Mitologia Grega


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Mitologia Grega

Mitologia
A Mitologia é o estudo e interpretação do mito e do conjunto de mitos de uma determinada cultura. O mito é um fenômeno cultural complexo com inúmeros pontos-de-vista. Em geral, mito é uma narrativa que descreve e retrata, em linguagem simbólica, a origem dos elementos básicos e suposições de uma cultura. As narrativas míticas relatam, por exemplo, como o mundo começou, como os animais e o homem foram criados, e como certos costumes, atitudes ou formas de atividades humanas se originaram.

Quase todas as culturas possuem ou em algum tempo possuíram e viveram sob a influência dos mitos. Os mitos diferem de contos de fada, os quais se referem a um tempo que é diferente do tempo comum. A sequência de tempo dos mitos é extraordinária - um "outro" tempo - o tempo antes do mundo vir a ser como o conhecemos. Pelo fato dos mitos se referirem a um tempo e lugar extraordinários, a deuses e outros seres sobrenaturais, eles foram vistos como aspectos de ordem religiosa.

Crenças e observações dos antigos rituais gregos, o primeiro povo ocidental, surgindo por volta de 2000 a.C.. Consiste principalmente de um grupo de relatos e lendas diversos sobre uma variedade de deuses. A Mitologia grega se desenvolveu plenamente por volta de 700 a.C.. Três coleções clássicas de mitos - a Teogonia, pelo poeta Hesíodo, e a Ilíada e Odisséia de Homero - apareceram nesta época. A Mitologia grega tem várias características particulares. Os deuses gregos eram retratados como semelhantes aos humanos em forma e sentimentos. Ao contrário de antigas religiões, como o Hinduísmo ou o Judaísmo, a mitologia grega não envolvia revelações especiais ou ensinamentos espirituais.

Também variava largamente na sua prática e crença, com nenhuma estrutura formal, tal como um governo religioso, a exemplo da igreja de nossos dias, e nenhum código escrito, como um livro sagrado.



Principais deuses
Os gregos acreditavam que os deuses haviam escolhido o Monte Olimpo, numa região
conhecida por Tessália, como seu lar. No Olimpo, os deuses formavam uma sociedade que
era classificada quanto à autoridade e poder. Entretanto, os deuses tinham liberdade para
vagar livremente, e deuses individuais eram associados a três domínios principais - o céu ou
paraíso, o mar e a terra. Os doze deuses chefes, usualmente chamados de olimpianos eram
Zeus, Hera, Hefaístos, Atena, Apolo, Ártemis, Ares, Afrodite, Héstia, Hermes, Deméter e
Possêidon. Zeus era o chefe dos deuses, e o pai espiritual dos deuses e das pessoas. Hera,
sua esposa, era a rainha do paraíso e a guardiã do casamento. Outros deuses eram
associados ao paraíso, como Hefaístos, deus do fogo e das artes manuais; Atena, deusa da
sabedoria e da guerra; Apolo, deus da luz, da poesia e da música; Ártemis, deusa da caça;
Ares, deus da guerra; Afrodite, deusa do amor; Héstia, deusa do lar; Hermes, mensageiro
dos deuses e senhor das ciências e das invenções. Possêidon era o senhor do mar que,
junto com sua esposa Anfitrite, originou um grupo de deuses do mar menos importantes,
como as nereidas e Tritão. Deméter, a deusa da agricultura, era associada com a terra.
Hades, um deus importante mas que geralmente não era considerado um olimpiano,
governava o mundo subterrâneo, onde ele vivia com sua esposa Perséfone. O mundo
subterrâneo era um lugar escuro e triste, localizado no centro da terra. Era povoado pelos
espíritos das pessoas que morriam. Dionísio, deus do vinho e do prazer, estava entre os
deuses mais populares. Os gregos devotavam muitos festivais para este deus , em algumas
regiões ele se tornou tão importante quanto Zeus. Ele freqüentemente era acompanhado por
um exército de deuses fantásticos, incluindo centauros e ninfas. Centauros tinham a cabeça e
o torso humanos e o corpo de cavalo. As belas e charmosas ninfas assombravam os
bosques e florestas.



Adorações e Crenças
A mitologia grega realçava a fraqueza humana em contraste ao grandes e terríveis poderes
da natureza. Os Gregos acreditavam que seus deuses, que eram imortais, controlavam todos
os aspectos da natureza. Assim os gregos reconheciam que suas vidas eram completamente
dependentes da boa vontade dos deuses. Em geral, as relações entre as pessoas e deuses
eram consideradas amigáveis. Mas os deuses empregavam castigos severos a mortais que
mostravam comportamento inaceitável, tal como o orgulho indulgente, a ambição extrema,
ou mesmo a prosperidade excessiva. A mitologia estava interligada a cada aspecto da vida
grega. Cada cidade se devotou a um deus particular ou para um grupo de deuses, para
quem os cidadãos freqüentemente construíam templos de adoração. Em festivais e outras
reuniões oficiais, poetas recitavam ou cantavam grandes lendas e histórias. Muitos gregos
aprenderam sobre os deuses através das palavras dos poetas. Os gregos também
aprendiam sobre os deuses através de diálogos em família, onde a adoração era comum.
Partes diferentes dos lares eram dedicadas a certos deuses, e as pessoas ofereciam orações
a esses deuses regularmente.





Lendas Mitológicas
O grande combate

No alto do monte Olimpo, protegidos da curiosidade dos homens por nuvens espessas,
os imortais – deuses e deusas, conversam alegres e despreocupados em volta da mesa de
um grande banquete. Reinam a harmonia e o contentamento. De repente, uma pedra imensa
cai no meio da festa, provocando um começo de pânico.

- Quem teve a ousadia? – grita Zeus, o rei dos deuses, no meio da confusão geral que se
estabelece.

As divindades mal têm tempo de se recuperar do espanto, e já uma série de blocos de
pedra, acompanhadas de tochas em chamas, começa a cair sobre o Olimpo.

Os imortais se reúnem assim que podem e examinam a situação, que, pelo jeito, é muito
preocupante. Sobre todas as montanhas da vizinhança , destacam-se as silhuetas de vinte a
quatro titãs, gigantes de longas cabeleiras, com barbas cerradas e pés em forma de
serpente. São eles os autores desse bombardeio que devasta o Olimpo. Seres da terra,
esses horríveis seres resolveram destronar Zeus, expulsar as outras divindades e tomar seus
lugares.

No momento, beneficiam-se do efeito-surpresa e, se não houver uma reação rápida,
talvez atinjam seus objetivos.

Hera, mulher de Zeus, está com um ar especialmente sombrio. Sabe que nenhum desses
titãs pode ser morto por um deus. Só um mortal, vestido com uma pele de leão, poderia
deixa-los num estado em que não conseguiriam fazer mais nenhum mal. A deusa também
revela ao marido que a guerra estará perdida se não se colher uma planta misteriosa,
escondida num lugar secreto, a qual tem o poder de tornar invencível aquele que a
encontrar.

Preocupado, Zeus chama Atena, a deusa da sabedoria, e conversa longamente com ela.
Depois, manda-a em busca de Héracles, o herói da pele de leão, e ordena que o Sol, a
Aurora e a Lua apaguem suas luzes. Quando tudo fica escuro, Zeus desce do Olimpo e,
tateando, procura e encontra a tal planta mágica, aonde Héracles acaba de chegar.

Agora, os deuses estão prontos para enfrentar os inimigos.

Fazendo pontaria no chefe dos titãs, Héracles lança uma flecha e atinge o gigante. O
monstro cai no chão, mas, para surpresa geral, levanta-se imediatamente, mais vigoroso e
alerta do que antes.

Atena compreende tudo e grita:

- Depressa Héracles! Essa criatura recupera as forças quando está em sua terra natal.
Carregue-a para bem longe!

Enchendo-se de coragem o herói salta sobre o gigante, agarra-o com seus braços fortes e
leva-o para um país longínquo, onde o mata com um golpe da maça.

Enquanto isso, a batalha continua, cruel. Todos os deuses lançam-se ao combate.
Hefesto, o ferreiro manco, deixa em brasa os ferros e funde metal. Apolo, deus do Sol,
lança flechas assustadoras. Possêidon, senhor dos mares, empunha seus tridente. Apenas as
deusas pacíficas como Deméter e Héstia, ficam a margem da luta. Assustadas, trêmulas,
contemplam o terrível espetáculo. Atenas, por sua vez, descobre uma nova arma: erguendo
rochas pesadíssimas, lança-as sobre os atacantes.

No entanto, si mesmo se as pancadas dos deuses e das deusas conseguissem abater os
titãs, não seriam suficientes para eliminá-los, pois, mesmo feridos, esses seres imundos
voltam a luta. Por isso, é necessário que Héracles lhes dê um golpe de misericórdia: desfere
golpes fortíssimos com sua maça e atira flechas com grande destreza.

Daí algum tempo, a maioria dos titãs jaz no chão. Os que ainda agüentam em pé
compreendem que sobram poucos, e a derrota agora lhes parece inevitável. Fogem
desesperadamente e se dispersam sobre a Terra, perseguidos pelos deuses, que querem
completar sua vitória.

Um dos titãs, Encélado, que corre mais depressa que os outros, acha que está seguro
longe da Grécia, mas Atena o descobre. Agarrando um rochedo gigantesco, ela o lança
com violência sobre Encélado. Achatado pelo projétil em pleno mar, desde esse dia o titã
passa a ser a ilha da Sicília.

Com um golpe só de tridente, Possêidon racha em duas a ilha de Cós e joga uma das
partes sobre outro titã, o qual fica esmagado sob uma nova ilha: Nisiro.

Assim um por um, os titãs são todos derrotados.

Entretanto, não pende que eles morreram. Seus corpos estão debaixo da terras, é
verdade. Mas as numerosas erupções vulcânicas provam que continuam vivos, tão
perigosos e malvados quanto antes.

Héracles parte para outras aventuras, e os deuses voltam ao Olimpo. Logo está tudo
arrumado, e o banquete interrompido volta a prosseguir. Em volta do trono de Zeus, deuses
e deusas reencontram sua alegria, tomando sua bebida habitual, o néctar, e deliciando-se
com seu petisco favorito, a ambrosia. A conversa continua descontraída, como se nada
houvesse acontecido. Afinal, são imortais. Têm todo tempo do mundo.




A cólera de Zeus
Um relâmpago e atinge em cheio a casa de Licáon. Destruída pelas chamas, num instante
ela transforma-se num monte de escombros fumegantes. É assim, que do alto do Olimpo,
Zeus, o soberano dos deuses, aquele que lançou o raio, põe fim aos inúmeros crimes desse
malfeitor, adepto dos sacrifícios humanos. Desse dia em diante, Licáon, metamorfoseado
em lobo, ficará vagando e uivando até morrer.

No entanto, Zeus soube que os cinquenta filhos de Licáon cometem atos tão terríveis
quanto os do pai. Por isso, como se fosse um pobre vagabundo, Zeus apresenta-se na casa
deles. Apesar de toda a sua maldade, acolhem o deus disfarçado, pois seguem as regras da
hospitalidade. Convidam-no a comer com eles. Trazem para a mesa uma panela enorme.
Zeus cheira a comida, e seu coração se aperta de horror: entre os miúdos de carneiro e
cabrito, reconhece pedaços de carne humana. São os restos do infeliz Nictmo, o qual seus
irmãos não o hesitaram em matar para comer. É demais! Revoltado com esse crime odioso,
Zeus transforma todos os canibais em lobos e devolve a vida a Nictmo.

De volta ao Olimpo, o rei dos deuses, desgostoso com a espécie humana, resolve
afoga-la sob um dilúvio imenso, que vai engolir o mundo inteiro.

Enquanto prepara esse cataclismo, os homens, sem nem desconfiar do que os espera,
dedicam-se a suas ocupações terrestres.

Mas um deles, Deucalião, rei da cidade de Tia, visita seu pai, o titã Prometeu, que mora
nas montanhas do Cáucaso. Prometeu, que ama os seres humanos (a quem outrora já deu
um presente de valor inestimável, o conhecimento do fogo) e sabe o que Zeus está
projetando, avisa seu filho. Assim que volta a sua cidade, Deucalião começa a derrubar
grandes acácias, a serrá-las em tábuas e a juntá-las em pranchas. Ao fim de muito trabalho,
termina um grande navio, uma arca que parece Ter caído no meio da terra seca. Deucalião e
sua mulher, Pirra, instalam-se no barco e passam a morar ali.

Um dia, o vento sul começa a soprar com rara violência, acumulando no céu várias
nuvens negras que escondem a luz do Sol. Milhares de relâmpagos rasgam as nuvens. No
meio da assustadora e incessante barulhada dos trovões, a chuva começa a cair
brutalmente. Gotas enormes salpicam a poeira dois caminhos e formam uma massa de água
que se espalha sobre a terra.

A água sobe tanto que destrói e engole as cidades do litoral e, depois, os vilarejos das
planícies. Quando os céus se acalmam, o mundo inteiro é apenas um imenso mar. De longe
em longe, avista-se o pico do que um dia foi uma montanha e agora não passa de uma
ilhota. Apenas Deucalião e Pirra sobrevivem, flutuando em sua arca. Durante nove dias
ficam à deriva, na mais completa desolação. Pouco a pouco, as águas começam a recuar, e
a arca chega a uma ilha, que, na verdade, é o alto do monte Parnaso.

Deucalião e Pirra, hesitantes, pisam a terra, que não esperavam e oferecem-lhe um
sacrifício. Depois, perto de onde a arca encalhou, descobrem um templo cujo o telhado está
coberto de algas e conchas. É o santuário de Têmis, deusa da justiça.

Com toda a humildade, Deucalião e sua companheira suplicam aos deuses que
reconstituam a espécie humana. Zeus emociona-se com o pedido e envia seu mensageiro,
Hermes, para anunciar que concederá o que desejam. Então, surge Têmis, que ordena:

Cubram suas cabeças! Peguem os ossos de sua mãe e joguem-nos para trás!

Muito surpresos, Deucalião e Pirra entreolham-se e perguntam um ao outro:

-Que a deusa quis dizer?

Afinal, eles não tem a mesma mãe... E que ossos podem ser esses? De repente, uma idéia
os ilumina: qual é a mãe de todos os homens? A terra! Seus ossos são as pedras que a
cobrem...

O casal sai recolhendo todos os pedregulhos que encontra. Depois, cada um cobre sua
cabeça e, por cima dos ombros, jogam as pedrinhas para trás.

Assim que ela tocam o chão, transformam-se me serres humanos. As pedras jogadas por
Deucalião viram homens. As lançadas por Pirra, viram mulheres. E os dois devolvem vida a
humanidade.

Um de seus filhos, Heleno, será o pai de todos os gregos, também chamados helenos.
Por isso, a Grécia terá o nome de Hélade.




O olhar que mata
Na cidade de Argos, há uma torre de bronze com janelas que têm grossas barras. Nessa
sombria prisão, Dânae, filha do rei Acrísio, chora amargamente. É que seu pai, temendo ser
morto pelo filho que um dia ela poderia vir a Ter, resolve prendê-la ali por toda a vida.
Aprisionando a filha longe de qualquer contato humano, o rei espera evitar esse destino,
profetizado por um oráculo.

No entanto, certa noite uma chuva de ouro começa a cair, gota a gota, por entre as
grades das janelas. É Zeus que, transformado dessa forma, penetra no quarto da princesa.
Está apaixonado por ela, e nada conseguiria deter o rei dos deuses. Nem mesmo parecedes
de bronze.

Alguns meses depois, Dânae dá à luz um filho, Perseu. Ao saber disso, Acrísio fica
enlouquecido de raiva, mas não mata filha e neto. Prefere fechá-los numa grande caixa de
madeira, que manda jogar ao mar.

Durante dias e dias, os coitados flutuam à deriva. Até que, ao largo da ilha de Sefro, um
pescador chamado Díctis percebe a curiosa embarcação. Ele liberta Dânae e o filho e
leva-os ao rei da ilha, Polidectes, que resolve proteger os exilados.

Os anos passam. Perseu transforma-se uma rapaz forte e corajoso, que perturba os
planos de Polidectes de casar-se à força com Dânae. O rei da ilha, para ficar livre do filho
de sua amada ordena-lhe que traga ao palácio a cabeça da górgona Medusa. Esta é um
mostro terrível: sua cabeleira formada por serpentes embaraçadas, seus dentes compridos e
sua língua pendente dão-lhe aspecto assustador. Mas, além disso, há coisa muito pior: o
olhar de Medua transforma em pedra todos os que têm a audácia ou a imprudência de
olhá-la. Ao mandar Perseu lutar contra a górgona, Polidectes está condenando- a uma
morte certa.

Isso se os deuses não interviessem...

Atena, a pior inimiga de Medusa, resolve ajudar Perseu em sua aventura e oferece-lhe um
escudo brilhante, parecido com um espelho. Hermes dá-lhe uma foice afiada e ajuda-o a
obter sandálias aladas e o capacete de Hades, que torna invisível quem o usa. Assim
equipado, Perseu parte para o Ocidente, onde vive a temível górgona.

O herói encontra uma paisagem macabra e desolada. Nenhum pássaro canta, nenhum ser
vivo se move naquele deserto árido, semeado de estátuas de todos os infelizes já
petrificados por Medusa. Caminhando com prudência, Perseu aproxima-se da górgona,
tentando não olhar diretamente para ela. O rapaz fixa os olhos no escudo de Atena e
guia-se pelo reflexo da criatura. Em poucos instantes, chega bem perto da górgona, em cuja
cabeça as serpentes agitam-se e silvam. Com um único golpe de foice, Perseu decapita
Medusa, agarra-lhe a cabeça sem olhá-la e foge com ela metida numa sacola de pano,
dessas que os mendigos carregam.

Do pescoço cortado nascem Pégaso, o cavalo alado, e Crisaor o guerreiro da espada de
ouro. Perseu, embora perseguido pelas irmãs de Medusa, consegue fugir, graças ao
capacete que o torna invisível e à velocidade que lhe dão suas sandálias aladas.





No labirinto

Ó Possêidon, grande deus do mar! Dê algum sinal para mostrar que sou seu favorito!
Faça um touro branco sair das águas e eu o oferecerei em sacrifício!

Assim fala Minos, diante do altar que ergueu na praia. Ao terminar sua prece, no meio
das ondas cheias de espuma surge um enorme touro branco como a neve, o qual avança
calmamente em direção a Minos. Satisfeito, este volta-se para seus dois irmãos e diz:

- Vocês estão vendo? Possêidon me protege.. Portanto, o trono de Creta deve ser meu.

Os dois homens imediatamente se inclinar diante do novo rei da grande ilha.

Enquanto se prepara para cumprir sua promessa, Minos olha o touro e fica tão
deslumbrado que pensa: " É uma pena sacrificar um animal tão bonito!..."

Então, manda buscar em seus rebanhos um touro qualquer e oferece-o em sacrifício, em
lugar daquele que saíra do mar. Depois, feliz da vida, Minos volta ao palácio.

No fundo do mar, o temível Possêidon fica furioso. Ao preservar o touro, Minos ofendeu
profundamente o deus, que resolve vingar-se.

Para tanto, usa seus poderes mágicos. Faz que, alguns meses mais tarde, a mulher do rei
Minos dê a luz a um monstro, com corpo de homem e cabeça de touro - o Minotauro.
Minos fica aterrorizado, sobretudo quando descobre que a horrível criatura alimenta-se
principalmente de carne humana.

Mas, por sorte o rei acolheu pouco antes um ateniense muito habilidoso, Dédalo, que é
um inventor genial. Minos manda chamá-lo e, sob ordens do rei, Dédalo e seu filho, Ícaro,
começas a construir uma morada para o Minotauro.

Do cérebro fértil de Dédalo brota a idéia de fazer uma prisão diferente de todas as
outras. Os longos corredores sinuosos e os desvios enganadores tornam impossível alguém
orientar-se dentro do prédio. Quem tivesse a infelicidade de entrar ali jamais conseguiria
encontrar a saída. Bem no centro dessa prisão, esconde-se o Minotauro. Esse lugar sinistro
é batizado de Labirinto.

Apenas Dédalo e Ícaro conhecem seu segredo. Como Minos quer Ter certeza de que
eles jamais irão revelá-lo a alguém, resolve trancá-los no Labirinto. Para evitar que possam
fugir pelo mar, manda vigiar o litoral. Certo de que Dédalo está para sempre sob seu poder,
o tirano sente-se tranquilo...

Mas Dédalo não se desespera. Usando sua imaginação criadora, tem uma idéia luminosa.
Manda Ícaro trazer todas as penas de pássaros que achar. Enquanto isso, constrói
armações para dois pares de asas. Por fim, quando consegue uma quantidade de penas
suficiente, costura as grandes na armação e cola as pequenas com cera. Quando as asas
ficam prontas, Dédalo diz a Ícaro: - Meu filho, vamos sair desta prisão. Com nossas asas,
atravessaremos o mar e encontraremos refúgio em alguma parte. Mas é preciso Ter cuidado
durante a viagem. Temos de voar pelo meio dos ares. Se formos alto demais, o Sol nos
queimará. Se formos baixo demais, as ondas poderão molhar nossas asas, e aí elas não
servirão para mais nada.

Ícaro promete seguir os conselhos do pai.

Os dois dirigem-se a um lugar de onde será fácil levantar vôo e ajustam as asas.
Aproveitando o vento, Dédalo lança-se aos ares, gritando:

- Siga-me, Ícaro! Venha logo! E não se afaste...

Como um passarinho que segue o vôo da mãe, Ícaro vai atrás de Dédalo. No início,
desajeitadamente. Aos poucos, porém adquire mais confiança.

Ora batendo as asas, ora planando, pai e filho afastam-se de Creta. Num instante estão
sobre alto-mar. Ícaro fica zonzo e embriagado pelo prazer de voar, de contemplar a Terra
tão pequenina lá embaixo. Resolve voar um pouco mais alto. Desobedecendo ao pai, sobe
cada vez mais e vai para perto do Sol..

Mas então os raios ardentes do Sol derretem a cera. Uma a uma, as penas se soltam e se
vão com o vento. Ícaro não consegue mais voar. Rodopia, debate-se, bate os braços o
mais que pode, mas não adianta nada. A queda é inevitável: como uma pedra, Ícaro cai e
morre.

Quando Dédalo olha para trás e não vê o filho, fica preocupado. De repente, vê lá
embaixo uma porção de penas, espalhadas sobre a crista das ondas. De imediato, o infeliz
pais compreende o que aconteceu. Fica voando em círculos sobre o lugar da catástrofe, até
que encontra o corpo de Ícaro e o leva à ilha mais próxima, onde o enterra. Dédalo dá a
essa ilha o nome Icaria.

Depois, De’dalo levanta vôo e vai a Cumas, no sul da Itália. Lá, dedica suas asas ao deus
Apolo e constrói-lhe um templo magnífico, de telhado de ouro. Nas portas de bronze,
esculpe cenas que contam toda a história de Minos e a sua. Depois, parte para Sicilia, onde,
bem recebido pelo reis, vive em paz e constrói esplêndidos edifícios.






O Minotauro
Eu vou, meu pai. Só eu posso dar fim a esse horror! Chama-se Teseu o moço forte que
acaba de dizer essas palavras resolutas a Egeu, o velho rei de Atenas.

O rei está triste. E com razão. Chegou o momento em que, como todos os anos, deve
enviar a Crete sete rapazes e sete moças para servirem de comida ao Minotauro. Alguns
anos atrás, Minos rei dos cretenses, venceu uma guerra contra Atenas, e desde então, todo
ano, catorze adolescentes atenienses partem para Creta num navio de vela negra, que
sempre volta vazio. O Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo de homem,
devora-os em seu colvil, o Labiritno.

Cansando dessas mortes inúteis, Teseu resolve tomar o lugar de uma das vítimas e, se
puder, matar a terrível criatura.

Egeu acaba cedendo:

- Então, vá. Mas, se você voltar são e salvo, troque a vela negra do navio por uma branca.
Assim, vendo o barco, eu já de longe fico sabendo que você está vivo.

Teseu promete obedecer ao pai e embarca para Creta.

Minos, em seu suntuoso palácio de Cnossos, recebe com amabilidade os catorze
atenienses. Mas comunica que no dia seguinte entrarão no Labirinto, no centro do qual vive
Astérion, o Minotauro.

Durante toda a noite, Teseu esforça-se para tranquilizar seus companheiros. De repente,
anunciam ao jovem príncipe ateniense que alguém quer falar com ele. Muito surpreso, Teseu
vê entrar uma bela moça, que ele já viu ao lado do trono de Minos. Ela lhe diz:

- Jovem estrangeiro, eu me chamo Ariadne e sou a filha do rei Minos. Quando vi seu ar
decidido, compreendi que você veio para matar o Minotauro. Ma será que já pensou numa
coisa? Mesmo que mate o monstro, nunca vai conseguir sair do Labirinto...

Teseu fica confuso, pois Ariadne tem razão. Ele não pensou nesse problema!

Percebendo o constrangimento do rapaz, ela acrescenta:

Desde que o vi, fiquei interessada por você. Estou disposta a ajudá-lo se, depois, você se
casar comigo e me levar para Atenas.

Assim fica combinado.

No dia seguinte, na entrada do Labirinto, Ariadne dá ao herói um novelo de um fio
mágico, que lhe permite não só procurar o Minotauro mais também encontrar a saída.

Teseu encoraja os trêmulos companheiros, e todos penetram naquele lugar sinistro. O
príncipe vai na frente, desenrolando com uma mão o fio, cuja extremidade fixou na soleira
da porta de entrada. Dali a pouco, o grupo de jovens, confundido por corredores sempre
idênticos, está completamente perdido no Labirinto.

Teseu, cauteloso, pára e vigia os mínimos esconderijos, sempre com a mão no punho da
espada que Ariadne lhe deu.

Acordando de repente, o Minotauro salta mugindo sobre o rapaz. Mas o heróis está
alerta e, sem medo nem hesitação, abate de um só golpe o monstro.

Graças ao fio, que volta a enrolar no novelo, Teseu e seus companheiros saem do
Labirinto. Ariadne joga-se nos braços do heróis e abraça-o com paixão. Depois, ela conduz
os atenienses ao porte. Antes de subir a bordo de seu navio, Teseu tem o cuidado de fazer
furos nos cascos dos barcos cretenses mais próximos. Em seguida, embarca com Ariadne e
seus amigos.

Quando fica sabendo do que aconteceu, o rei Minos enfurece-se e ordena à frota que
impeça a fuga. Os navios que ainda estão em condições de navegar tentam bloquear o
barco grego, e começa uma batalha naval. Mas, com o cair da noite, Teseu aproveita-se da
escuridão e consegue escapar esgueirando-se entre as naus inimigas.

Alguns dias depois, o navio chega à ilha de Naxo. Teseu resolve fazer uma escala para
reabastecimento. Vaidoso com a vitória, só tem um pensamento na cabeça: a glória que
encontrará em Atenas. Imaginando sua volta triunfal, os gritos de alegria e de
reconhecimento da multidão que virá aclamá-lo, apressa-se em partir. Dá ordem de levantar
âncora, esquecendo que Ariadne fica adormecida na praia.

Quando desperta, a princesa vê o navio já ao longe, quase desaparecendo no horizonte.
Só lhe resta lamentar sua triste sina. Mas felizmente o deus Dionisio para por ali e sabe
consolá-la muito bem.

Enquanto isso, Teseu aproxima-se de Atenas. Está tão entretido com seus sonhos de
glória que também esquece de, conforme prometido ao pai, trocar a vela negra por uma
branca.

Desde a partida do filho, o velho Egeu não teve um único momento de repouso. Todos
os dias, subia à Acrópole e ficar olhando as ondas, esperando avistar o navio com a vela
branca. Pobre Egeu! Quando o barco enfim aparecer, está com a vela preta. Certo de que
Teseu está morto, o rei desespera-se e quer morrer também. Joga-se ao mar e afoga-se.
Por isso, desde esse tempo o grande mar que banha a Grécia chama-se mar Egeu.

Sem saber do suicídio do pai, Teseu desembarca, radiante de felicidade. Sua alma
entristece-se quando fica sabendo da trágica notícia. Culpando-se amargamente por usa
irresponsabilidade, começa a chorar. Apesar da triunfal acolhida que Atenas lhe dá, ele fica
de luto.

Depois, porém, compreende que não deve lamentar seu ato de heroísmo. Já que subiu ao
trono, só lhe resta ser um bom soberano. É o que tenta fazer, sempre reinando com grande
respeito pelas leis e garantindo o bem-estar de seu povo. Sob seu sábio governo, a Grécia
conhece a paz. E Atenas, a prosperidade.


Fonte do texto:
http://www.geocities.com/athens/Oracle/1759/mitologiagrega.zip





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Cronologia da Grécia Antiga
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