Ciclo do Ouro (Ciclo da Mineração)

O Ciclo do Ouro e Pedras Preciosas, também chamado de Ciclo da Mineração, foi o período do Brasil Colonial de maior ascensão econômica, devido à extração do ouro e sua exportação. Ele se iniciou no fim do século XVII, quando o açúcar, que era até então a maior fonte de renda, perdeu força no mercado mundial em meio à concorrência.

O Ciclo do Ouro se manteve em alta pelo menos até os primeiros 60 anos do século XVIII, quando a extração se estagnou devido à exploração constante das minas e revolucionou este período. O caminho que era utilizado para a penetração do interior do país, era o Rio das Velhas e foi justamente ali que bandeirantes encontraram em suas margens as primeiras pepitas de ouro.

Foi durante o Ciclo do Ouro que também ocorreram os primeiros conflitos nas minerações, tendo destaque a Guerra dos Emboabas, onde os paulistas disputaram o controle do sistema de mineração.

Uma figura bem importante neste período foi a do Tropeiro, não só economicamente, mas por seu constante deslocamento, ele era a figura que levava e trazia notícias e mercadorias entre as pequenas vilas e grandes cidades.

A Igreja teve seu papel histórico bem destacado nesta época: quando o ouro era encontrado em um local, pessoas se mudavam para lá, iniciando o processo de povoamento e, a construção da capela, era uma das primeiras providências tomadas. Em volta dela, as casas eram construídas e muitos grandes centros urbanos assim nasceram. Já aos padres, cabia a tarefa de tentar frear os muitos abusos cometidos.


História do Ciclo do ouro no Brasil

A exportação do açúcar brasileiro foi até o final do século XVIII a principal fonte de lucro para a Coroa. No entanto, quando a Holanda iniciou o cultivo da matéria-prima do açúcar nas Antilhas, acabou por oferecer um açúcar não só de boa qualidade, mas com um menor preço do que o do Brasil, desencadeando uma crise, obrigando a Coroa a buscar um novo modo de manter os lucros.

Quando chegou a Portugal a notícia de que muito ouro e pedras preciosas estavam sendo encontradas, sobretudo em Minas Gerais, a solução havia sido encontrada. A região passou a atrair bandeirantes, sertanejos, brasileiros, portugueses e gente de todos os lugares em busca do ouro e acima de tudo, da possibilidade de enriquecer.

O Ciclo do Ouro e Pedras Preciosas no Brasil teve seu início no reinado de D. João V, entre os anos de 1706 e 1750. O aumento na produção de ouro foi tanto que três casas da moeda funcionavam ao mesmo tempo, para dar conta da produção das moedas, que eram iguais às que circulavam em Portugal.

O Ciclo teve início em Minas Gerais, fazendo com que o centro econômico do país se deslocasse para o sudeste, assim como a mão-de-obra escrava, que foi levada dos engenhos do Nordeste para lá.

As primeiras pedras preciosas foram encontradas em 1729, em Minas Gerais, onde se instalou o Regimento dos Superintendentes e Guarda-mores das Terras Minerais, na tentativa de regulamentar a extração das pedras. A Intendência dos Diamantes foi instituída em 1734 e no ano seguinte, a Coroa determinou que a extração dos diamantes fosse proibida até 1740, quando houvesse condição do controle dos lucros e, principalmente, os preço no mercado internacional subisse. Devido ao excesso da oferta, os preços das pedras preciosas estavam bem baixos.

Desta forma, a região sudeste desencadeia seu desenvolvimento econômico, se forma com suas colônias de povoamento, deslocando todo seu poder de investimento da Coroa na região e decide por mudar a capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro. Enquanto isto, o Nordeste entre em uma crise que perdurou por toda a história do Brasil.

No entanto, extrair ouro e pedras preciosas era bem diferente de cultivar a cana-de-açúcar. Era necessário alto investimento em mão-de-obra, além da compra de maquinário, equipamentos e terrenos onde estariam as pedras e pepitas. Com esta realidade, somente os grandes comerciantes puderam investir neste novo negócio.

Com a exploração do ouro ganhando volume, mais pessoas se dedicando à extração, vilas nascendo e mais pessoas se deslocando e lucrando com a extração, a Coroa portuguesa decide pela implantação de uma série de impostos, sendo o Quinto o mais famoso deles. Nesta cobrança de impostos, qualquer pessoa que encontrasse ouro nas terras brasileiras deveria dar um quinto, ou seja, 20% do que encontrou para o pagamento de impostos.

Outro imposto tinha o nome de Derrama, onde a colônia tinha por obrigação a arrecadação de uma cota de ouro, de cerca de 1,5 quilos. Caso este índice não fosse atingido, os bens dos mineradores seriam penhorados. A Capitação era outra modalidade de imposto. Aqui a Coroa lucrava por cada escravo que trabalhava na extração de ouro, cobrando imposto por cabeça.

A ostensiva fiscalização e excesso de impostos e punições por parte da Coroa desencadearam uma série de revoltas e conflitos no país, incluindo a Revolta de Felipe de Santos e muitas outras revoltas sociais. Em 1789, ocorreu a Inconfidência Mineira, que foi a mais importante revolta ocorrida na época, tendo Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, seu maior exponente.

Calcula-se que durante este Ciclo do Ouro e Pedras Preciosas, tenham sido extraídos do Brasil cerca de uma tonelada de ouro e mais de 1.666.569 quilates em diamantes.

Quando o Ciclo do Ouro entrou em decadência, o café o substituiu, dando início a uma nova fase da história do Brasil.


A História do Ciclo do Ouro no Mundo

O Ciclo do Ouro e Pedras Preciosas do Brasil teve influência em outros lugares do mundo, além de Portugal.

A extração perdurou com sucesso até meados de 1760 e durante este período, acredita-se que cerca de mil toneladas de ouro foram extraídas. Além de enriquecer algumas pessoas, formou-se as finanças do estado e com estes recursos, d. João V fez importante obras, como o Palácio-convento Nacional de Mafra, de Lisboa, ainda no século XVIII, além de outras obras no Brasil.

Com recursos e lucros advindos da extração do ouro no Brasil, Portugal investiu na Guerra da Sucessão da Espanha e na Batalha Naval do Cabo de Mataplan (Batalha de Matapão), ambas ocorridas na Europa.

Alguns historiadores defendem que foi o ouro brasileiro que fez com que a Inglaterra concentrasse grandes reservas em seu sistema bancário, a tornando uma potência europeia, financiando assim a Revolução Industrial Inglesa.

Crédito das imagens da capa: Wikimedia 1, Wikimedia 2

Vídeo - Aula do Professor de História - Felipe de Oliveira




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