CFC - Ameaça o ozônio

CFC - Ameaça o ozônio

O Dia Internacional das Nações Unidas para a Preservação da Camada de Ozônio - 16 de setembro - passou despercebido para a maioria das pessoas, porque as preocupações com o aquecimento global obrigaram a deixar em segundo plano a questão da destruição desse escudo protetor. Dados da agência espacial dos Estados Unidos, Nasa, sugerem, porém, que milhões de seres humanos podem estar mais sujeitos a queimaduras de sol.

Inicialmente, os cientistas previram que o nível máximo de destruição do ozônio ocorreria por volta do ano 2005, com uma gradual recuperação até meados do próximo século. Agora, cientistas da Nasa acreditam que o pico dessa destruição só ocorrerá por volta de 2020, por causa dos efeitos complicadores do aquecimento global.

Acredita-se que o aumento da radiação ultravioleta esteja causando uma silenciosa epidemia de cânceres de pele no Cáucaso e também problemas de catarata e deficiência imunológica.

A incidência de melanoma maligno está aumentando 8% ao ano - mais rapidamente do que qualquer outro tipo de câncer no Reino Unido.

O comércio de clorofluorcarbonos (CFCs) e de halogênios, os principais culpados pela destruição do ozônio, é regulamentado pelo Protocolo de Montreal de 1987 - um acordo internacional que conseguiu reduzir em 80% o consumo mundial de substâncias destruidoras do ozônio no perído de 12 anos.

Contudo, um florescente comércio ilegal de CFCs e halogênios e uma grande produção na Índia e China, aliados à atitude da Rússia, que não honrou seus compromissos de eliminar gradualmente o uso desses produtos, minam o sucesso inicial do protocolo.

Rede - Pesquisas feitas pela Agência de Investigação Ambiental, com sedes em Londres e Washington, revelaram uma sofisticada rede de contrabando que está fazendo entrar nos mercados dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Espanha e Itália CFCs e halogênios procedentes da Rússia, Índia e China.

Os lucros com esse comércio danoso ao ambiente são mais elevados nos Estados Unidos, onde as autoridades criaram uma força-tarefa especial para enfrentar o problema dos CFCs ilegais que entram pela fronteira com o México e pelo porto de Miami. Até novembro passado, o Departamento de Justiça conseguiu 47 condenações judiciais e confiscou mais de 10 mil toneladas de CFCs.

Na Europa, a repressão ao contrabando recebeu uma prioridade muito menor, apesar de um mercado negro anual que, segundo estimativas da indústria química, movimenta mais de 10 mil toneladas. Em julho, foi descoberto o maior caso até agora: uma rede de contrabando baseada na Alemanha. Antes de ser desmascarada, a rede já havia distribuído em toda a Europa e nos Estados Unidos mais de 800 toneladas de CFCs e halogênios importados ilegalmente da China.

Em meados da década de 90, a maior parte dos CFCs desse mercado negro provinha da Rússia, mas, agora, os agressivos contrabandistas chineses dominam o comércio ilegal. Como 1 quilo do CFC12 fabricado na China custa apenas 1 libra (US$ 1,60), em comparação com o preço de mais de 12 libras (US$ 20) no mercado do Reino Unido, os lucros do contrabando de CFC são elevados e o risco de detecção é mínimo.

Uma pseudocompanhia, criada para investigar o comércio ilegal, foi assediada com ofertas de contrabandistas, principalmente da China. Alguns deles faziam abertamente anúncios pela Internet. Os agentes ofereciam-se para ajudar a evitar a detecção adulterando CFCs virgens, para que parecessem reciclados, ou pondo rótulos falsos para apresentá-los como substitutivos menos nocivos.

O mercado negro é a resposta inevitável para um regime de desativação gradual desses gases e proíbe a produção na Europa e nos Estados Unidos. Nessas regiões, a demanda continua elevada.

Em 1997, os níveis de ozônio eram 40% mais tênues do que os níveis de 1979-1982 numa área com a metade do tamanho do Canadá. Neste ano, a redução da camada não foi tão acentuada em razão de temperaturas atmosféricas mais quentes, mas está previsto para breve o aparecimento de um buraco regular na camada atmosférica de ozônio no Ártico.

Em julho do próximo ano, os países em desenvolvimento deverão enfrentar suas primeiras obrigações em força do Protocolo de Montreal - um congelamento nos níveis de produção. Apesar disso, a China produz agora cerca de 60 mil toneladas de CFCs por ano, um aumento de mais de 300% em comparação a 1986. Já se duvida se a meta do próximo ano será cumprida.

Proibição - Falhas legais permitem que a fabricação de substâncias destruidoras do ozônio continue na Europa. Apesar de uma proibição oficial da produção de CFC pela União Européia a partir do início de 1995, mais de 30 mil toneladas são fabricadas anualmente para serem exportadas aos países em desenvolvimento e para usos essenciais, como na produção de inaladores para asma.

Os problemas de saúde associados à destruição do ozônio são a longo prazo. No Reino Unido, a previsão é que os níveis esperados de destruição do ozônio contribuam para uma taxa entre 4% e 10% de risco adicional de câncer da pele no curso da vida em crianças que vivem hoje.

O Protocolo de Montreal é um acordo histórico, mas ainda será preciso trabalhar muito para reverter os desastrosos efeitos de substâncias destruidoras do ozônio. Hoje é vital lembrar que o problema não acabou com a eliminação dos aerossóis do CFC e ainda serão necessários mais 40 anos para que todas as categorias de substâncias destruidoras do ozônio sejam gradualmente desativadas. Enquanto isso, não se esqueçam do filtro solar!

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