Projeto Genoma - O Código Genético

Projeto Genoma - O Código Genético

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Estados Unidos e Inglaterra 27/06/2000 Terça-feira
O genoma humano foi mapeado e sua seqüência estabelecida pela primeira vez na história da humanidade. O impacto no conhecimento foi comparado ao da descoberta da América, em 1492, da chegada do homem à Lua, em 1969, e da invenção do microprocessador, em 1970.O genoma é um conjunto de instruções para construir um ser humano e está contido no núcleo de cada célula, organizado em 23 pares de cromossomos. Cada cromossomo carrega milhares de genes (seqüência de letras A,T,C e G com a receita de uma proteína específica), que são os trechos específicos de DNA (ácido desoxirribonucléico – molécula em formato de escada torcida – composta por pares de bases nitrogenadas), onde se encontram instruções hereditárias específicas.

O código de instruções compõe-se de quatro letras químicas, as bases nitrogenadas A,T,C e G (adenina, timina. Citosina e guanina) e um erro (mutação) nas seqüências, pode resultar numa doença. O evento deve revolucionar a medicina nos próximos anos e os cientistas tentarão desenvolver tratamentos que atuem nos genes envolvidos em determinadas doenças ou criar um remédio baseado na função da célula que faz com as pessoas não tenham o mal, ou mesmo, evitar já na infância, que determinadas doenças apareçam.

A finalização de um rascunho com mais de 90% dos 3 bilhões de letras do código genético humano, promete a era da biomedicina de precisão. Com esse conhecimento, código DNA cientistas podem, em teoria, desvendar os mecanismos moleculares de todas as aflições do corpo. Antes, é preciso entender como o DNA é afetado pelas informações do ambiente em que interagem os organismos, do útero à sociedade. Pouquíssimos genes – as palavras de DNA contidas no genoma – foram já identificados. Mais raros ainda são aqueles cujas mutações estão descritas com detalhe, ou como essa falha de ortografia genética contribuem para o caos bioquímico que se acredita estar por trás de doenças como o câncer. São provavelmente mais de 40 mil os genes usados pelo corpo humano para produzir outro tanto de proteínas, torrente de sinais que normalmente resultam na sinfonia a que se dá o nome de saúde.

Um dos genes mais conhecidos é o BRCA1 e as 5.711 letras A,T,C e G representam, código DNA cada uma, uma substância enfileirada na longa molécula em forma de escada torcida do DNA. Mais de 500 tipos de mutações já foram descobertas no BRCA1, cujos defeitos estão associados ao câncer de mama e ao de ovário em 60% dos casos hereditários. Nem por isso a ciência foi capaz de produzir uma cura, embora tenha contribuído enormemente para refinar diagnósticos. Na maioria dos casos, informação genética ainda equivale a uma condenação mais precoce.

Entre os efeitos negativos previsíveis dessa revolução nos diagnósticos está um crescimento no número de abortos seletivos, para impedir o nascimento de crianças com predisposição – nunca 100% segura – para certa doença. E ainda, a invasão de privacidade por seguradoras e empregadores. Mas se abre também a perspectiva de projetar remédios em computador, sob medida para a coleção peculiar de genes do paciente.

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