Areia


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Areia

Por Sérgio Penha Gonçalves

GÊNESE E FORMAÇÃO DA AREIA
A areia é substância que tem uma idade incalculável, haja visto que as rochas ígneas das quais a areia é proveniente só podem ter sido formadas, sob uma enorme pressão e a uma profundidade de 9 a 24 quilômetros da crosta terrestre, onde foram convertidas em granito .

A areia é produto da desintegração mecânica através de agentes exteriores sobre rochas, que emergiram. O vento, a água, as geadas, a vegetação entre outros, provocam nas rochas erosão e desgaste ao longo do tempo, transformando-as em pedregulhos e areias, solos de partículas grossas, siltes partículas intermediárias e por último, as argilas, que são as partículas finas e formadas normalmente, pela decomposição química.

A areia é formada, principalmente pôr quartzo(SiO2), mas dependendo da composição da rocha da qual é originária, pode agregar outros minerais como: feldspato, mica, zircão, magnetita, ilmenita, mônazita, cassiterita, entre outros. E em função dessa variedade, tem aplicações, também variadas. Quase todos minerais de grande resistência física e estabilidade química.

As areias são normalmente extraídos de depósitos recentes e sub-recentes de canais e terraços fluviais, geralmente de idade pleistocênica . Em determinadas situações, a exploração econômica pode ser precedida de uma definição de suas características físicas, como granulometria, morfoscopia dos corpos sedimentares, assim como a geometria das partículas, e química .

No Brasil, os depósitos de areia utilizados como materiais em construção civil, normalmente provêm de sedimentos fluviais recente e sub-recente de paleocanais e terraços de rios próximos ou mesmo no interior dos grande centros urbanos.

A geologia da área apresenta rochas classificadas como pertencentes ao Pré-Cambriano Indiferenciado, na Associação Gnaissico-Migmatítica. Esse tipo de rocha tiveram suas estruturas primárias totalmente deformadas pelas sucessivas fases tectônicas a que foram submetidas e pela granitização atuante com acréscimo e substituição de elementos.

As rochas formadoras da Associação Gnaíssico-Migmatítica, são formadas quase que exclusivamente de gnaisses bandados e graníticos em menor proporção granito e micaxisos.

De maneira geral apresentam tonalidade cinza-clara e granulação média a grosseira e seus principais constituintes são: o quartzo, o feldspato, a micolina e a biotita. O que determina a composição da areia da região em questão.




Classificação da Areia
“A areia é uma substância mineral de desagregação de diversos tipos de rochas encontradas em vários tipos de depósitos, como aluviões, coluviões e eluviões. Constitui-se essencialmente de grãos de quartzo com arredondamento e esfericidade variados podendo ainda conter em diversas proporções, grãos de minerais óxidos e silicatos”

Segundo o geólogo norte americano C.K. Wenttworth, o grão possui diâmetro entre 1/16 polegadas e 2 milímetros. Mas segundo a ABNT está na faixa de 0,05 a 5 milímetros.

Segundo a ABNT, quanto a granulometria, a areia pode ser classificada em:
• fina >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>0,15 a 0,6 mm
• média >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>0,6 a 2,4 mm
• grossa >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>2,4 a 4,8 mm



Quanto a classificação pôr composição química, como citado anteriormente, há uma grande variedade de minerais que constituem as diversas areias, inclusive, conferindo-lhes cores diferentes, conforme essa composição. Também conforme seu grau de pureza e quantidades de quartzo presente, dá-se a areia aplicações diferentes. Dentre as classificações pôr composição química. Nesse trabalho será citado, apenas a areia monazítica e areia ilmenítica.

• Areia monazítica > rica em mônazita, minério constituída pôr fosfatos de metais do grupo do cério, e de tório, principalmente do isótopo 232. . Suas principais jazidas encontram-se no Estado do Espírito Santo. É constituída de grãos amarelos, marrons ou avermelhados.

• Areia Ilmenítica > Rica em cristais de ilmenita, fazem parte de sua composição minerais como rutílio, mônazita, zircão. Suas principais jazidas estão localizadas nos Estados do Rio de Janeiro, e em toda a extensão litorânea do Espírito Santo.

A areia é classificada como solo sedimentar ( ou alotóctone), isto é, que são transportados. Quando o transporte se dá pela água recebe o nome de aluvionares, quando o meio transportador é a gravidade, dá se o nome coluvionares, e designados por eólicos quando são transportados pelo vento.

Quanto a sua composição química a areia é classificada como silicato, já que é constituída de quartzo, feldspato e mica.

Os feldspatos são silicatos duplos de alumínio e de um outro metal alcalino ou alcalino terroso.

As micas são ortossilicatos de alumínio, magnésio, potássio, sódio ou lítio e em menor proporção de manganês e cromo. As mais importantes são a muscovita, chamada mica branca, e a biotita a mica preta.

O quartzo, é sem dúvida, o mais importante dos silicatos, constitui-se basicamente de SiO2, tem alta estabilidade química.

A areia pela estrutura é classifica como sendo de estrutura granular simples, nas quais as partículas se apoiam umas sobre as outras sua disposição é produto da força da gravidade. Em alguns tipos de areia acontece a estrutura alveolar.



Aplicação
Conforme sua constituição química, a areia tem várias aplicações. Excetuando-se a areia de praia que quase não é aproveitável, pela presença de sal em sua constituição.

• Tem-se a areia de construção que pode ser retirada de:
• De rio. Depósitos sedimentares que se formam nos leitos de alguns rios. Sua extração é realizada pôr dragas de sucção, que bombeiam a água , contendo cerca de 5% a 10% de areia, para lagoas de decantação, de onde o material de retirado pôr pás carregadeiras, ou pelo sistema braçal. Em alguns casos a areia é classificada em: fina, média e grossa.
• Esses locais para extração de areia são conhecidos como “areiões”
• De cava. São depósitos aluvionares em fundo de vales cobertos pôr capa de solo. Nesse caso, a areia é extraída pôr escavação mecânica ou pôr desmonte hidráulico, ou seja, a água é comprimida e atirada no barranco de areia.
• De britagem. ë a areia de brita, proveniente do processo de classificação de britas.
• De escória . A escória de alto forno, é resfriada bruscamente pôr jato de água, resultando em grãos em geral de granulometria inferior a 12,7 mm. Este tipo de areia tem a composição bem diferente das areias proveniente das rochas. Tem como composição básica SiO2 , Al2O3, CaO e MgO.
• De praias e dunas. As areias das praias brasileiras não se usam, via de regra, em construção civil, pôr causa de grande finura e quantidade de cloreto de sódio. O mesmo é observado para areias de dunas próximas ao litoral.

A areia extraída do Rio Itapecerica, por suas especificações físicas químicas, tem como finalidades o uso em construção civil e pavimentações de ruas.

Na indústria de vidro utiliza-se areias fluviais com alto teor de sílica, além de rochas silicosas. Entram também, em sua constituição alumina e potássio, arenitos puros e quartizitos. A areia ideal deve ser constituída quase que exclusivamente de sílica e ter grãos angulosos e sua granulometria deve estar na faixa de fina (0,250 a 0,125 mm). Em função dessas exigências é muito difícil encontrar sedimentos de areis fluviais que possam ser empregadas em fabricação de vidro. As areias silicosas são empregadas no fabrico de abrasivos e como fundentes.

Já das areias monzíticas, se extrai o círio, que é usado em pedras de isqueiros. E o tório que é utilizado na fabricação de eletrodos para lâmpadas de descarga, em liga com tungstênio ou com o níquel. Mas o principal produto da areia monazítica, é o urânio físsil( número de massa 233), convertido a partir do tório.

Entre outras aplicações para a areia, tem-se o preparo de concreto para moldes de metais, fabricação de tijolos refratários e de esmeril.

Uma outra aplicação, é o uso de areias com granulometria selecionada, em maçaricos especiais e limpeza de superfícies oxidadas, fachadas de prédios feitas de pedras e ladrilhos.

Outro emprego, bastante utilizado, para a areia é como filtro de água, para uso doméstico e industrial. Quando é colocada em camadas, intercaladas com britas de diversos diâmetros.

Por último, um emprego, que vem se popularizando bastante, é o chamado jateamento de areia, usado para gravações de inscrições em monumentos e peças ornamentais.

Porém a utilização desses materiais sedimentares apresenta dois problemas. O primeiro é na determinação das propriedades físicas e químicas necessárias ao uso que se quer dar ao material em questão. O outro é o dimensionamento do depósito, para saber se é economicamente viável. Além das questões geológicas, deve-se levar em consideração os problemas de desmonte, escavação, custo de transporte e outros. Quando fala-se em material de construção, a areia só é economicamente explorável, se estiver próximo ao mercado consumidor. Isso em virtude de sua ampla distribuição no mundo.



Propriedades

Higroscopia
Os espaços entre os grãos da areia são muito pequenos, sendo assim, a areia pode apresentar higroscopia ou ascensão capilar(capilaridade). Quanto mais fina a areia maior a ascensão capilar, isto deve ser levado em conta em algumas aplicações, como no assentamento de piso e filtros. Pôr estas razões a areia tem sempre uma cera quantidade de água, caso não tenha sido aquecido artificialmente. É a chamada areia seca ao ar.



Coesão Aparente
Considerando a equação do esforço aparente de cisalhamento, T= c +tg ®, como na areia seca, “ c” é nulo, tem-se que a areia não tem coesão. Já na areia molhada “c” deixa de ser nulo e, tem assim o que se denomina coesão aparente.

O valor de “c” cresce de zero, quando tem-se areia seca, para um valor que varia de 0,5% a 1% em areia úmida. Porém decresce ate atingir o valor nulo em areia saturada.

O ângulo de atrito interno varia de acordo com:

• a compacidade(função direta)

• o grau de finura ( função inversa),

• forma dos grãos, para uma granulometria, cresce com a irregularidade dos grãos.

Angulo de repouso é definido como sendo o maior ângulo que uma porção de areia pode formar com o plano horizontal, também chamado talude natural. É em torno de 37º nas areias aluvionares, chegando a 45º em areias de brita. Na areia seca o ângulo de repouso é igual ao de atrito.

As areias impuras não seguem esses preceitos, visto que, se contiverem impurezas aglutinantes, como argilas e matéria orgânica, as areias passam a possuir coesão verdadeira, comportando-se como solo, quando com alto teor de impurezas.


Friabilidade
A areia perde qualidade se contiver grãos friáveis. Para se medir a quantidade de grão friáveis, numa amostra. Coloca quantidade de areia em um molde e exerce sobre a mesma, uma pressão de 40 Mpa em um minuto. Mantém-se essa pressão pôr quatro minutos. Em seguida, determina-se os nódulos de finura antes e depois do ensaio e calcula-se a sua porcentagem de redução em comparação com a areia normal.


Impurezas
As impurezas presentes nas areias podem ser classificadas em coloidais e não coloidais. As não coloidais situam nas dimensões do micrômetro (milésimo de milímetros) e podem ser retiradas por lavagem; já as coloidais não se eliminam.


As impurezas não coloidais que mais ocorrem são:

• argila em torrões;
• materiais pulverulentos;
• materiais friáveis;
• materiais carbonosos;
• materiais orgânicos.


O material pulverulento é retirado lavando-se a amostra energicamente a mão e o peso do material retirado é expresso em percentagem do peso da amostra.

Os materiais carbonosos são constituídos de partículas de carvão, linhito, madeira e matéria vegetal sólida, são determinados pôr sedimentação da areia em líquidos.

A percentagem de argila em torrões ou de materiais friáveis é determinada pesando-se a amostra antes e depois de serem retirados os torrões ou fragmentos friáveis.

A areia do perímetro urbano está sujeita a uma sorte enorme de impurezas, como conseqüência dos diversos tipos de poluição, que ocorrem na cidade e que acabam no rio.

Abaixo citamos algumas fontes dessas impurezas:
• Fossas, quando construídas próximas aos lagos, rios cisternas contaminam os lençóis de água.

• Grande números de industrias lançam tipos de substâncias químicas nas águas. Em Divinópolis, um exemplo bastante claro desse tipo de procedimento, é a quantidade de “carepa” retirada do leito do Rio Itapecerica, quando de sua dragagem.

• Detergente, a maioria dos detergentes possui substâncias sintéticas, não solúveis em água, fosfatos, que se depositam no leito dos rios.

• Esgotos, o lançamento de esgotos domésticos na água, leva para o rio grande quantidade de matéria orgânica.

• Lixo, os resíduos domésticos e industriais abandonados em terrenos baldios, muitas vezes acabam nos rios.

• Agrotóxicos, as chuvas, as enxurradas e a drenagem mal feitas lavam os vegetais e solo que estão impregnados de defensivos agrícolas, arrastando-os para os rios.

• Desmatamentos, o crescimento urbano desordenado, acaba provocando um desmatamento das margens do Rio Itapecerica, com isso em época de chuvas, há o arraste de porções de solo para o rio.

Inchamento
A areia quando seca absorve água, que passa a formar uma película em torno dos grãos. A espessura dessa película é tão delgada quando os espaços vazios entre os grãos, há um afastamento dos mesmos, produzindo o que se chama de inchamento.

Para fins de comparação, usa-se como areia padrão uma que, além de curva granulométrica bem definida, tem de satisfazer uma série de exigências quanto a impurezas, tudo de acordo com a NBR 7214. A areia padrão recebe o nome de Areia Normal Brasileira.





EXTRAÇÃO DE AREIA
A variação no volume dos depósitos e na qualidade dos recursos minerais relaciona-se com as variações na espessura dos pacotes extraídos e com os diferentes ambientes de deposição: áreas de várzeas, leitos de cursos d’água e jazidas em fossa seca ou úmida.

A extração de areia visa suprir, principalmente, a construção civil.


Entre os métodos de extração de areia destacam-se:

• Extração manual;
• Extração em fossa;
• Extração em área de várzea;
• Extração em leito de curso d’água e
• Extração em leitos de cursos d’água navegáveis.


Fica a cargo do município, a definição das diretrizes básicas para o desenvolvimento das atividades extrativas em seu território, observando a legislação pertinente ao assunto como: lei de uso e ocupação do solo, plano diretor, código de posturas, leis ambientais, etc.


EQUIPAMENTOS DE EXTRAÇÃO DE AREIA
Os equipamento de extração nos trabalhos de extração a seco são trator de esteira, carregadeira de pneus e retroescavadeira com comando hidráulico. Para transporte usa-se, normalmente, caminhões caçambas ou com carrocerias de madeiras, trucados ou não, dependendo da quantidade de material a ser transportado.

Quando se atinge o nível do lençol freático e havendo prosseguimento de extração, introduz-se as dragas de sucção que são formadas de plataformas flutuantes, sobre as quais são montados motor, movido a óleo diesel ou à eletricidade, e bomba de sucção, acoplada a tubulações de bombeamento de ferro fundido com diâmetro de 6 a 8 polegadas.

O sistema de locomoção da tubulação pode ser manual, pôr meio de roldanas, ou mecânico. A balsa pode ser movimentada pôr motor de popa ou pôr meio de guinchos presos a cabos de aço fixados normalmente em estacas ou árvores.

Ainda no caso de extrações realizadas em presença de água, pode-se utilizar equipamentos como escavadeiras adaptadas com lança “Clamp-shell” constituída de duas partes móveis, que funcionam como mandíbulas.



MÉTODOS DE EXTRAÇÃO

Extração Manual
Método rudimentar, realizado por meio de pás. A extração acontece manualmente. Embora ocorra de forma isolada, a degradação causada pôr esse tipo de extração é muito significativo, destruindo matas ciliares e degradando margens de cursos d’água.

O transporte, de maneira geral, é feito pôr veículos de tração animal, carroças.


Extração em Fossa Seca
Chama-se extração a seco quando o depósito situa-se acima do nível do lençol freático, o termo é empregado quando a extração acontece em cava ou a céu aberto.

Esse processo de extração pode ser realizado por carregadeira de pneus, trator de esteira e/ou retroescavadeira com comando hidráulico.


Extração em Área de Várzea
Entende-se como Circuito em Cava Fechada o processo extrativo que acontece com formação de lagoa para extração, com o retorno de partículas finas e água para a lagoa.

Normalmente o nível do lençol freático é pouco profundo nas várzeas, fazendo com que o tempo de extração sem o uso de dragas de sucção seja pequeno. Quando o nível do lençol freático é atingido, há a introdução das dragas de sucção, que conduzem o material até o local de estocagem, e as partículas dissolvidas e as águas retornam para a lagoa através de canais coletores.


Extração em Leito de Cursos d’Áagua
Nesse caso o processo extrativo acontece com o uso de dragas de sucção. A areia extraída é lançada em local de estocagem, sofrendo drenagem natural.


Extração em Leito de Cursos de d’Água Navegáveis
O processo é realizado pôr meio de embarcações equipadas com silos de estocagem , com tamanho suficiente para suportar a carga por determinado tempo e com equipamento de escavação do tipo lança “Clam-shell”, esse tipo de equipamento faz com que a extração se dê de forma vertical em profundidade. Ou pode ocorrer pôr meio de dragas de sucção.

O material retirado é depois levado até a margem, onde fica estocado aguardando o transporte até o local de consumo, esse locais são conhecidos como “portos de areia.

Em Divinópolis, pôr força da lei, é proibido extrair areia do leito do Rio Itapecerica, quando esse se encontra em perímetro urbano.







IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS DE CONTROLE


IMPACTOS AMBIENTAIS

Qualquer que seja o tipo de atividade ou empreendimento sempre acarreta modificações ambientais. Podendo ser de caráter irreversível ou temporário.

A extração de areia nos rios provoca graves danos, como a turbidez da água, assoreamento e em alguns casos, até mesmo o desvio do leito.

A exploração de areia nas margens dos rios passa, a médio prazo, a provocar inundações, águas paradas e todas as suas conseqüências, como proliferação de insetos e doenças

Dentre os impactos causados pela extração de areia enumera-se os seguintes:

• Alteração na paisagem - A simples operação dos equipamentos de extração, transporte e veículos das pessoas afetas ao empreendimento, afeta de maneira significativa a paisagem local, soma-se a esse fato o destruição da paisagem no local de estocagem do material até o mesmo ser removido em definitivo. Um outro fator digno de nota é a construção de vias de acesso, uma vez que a grande maioria dos depósitos se encontra na zona rural.

• Supressão de vegetação - Provocada, também, pela operação dos equipamentos, pelo disposição do material extraído e dos rejeitos e pela circulação de veículos. É porem, reversível se houver manejo adequado da vegetação existente no local.

• Modificações na estrutura do solo - A atividade extrativa acarreta mudanças nas características do solo, aumentando o seu grau de compactação, de exposição ao sol e mudanças de ordem microbiológica.

• Interferência sobre a fauna. - A remoção de vegetação, a modificação na estrutura do solo, o aumento ou a introdução de ruídos, a circulação de caminhões, entre outros fatores, provocam a evasão ou alteração no hábitos da fauna no entorno do local. Um fato observável, quando a extração ocorre em zonas pouco povoadas é a morte de pequenos animais pôr atropelamento pelos caminhões responsáveis pelo transporte do material extraído.

• Alterações nas calhas dos cursos d’água. - São provocadas pelo uso de equipamentos de desagregação sobre os leito dos rios, o que acarreta eliminação de barramentos naturais ou a produção de bancos de sedimentos, que podem interferir na velocidade e na direção do cursos d’água.

• Trepidação. - Acarretada principalmente pela circulação de equipamento de desmonte, carregamento e transporte. A presença de trepidação provoca perturbações nas estrutura de pontes, estradas, construções, etc. existentes próximas ao local.

• Poluição sonora. - Produzida pelo motor da draga de sucção, dos caminhões, do trator, da carregadeira de pneus, ou seja dos equipamentos que fazem parte do empreendimento.

• Poluição atmosférica. - O processo extrativo contribui para esse tipo de poluição pela emissão de partículas minerais na atmosfera. E o funcionamento dos equipamentos de extração, carregamento, estocagem e transporte, com a emissão de partículas gasosas e sólidas provenientes da queima de combustíveis.

• Contaminação pôr óleos e graxas. - Acontece quando o equipamento é manuseado de maneira inadequada, ainda por falta de manutenção do equipamento, a existência de vazamentos e a falta de medidas preventivas afim que não haja lançamentos de resíduos nos leitos dos cursos d’água. Esse tipo de contaminação traz sérios danos ambientais ao ecossistema, como exemplo mais claro tem-se a mortandade de peixes.

• Turbidez das águas. Turbidez é definida como sendo a resistência que a água oferece à passagem de luz, que é causada por sólidos em suspensão finamente divididos na água.

O processo de extração de areia produz aumento de turbilhonamento, e como conseqüência , a turbidez, que é apontada como sendo um dos mais graves danos, que além de entupir a guelra dos peixes escurece a água, não permitindo a passagem de luz solar debilitando a vida aquática e acarretar custos adicionais no tratamento de águas de abastecimento

• Resíduos sólidos. - A retirada de terra para a ocorrência da extração da areia gera a formação de montes de solo orgânico e estéril, os quais devem ser tratados para que não venham a favorecer sedimento. A utilização desses solos na reabilitação da área de extração deve ser prevista desde o início do projeto.

• Alterações no tráfego. - Indubitavelmente haverá um acréscimo no fluxo de caminhões, provocando assim, um aumento no nível de ruídos, dos riscos de acidentes de trânsito e poluição atmosférica.

• Geração de conflitos de uso dos recursos minerais. - O solo, a água e o ar têm seus diversos usos definidos de acordo com os hábitos locais. Deve haver uma busca constante de compatibilização dos usos dos mesmos com as atividades extrativas de areia.

• Alterações no nível do lençol freático. - Os processo de extração de areia que atingem o nível do lençol freático podem acarretar a “subsidência do terreno” - acomodação de terra - colocando em risco, construções próximas ao local. Podendo provocar, também a inativação de poços de captação de água no entrono do local de extração.




Medidas de Controle
Um empreendimento deve ser planejado desde a fase de concepção, para que sejam avaliadas as potencialidades da jazida e sua viabilidade econômica, e também para que se possam, ser tomadas, medidas que visem a diminuição dos impactos que certamente a atividade extrativa acarretará no meio ambiente.

Mas normalmente, o que acaba acontecendo, é que o ônus acaba recaindo sobre o poder público e a comunidade, que além de sofrer as conseqüências dos danos ambientais, tem ainda que arcar, de forma indireta, com as despesas carreadas pelo poder público para a recuperação de áreas degradadas, por este tipo de atividade lucrativa.

Antes de se iniciar a sucção do material, deverá ser realizada sondagem com hastes de aço dotadas de ponteira, que são lançadas sobre o pacote arenoso para se conhecer melhor a potencialidade da jazida. Evitando-se, assim, o revolvimento desnecessário do fundo dos cursos d’água.

Essa e outras medidas têm como objetivo minimizar os impactos negativos acarretados pela atividade extrativa de areia.

A inexistência de uma legislação clara é apontada como um dos principais entraves à atividade mineradora, para muitos, a falta de leis adequadas impede o empresário de saber antecipadamente o quanto terá que investir na recuperação da área a ser explorada.

Outra dificuldade, apontada pelos donos de mineradoras é que as exigências ambientais são feitas por vários órgãos estatais, dos três níveis de governo, ao passo que se esta responsabilidade ficasse a cargo de um só nível, ficaria mais fácil. Porém, essa dificuldade, não pode ser usada por quem extrai areia, já que basta uma licença da prefeitura para seu funcionamento.

A seguir são citadas medidas consideradas preponderantes para a vialibilizaçaão de empreendimentos extrativos dentro de uma ótica de sustentabilidade ambiental.


Proteção de áreas de preservação permanente
Quando ocorrer a degradação de áreas desse tipo, deve-se definir um projeto de recuperação vegetal, dando preferências as espécies nativas. O que pode de certa forma estimular também a recuperação da fauna do local.

As áreas de preservação permanente são definidas no artigo 2º do Código Florestal - Lei número 4771, de 15 de setembro de 1.965.

Para que ocorra a recuperação vegetal, por conseguinte a recuperação da fauna, recomenda-se a instalação de um viveiro de mudas, de preferências nativas, que serão usadas na revegetação de taludes e da área degradada pela atividade.



Manejo da Fauna
A captura , o trato e a reintrodução de espécimes da fauna local permitem uma reabilitação mais rápida da área degradada.


Estocagem de solo
As camadas de solo retiradas para se criar condições de acontecer a extração da areia, devem ser colocadas de tal forma que fiquem protegidas de agente de erosão e fora das áreas de preservação permanente, para posteriormente serem utilizadas na recomposição da área degradada.

As camadas de solo orgânico e as camadas que se situam numa faixa de profundidade de 30 a 50 cm, devem ser removidas de forma diferenciadas e dispostas em pilhas individuais, sendo recomendado que a altura dessas pilhas não ultrapasse a um metro e meio. Na ocasião da recorbertura deve-se deixar uma camada de aproximadamente 20 cm de solo fértil, para facilitar a revegetação da área explorada.

Antes de ocorrer a reutilização do solo, recomenda-se uma escarificação, afim de minimizar a compactação que sofreu o terreno devido a circulação de equipamentos e caminhões, necessários ao processo extrativo e transporte do material extraído.


Estabilidade dos Taludes
Medidas preventivas visam manter a estabilidade dos taludes. No caso da extração de areia deve a sucção deve ocorrer no meio do curso d’água, para evitar o desbarrancamento e por conseguinte seu assoreamentos e a destruição de vegetação.

O correto acondicionamento e manuseio de óleos, graxas evitam a contaminação dos cursos d’água e do solo.

A laterais das dragas devem receber proteção em suas laterais para evitar o derramamento de óleos e graxas no leito do rio.

É necessário que os equipamentos passem periodicamente por manutenção, afim de evitar vazamento de óleos, graxas e combustíveis e também, quando da lavagem dos mesmos, as águas não devem ser lançadas no leito do curso d’água e nem no solo sem que passem por tratamento adequado.



Disposição adequado de resíduos sólidos
Os rejeitos, caso existam, devem ser depositado em local tal que provoque desbarrancamentos.

Os resíduos sólidos inerente às atividades humanas e embalagens de óleos, graxas e outros, serão encaminhados ao serviço municipal ou comercializados para serem reciclados, ou ainda enterrados em local que não possam contaminar o solo e lençol freático. Nunca jogados diretamente no solo ou no curso d’água.





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