Revolução Francesa


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Revolução Francesa

06/03/2009

•Antes da Revolução

A vida na corte francesa
Os anos que precederam a Revolução de 1789 foram de grande fome para o povo francês. Essa, era uma característica do Antigo Regime, o povo morria mesmo, de fome !

O esplendor da corte francesa durou, na verdade, uns 25 anos. Quando Luís XIV começou a governar, iniciou a fase de maior luxo na corte. Ele era conhecido como “Rei Sol “, construiu Versalhes, o palácio, e assim ficava a nobreza cada vez mais afastada do povo, sujo, faminto e turbulento. O modo de vida da corte francesa era imitado por toda a Europa, assim como os jardins e a decoração de Versalhes.

Os sucessores do Rei Sol já não davam tanta importância às regras da corte. Luís XV preferia se distrair com suas favoritas do que cumprir com sua obrigação de atender as audiências públicas. Luís XVI, parecia um burguês, com seu gosto pelos trabalhos em madeira. Ele era excelente como marceneiro e também serralheiro. Mas, sua mulher, Maria Antonieta, entendia tudo de etiqueta, embora preferisse receber seus convidados no Petit Trianon, um anexo ao palácio, onde ficava mais à vontade. Ela ficou conhecida pela frase: “ Se não têm pães, que comam brioches ! ”, que ela teria dito quando o povo faminto gritava porque não tinha nem um pedaço de pão.

O fato é, que tanto Luís XVI como Maria Antonieta viviam completamente isolados do povo, melhor dizendo, do Terceiro Estado que reunia os 96% de plebeus que havia na população francesa entre miseráveis, pobres, remediados e mesmo ricos.

Os nobres, uma pequena minoria de 400 mil pessoas dentro de um país com 23 milhões de habitantes eram privilegiados, não pagavam imposto algum, embora eles e o clero ( cujos principais titulares também eram nobres ) fossem donos de vastas extensões de terras. É verdade que apenas uma mínima parcela deles freqüentava a corte, mas, exigiam do rei, presentes e outras vantagens em dinheiro. Esse foi um dos grandes motivos da falência das finanças reais imediatamente antes da Revolução. Luís XVI não conseguia recusar a seus primos e amigos o que estes lhe pediam, mesmo que isto resultasse em fome, carestia e morte para o povo. A bem da verdade o rei não parecia ter idéia de como o povo vivia.

Luís XIV foi um rei que não queria saber dos pobres, Luís XV subiu ao trono como o Bem Amado, mas morreu odiado e Luís XVI que foi guilhotinado, foi o menos duro com seu povo, apenas não tomava conhecimento do que ocorria fora dos muros do palácio. O grande problema era o regime absolutista que tinha se tornado insuportável para os franceses.


•O Iluminismo

A inspiração
Nos séculos XV e XVII, com a Renascença, surgiram na Europa pensadores contrários às idéias da Igreja. Galileu, Descartes, Maquiavel, entre outros pretendiam derrotar a fé como forma dominante de conhecimento. No século XVII recebemos o legado científico de Isaac Newton e o pensamento político de John Locke que iguala todos os homens pelo direito à vida, à liberdade e à propriedade.

Mas, é no início do século XVIII que a França apresenta ao mundo Voltaire, Diderot, D’Alembert e Montesquieu, filósofos que lutavam contra a obscuridade dos dogmas e da religião, a favor das luzes da Razão. Também Jean Jacques Rousseau marcaria época com seu “O Contrato Social” , obra em que propôs a democracia e o sufrágio universal como forma de eliminar a indesejável e histórica desigualdade entre os homens.

Os filósofos iluministas forneceram a substância teórica e ideológica para a revolução burguesa. Mas, ao dar universalidade a seus pensamentos , avançaram, como a Declaração que se baseou neles, muito além dos interesses burgueses, marcando a História contemporânea com sua modernidade.


•A Revolução

Os Motivos
A coroa francesa estava falida há muito tempo. Nos dez anos anteriores à revolução haviam chegado à beira da bancarrota porque o governo francês estava ajudando os Estados Unidos na luta pela independência.

O relatório financeiro de março de 1788 mostrava que as despesas somavam 629 milhões de libras mas, a receita era de 503 milhões. Essa situação piorava pela necessidade de abastecer o luxo da nobreza, na corte, com todo tipo de supérfluos. O governo precisava de dinheiro mas, sabia que não tinha como lançar mais impostos sobre a população, já exaurida. Pensou, então, em acabar com os privilégios do clero e da nobreza, que não pagavam nenhum imposto, embora fossem grandes proprietários.

A França tinha então pouco mais de 25 milhões de habitantes, dos quais 80% eram camponeses. Os 20% restantes amontoavam-se precariamente em povoações que mal chegavam aos 2000 habitantes.

Paris, com 650 mil, era uma exceção - e uma das maiores cidades do mundo na época.

O Primeiro Estado era formado pelo clero, mais ou menos 1% da população. Estava dividido em alto clero, formado pelos bispos, arcebispos e cardeais, tinha vida de luxo como a nobreza e possuía cerca de 20% de todas as terras do país. O baixo clero, ao contrário, embora também não pagasse impostos e outras vantagens, era formado por padres muitas vezes tão pobres quanto seus fiéis.

O Segundo Estado era formado pela nobreza, dividida em nobreza de espada, tradicional e orgulhosa, de linhagens que vinham da alta Idade Média, e nobreza togada, formada por plebeus enriquecidos, que compraram títulos de nobreza e seus descendentes. Compreendia 2% da população, algo entre 250 e 400 mil pessoas. Eram os donos de um terço de todas as rendas do país e tinham os mais altos cargos do Judiciário, da burocracia, do clero e do exército.

O Terceiro Estado era, na verdade, todo o resto da população mas sua facção mais destacada era a burguesia, uma classe economicamente poderosa. Embora, os burgueses com o dinheiro comprassem cargos e títulos, seus negócios eram muito atrapalhados pelos impostos e pedágios que encareciam a circulação de mercadorias e além disso havia companhias comerciais que pertenciam ao Estado e tinham o monopólio de comércio externo.

As camadas inferiores do Terceiro Estado eram formadas pela plebe das cidades, um conjunto de artesãos, operários, pequenos comerciantes e pequenos empresários. Eram os sans-culottes, que mais tarde teriam um papel decisivo na revolução. Além deles havia uma formidável e explosiva massa de miseráveis, principalmente em Paris. Os camponeses eram a classe mais numerosa e a base da sociedade francesa. Eles eram muito pobres e oprimidos por mais de trezentas obrigações feudais que tolhiam completamente sua liberdade.

Na metade do século XVIII, Luís XVI cometeu seu pior erro, que foi reforçar o direito exclusivo da nobreza aos altos cargos da administração e do exército. Isso foi intolerável para o Terceiro Estado.


•Ato I
Em 1787, desesperado com a falta de dinheiro, o rei Luís XVI tentou criar um imposto a ser pago pela nobreza e isso causou uma reação muito grande. Os nobres não admitiam perder seus privilégios.

Foi convocada uma Assembléia de Notáveis, formada por representantes da aristocracia e do clero e, ela decidiu que só a nação inteira, representada nos Estados Gerais poderia criar novos impostos. O rei, fez de tudo para revogar a decisão, prendeu parlamentares, exilou outros, mas de nada adiantou. A rebelião cresceu e a nobreza ameaçada , se tornou a porta-voz da nação que já não aceitava o poder real absoluto.

Em julho de 1788, isolado e pressionado por todos os lados, o governo aceitou convocar os Estados Gerais para 1o de maio de 1789.



•ATO II
No dia 5 de maio de 1789, em sessão solene com a presença do rei, foram abertos os Estados Gerais. Na sala de cerimônias, em Versalhes, o clero e a nobreza ocuparam seus lugares, à direita e à esquerda do rei. Os representantes do Terceiro Estado foram amontoados em banquetas, separados das ordens privilegiadas por uma barreira. Luís XVI estava preocupado com o desejo de inovação que observava.

Um novo debate começou, com relação aos critérios de votação. A nobreza e o clero queriam a forma tradicional de votação, um voto para cada estado, que era favorável à eles. O Terceiro Estado, que representava 95% da nação , queria o voto por cabeça, assim seriam favorecidos.

Era o impasse, a nobreza e o clero queriam uma Assembléia com poderes limitados e a burguesia queria transformá-la em Assembléia Nacional para escrever uma Constituição e limitar os poderes do rei. Os Estados Gerais, então foram transformados em Assembléia Nacional em 15 de junho de 1789.

Não querendo proibir mas não querendo permitir a Assembléia, com medo de uma guerra civil, Luís XVI criou uma série de obstáculos para sua reunião. Mas, a Assembléia se rebelou e decidiu manter-se unida até preparar uma Constituição. Nessa altura, nobres, membros do clero, soldados já se haviam juntado aos rebeldes. Luís XVI continuava intransigente e mandou cercar Paris e Versalhes com dez regimentos.

A multidão estava inquieta desde o dia 12 de julho, quando foi demitido o ministro das Finanças, Jacques Necker. Foi uma notícia recebida com a certeza de que o pão se tornaria mais raro e mais caro.

•ATO III
Paris havia se transformado num barril de pólvora, com a autoridade do rei sendo desobedecida, o povo começava a tomar consciência do seu poder.

Desde a madrugada de 14 de julho de 1789, uma terça-feira, pelo menos 8 mil parisienses irados estavam reunidos na esplanada dos Inválidos. Eles queriam armas para enfrentar os soldados, que eles acreditavam, Luís XVI estava mandando de Versalhes. O administrador não sabia o que fazer. A multidão, então, arrombou os portões e se apoderou de 40 mil fuzis e 12 canhões. O problema era a pólvora para eles, a munição ficava guardada na formidável fortaleza da Bastilha, que era depósito e prisão. Certamente, se fossem pensar com calma, diriam que era impossível se apoderar daquela fortaleza inexpugnável. Só que, antes do anoitecer, tomaram a Bastilha. Com a queda da fortaleza foi derrubado também o Antigo Regime, representado na figura do rei e sua corte de aristocratas inúteis.

A multidão que cercou a Bastilha era muito maior que os 8 mil reunidos de madrugada na praça dos Inválidos. Mas, conforme recenseamento feito depois pela Assembléia Nacional, “os vencedores da Bastilha” foram não mais que 800, registrados e cadastrados, com nome, endereço e profissão. Assim, pode-se saber, com segurança, que entre eles estavam alguns raros burgueses - 3 industriais, 4 comerciantes e 1 cervejeiro - muitos pequenos produtores independentes , artesãos, oficiais de corporação, muitos militares. Um terço, pelo menos, era de assalariados da manufatura e da construção. O mais jovem tinha 8 anos. Havia uma única mulher, uma lavadeira.

A multidão que na manhã do dia 14 correu para a Bastilha não tinha quem a enfrentasse, só o administrador da fortaleza, que não queria entregar a munição. Os mais valentes, então invadiram porém sem nenhuma ordem. Só mais tarde quando o chefe da lavanderia da rainha Maria Antonieta chegou com 36 granadeiros, 21 fuzileiros, 400 cidadãos armados e alguns canhões é que os invasores entraram de uma vez, desarmaram os soldados, se apoderaram da pólvora e libertaram os prisioneiros.

A queda da Bastilha foi o sinal para a revolução municipal na França, que fez repetir em todo país o que acontecera em Paris, as cidades instalaram novas autoridades, seguindo o modelo da capital.



Fonte do documento:
http://www.geocities.com/athens/Oracle/1759/franc.zip





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