Ordens Religiosas em Portugal

Ordens Religiosas em Portugal

Ordens religiosas em Portugal, no período anterior à fundação da nacionalidade já existiam mosteiros pertencentes a diversas regras no território do condado Portucalense.


ORDEM DE SÃO BENTO
A mais antiga congregação aí estabelecida foi a Ordem de São Bento, de rito cluniacense, que se fixou sobretudo nas zonas rurais do Norte e do Centro, destacando-se os mosteiros de Tibães, Paço de Sousa, Santo Tirso, Arouca e Lorvão, tendo desenvolvido uma importante ação no processo de repovoamento das regiões.


CONGREGAÇÃO PORTUGUESA
Esta congregação data apenas de 1567, séculos depois da sua instalação. Os Cônegos Regrantes de Santo Agostinho desenvolveram-se em Portugal a partir do século XII, tendo por base o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1132). Após a conquista de Lisboa (1147), iniciaram a edificação do mosteiro de São Vicente de Fora. No século XIV contavam com cinco mosteiros masculinos e um feminino, tornando-se província autônoma em 1476, conhecendo o ramo observante (ou calçado) um grande crescimento nos séculos XVI e XVII, tanto em Portugal como nos domínios ultramarinos, estendendo a sua ação nomeadamente à Índia, Ceilão e Pérsia. Destacaram-se pela sua atividade religiosa e produção intelectual os conventos da Graça (Lisboa, Coimbra e Ponta Delgada) e de Santa Mônica (Évora, Lisboa e Goa).



ORDEM DE CISTER
Somente a partir de 1140, consolidada a independência do reino de Portugal, D. Afonso I apoiou outras instituições de regulares. Entre estas contava-se a Ordem de Cister a quem concedeu algumas antigas casas beneditinas como Arouca, Lorvão, Lafões e Tarouca, além de lhes ter confiado o mosteiro de Alcobaça por ele instituído (1153). D. Dinis I atribui-lhes, também, o mosteiro de Odivelas (1295). Fundaram, ainda, o convento de Xabregas, em Lisboa (1439), separando-se definitivamente da obediência a Claraval em 1567, após o que empreenderam novo ciclo de fundações. Empenharam-se essencialmente em duas grandes áreas: atividades agrícolas e a produção cultural, sobretudo em Alcobaça, sede da ordem, onde reuniram, ao longo de séculos, uma valiosa biblioteca, tendo uma plêiade de cronistas (Bernardo de Brito, António Brandão e Rafael de Jesus, entre outros, elaborado a Monarchia lusitana). No século XIII entraram em Portugal duas novas ordens religiosas que surgiram das profundas mutações que a Europa conheceu na baixa Idade Média, procurando dar resposta à exigências espirituais do mundo urbano em acentuado crescimento: a ordem dos franciscanos e a ordem dos dominicanos.



ORDEM DE SÃO FRANCISCO
A Ordem de São Francisco penetrou muito rapidamente na Lusitânia. Apenas alguns anos decorridos da primitiva aprovação da sua "Regra de vida" (1210), eram fundados, em 1216-1217, os conventos de Lisboa, Coimbra e Guimarães, seguidos pelos de Alenquer (1222), Évora (1224) e Leiria (1232). Essencialmente preocupada com a evangelização nos meios urbanos e com a difusão do Evangelho entre os infiéis, rapidamente ganhou grande simpatia em Portugal, fundando estabelecimentos em todas as cidades e vilas importantes. A expansão militar no Marrocos, o povoamento dos arquipélagos atlânticos, a penetração portuguesa na África, Ásia e no Brasil abriram aos franciscanos possibilidades de por em prática o proselitismo e de trabalhar uma imensa seara de almas, de Ceuta ao Oriente. A enorme dispersão das suas áreas de fixação deu origem à criação de províncias no Reino (Piedade, Arrábida e Soledade), Açores (São João Evangelista), Oriente (São Tomé e Madre de Deus) e Brasil (Santo António e Conceição). Entre os milhares de franciscanos das províncias lusitanas destacaram-se Santo António de Lisboa, frei Henrique de Coimbra, frei António das Chagas, frei Vicente de Salvador, frei Cristóvão de Lisboa, frei António de Santa Maria Jaboatão e frei Manuel do Cenáculo. A mais antiga obra impressa sobre o papel desta ordem em Portugal deve-se a frei Manuel da Esperança e frei Fernando da Soledade, Historia seráfica da ordem dos frades menores de São Francisco na Província de São Francisco (5 volumes, 1656-1720).



ORDEM DE SÃO DOMINGOS
A Ordem de São Domingos (dominicanos) ou dos Frades Pregadores, que contou com frei Soeiro Gomes entre o núcleo dos seus fundadores, também se introduziu rapidamente em Portugal. Responsável pela província da Hispânia, fundou o primeiro convento dominicano na península Ibérica em Santarém, seguindo-se Coimbra (1228), Porto (1238), Lisboa (1242), sucedendo-se fundações em Elvas, Évora, Guimarães e Aveiro. D. João I concedeu-lhes o mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha) que mandou construir para celebrar a vitória de Aljubarrota. Predominantemente preocupados com a pureza da fé e o correlato combate às heresias, embora tivessem encontrado aceitação, não lograram obter o sucesso dos franciscanos, religiosos que ganharam a clara preferência da maioria da população. Participaram, também, da empresa missionária no Império Português, evangelizando no Marrocos, África negra, Etiópia e Índia. Os dominicanos forneceram a mais importante parcela de quadros à Inquisição, nomeadamente aos tribunais de Lisboa, Coimbra, Évora e Goa. Entre as suas personalidades mais ilustres contam-se São frei Gil de Santarém, São Gonçalo de Amarante, frei Bartolomeu dos Mártires, frei João de São Tomás e frei Luís de Sousa, este último autor da História de São Domingos Particular do reyno de Portugal (3 volumes, 1623, 1662, 1678).



ORDEM DO CARMO
Este instituto religioso foi admitido em Portugal, em meados do século XIII, tendo a sua primeira casa em Moura (1251). Em 1389, Nuno Álvares Pereira inicia a construção do Convento do Carmo (Lisboa) que, em 1423, doa à ordem. Nos séculos seguintes expandiram-se para Colares (1450), Vidigueira (1495), Beja (1526), Évora (1531), Horta (1651) e Funchal (1663). A única região do Império Português onde se estabeleceram foi o Brasil, fundando conventos em Olinda (1583), Salvador (1586), Santos (1589), Rio de Janeiro (1590) e Paraíba (1596). Foi elevada a vice-província em 1595, dividida em duas (Rio de Janeiro e Bahia) em 1685, elevadas à categoria de províncias em 1720.



CARMELITAS E A ORDEM DE SÃO JERÔNIMO
Também se estabeleceram em Portugal alguns conventos masculinos e femininos que seguiram a reforma de Santa Teresa de Jesus (carmelitas descalços). Entre as crônicas sobre a presença da ordem no espaço luso, referiu-se Manuel de Sá na sua obra Memórias históricas da ordem de Nossa Senhora do Carmo da província de Portugal (1727). A Ordem de São Jerônimo desde cedo foi introduzida em Portugal, fundada na Itália no século XIV, no século seguinte já contava com mosteiros lusitanos (Penha Longa, em Sintra) e com proteção dispensada pela corte, designadamente D. João I, a rainha Filipa de Lencastre e outros membros da família real. Em outubro de 1448, a casa sintrense foi elevada a sede da ordem na península Ibérica. Na tradição familiar de afeto aos frades Jerônimos, D. Manuel I, o Venturoso (1495-1521) doou-lhes, em 1498, o futuro mosteiro de Santa Maria de Belém (Lisboa), transformado em sede da província portuguesa, que mandou edificar para celebrar o descobrimento do caminho marítimo para a Índia, ofertando-lhes valiosas alfaias litúrgicas, designadamente a Custódia de Belém, confeccionada pelo ourives mestre Gil Vicente com o ouro do primeiro tributo do rei de Quíloa (África oriental), e a célebre Bíblia dos Jerônimos (7 volumes) ricamente decorada, proveniente da oficina de Attavanti, iluminador florentino. Entre as suas figuras de maior destaque destaca-se frei Heitor Pinto.



A COMPANHIA DE JESUS
Os jesuítas entraram em Portugal, por sugestão do humanista Diogo de Gouveia, ainda antes da aprovação papal do respectivo instituto. Tendo acompanhado, em Paris, os percursos intelectuais e religiosos de Ignácio de Loyola, Pedro Fabro, Francisco Xavier e Simão Rodrigues de Azevedo, o primitivo núcleo fundador da nova congregação religiosa, o reitor do Colégio de Santa Bárbara solicitou a D. João III (1521-1557) que intercedesse junto ao papa Paulo III para que aprovasse os respectivos estatutos. O rei decidiu, então, apoiar decididamente a formação da milícia inaciana, instruindo o seu embaixador em Roma para desenvolver diligências nesse sentido junto ao papa e solicitando o envio de membros da Companhia de Jesus para Portugal. Assim, em 1540, antes da aprovação da bula Regiminis militantis Ecclesiae, aportaram a Lisboa dois dos seus co-fundadores, tendo-lhes o monarca assinalado as respectivas funções: Rodrigues permaneceria no reino para estruturar a Companhia e recrutar missionários, enquanto Xavier partiria, em 1541, na armada do novo governador da Índia, Martim Afonso de Sousa, com destino à evangelização do Oriente. A metrópole constituiria, ao longo de séculos, a retaguarda de recrutamento, formação e apoio a uma legião de missionários que se espalharam pelos três continentes onde havia presença portuguesa. A partir dos Colégios de Santo Antão (Lisboa) e de Jesus (Coimbra), Azevedo fundou a Província de Portugal, a primeira da Companhia em todo mundo, tendo esta ampliado gradualmente a sua rede de colégios, estabelecendo-se nas mais importantes cidades e vilas do reino (Porto, Évora, Braga, Bragança, Beja, Faro, Santarém, Portalegre, Portimão, Setúbal e Elvas e arquipélago da Madeira e dos Açores (Funchal, Angra, Ponta Delgada e Horta). A importância dedicada simultaneamente à educação da juventude, à reforma religiosa de cariz tridentino (pregação e exercícios espirituais) e à missionação granjeou-lhe grande simpatia, atraindo numerosas vocações e milhares de alunos aos seus estabelecimentos de ensino, considerados modelares nos séculos XVI e XVII. A cúpula da sua atuação no domínio educativo residiu na direção do Colégio das Artes, junto da Universidade de Coimbra, que foi atribuída à Companhia por D. João III (1555), bem como na fundação de uma instituição universitária: a Universidade de Évora (1559), destinada à formação de quadros e missionários. Elaboraram numerosos manuais destinados ao ensino, sendo os mais célebres as Instituições dialéticas, de Pedro da Fonseca; a Gramática latina, de Manuel Álvares e os Comentários a Aristóteles, dos conimbricenses Manuel de Góis, Sebastião Álvares e Sebastião do Couto. A partir da Assistência de Portugal difundiu-se pela África, Oriente e Brasil, dando origem a numerosas províncias, entre as quais se destacam as de Goa (que abrangia toda a Índia a norte da capital do Estado Português, Moçambique, Etiópia, Grão-Mongol e Tibete), Malabar (Sul da Índia, Maduré, Bengala, Ceilão, Malaca e Molucas), Japão (Indochina, Hainão, Tailândia, sul da China, com Cantão e Macau, e Celebes), Brasil e vice-província do Maranhão e Grão-Pará. Os jesuítas, além de professores e missionários, desempenharam importantes funções, nomeadamente de confessores régios de João III a José I (1750-1777). A sua resistência a muitas das medidas do reinado josefino, designadamente a criação da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, a perda do poder temporal nas aldeias de índios, bem como a falta de colaboração nos trabalhos de demarcação das fronteiras do norte do Brasil e a associação aos setores de oposição ao governo de Pombal (médios comerciantes e alta nobreza) conduziram à sua expulsão do Império Português (Lei de 3 de Setembro de 1759). A mais antiga obra sobre a sua atividade em terras lusitanas deve-se a Baltasar Teles, Chronica da Companhia de Jesus na província de Portugal (2 vols., 1645-1647), sendo o estudo de conjunto mais importante da autoria de Francisco Rodrigues, História da Companhia de Jesus na assistência de Portugal (7 volumes, 1931-1950).



CONGREGAÇÃO DO ORATÓRIO
Instituição dedicada à instrução e à pastoral, introduzida em Portugal pelo padre Bartolomeu do Quental, confessor régio, na segunda metade do século XVII (1671). A atualização dos seus métodos pedagógicos, em que sobressaía a simplificação do estudo do latim, pondo em causa o tradicional domínio dos jesuítas nesta matéria, bem como o relevo atribuído à História e às ciências experimentais concorreram para, por um lado, atrair muitos estudantes desencantados com os tradicionais métodos escolásticos e, por outro, suscitar polêmicas com os detentores da maior rede de estabelecimentos de ensino, os inacianos. Fundaram estabelecimentos em Freixo de Espada à Cinta (1673), Porto (1680), Braga (1686), Viseu (1688) e Estremoz (1697). Um colaborador de Quental, o padre João Duarte do Sacramento, criou, no Brasil, a casa de Pernambuco (1671), tendo também sido criada uma em Goa (1682), capital do Estado Português da Índia. Entre os seus membros mais ilustres, salientam-se os padres Manuel Bernardes, Teodoro de Almeida,
António Pereira de Figueiredo e Francisco José Freire (Cândido Lusitano). Após um período em que colheram apoio do governo pombalino pela polêmica sustentada com os jesuítas, incorreram no desagrado oficial devido às suas ligações ao movimento do sigilismo, tendo visto seriamente restringidas as suas faculdades para ministrar o ensino.



OUTRAS ORDENS RELIGIOSAS
Muitas outras ordens religiosas se fixaram em Portugal ao longo dos séculos, entre elas, as da Santíssima Trindade (trinitários), de São Bruno (cartuxos), dos Hospitalários de São João de Deus, dos Teatinos e dos Mínimos de São Francisco de Paula. Os mosteiros e conventos masculinos e femininos ascendiam, no começo em 1826, a mais de 500, sendo o número de frades e freiras superior a 8 mil religiosos.



EXTINÇÃO
Após a vitória dos liberais na guerra civil (1829-1834), o Decreto de 30 de maio de 1834 extinguiu as ordens religiosas, encerrou a generalidade dos conventos, sendo o seu valioso patrimônio convertido em bens nacionais, dos quais uma substancial parcela foi alienada. Estabilizada a situação, regressaram alguns institutos religiosos, novamente extintos pela República (1910). Com a ascensão do Estado Novo algumas congregações, nomeadamente beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e jesuítas, retornaram ao país, aí se fixando sem interrupção até ao presente.


Fonte:
http://www.slimsite.hpg.ig.com.br/ordens.html

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