúpula do governo e entre altos funcionários públicos nunca pôde ser dissimulada. Milovan Djilas, um dos homens mais influentes do governo iugoslavo, certa vez confessou: "Vi comunistas disputando entre si palacetes, privilégios, medalhas, condecorações." Aliás, a doutrina materialista do comunismo até justifica este procedimento, pois se não há nada depois da morte e só a vida terrena e prazeres materiais têm importância, então é bastante lógico envidar todos os esforços para usufruir a maior quantidade possível desses prazeres, enquanto ainda se está vivo…

A tragédia do destino humano espelha-se numa forma particularmente sinistra na política do século XX. Em seu livro com o sugestivo título de O Fim da Democracia, Jean-Marie Guéhenno faz algumas observações corretas sobre a política (em meio a outros tantos conceitos errôneos): "As palavras democracia, política, liberdade definem o nosso horizonte mental, mas não temos mais certeza de reconhecer seu verdadeiro sentido, e a nossa adesão depende muito mais de reflexos do que da reflexão.(…) A política, longe de ser o princípio organizador da vida dos homens na sociedade, aparece como uma afinidade secundária, até uma construção artificial, pouco adaptada a solucionar os problemas práticos do mundo contemporâneo."

Não seria possível mencionar aqui todos os casos de corrupção que já vieram à tona, particularmente nos últimos anos. Vários volumes bem documentados poderiam ser escritos apenas sobre essa característica básica da política atual.

O que deve chamar a atenção das pessoas é o aparente aumento da corrupção em escala mundial. Esse aumento é, de fato, aparente, pois o que ocorre é que como tudo quanto é errado é obrigado a se mostrar agora, em razão da força do Juízo, toda a sujeira que estava escondida aparece repentinamente, e os casos de corrupção ganham cada vez mais espaço nos jornais e noticiários. É essa a resposta certa a ser dada, por exemplo, ao jornalista Gilles Lapouge, que num recente artigo sobre a corrupção mundial indagava: "A Europa desmorona sob a corrupção. (…) Uma primeira questão: a corrupção aumentou vertiginosamente, de repente, ou foi a repressão à corrupção que se intensificou loucamente?" Outra questão do mesmo jornalista também merece destaque: "Será um acaso ou necessidade o fato de esse grande desejo de limpeza coincidir com a queda do Muro de Berlim e do comunismo?"

Resposta: Não é acaso! O grande desejo de limpeza sentido por muitos, e a limpeza propriamente dita, como a evidenciada pela queda do Muro de Berlim e do comunismo, são apenas decorrências do desenrolar do Juízo Final na Terra, que reforça o que é bom e desintegra o que é errado no momento previsto, sem se importar com as opiniões dos povos e as ações de seus governantes. Um ano antes da queda do muro, Estados Unidos, União Soviética e Alemanha Ocidental discutiam em Genebra a formação de uma confederação das duas Alemanhas para o ano 2005...

Recentemente, a jornalista Patrícia Clough escreveu um artigo sobre a corrupção na Alemanha, país até a pouco considerado imune a esse tipo de problema. As seguintes passagens extraídas da matéria mostram a perplexidade do povo e das autoridades retratada pela jornalista: "Embora [os alemães] tenham apostado num sistema que acreditavam ser honesto e eficiente, a verdade está enfim vindo à tona: o país está sendo engolido pela corrupção. (…) ‘A corrupção está se propagando como um vírus epidêmico’, diz Hanz Ludwig Zachert, chefe do Departamento Federal de Criminologia.

"Não importa a área, todas estão envolvidas em pagamentos de propinas, troca de favores, tratamento preferencial, transgressão dos códigos e irregularidades em troca de benefícios ilegais’."

Até um simpósio internacional sobre corrupção foi organizado em 1995, em Paris. Durante o evento, Jean-Claude Paye, secretário-geral da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, fez uma declaração que resumiu a situação existente em todas as nações do planeta: "As práticas de corrupção têm minado a legitimidade política das instituições e diminuído a eficácia dos governos e da administração, constituindo um forte obstáculo ao bom desempenho econômico." Também naquele ano uma instituição alemã, chamada Transparência Internacional, elaborou um rancking dos países mais corruptos do mundo, com 41 participantes. Em 1996, o clube foi ampliado para 54 membros, ano de estréia também da "Conferência Hemisférica sobre a Corrupção", realizada em Caracas sob o patrocínio da Organização dos Estados Americanos.

A corrupção se alastrou tanto que há até quem tente justificá-la. Tentando explicar a corrupção no serviço público, um certo escritor teve o desplante de colocar isso no seu livro: "A corrupção somente chega a ser nociva se não estiver generalizada, pois então representaria um acesso ‘desigual’ aos serviços do poder público. Mas a partir do momento em que este poder público se contente em prestar ‘serviços’, não há nada de anormal, numa economia de mercado, que estes sejam remunerados. (…) A transação é consagrada como única verdade da nossa era, e qualquer demanda pagável é uma demanda legítima. Como não faríamos do bezerro de ouro a nossa divindade suprema?"

Há algo de mais profundo nessa tentativa de justificar a corrupção.

Um dos mais nítidos sinais de decadência geral é a mudança dos conceitos ao longo do tempo. Na humanidade contemporânea isso se mostra com uma clareza impressionante, que tem de chamar a atenção de qualquer um que apenas vagamente observe de vez em quando o mundo a seu redor. Essa alteração dos conceitos acontece em todos os aspectos da vida humana: na moral, nas relações profissionais e familiares, nas práticas religiosas… O que até há pouco era terminantemente considerado como errado, passa em pouco tempo a ser admitido como certo. O autor acima, com sua infeliz opinião, foi apenas um instrumento para justificar a vontade e a atuação erradas de milhões de pessoas. Apesar de provavelmente a maioria ainda discordar de sua opinião (pelo menos exteriormente), o autor é apresentado na crítica literária como alguém especialmente dotado, que pensa adiante do seu tempo…

Outro caso que merece ser comentado foi o final de um programa de televisão brasileiro, em que os telespectadores ligam e votam em alguma decisão crucial a ser tomada pela personagem central da história, alterando assim o desenrolar da trama e o seu final. No episódio "Cobiça", os telespectadores consentiram que uma secretária se juntasse ao chefe num esquema de lavagem de dinheiro montado por ele, ao invés de denunciá-lo ou se demitir da empresa. Num programa anterior da série, intitulado "Achados e Perdidos", uma pessoa encontra uma mala cheia de dólares e descobre quem é o dono; as opções eram devolver o dinheiro ou ficar com ele. O público decidiu ficar com o dinheiro. Este mesmo programa apresentou idêntico final quando exibido na Inglaterra e Espanha.

Como já foi dito, seria impossível mencionar todos os casos de corrupção que foram notícia nas últimas décadas, muito menos em todo o século. Aliás, isto nem seria necessário para se demonstrar o crescimento dessa principal excrescência da política moderna. Uma leitura diária de jornais é plenamente suficiente. Vamos, contudo, dar um pequeno panorama de alguns casos de corrupção que ocorreram em período recente em algumas nações importantes politicamente. Nas nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento a corrupção já é uma instituição nacional, porém como esses países têm menor importância no cenário político, as falcatruas raramente ou nunca são noticiadas.