A Digestão Extracelular


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A Digestão Extracelular

Por Amara Maria Pedrosa Silva

O sistema digestório dos animais é a sede principal das transformações dos alimentos.

Pode ser completo (tubo digestivo dotado de duas aberturas: boca e ânus) e incompleto (tubo digestivo com uma única abertura – encontrado nos cnidários e platelmintos).

Em alguns grupos de animais o sistema digestório não termina no ânus, mas numa cavidade denominada cloaca. Possuem cloaca os peixes, os anfíbios, os répteis, as aves e os mamíferos monotremados.


O sistema digestório completo consta de um tubo digestivo e glândulas anexas.

O tubo digestivo dos mamíferos é constituído de boca, faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus. O intestino apresenta duas porções: o delgado (6 - constituído de duodeno e jejuno-íleo) e o grosso (constituído de ceco, colo e reto).

As glândulas anexas são o fígado, o pâncreas e as glândulas salivares. O fígado apresenta um órgão em forma de bolsa (a vesícula biliar) onde fica armazenada a bile. Esse órgão possui um duto de desembocadura no duodeno (o canal colédoco) por onde a bile é eliminada no intestino.

As aves possuem uma dilatação no esôfago (o papo) onde o alimento é amolecido, e seu estômago possui duas porções: o proventrículo e a moela. No proventrículo ocorre a digestão química de proteínas e a moela faz o papel de dentes, triturando os alimentos. O papo é encontrado também em anelídeos e moluscos com a mesma finalidade: amolecer os alimentos.


Veremos como acontece a digestão extracelular nos seres humanos.


Após a mastigação, o alimento é deglutido. Na faringe, no esôfago, no estômago e nos intestinos ele é impelido pelos movimentos peristálticos, cuja ação é involuntária, controlada pelo sistema nervoso autônomo. Ao passar em órgãos como a boca, o estômago e o intestino, os alimentos sofrem ações químicas dos sucos digestivos.


Podemos dividir o processo químico da digestão em etapas que ocorrem em órgãos diversos com nomes diferentes: insalivação (ocorre na boca), quimificação (ocorre no estômago) e quilificação (ocorre no intestino).



-> Insalivação
o glândulas salivares – saliva
Ptialina ou amilase salivar – amido


-> Quimificação
o Estômago – suco gástrico
Pepsina
Renina
Ácido clorídrico


-> Quilificação
o Suco entérico
- Maltase
- Lactase
- Peptidase
- Lípase entérica
- Invertase (sucrase)


o Suco pancreático
- Tripsina
- Quimotripsina
- Nucleases
- Lípase pancreática
- Amilase pancreática

o Bile – fígado – não contém enzimas



Condições para a insalivação
-> Ação do sistema nervoso autônomo parassimpático, estimulando a secreção de saliva. Essa ação se faz por mecanismos reflexos: estímulo da visão, cheiro e gosto dos alimentos.

-> Valor ótimo de pH ao redor de 7,0; aproximadamente neutro.

-> Ação da saliva, que contém a enzima ptialina ou amilase salivar. Sob a ação da amilase, o amido hidrolisa-se, reduzindo-se a compostos de cadeia menor até chegar à maltose.



Amido + H2O ---> maltose



Condições para a quimificação
-> Ação do sistema nervoso. A visão, o cheiro e o sabor dos alimentos provocam uma reação do sistema nervoso que envia impulsos às células da parede do estômago para que este secrete o suco gástrico.

-> Ação do suco gástrico que contém essencialmente água, ácido clorídrico e enzimas.

-> A pepsina provoca o rompimento das ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas, fragmentando-as em peptídeos.



Proteínas + H2O ---> peptídeos



A renina produz a coagulação das proteínas do leite permitindo que elas fiquem mais tempo no estômago para que a sua digestão seja mais completa.

O ácido clorídrico proporciona um pH ao redor de 2,0; que é um valor ótimo para a atividade da pepsina. Além disso, tem ação germicida, reduzindo a fermentação bacteriana.



Condições para a quilificação
O intestino delgado está separado do estômago por uma válvula de estrutura muscular denominada piloro. Sua primeira porção, de cerca de l5 cm de comprimento, é o duodeno, seguindo-se ao jejuno-íleo que se comunica com o intestino grosso. São as seguintes as condições para ocorrer a quilificação:

-> Valor ótimo de pH igual a 8,0. (O suco pancreático é rico em bicarbonato de sódio e tem efeito alcalino).

-> Ação do sistema nervoso autônomo, estimulando a secreção intestinal.

-> Ação hormonal. A ação das gorduras do quimo provoca a liberação da bile e do suco pancreático.

-> Ação dos sucos digestivos.



A bile, embora não contenha enzimas, possui sais biliares que facilitam a emulsificação das gorduras, favorecendo a ação das lipases sobre as gotículas de gordura da emulsão e a solubilização dos produtos finais da digestão, para que possam introduzir-se nos vasos linfáticos da mucosa intestinal.

A hidrólise das proteínas é catalisada pela tripsina e pela quimotripsina, enzimas do suco pancreático, que as transformam em peptídeos. Estes, hidrolisados pelas peptidases, convertem-se em aminoácidos.


Proteínas + H2O ---> peptídeos

Peptídeos + H2O ---> aminoácidos



O amido não digerido na boca, sob a ação da amilase pancreática, é transformado em maltose.

Os dissacarídeos (maltose, sacarose e lactose) são transformados em monossacarídeos.


Maltose + H2O ---> glicose + glicose

Sacarose + H2O ---> glicose + frutose

Lactose + H2O ---> glicose + galactose



As gorduras são inicialmente emulsificadas pela bile e, posteriormente, hidrolisadas pelas lipases entérica e pancreática que as transformam em ácidos graxos e glicerol.


Gorduras + bile ---> gordura emulsificada

Gordura emulsificada ---> ácidos graxos + glicerol




As nucleases catalisam a hidrólise de ácidos nucléicos, transformando-os em nucleotídeos.



A absorção dos nutrientes
Essa é a última etapa, consiste na penetração dos produtos da digestão através da mucosa intestinal.

Os produtos não aproveitáveis sofrem desidratação no intestino grosso, transformando-se num material pastoso e castanho denominado fezes, que é eliminado do organismo através da defecação.

Os monossacarídeos e os aminoácidos são absorvidos pela parede do intestino delgado e transportados pela corrente sangüínea aos vários tecidos.

Os ácidos graxos são absorvidos pelos vasos linfáticos.

A água, as vitaminas e os sais minerais não sofrem digestão, portanto são absorvidos integralmente pelos capilares sangüíneos.

Uma parcela da glicose absorvida é utilizada como fonte de energia na respiração; a outra parte é armazenada no fígado e nos músculos na forma de glicogênio.

Os ácidos graxos são utilizados em parte como fonte de energia; o restante é empregado na síntese de gorduras.

Os aminoácidos são utilizados para a síntese de novas proteínas, que podem formar estruturas celulares, pigmentos respiratórios, enzimas, hormônios, anticorpos e coagulantes sangüíneos.



Autor: Amara Maria Pedrosa Silva
Fonte: http://www.aprendaki.webcindario.com/textos/fisiologia.htm
Licença: Creative Commons License





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