O Neoliberalismo e o (Estado Mínimo)


 Compartilhar no facebook
 Compartilhar no twitter


O Neoliberalismo e o (Estado Mínimo)

Com o dinamismo econômico de empresas ligadas a amplos mercados, a preocupação com a qualidade e os preços dos produtos, em meio a competitividade, passaram a ser garantia de lucratividade. Pouco a pouco, caíam as reservas de mercado, que tinham sido conseguidas como barreiras protecionistas favorecedoras de algumas empresas privilegiadas.

Num mundo de gigantes empresariais, grande parte das médias e pequenas empresas tiveram de orientar-se pelas estratégias das grandes multinacionais, numa subordinação de iniciativas, a exemplo das terceirizações e franquias. Baixar custos produtivos e adequar-se aos mercados passaram a ser prioridades das unidades produtivas na busca do sucesso econômico. Assim, transferir atividades de uma empresa a outra, fixando-se na área de atuação, terceirizando os serviços, passou a ser constante. Da mesma forma, o direito do uso de uma marca de produtos ou serviços consagrada no mercado também irradiou-se por quase todos os países e regiões.

A globalização estimulou a formação (principalmente nos anos 90) de blocos econômicos, associações regionais de livre mercado que derrubaram as barreiras protecionistas. À frente dessas organizações estão o Nafta (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio) sob a liderança dos Estados Unidos e envolvendo Canadá e México, a UE (União Européia), tendo a economia alemã como mais forte, e o bloco do Pacífico, sob comando do Japão. Através do Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) e OMC (Organização Mundial de Comércio), a superação econômica das barreiras nacionais ganhou ada vez mais intensidade, abrindo caminhos para integrações até entre os próprios blocos econômicos regionais.

A principal força da dinâmica capitalista cabia ao G7 (EUA, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Japão), grupo de países ricos, onde estavam as bases dos conglomerados econômicos do mundo. Na prática o G7 poderia ser G3 (EUA, Japão e Alemanha).

Às associações econômicas regionais, com diminuição dos protecionismos e atração de investimentos internacionais, acrescentou-se a limitação dos gastos governamentais, com a prevalência da economia de mercado e a busca de um “Estado mínimo”, redirecionando sua atuação e tamanho, com privatizações.

A crescente força privada e a crise do Estado intervencionista deram impulso às pregações neoliberais, cujos principais defensores são o austríaco Friedrich Hayek, Prêmio Nobel de Economia em 1974, com suas idéias anti-keinesianas, seguidas pelos norte-americanos Milton Friedman, Nobel de Economia em 1976, e Robert Lucas, Nobel de Economia em 1995, e outros. Na política, as condições favoráveis ao neoliberalismo só se efetivaram com os governos de Margareth Thatcher (1979) no Reino Unido, Ronald Reagan (1980) EUA, e Helmut Kohl (1982) Alemanha, irradiando-se, em seguida, por todo o mundo.

Cumprindo a nova lógica do capitalismo globalizado, ganhou intensidade, em todos os países, as privatizações, ampliando os espaços econômicos empresariais e também a subordinação dos Estados minimizados à lógica do mercado internacionalizado.

O Estado mínimo envolveu ainda a redução dos gastos públicos (saúde, educação, previdência social, etc) significando, para os países desenvolvidos, o fim do Estado de bem-estar social, e para os países em desenvolvimento, o agravamento do quadro social. Esse fato acentuaria as fraturas sociais de desigualdades entre extremos de pobreza para a maioria e riqueza para um reduzido número de pessoas.

À ampliação da criminalidade, marginalidade e exclusão social, juntaram-se inúmeras manifestações populares contra os efeitos da política neoliberal em diversos países, destacando-se a da França, em que uma greve, no fim de 1995, quase paralisou o país.

Por outro lado, a “Terceira Revolução Industrial” troxe a questão do desemprego, como decorrência do uso de altas tecnologias produtivas, ou como resultado da reformulação e otimização produtiva empresarial, incluindo-se o remanejamento e demissão de funcionários e o enxugamento estatal. Segundo relatório de 1994 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) perto de 30% da população economicamente ativa do mundo, cerca de 820 milhões de pessoas, estavam desempregadas ou subempregadas, constituindo a pior crise global de emprego desde a depressão que se seguiu à crise de 1929.

Diferentemente da Primeira Revolução Industrial (fins do século XVIII), e da Segunda (século XIX), a época do capitalismo global encontrou boa parte dos movimentos trabalhistas e sindicais em refluxo e fragilizados. Além disso, a globalização abriu a possibilidade da escolha de mão-de-obra mais barata em todo o mundo, contando com grande oferta de trabalhadores e as reestruturações produtivas.

A timidez das lutas trabalhistas e a fragilidade sindical ligavam-se às mudanças tecnológicas. Isto é, boa parte do trabalho em massa nas grandes indústrias passou a ser feito em intensivamente e com menos mão-de-obra, graças a alta tecnologia e a filiação de trabalhadores às organizações também declinou. Exemplo disso, a filiação sindical do setor privado nos EUA, que era de 30% nos anos 50, chegou a 10% nos anos 90. De certa forma, a força ideológica da sobrevalorização do mercado em lugar das políticas sociais também teve a sua contribuição, abrindo a fragilização trabalhista.

Assim, a redução do volume de trabalho causado pelas inovações tecnológicas anteriores - uso de máquinas a vapor, motor de explosão e a eletricidade (1a e 2a Revolução Industrial)- acabou compensada em boa parte pelas conquistas trabalhistas, que impuseram leis para melhorar as condições do trabalho, acarretando o recuo do desemprego. No capitalismo globalizado, fundado na economia de mercado, até mesmo muitas das conquistas sociais já obtidas começaram a ser anuladas.

Quanto à incógnita da questão social-trabalhista, os neoliberais fincavam pé na prioridade da economia de mercado modernizada, enquato os antineoliberais reclamavam a emergência de medidas dirigidas para o alívio das dificuldades sociais, sustentadas no regulamento do Estado reformulado, dos sindicatos e das manifestações populares.

Seja como for, somente com uma democracia em contínuo aprimoramento é que se poderá garantir aos cidadãos uma maior participação nas decisões que lhe dizem respeito, possibilitando a eficiência do Estado, a promoção da justiça social e a garantia das liberdades individuais.




Leia também! Assuntos relevantes.

Colonização dos Estados Unidos
Os atuais Estados Unidos da América nasceram da união de Treze Colônias britânicas estabelecidas na costa atlântica da América do Norte a partir do sé...

O primeiro caso de ebola nos Estados Unidos
No dia 30 de setembro de 2014, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos confirmou o primeiro caso de ebola diagnosticado no país...

Estados Unidos
A geografia dos Estados Unidos da América é bastante diversificada graças à extensão territorial do país. Os Estados Unidos ocupam grande parte da Amé...

A Independência dos Estados Unidos da America
O Colonialismo Inglês na América A política colonialista inglesa não foi aplicada de maneira igual para suas treze colônias da América do Norte. I...

Revolução Industrial
Durante o período do Renascimento (sécs. XV e XVI) a Europa vivenciou vários desenvolvimentos no campo científico. Copérnico, propôs a teoria heliocên...

Crise nos Estados Unidos em 2011
Crise Americana: teto da dívida e suas consequências Que os Estados Unidos estão endividados e a política monetária do país está complicada pratica...

OMC (Organização Mundial do Comércio)
Os objetivos principais da OMC é regular o comércio internacional, implementar o fim de barreiras econômicas e dar garantias para a livre circulação d...

A Revolução Industrial do Século XX
Até a metade do século XVIII, o comércio era o principal setor da economia européia, aquele que que gerava mais riqueza. A maior parte da população...

Abismo Fiscal dos Estados Unidos
O chamado Abismo Fiscal, ou “Fiscal Cliff”, tem sido notícia frequente nos veículos de comunicação dos Estados Unidos desde o início de 2013. Essa exp...

A desativação da maior bomba atômica dos Estados Unidos
Os Estados Unidos concluíram em 2011 a desativação da última superbomba nuclear que ainda estava em operação no mundo. Essa arma é centenas de vezes m...

Fale Conosco | Feed / RSS | Google + | Twitter |

Novos assuntos sobre educação no seu e-mail

Site destinado a educação, estudos, informação e pesquisa escolar. Não incentivamos a prática de trabalhos escolares prontos.

Somos um veículo de comunicação. Não compactuamos com nenhuma opinião sobre nenhum tema.

Cópia ou reprodução de conteúdo somente se citada a fonte.

© 2015 - Grupo Escolar - Todos direitos reservados