José Saramago

José de Sousa Saramago nasceu de uma família humilde de camponeses, na Aldeia de Azinhaga, ao sul de Portugal, no dia 16 de novembro de 1922. Filho de pais analfabetos, sua origem foi fundamental para influenciar o seu modo de escrever, caracterizada pela liberdade no uso da pontuação.

No ano de 1939 terminou os estudos secundários, na cidade de Lisboa. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo trabalhado também como desenhista, funcionário público nas áreas da saúde e na Previdência Social, diretor literário de uma editora, jornalista e tradutor.

Colaborou ainda com várias revistas e jornais, como a Seara Nova, o Diário de Lisboa, A Capital e o Jornal do Fundão, publicações na qual o manteve em atividade regular de cronista.

Mesmo que em 1947 tenha estreado na literatura com o livro “Terra do pecado”, foi só em 1966 que retornou a publicar a sua obra, com o volume de poesia “Os poemas possíveis”. Desde então, se firmou como um dos mais importantes autores portugueses, sendo um dos mais conhecidos no mundo.

Retrato do José Saramago

A primeira fase da sua carreira como escritor foi marcada pela poesia e pela crônica, gênero que o lançou ao mundo, onde ganhou destaque e notoriedade, através dos jornais por onde trabalhou. Também se aventurou pelo teatro, onde, a partir do final dos anos 70, publicou “A noite”, uma peça de teatro que tem como cenário uma redação de jornal na noite de 24 para 325 de abril de 1974, que foi premiada com o prêmio da Associação de Críticos Portugueses.

Além dessa, outras obras teatrais também foram escritas, como “Que farei com este livro?”, de 1980 e “In Nomini Dei”, de 1993. Entretanto, foi como romancista que o seu nome se tornou consagrado, tendo publicado, em 1977, o Manual de Caligrafia e Pintura.

“Levantado do chão”, de 1980, ganhou o Prêmio Cidade de Lisboa, o Prêmio Internacional Ennio Flaiano e constituiu um importante marco na sua carreira.

Saramago foi criador de um dos universos literários mais sólidos do século XX, unindo a atividade de escritor com a de um homem crítico da sociedade, onde injustiças eram denunciadas e os conflitos políticos eram constantemente pronunciados por ele, que chegou a ser membro do Partido Socialista Português.

Entre os seus livros mais importantes, estão “O evangelho segundo Jesus Cristo”, “Ensaio sobre a cegueira”, “A jangada de pedra” e “A viagem do elefante”. Venceu, em 1995, o Prêmio Camões e em 1998, o Prêmio Nobel de Literatura.

Seu livro “O evangelho segundo Jesus Cristo” foi considerado ofensivo pela Igreja Católica e censurado pelo governo português, em 1922, por ser referir ao nascimento de Jesus como “sujo de sangue de sua mãe, viscoso das mucosidades e sofrendo em silêncio”.

Sua outra obra, “Ensaio sobre a cegueira”, foi adaptada para o cinema em 2008, pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, revelando “a responsabilidade de ter olhos quando os outros se perderam”, utilizando-se de metáfora em relação à cegueira.

Tornou-se imortal para todos que acompanharam a sua obra, tendo falecido no dia 18 de junho de 2010, em Lazaronte, na Espanha, junto da sua esposa, a jornalista espanhola Pilar Del Rio e sua família.


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