A Terrível Seca Cearense de 1915

No início do século XX, o nordeste brasileiro, vivia uma fase de seca, onde não caia uma gota de água em lugar algum, fato que deixou o povo desesperado e as autoridades locais decidiram criar verdadeiros “campos de concentração” a fim de que pudessem impedir que as pessoas que estavam famintas no Ceará fossem todas para a capital Fortaleza.

Relatos históricos contam que essas construções mais pareciam com acampamentos gigantes, onde milhares de famílias nordestinas eram obrigadas a viver, mesmo que em condições sub-humanas, amontoadas, recebendo pouca ou quase nenhuma comida, num espaço totalmente impossibilitado de se viver. Além disso, eram vigiados pelos guardas.

As autoridades locais denominaram campos de concentração, bem antes de acontecer e ser associada ao terror que foi o nazismo alemão. Os primeiros campos de concentração foram construídos em 1915, durante uma grande seca que assolou a região e voltaram a ser construídos novamente, durante o ano de 1932.

Vítimas da terrível seca de 1915 ao lado da estrada de ferro
Vítimas da terrível seca de 1915. Corpos de cearenses jogados à beira de uma estrada de ferro.

De forma estratégica, cerca de 7 campos de concentração foram estabelecidos, todos pertos das ferrovias que os agricultores utilizavam para fugir de onde estavam, a fim de que pudessem chegar em Fortaleza, na capital do estado.

As autoridades vendiam os campos de concentração como se fossem uma proteção para as milhares de pessoas flageladas, mas na verdade se tratavam apenas de uma forma de evitar o que havia acontecido na seca de 1877, onde mais de 100.000 camponeses famintos triplicaram a população da capital do estado.


Vítimas da Seca de 1877, praça da estação
Vítimas da Seca de 1877, praça da estação.
Crédito: Livro Os descaminhos de ferro do Brasil


Como surgiu a ideia do campo de concentração?

No início do ano de 1915, Fortaleza recebeu milhares de pessoas que tentavam fugir da seca que assombrava outras regiões. Com isso, foi provocada uma verdadeira epidemia, onde crimes, assassinatos, suicídios, roubos aconteceram aos montes. Loucura foi uma classificação aceitável para a época, onde até mesmo as carnes das partes humanas eram comidas, por causa da fome.

As pessoas que fugiam da seca e se amontoavam em Fortaleza não tinham mais lugar para se instalar, e acabavam parando nas ruas da cidade, ocupando as calçadas e até mesmo o Passeio Público, que era uma área nobre onde a elite se socializava. Em muitos casos, a força policial era empregada, a fim de poder conter a realidade que assustava os burgueses.

Vendo que esse acontecimento poderia atrapalhar a inclusão da cidade de Fortaleza como economia capitalista, o governador da época, Benjamin Liberato Barroso, propôs que fosse construído um campo, a fim de que as pessoas pudessem se refugiar, dentro da capital.

O terreno em Alagadiço tinha quase 500 metros quadrados e comportava casas pequenas, coladas umas nas outras, todas feitas com placa de zinco.
Pouco tempo depois, o número de refugiados cresceu assustadoramente, de modo que era impossível alimentar e fornecer higiene para todos. Situação que foi agravada com as chuvas de setembro e outubro, onde milhares de pessoas vieram a falecer.

Os cadáveres foram colocados ao longo da trilha do bonde, á espera do transporte. A situação chegou ao limite, onde 150 pessoas morriam diariamente. O governo então montou uma nova estratégia e bancou a passagem para as pessoas, onde as primeiras foram para a Amazônia, trabalhar como seringueiros.

Foi nessa época que diversos retirantes foram para várias regiões do país. O campo de concentração de Alagadiço foi desativado em 18 de dezembro de 1915.


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