Por que os números de óbitos são tão diferentes nas diversas regiões do Brasil?

Vários fatores podem influenciar a taxa de mortalidade em uma região. Em um país tão grande e desigual como o nosso, os números de óbitos são diferentes nas regiões do Brasil principalmente pela ausência do Estado, algo ainda mais prejudicial nas regiões mais pobres.

É justamente nas áreas mais carentes do país, onde a população precisa de serviços públicos essenciais para a sobrevivência, como saneamento básico e acesso aos serviços de saúde básica, que ocorrem as maiores taxas de óbitos, principalmente por causa da precariedade do sistema de saúde, da ausência de programas de pré-natal e vacinação e pela pobreza extrema.

Nessas regiões mais afastadas, também é mais comum a ocorrência de doenças que estão praticamente erradicadas em estados mais ricos da nação. Este estado de calamidade e desamparo interfere, primariamente, na taxa de mortalidade infantil.

Segundo o IBGE, o estado brasileiro que registra a maior taxa de mortalidade infantil é o Amapá. Na sequência, estão Maranhão e Rondônia. Só para comparação, o Amapá registra em média 23 mortes infantis para cada 1 mil nascidos vivos, enquanto no Estado de São Paulo o índice é de cerca de 10 bebês mortos para cada 1 mil nascidos vivos. A diferença é imensa, mais do que o dobro!

É importante constatar que, em São Paulo, o Estado oferece uma rede de atendimento do SUS muito maior do que no Amapá.

Outro indicador que reflete no número de óbitos em diferentes regiões do Brasil está ligado à Segurança Pública. O Atlas da Violência de 2019 mostrou as cidades mais violentas do Brasil.

Veja: O que é Política de Segurança?

Das 20 mais perigosas e que registram os maiores números de mortes em decorrência da violência, 18 estão na região Norte ou Nordeste. Este é um dado que mostra uma diferença imensa entre as regiões brasileiras. Obviamente, os estados mais pobres sofrem mais por causa do desemprego, falta de educação, quase nenhuma perspectiva para os jovens e o descaso do poder público com grande parte da população.

Vamos comparar mais duas cidades de regiões diferentes para notar a discrepância: segundo o Atlas da Violência 2019, a cidade de Maracanaú, no Ceará, foi a recordista em assassinatos, com a taxa de 145,7 casos por 100 mil habitantes.

Em Jaú, no interior do Estado de São Paulo, a taxa foi de 2,7 casos por 100 mil habitantes. O próprio documento onde estes dados foram apresentados já ressalta que a violência está mais presente nas cidades onde as condições habitacionais são precárias.

Outros dados chamam a atenção:

  • Nestes municípios violentos, muitos jovens entre 14 e 15 anos estão fora da escola, desempregados, moram em bairros extremamente violentos e são miseravelmente pobres;
  • Nestas regiões, grande parte das pessoas não tem acesso às ferramentas que auxiliam no desenvolvimento infantil;
  • O índice de óbitos de jovens é bem maior do que em outras regiões do país;
  • São poucas as oportunidades educacionais e as chances de entrar no mercado de trabalho;
  • Existem forças paralelas à do Estado ausente, como facções criminosas e milicianos.

O Estado também não controla as prisões. Deve ser lembrado o massacre de Altamira, no Pará, onde 58 presos foram mortos em uma tragédia, colocando a cidade como a segunda mais violenta do país!


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