Vulcões: Uma ameaça à camada de ozônio

Vulcões: Uma ameaça à camada de ozônio

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Apesar de a destruição de ozônio na Antártida ter dimensões enormes, foi relativamente fácil para os cientistas entenderem a sua origem. No resto do planeta, porém, o incessante movimento da atmosfera dificulta a tarefa de descobrir se quaisquer mudanças no teor de ozônio decorre de flutuações dinâmicas ou de destruição química; por isso ainda não se conseguiu compreender exatamente como a diminuição do teor de ozônio na estratosfera vem sendo acelerado.

Já se sabe que as quantidades de CFCs liberadas por atividades humanas no entanto, são ínfimas se comparadas com as originadas de fontes naturais.

A produção anual de CFCs no mundo em 1991, foi de 1,1 milhão de toneladas, contendo 750 mil toneladas de cloro. Nesse total, segundo estimativas, cerca de 1% (7,5 mil toneladas) escapem para a baixo troposfera e, eventualmente cheguem à camada de ozônio e o destruam. Uma molécula de CFC demora cerca de cinco anos para atingir a estratosfera. A baixa troposfera ainda recebe por ano cerca de 600 milhões de toneladas liberadas pelos oceanos e outros 36 milhões de toneladas injetadas (na forma de HCl) apenas por vulcões difusivos (que estão continuamente fumegando e afetam apenas o meio ambiente local) . A estimativa de cloro liberada por vulcões difusivos é a mais aceita mas é bastante conservadora, pois alguns autores calculam essas injeção em 200 à 250 milhões de toneladas anuais. Jás os vulcões explosivos (que apresentam erupções repentinas e violentas e, afetam o meio ambiente em escala global) podem lançar, de uma só vez alguns milhões de toneladas de cloro diretamente na estratosfera.

De acordo com alguns cientistas apenas 1% da quantidade de cloro ejetada por vulcões explosivos chega à estratosfera. Admitindo este percentual para a erupção do Monte Pinatubo, foram introduzidas na estratosfera 45 mil toneladas do composto, ou seja, seis vezes a quantidade de CFCs liberada por ano. Embora alguns cientistas aceitem que o Pinatubo seja o responsável, em 1992 foram observadas reduções na concentração de ozônio entre 9 e 14% em algumas regiões, com média global diária entre 2 e 3% abaixo da mínima observada por satélites nos últimos 13 anos. Passando o efeito da erupção, no início de 1994, a camada de ozônio voltou a apresentar valores de concentrações iguais às condições pré-Pinatubo.

No passado, a atividade vulcânica foi muito mais intensa, injetando muito cloro diretamente na estratosfera. Se a fotoquímica estratosférica fosse tão simples como querem alguns modeladores teóricos, certamente uma erupção como a do Tambora, em 1815, algumas centenas de vezes maior que a do Pinatubo, teria destruído a camada de ozônio muito antes dos CFCs existirem. Na verdade, não há evidências de redução da camada de ozônio quando séries mais longas de dados sobre sua concentração são usadas, existe apenas a variação natural da concentração do gás, que depende, entre outros fatores, da atividade solar e das quantidades de cloro, flúor e bromo injetados na estratosfera, principalmente por vulcões.

Existem na Antártida doze vulcões ativos, e só o Monte Erebus (difusivo-explosivo) ejeta em média 1.230 toneladas de cloro e 480 de flúor por dia. Anualmente, portanto, o Erebus ejeta cerca de 450 mil toneladas de cloro. Isso significa que a quantidade de cloro lançada na atmosfera Antártica apenas por esse vulcão é sessenta vezes maior que a liberada pelo uso de CFCs. Apesar disso, a camada de ozônio sobre a Antártida retorna aos níveis normais quando o vórtice circunpolar desaparece, no início da primavera austral.


Autores:
Alexsandra de Amorim
Moisés da Silva Lara


Fonte:
http://bohr.quimica.ufpr.br/~dallara/camada.html

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