Urânio

História
Pensava-se que a uraninite era um minério de zinco, ferro ou tungsténio. No entanto, Klaphroth, em 1789, comprovou a existência de uma "substância semi-metálica" neste minério. Chamou ao metal "urânio" em honra da descoberta feita por Herschel em 1781 do planeta Urano. Mais tarde, Peligot provou que Klaphroth apenas tinha conseguido isolar o óxido e não o metal, e em 1842 conseguiu isolar o urânio metálico. O urânio foi o primeiro elemento onde se descobriu a propriedade da radioactividade. Esta descoberta foi feita por Becquerel em 1896.

Em 1934, Enrico Fermi e os seus colaboradores observaram que o bombardeamento de urânio com neutrões, produzia emissão de partículas beta. Este reação só seria explicada, em 1938, por Otto Hahn e Fritz Strassmann. Estes investigadores concluiram que o urânio bombardeado com neutrões dava origem a isótopos de elementos mais leves, como o krípton ou o bário, por fissão do seu núcleo, libertando-se uma grande quantidade de energia. Entretanto, Fermi sugeriu que a fissão produzia novos neutrões que poderiam originar novas fissões noutros núcleos e assim tornar a reação auto-sustentada. Este fato foi comprovado por F. Joliot, Leo Szilard e H.L. Anderson, em 1939.

A primeira reação nuclear de fissão auto-sustentada foi realizada por Fermi, na Universidade de Chicago, em Dezembro de 1942. Para tal, Fermi e os seus colaboradores, utilizaram 400 toneladas de grafite, seis toneladas de urânio e 58 toneladas de óxido de urânio.

O primeiro teste de uma arma nuclear baseada na fissão do urânio foi realizado em Alamogordo, Novo México, em Julho de 1945.


Ocorrência
Encontram-se vestígios de urânio em quase todas as rochas sedimentares da crusta terrestre, embora este não seja muito abundante em depósitos concentrados.

O minério de urânio mais comum e importante é a uraninite, composta por uma mistura de UO2 com U3O8. O maior depósito do mundo de uraninite situa-se nas minas de Leopolville no Congo, em África.

Outros minerais que contêm urânio são a euxenite, a carnotite, a branerite e a cofinite. Os principais depósitos destes minérios situam-se nos EUA, no Canadá, na Rússia e em França.


Aplicações
Antes do advento da energia nuclear, o urânio tinha um leque de aplicações muito reduzido. Era utilizado em fotografia e nas indústrias de cabedal e de madeira. Os seus compostos usavam-se como corantes e mordentes para a seda e a lã.

No entanto, a aplicação mais importante do urânio é a energética. Com este fim, utilizam-se apenas três isótopos do elemento (U 233, U 235 e U 238), com mecanismos de reação ligeiramente diferentes, embora o mais utilizado seja o U 235. Na produção de energia nuclear há uma reação de fissão auto-sustentada, que ocorre num reactor, normalmente imerso num tanque com uma substância moderadora e refrigerante - água. A água é aquecida e vaporizada pelo reactor, passando em seguida por turbinas que accionam geradores, para assim produzir energia eléctrica.

Os reactores nucleares de fissão pode ser bastante compactos, sendo utilizados na propulsão de submarinos, navios de guerra e em algumas sondas espaciais interplanetárias como as dos programas Voyager ou Pioneer.


Ação Biológica
O urânio tem importantes aplicações em medicina. Os seus isótopos são utilizados em diagnósticos e na terapia de inúmeras doenças.


Fonte:
http://nautilus.fis.uc.pt/st2.5/scenes-p/elem/e09240.html

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