Hidrofobia (Raiva)

Também conhecida como raiva, a hidrofobia é uma doença contagiosa transmissível do animal para o homem. Normalmente, a infecção ocorre através da mordida do animal infectado. O vírus está presente na saliva e é transmitido através do contato com o sangue.

O vírus que produz a raiva, Rhabdoviridae, está presente em todo o planeta, com uma taxa de mortalidade mais alta na África e na Ásia, sendo as crianças e filhotes os mais propensos a morrer desta doença.

Nos países em desenvolvimento, onde a raiva canina é comum, a transmissão ocorre principalmente pela mordida de cachorro. Nos países industrializados, a transmissão para humanos ocorre mais frequentemente em animais silvestres.

Mesmo as membranas mucosas como por exemplo, os olhos ou a boca, podem constituir uma entrada para o vírus.

1. Contexto Histórico


Hidrofobia, gravura

É uma das primeiras doenças das quais há evidências na antiguidade; sua primeira referência é em escritos sumérios do ano 3500 a.C, em que se detalha que os proprietários de cães raivosos que haviam mordido outras pessoas foram multados.

A doença é mencionada em várias obras antigas da literatura, como o artigo de Aristóteles (300BC) que aponta a raiva como uma das doenças que afetam cães e qualquer animal que seja mordido pelos cachorros.

Também nos primeiros tempos históricos, era necessário que o dono de um cachorro visualizasse os sintomas da hidrofobia, como a salivação excessiva, para tomar precauções para impedir que seu cão mordesse alguém.


Girolama Fracastoro


Girolama Fracastoro

Girolama Fracastoro é mais conhecido por descobrir o vírus da sífilis, mas também foi ele que descobriu o vírus da raiva. Embora a hidrofobia seja uma das doenças mais antigas e temidas do mundo, só no século XV foi conhecida sua verdadeira natureza.

Fracastoro encontrou a doença muitas vezes em sua prática médica. Ele foi capaz de determinar que o germe era um vírus transmitido por contato direto com a saliva de um animal infectado.

Através de anos de estudo de pacientes que sofriam de hidrofobia, Fracastoro foi capaz de ligar a doença com um vírus e classificá-lo como uma enfermidade contagiosa que também pode ser transmitida de animais para o homem.

Depois de concluir isso, Fracastoro nomeou a doença como "raiva". A palavra raiva vem de uma palavra latina que significa "fúria". Fracastoro disse que a hidrofobia era incurável. Em 1584, ele documentou suas descobertas em um livro.


Louis Pasteur


Louis Pasteur

Louis Pasteur descobriu a vacina contra a raiva em 1895, quando tinha 63 anos, com base em anotações de Fracastoro. Pasteur começou sua carreira como químico, mas mudou para microbiologia, depois que dois de seus filhos morreram de febre tifoide.

Ele tinha uma forte compreensão dos vírus e popularizou a ideia de que os germes são responsáveis ​​por muitas das doenças que assolaram a Europa no século XIX.

Pasteur desenvolveu técnicas para produzir vacinas usando cepas enfraquecidas de vírus perigosos. Depois de isolar o vírus da raiva nos tecidos dos animais infectados, ele injetou em animais saudáveis. Isso permitiu o desenvolvimento de anticorpos sem arriscar a saúde das pessoas.


2. Propagação

É uma doença onipresente, com algumas exceções de países insulares ou continentes como; Japão, Oceania, Austrália (exceto a região de Ballina), Nova Zelândia e algumas ilhas do Caribe. Mais de 30.000 casos são registrados em todo o mundo a cada ano.


3. Transmissão

A raiva é transmitida através do contato com saliva ou outras secreções de um animal infectado, por meio de mordidas ou arranhões. Outra forma de infecção, embora rara, é quando a saliva infectada atinge uma ferida aberta ou mucosa.

O vírus, uma vez dentro do corpo, viaja através do corpo até o cérebro, onde causa inflamações que produzem os sintomas característicos da doença.


4. Incubação

O tempo de incubação varia de espécies infectadas pelo vírus e a distância entre a ferida que penetra o vírus e o cérebro.

Nos cães, os sintomas da raiva geralmente aparecem entre 3 e 8 semanas após a infecção; em casos menos comuns, houve períodos de incubação mais longos, de até 6 meses, tudo isso também depende da distância até o cérebro.

Cachorro com Raiva

Nos gatos este período pode ser um pouco lento, pois depende da quantidade de vírus inoculados. O período de incubação pode ir de 8 a 9 dias a mais de um ano, embora a maioria dos gatos apresente sintomas dentro de 4 a 6 semanas após a mordida.

No caso dos seres humanos, os sintomas aparecem entre 3 e 6 semanas após a contração da infecção.

Casos também foram documentados em que a transmissão do vírus passou por partículas de aerossol flutuando no ar. Esses casos são raros e só ocorreram em cavernas onde moravam muitos morcegos infectados.

O cão geralmente é o principal portador dessa doença, assim como é o animal que mais a transmite. É por isso que os planos de esterilização e vacinação para animais de estimação e cães vira-latas, foram fortalecidos ao longo dos anos.


5. Sintomas

O quadro sintomático da raiva pode não parecer alarmante a princípio, mas os sintomas se tornarão cada vez mais graves, afetando diferentes funções corporais e a personalidade do doente.

Os sintomas são:

  • Febre;
  • Ansiedade;
  • Estresse;
  • Nervosismo;
  • Salivação excessiva;
  • Agressividade;
  • Hiperatividade;
  • Inapetência;
  • Dificuldade em engolir;
  • Paralisia;
  • Fotossensibilidade;
  • Olhar selvagem e desorientado;
  • Automutilação;
  • Mudanças na voz;
  • Convulsões.


6. Diagnóstico

O diagnóstico da raiva é feito com base em uma análise do tecido nervoso do cérebro, o que significa que o diagnóstico só pode ser feito após a morte do animal. Um teste especial chamado imunofluorescência é usado.

Outras técnicas foram tentadas para diagnosticar a doença em estágios iniciais, sem a necessidade de acabar com a vida do animal. Entre essas técnicas está a reação em cadeia da polimerase (PCR), mas por enquanto o único diagnóstico exato envolve a morte do animal para analisar seu cérebro.


7. Prevenção


Prevenção Hidrofobia

A melhor maneira de prevenir é através da vacinação, os animais devem ser vacinados, principalmente os filhotes, com reforços anuais. Verifique com um veterinário, o calendário de vacinação.

Existem vacinas preventivas para pessoas que estão em maior risco de contrair este vírus, como veterinários, biólogos, treinadores de cães e outros. Estas vacinas preventivas reduzem o risco de infecção quando a pessoa é mordida.

Se um animal infectado morde a pessoa, ela deve limpar bem a ferida com água e sabão e ir imediatamente a um centro de saúde. O paciente precisará de um médico para realizar uma limpeza completa da ferida e remover qualquer resíduo estranho. Na maioria das vezes, as suturas não devem ser usadas para feridas causadas por mordidas de animais.

Se considerado necessário, a pessoa que foi mordida receberá uma série de vacinas preventivas antes que os sintomas apareçam.


Ajude a controlar a raiva seguindo estes passos:

  • Pergunte ao seu veterinário como vacinar seus cães, gatos, furões, cavalos, etc.
  • Mantenha o calendário de vacinação dos seus animais em dia. Seu veterinário irá aconselhá-lo sobre o programa mais apropriado em relação à frequência de vacinação necessária em sua área.
  • Reduza a possibilidade de exposição de seus animais à raiva, mantendo-os dentro de sua propriedade e não permitindo que eles andem livremente pelas ruas.
  • Não deixe sobras ou alimentos para seus animais de estimação no quintal, pois pode atrair animais selvagens.
  • Os animais selvagens não devem ser mantidos como animais de estimação. Não só pode ser ilegal, mas também pode ser uma ameaça potencial de raiva para pessoas e outros animais.
  • Se você perceber que um animal selvagem age de maneira estranha, notifique as autoridades de saúde animal de sua cidade.
  • Proteja bem sua casa para que você possa evitar que os morcegos se aninhem e tenham contato com as pessoas.

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