Aluísio de Azevedo

Aluísio de Azevedo

Aluísio de Azevedo nasceu no Maranhão, em 1857 e morreu em Buenos Aires, no ano de 1913. Obra heterogênea. Ao lado de O Mulato, O Cortiço, Casa de Pensão e O Homem, existem romances escritos para publicação em folhetins, sem qualidade artística, escritos para satisfazer a um público pouco exigente. Tentou viver exclusivamente de suas possibilidades de escritor, sustentando a vida boêmia que levava com o dinheiro advindo de romances feitos às pressas, de improviso. Nomeado cônsul em 1896, abandonou a literatura, nada escrevendo nos últimos dezessete anos de vida. Foi nosso primeiro escritor profissional. É o nosso primeiro autor de romance-social, pelo poder de dar vida e corpo a agrupamentos humanos, onde o indivíduo se dissolve num contexto amorfo. Mas esse autor é antes de mais nada, um romancista cujo a obra pretendeu interpretar a realidade de uma camada social marginalizada, em franco processo de degradação, quer pela força da pressão social, quer pela determinismo que o autor aceita como teoria válida. Considerações Gerais Utiliza-se de técnica do tipo, deformando, pelo exagero, os traços, para pôr em relevo as características mais marcantes da personagem. Sua técnica aproxima-se da do caricaturista. A tentativa de fixar a realidade de maneira objetiva, quase científica, é a principal característica da literatura naturalista. No Brasil essa tendência foi inaugurada no romance já citado, de Aluísio de Azevedo. Resumo João Romão, português, bronco e ambicioso, ajuntando dinheiro a poder de penosos sacrifícios, compra pequeno estabelecimento comercial no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Ao lado morava uma negra, Bertoleza, escrava, trabalhadeira, que possuía uma quitanda e umas economias. Os dois amasiam-se, passando a escrava a trabalhar como burro de carga para João Romão. Com o dinheiro de Bertoleza, o português compra algumas braças de terra e alarga sua propriedade. Para agradar a Bertoleza, forja uma falsa carta de alforria. Com o decorrer do tempo, João Romão compra mais terras e nelas constrói três casinhas que imediatamente aluga. O negócio dá certo e novos cubículos se vão amontoando na propriedade do português. A procura por habitação é enorme, e João Romão, ganancioso, acaba construindo vasto e movimentado cortiço. Ao lado vem morar outro português, mas de classe elevada, com certos ares de pessoa importante, o Senhor Miranda, cuja mulher leva vida irregular. Miranda não se dá com João Romão, nem vê com bons olhos o cortiço perto de sua casa. No cortiço moram os mais variados tipos: brancos, pretos, mulatos, lavadeiras, malandros, assassinos, vadios, benzedeiras, etc. Entre outros, a Machona, lavadeira, gritalhona, cujos filhos não se pareciam uns com os outros; Alexandre, mulato pernóstico; Pombinha, moça franzina que se desencaminha por influência das más companhias; Rita Baiana, mulata faceira que andava amigada na ocasião com Firmo, malandro valentão; Jerônimo e sua mulher, e outros mais. João Romão tem agora uma pedreira, que lhe dá muito dinheiro. No cortiço há festas com certa freqüência, destacando-se nelas Rita Baiana, como dançarina provocante e sensual, o que faz Jerônimo perder a cabeça. Enciumado, Firmo acaba brigando com Jerônimo e, hábil na capoeira, abre a barriga do rival com uma navalha e foge. Naquela mesma rua, outro cortiço se forma. Os moradores do cortiço de João Romão chamam-no de cabeça-de-gato; como revide, recebem o apelido de carapicus. Firmo passara a morar no cabeça-de-gato, onde se torna chefe dos malandros. Jerônimo, que havia sido internado em um hospital após a briga com Firmo, arma uma emboscada traiçoeira para o malandro e o mata a pauladas, fugindo em seguida com Rita Baiana e abandonando a mulher. Querendo vingar a morte de Firmo, os moradores do cabeça-de-gato travam séria briga com os carapicus. Um incêndio, porém, em vários barracos do cortiço de João Romão, põe fim à briga coletiva. O português, agora endinheirado, reconstrói o cortiço, dando-lhe nova feição e pretende alcançar um objetivo que há tempos vinha alimentando: casar-se com uma mulher de fina educação, legitimamente. Lança os olhos em Zulmira, filha do Miranda. Botelho, um velho parasita que reside com a família do Miranda e de grande influência junto deste, aplaina o caminho para João Romão, mediante o pagamento de vinte contos de réis. Em breve, os dois patrícios, por interesse, se tornam amigos e o casamento é coisa certa. Só há uma dificuldade: Bertoleza. João Romão arranja um plano para livrar-se dela: manda um aviso aos antigos proprietários da escrava, denunciando-lhe o paradeiro. Pouco tempo depois, surge a polícia na casa de João Romão para levar Bertoleza aos seus antigos senhores. A escrava compreende o destino que lhe estava reservado e suicida-se, cortando o ventre com a mesma faca com que estava limpando o peixe para a refeição de João Romão. II- A obra tem uma variedade caricatural, ocorrendo a zoomorfização dos habitantes do cortiço, que é um procedimento constante ao longo da obra e, apesar de estar muitas vezes ligada ao comportamento sexual , pode servir para metaforizar ações vinculadas à tristeza, ao trabalho, à procriação. Um dos pontos estilísticos mais importante em O Cortiço é a minuciosa descrição de ambientes e personagens, da qual emergem elementos perceptíveis pelos sentidos, para compor um quadro de sons, cores, cheiros e formas. Os personagens são em determinado ponto de vista normais, pois o livro descreve em partes, algo de nossa realidade que esta situada aqui no Brasil. A complicação da obra se desembaraça após a chegada do Senhor Miranda que acaba causando certa inveja João Romão e até problemas. E com a chegada de Jerônimo que assim parte da obra começa a se passar em torno dele. O Cortiço passa por vários momentos de suspense, sendo assim alguns deles: - Jerônimo começa a dar em cima de Rita Baiana; - Jerônimo quer se vingar de Firmo, que o cortou em uma briga anteriormente. - Momento em que Bertoleza se mata. O enredo não foi invenção, pois, relata situações de um cotidiano existente e ativo. O Cortiço se da pla entrelaçamento de fatos que envolvem todo um lugar e faz com que todos personagens participem. A obra se passa em um cortiço construído por João Romão, que o começou através de um mercado, que o construirá ao lado de uma pedreira que em brava à comprará. Também é citado outro cortiço que era ao lado. O autor mostra toda construção não pelo físico mas sim pelo esforço de João Romão. O autor usa um estilo de linguagem convencional, sendo que no lugar onde se passa o obra dificilmente iria se encontrar alguém que tinha uma retórica apurada. Os romances naturalistas procuravam, por meio de representação literária, representar teses extraídas de teorias científicas. Nesse sentido, o Naturalismo buscou compor um registro implacável da realidade, sem deixar de lado seus aspectos repugnantes e grotescos. O Naturalismo abusou de um vocabulário de rigor técnico e de uma análise de cunho estritamente materialista a fim de estreitar ao máximo as relações Arte x Ciência. Uma das teorias que os autores buscavam demonstrar era de o espaço físico e o código genético influenciavam o comportamento humano. O livro não é uma ficção com preocupações sociais. Ele é uma obra de visão coletiva e traça um retrato implacável da sordidez e dos vícios humanos. A obra transcorre em um espaço físico delimitado e descreve um grupo social definido. O objetivo do autor é demonstrar que o ambiente determina os comportamentos humanos. Esse foi o melhor livro que eu já li, o trama e as complicações que envolvem a história me fascinou e ainda conseguiu passar algo para mim. Mostrou como dá para a gente aprender sem passar por determinado lugar e situação social. Ler é se preparar

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