Miguel Torga, pseudônimo utilizado por Adolfo Correia da Rocha para assinar a sua obra literária, nasceu no dia 12 de agosto de 1907, em São Martinho da Anta, no concelho de Sabrosa Trás os Montes, em Portugal, uma aldeia onde ficou marcada o restante da sua vida.

O nome Miguel foi uma clara homenagem aos espanhóis Miguel Cervantes, Miguel de Molinos e Miguel Unamuno. Já o nome Torga foi para homenagear o nome da planta urze, também conhecida como torga, que existia em grandes quantidades na terra natal do poeta. Urze é uma planta que sobrevive nas pedras das montanhas, com raízes muito duras que se infiltram por entre as rochas.

Em 1918, foi estudar no seminário de Lamego, a fim de fazer estudos para o Liceu, mas como não conseguiu se adaptar à escola saiu após um ano e foi para o Brasil, quando tinha apenas 13 anos, para trabalhar na colheita de café na fazenda do tio, na cidade de Santa Cruz, em Minas Gerais.

No ano de 1925, retornou ao seu país de origem a fim de fazer o Liceu e, em 1928, se matriculou na Universidade de Coimbra, além de lançar o seu primeiro livro, “Ansiedade”. Enquanto estudava na Faculdade, uniu-se ao grupo da Revista Presença. Essa revista era vista como o canal de divulgação das ideias do grupo e teve o seu primeiro exemplar lançado no dia 10 de março de 1927.

Por volta de 1930, Miguel Torga e Branquinho da Fonseca, o diretor da revista, decidem abandonar o grupo, justamente por divergências quanto à liberdade de criação dos redatores. Com a saída dos dois, eles criam a Revista Sinal, que conseguiu apenas que um exemplar fosse publicado.

No ano de 1934, Adolfo Correia utiliza pela primeira vez o seu pseudônimo Miguel Torga, ao publicar o seu livro em prosa, “A Terceira Voz”. Dois anos depois, participa do lançamento da revista Manifesto, que teve apenas cinco exemplares publicados. A partir desse momento, começou a se afastar dos grupos literários e foi se dedicar à medicina e à produção literária. Em 1939, casa-se com a belga Andrée Crabbé, que era professora na Universidade de Lisboa.

Fotos e Gravura de Miguel Torga

Tempos depois, por motivação política, a sua esposa foi impedida de dar aulas. Em 1940, devida às críticas feitas à ditadura fascista que foi implantada na Espanha pelo general Francisco Franco, contadas no livro “O quarto dia...” foi preso.

Torga sofreu e teve alguns dos seus livros apreendidos porque, até antes do dia 25 de abril, era opositor ferrenho da ditadura Salarazista, que estava implantada em Portugal. Quando Salazar caiu, foi presidente da primeira reunião do órgão regional do centro do Partido Socialista, mas nunca se filiou a nenhum partido por divergir de todas as suas ideologias.

A obra de Miguel Torga basicamente retrata o homem e as suas relações, conflituosas ou não, com a terra e com o mundo. A morte e a solidão também são temas constantes nas suas escritas, que mostram como é a genialidade do poeta, além da sua consciência sobre a brevidade da vida.

Miguel Torga faleceu no dia 17 de janeiro de 1995.

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