José Américo de Almeida

José Américo de Almeida é natural da cidade de Areia, na Paraíba. Sua família exercia uma forte influência política na região onde morava. Nascido no dia 10 de janeiro de 1887, era filho de Inácio Augusto de Almeida e Josefa Leopoldina Leal de Almeida.

Aos 9 anos de idade ficou órfão do pai e foi entregue aos cuidados do seu tio, o padre Odilon Benvindo. Com isso, estudou no Seminário de João Pessoa e no colégio Liceu Paraibano. Em 1903, aos 16 anos, ingressou na faculdade de Direito do Recife e, em 1908 se formou no curso, sendo nomeado para o cargo de promotor público na comarca Sousa. No ano de 1911 foi nomeado promotor-geral do estado da Paraíba, cargo que ocupou até 1922, quando tornou-se consulto-geral do estado.

Neste ano, ainda lançou o seu primeiro livro, “As reflexões de uma cabra”, sendo seguida pela obra “A Paraíba e seus problemas”, de 1923. Esta que foi considerada uma obra literária de grande conteúdo social. Como tinha uma boa relação com os literários da época, em 1928, lançou o livro que o destacou no meio literário, A Bagaceira, ganhando projeção nacional e sendo considerado o ponto de partida do novo romance regional brasileiro.

Nomeado como secretário estadual do interior, foi o responsável por implantar altos impostos sobre o comércio entre o interior paraibano e o porto de Recife, que até então era livre de impostos, com o objetivo de reforçar as finanças do estado e o Porto de Cabedelo, na Paraíba. Isso fez gerar grande descontentamento dos fazendeiros do interior, principalmente do coronel José Pereira, que exercia forte influência em outros estados nordestinos.

Fotografia do José Américo de Almeida mais jovem

Em 1930, nas eleições presidenciais, apoiou a candidatura do oposicionista Getúlio Vargas, que tinha João Pessoa como vice-presidente na sua chapa. Poucos dias antes da votação, o coronel José Pereira levantou o município de Princesa contra o governo paraibano. Esse episódio ficou conhecido como A Revolta de Princesa, que recebeu apoio do governo federal e causou sérios problemas ao governador João Pessoa. Com isso, José Américo foi realocado para a Secretaria de Segurança, participando ativamente da repressão à rebelião.

Após a vitória na Revolução e a conseguinte vitória de Getúlio Vargas para o cargo de presidente, assumiu o Ministério da Viação e Obras Públicas, entre os anos de 1930 e 1934. No ano de 1932 sofreu um acidente aéreo na cidade de Salvador, que o deixou gravemente ferido.

Nomeado por Getúlio Vargas para ser o Embaixador do Brasil junto à Santa Sé, não chegou a exercer o cargo. Em 1935 foi eleito senador, logo depois designado ao Ministério do Tribunal de Contas da União.

Após “A Bagaceira”, publicou dois livros, “O Boqueirão” e “Coiteiros”. Em 1937 foi apresentado como candidato à presidência do país, mas o golpe de Estado suprimiu a campanha eleitoral.

No ano de 1945, após uma entrevista ao jornal “Correio da Manhã”, contribuiu para pôr fim à ditatura imposta por Getúlio Vargas em 1937.
Exerceu como senador nos anos seguintes, até 1951, onde voltou a ocupar a pasta ministerial da Viação e Obras Públicas, ficando no cargo até o suicídio de Getúlio Cargas, em 1954.

Ingressou à Academia Brasileira de Letras em 1966, ocupando a vaga deixada pelo falecimento do professor Mauricio de Medeiros.

Foi considerado “O Intelectual do Ano” em 1977, pela União Brasileira de Escritores.

Publicou seu último livro em 1976, “Antes que me esqueça”. Faleceu no dia 10 de março de 1980.

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