Tudo sobre o acidente com o césio-137 em Goiânia

No ano de 1987, em Goiânia, houve um grande desastre radioativo que ficou conhecido como o acidente com o césio-137, o cloreto de césio, conteúdo perigoso que ficou exposto após dois coletores de resíduos mexerem em uma máquina usada para tratamento oncológico de uma clínica abandonada da cidade.

Centenas de pessoas ficaram contaminadas e 4 pessoas morreram com o acidente com o césio-137. O material radioativo foi popularmente chamado de “o brilho da morte” e, em pouco mais de uma semana, causou um grande problema.

Um dos principais problemas em relação ao acidente com o césio-137 foi que ele atingiu uma cidade, um espaço urbano, com grande concentração de pessoas. Devido às suas proporções, é um dos maiores acidentes radioativos causados na história. Até hoje, o desastre é usado como exemplo pela Agência Internacional de Energia Atômica para planejar ações de redução de danos em casos similares.


Um acidente devastador

Foram despejados no ambiente cerca de 19 gramas de cloreto de césio e em 16 dias o estrago foi imenso, mas o problema foi decorrência de um descuido em 1985, 2 anos antes do ocorrido.

Uma clínica para tratamento oncológico foi desativada em Goiânia, em 1985, sendo que um equipamento chamado de teleterapia foi largado pela equipe de mudança, não foi removido. Nele estava uma quantidade razoável de pó de cloreto de césio.

Dois anos depois, catadores de lixo encontraram o aparelho e os dois acreditavam que ele poderia ser desmontado, para que as peças fossem vendidas no ferro velho. Interessados em fazer dinheiro com a sucata, levaram-na para casa e desmontaram. Foram os primeiros contaminados do acidente com o césio-137, pois tiveram contato com a cápsula que continha césio.

Nos primeiros dias após o contato, os sintomas foram os seguintes:

  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Tonturas.

A máquina foi vendida para o proprietário de um ferro velho da cidade. De dentro, os funcionários arrancaram uma cápsula com 19 gramas de césio, com uma cor diferente, verde azulada, muito chamativa, que aparentava ser de grande valor financeiro.

O dono da oficina de sucata levou a cápsula consigo, para sua residência. Assim, o homem e todas as pessoas que viviam com ele também começaram a apresentar os mesmos sintomas.

Assista a reportagem:

O irmão do proprietário da oficina de sucata acabou carregando consigo um pouco do pó de cloreto de césio para casa, para apresentar para sua família, e sua filha de pouco mais de 7 anos acabou comendo pão com césio. Ela não resistiu, morreu menos de 30 dias após ingerir a substância, a menina se chamava Leide das Neves Ferreira.

Equipe limpeza atomica

Depois de 14 dias, o proprietário do ferro velho e sua mulher começaram a perceber que todos que tiveram contato com o material acabaram apresentando os mesmos sintomas. O material foi levado para as autoridades de saúde da cidade, que classificaram o conteúdo como material radioativo. A esposa do dono do ferro velho veio a falecer.

Integrantes de uma Comissão Nacional de Energia Nuclear foram enviados no dia 30 de setembro com a missão de identificar as pessoas contaminadas de maneira grave. Ao todo, foram mais de 120 contaminados.

Para descontaminar a área, foram retirados mais de 6 mil kg de conteúdo que possivelmente estaria contaminado. Pelo menos 4 pessoas morreram por causa do contato direto com o material, mas segundo Organizações Não Governamentais, foram cerca de 80 vítimas fatais, conforme observou a Associação de Vítimas do Césio-137.

Mesmo depois de 30 anos do ocorrido, a herança radioativa é um dos maiores problemas da região. Cerca de 1 mil pessoas são monitoradas até hoje pela SuLeide - Superintendência Leide das Neves, responsável por dar suporte para as pessoas que sofreram, de alguma forma, com o acidente.

Quem teve contato direto com o material radioativo, assim como seus familiares, são classificados como integrantes do Grupo I, que precisam de mais cuidados.


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