Episódios sombrios da História do Brasil: Massacre de Cunhaú e Uruaçu, RN

A história brasileira é formada de vários momentos de conquistas, porém também de episódios de matança e violência.

Nossas raízes foram firmadas por meio de conflitos espalhados por todo país através do suor, sangue e vida de brasileiros e brasileiras.

Um desses episódios sangrentos da nossa história é o Massacre de Cunhaú e Uruaçu no Rio Grande do Norte.


A tragédia

O ano é 1645 o Brasil colônia de Portugal e o engenho dominava o cenário do nordeste brasileiro.

Nossos “patrícios” para expandir o negócio sucroalcooleiro do país solicitou vários empréstimos com outros países europeus dentre eles a Holanda.

Como o governo português não honrou o pagamento das dívidas, a Holanda se sentiu no direito e invadiu as terras potiguares se instalando na província do Rio Grande do Norte.

Além da posse desse território os holandeses também tinham o desejo de impor aos habitantes locais sua religião (protestante) e seus costumes.

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Mas enfrentaram a resistência pois o catolicismo era a fé do povo local.

Em resposta os holandeses convidaram Jacob Rabbi, um alemão, para se instalar nas novas terras com o propósito de retaliação a seus opositores.

Ele se casou com uma índia da tribo do Janduís e assim formou uma aliança entre os holandeses e os indígenas locais.

Devido a desobediência dos colonos, Jacob ordenou juntamente as tropas holandesas e os índios Janduís e Potiguares uma emboscada.

Em 16 de julho de 1965 durante a celebração da Santa Missa na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Engenho de Cunhaú foi executado o plano.

No ato da consagração da Santa Eucaristia pelo padre André de Soveral as portas da igreja foram fechadas e se deu início a uma carnificina dos fiéis que se encontravam no local.

Homens, mulheres e crianças, todos vítimas do cruel ataque e ninguém foi poupado. O massacre resultou na morte de 70 pessoas inclusive o pároco, de forma violenta e sádica.

Jacob Rabbi comandou os índios Janduís potiguares e a tropas holandesas, sendo eles responsáveis por vários assassinatos e assaltos, tocando o terror na região do Rio Grande do Norte e Pernambuco.

índios Janduís Potiguares e a tropas holandesas comandadas por Jacob Rabbi

Na data de 03 de outubro de 1645, menos de três meses do massacre de Cunhaú, Jacob foi o mandante de outra chacina em Uruaçu com o saldo de 80 mortes.

A matança só parou na noite de 04 de abril de 1646, quando Jacob Rabbi foi assassinado a golpes de espada e tiros.


Reconhecimento e beatificação

Do total de 150 mortos de Cunhaú e Uruaçu somente 30 foram oficialmente reconhecidos como mártires pela Igreja Católica.

Através de um decreto assinado pelo Papa João Paulo II em 21 de dezembro de 1998 e a beatificação foi celebrada em 05 de março de 2000.

Em São Gonçalo do Amarante foi erguido no local do massacre um monumento visitado por turistas e romeiros e na Capela de Nossa Senhora das Candeias também recebe romarias.

Nos dias 16 de julho e 03 de outubro são lembrados em São Gonçalo e Canguaretama os mortos nessas tragédias.

Apesar do lamentável e triste momento que esses fatos representam na história do nosso país é bom conhecermos em quais bases o Brasil foi construído.

Infelizmente com episódios de violência, mas também com muita luta e resistência.

Para relembrar e homenagear os que se foram nesse brutal momento da história nordestina Brasileira, foi decretado o 3 de outubro como feriado no estado do Rio Grande do Norte.

Veja:

Fatos Históricos da Região Nordeste do Brasil

A Terrível Seca Cearense de 1915