A Origem da Sociologia


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A Origem da Sociologia

25/05/2011 - Angela Maria

Por Angela Maria
Introdução
Na sociologia númeras pessoas dedicaram longos anos a estudar a vida em sociedade, procurando descobrir seus segredos e tornar mais claras as relações que existem entre os homens. A introdução de novas formas de organizar a vida social e a profundidade das transformações, de certa forma, colocou a sociedade em evidência. Em decorrência disso, determinados pensadores passaram a considerá-la um objeto que deveria ser investigado e analisado com metodologia científica adequada.

A seguir, exemplos de alguns desses homens que, com seu saber, fizeram aumentar o conhecimento da humanidade sobre si mesma.


A Origem da Sociologia
Filosofia (do grego, literalmente «amor à sabedoria») é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. Ao abordar esses problemas, a filosofia se distingue da mitologia e da religião por sua ênfase em argumentos racionais; por outro lado, diferencia-se das pesquisas científicas por geralmente não recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações. Entre seus métodos, estão a análise conceptual, as experiências de pensamento, a argumentação lógica e outros métodos a priori.

A Sociologia é uma das ciências humanas que estuda as unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia, a Sociologia tem uma base teórico-metodológica, que serve para estudar os fenômenos sociais, tentando explicá-los, analisando os homens em suas relações de interdependência. Compreender as diferentes sociedades e culturas é um dos objetivos da sociologia.

Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos. Cobrindo todas as áreas do convívio humano desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso, a Sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade, a diversas outras áreas do saber. Entretanto, o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é o Estado, normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica.

Assim como toda ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. Ainda que esta tarefa não seja objetivamente alcançável, é tarefa da Sociologia transformar as malhas da rede com a qual a ela capta a realidade social cada vez mais estreitas. Por essa razão, o conhecimento sociológico, através dos seus conceitos, teorias e métodos, pode constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida cotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, consequentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais.

A Sociologia ocupa-se, ao mesmo tempo, das observações do que é repetitivo nas relações sociais para daí formular generalizações teóricas; e também se interessa por eventos únicos sujeitos à inferência sociológica (como, por exemplo, o surgimento do capitalismo ou a gênese do Estado Moderno), procurando explicá-los no seu significado e importância singulares.

A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII, na forma de resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo está ficando mais integrado, a experiência de pessoas do mundo é crescentemente atomizada e dispersada. Sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais, mas também desenvolver um "antídoto" para a desintegração social.

Os Primeiros Pensadores da Sociologia


AUGUSTO COMTE (1798-1857)
Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, filósofo e matemático francês, nasceu em Montpellier a 19 de janeiro de 1798. Foi o fundador do Positivismo. Fez seus primeiros estudos no Liceu de Montpellier, ingressando depois na Escola Politécnica de Paris, de onde foi expulso em 1816 por ter se rebelado contra um professor. Foi então estudar Medicina em Montpellier, mas logo regressou a Paris, onde passou a viver de aulas e colaboração em jornais.

Em 1826, começou a elaborar a lições de Curso de Filosofia Positiva. Sofrendo, porém, sério esgotamento nervoso, viu-se obrigado a interromper seu trabalho. Já recuperado, publicou, de 1830 a 1842, sua primeira grande obra: Curso de Filosofia Positiva, constituída de seis volumes.

A partir de 1846 toda a sua vida e obra passaram a ter um sentido religioso. Desligou-se do magistério, dedicando-se mais às questões espirituais. deixou de ser católico e fundou a Religião da Humanidade. Para propagar sua nova religião, manteve correspondência com monarcas, políticos e intelectuais de toda parte, tentando pôr em prática suas idéias de reformador social.

Sociologia, que a princípio Comte denominou "Física Social", é um vocábulo criado por ele no seu Curso de Filosofia Positiva. Para Comte, a Sociologia procura estudar e compreender a sociedade, para organizá-la e reformá-la depois. Acreditava que os estudos das sociedades deveriam ser feitos com verdadeiro espírito científico e objetividade.

O pensamento de Comte provocou polêmicas no mundo todo e reformulações de teorias até então incontestáveis. Sua influência foi imensa, quer como filósofo social, quer como reformador social, principalmente sobre os republicanos brasileiros. O lema da Bandeira Nacional "Ordem e Progresso", criador por Benjamin Constant, é de inspiração comtista.

Suas principais obras são: Curso de Filosofia Positiva (1830-1842) e Sistema de Política Positiva (1851-1854).

Morreu em Paris a 5 setembro de 1857.


KARL MARX (1818-1883)
Karl Heinrich Marx, filósofo e economista alemão, nasceu em Trier (atual Alemanha Ocidental) a 5 de maio de 1818. Estudou na Universidade de Berlim, interessando-se se principalmente pelas idéias do filósofo Hegel. Formou-se pela Universidade de Iena em 1841.

Em 1842 assumiu o cargo de redator-chefe do jornal alemão Gazeta Renana, editado em Colômbia, onde tinha a postura política de um liberal radical. No ano seguinte transferiu-se para Paris. Lá conheceu Friedrich Engels, um radical alemão de quem se tornaria amigo íntimo e com quem escreveria vários ensaios e livros. De 1845 a 1848 viveu em Bruxelas, onde participou de organizações clandestinas de operários e exilados.

Em 1847 redigiu com Engels o Manifesto comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada maxismo. No Maxismo Marx convoca o proletariado à luta pelo socialismo. Em 1848, quando eclodiu o movimento revolucionário em vários países europeus, Marx voltou à Alemanha, onde editou a Nova Gazeta Renana, primeiro jornal diário francamente socialista e que procurava orientar as ações do proletariado alemão. Com o fracasso da revolução, Marx fugiu para Londres, onde viveu o resto de sua vida.

Fundou, em 1864, a Associação Internacional dos Trabalhadores, depois chamada Primeira Internacional dos Trabalhadores com o objetivo de organizar a conquista do poder pelo proletariado em todo o mundo. Em 1867 publicou o primeiro volume de sua obra mais importante. O capital, em que fez uma crítica ao capitalismo e à sociedade burguesa.

Marx é o principal idealizador do socialismo do comunismo revolucionário. O marxismo — conjunto de idéias político-filosóficas de Marx — propunha a derrubada da classe dominante, a burguesia, através de uma revolução do proletariado. Marx criticava o capitalismo e seu sistema de livre empresa que, segundo ele, pelas contradições econômicas internas, levaria a classe operária à miséria. Propunha uma sociedade na qual os meios de produção fossem de toda coletividade.

Suas principais obras são: O capital (1867-1894), Manuscritos econômico-filosóficos (escrita em 1844 e publicada em 1932), A miséria da Filosofia ( 1847). Escreveu em parceria com Engels: A sagrada família (1844), A ideologia alemã (1845-1846), Manifesto comunista (1847).

Marx morreu em Londres a 14 de março de 1883.


DURKHEM (1858-1917)
David Émile Durkheim, sociólogo francês, nasceu em Épinal a 15 de abril de 1858. Estudou na École Normale Supérieure de Paris, tendo-se doutorado em Filosofia. Em 1885 foi estudar na Alemanha, sendo muito influenciado pelas idéias do psicólogo Wilhelm Wundt.

Ocupou a primeira cátedra de Sociologia criada na França, na Universidade de Bordéus, em 1887. Aí permaneceu até 1902, quando foi convidado a lecionar Sociologia e Pedagogia na Sorbonne.

É considerando o fundador da Sociologia moderna. Foi um dos primeiros a estudar mais profundamente o suicídio, o qual, segundo ele, é praticado na maioria das vezes em virtude da desilusão do indivíduo com relação ao seu meio social.

Para Durkeim, o objeto da Sociologia são os fatos sociais, os quais devem ser estudados como "coisas".

O sistema sociológia de Durkheim baseia-se em quatro princípios fundamentais:

  • A sociologia é uma ciência independente das demais Ciências Sociais e da Filosofia.


  • A realidade social é formada pelos fenômenos coletivos, considerados como "coisa".


  • A causa de cada fato social deve ser preocupada entre os fenômenos sociais que o antecedem. Para explicar um fenômeno social, deve-se procurar sua casa.


  • Todos os fatos sociais são exteriores aos indivíduos, formando uma realidade específica.


Segundo Durkeim, o homem é um animal que só se humaniza pela socialização.

Suas principais obras são: A divisão do trabalho social (1893), As regras do método sociológico (1894), O suisídio (1897).

Durkheim morreu em Paris a 15 de novembro de 1917.


MAX WEBER (1864-1920)
Max Weber, sociólogo alemão, nasceu em Erfurt, na Turíngia, a 21 de abril de 1864. Foi professor de Economia nas universidades de Freiburg e Heidelberg. Após 1897 teve de interromper o exercício do magistério, devido a uma grave enfermidade psíquica. Participou da comissão que redigiu a Constituição da República de Weimar. Foi por muito tempo diretor da importante revista Arquivo de Ciências Sociais e Política Social e colaborador do Jornal de Frankfurt.

Ardente nacionalista alemão. Weber é considerado um dos mais importantes pensadores modernos. Fundou a disciplina Sociologia da Religião, fazendo estudo comparado da História da Economia e da História das Doutrinas Religiosas.

Para Weber o objeto da Sociologia é o sentido da ação humana individual que deve ser buscado pelo método da compreensão.

As teorias de Weber exerceram uma grande influência sobre as Ciências Sociais a partir da década de 20. São famosas suas teses a respeito das relações do capitalismo como protestantismo. Weber procurou investigar a influência das doutrinas religiosas no campo econômico e, em particular, na formação do espírito capitalista.

Suas obras principais são: A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905) e Economia e sociedade (publicada postumamente em 1922).

Morreu em Muníque a 14 de junho de 1920.


MANNHEIM (1893-1947)
Karl Mannheim, sociólogo alemão de origem húngara, nasceu em Budapeste a 27 de março de 1893. Em 1925 tornou-se livre-docente em Heidelberg. Em 1929 foi nomeado professor da Universidade de Frankfurt. Em 1933 foi nomeado professor da London School of Economics, transferindo-se em 1945 para a Universidade de Londres.

Mannheim elaborou as primeiras teses sobre a Sociologia do Conhecimento uma nova disciplina científica, cujas bases estão lançadas em Ideologia e utopia, sua obra principal. Mannheim afirmava que todas as idéias políticas e sociais são inspiradas pela situação social dos pensadores na sociedade. Segundo ele, cada fase humanista é dominada por um estilo de pensamento. É em cada fase surgem tendências para a conservação ou para a mudança. A conservação produz ideologia, e a mudança leva a utopias. Para ele, portanto, as ideologias se destinam a justificar a situação social existentes, enquanto as utopias pretendem, ao contrário, justificar uma desejada modificação da estrutura social.

Suas obras principais são" Ideologia e utopia (1929), Diagnóstico do nosso tempo (1943), Liberdade, poder e planejamento democrático (1950).

Mannheim morreu em Londres a 9 de janeiro de 1947.


FLORESTAN FERNANDES
Florestan Fernandes, sem dúvida o mais importante sociólogo brasileiro, nasceu em São Paulo, em 22 de julho de 1920. Desde muito cedo precisou trabalhar para viver e não pode sequer completar o curso primário. Fez o curso de Madureza e a seguir estudou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Lecionou na USP até 1969, quando foi aposentado compulsoriamente pela ditadura militar, formando várias gerações de cientistas sociais. Deu aula em diversas universidades estrangeiras e, em 1976, voltou a lecionar no Brasil, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

É o fundador e principal representante da Sociologia crítica no Brasil. Em todo o seu trabalho ele procura refletir sobre as desigualdades sociais, desvendando as contradições da sociedade de classes, e também sobre o papel da Sociologia diante desse realidade. Assim, não apenas em seus livros, mas também em cursos, conferências e artigos na imprensa brasileira, com suas enormes desigualdades sociais, econômicas, políticas e culturais.

Sua própria história de vida explica essa posição crítica: "Eu nunca teria sido o sociólogo em que me converti sem o meu passado e sem a socializacão pré e extra-escolar que recebi, através das duras lições de vida (...). Iniciei a minha aprendizagem ‘sociológica’ aos 6 anos, quando precisei ganhar a vida como se fosse um adulto e penetrei, pelas vias da experiência concreta, no conhecimento do que é a convivência humana e a sociedade (...)".

De sua imensa obra, podemos citar: A organização social dosTupinambá (1949), Fundamentos empíricos da explicação sociológica (1959), A Sociologia numa era de revolução social (1963), A integração do negro na sociedade de classes (1965), Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina (1973), Mudanças sociais no Brasil (1974), A revolução burguesa no Brasil (1957), A natureza sociológica da Sociologia (1980)

Nas eleições de 1986, Florestan Fernandes foi eleito deputado constituinte pelo Partido dos Trabalhadores.


Conclusão
Não há como negar os resultados alcançados pela Sociologia através dos tempos e a presença dessa disciplina no cotidiano. Enfim, podemos percebê-la nas diversas pesquisas realizadas pelos sociólogos, nas universidades, nas entidades estatais e nas empresas.

A multiplicidade de visões sociológicas sobre a sociedade persiste ainda hoje. Acima disso, deve-se priorizar sempre a tentativa da Sociologia em compreender o homem e o seu mundo social. Afinal, os tempos mudam, mas a Sociologia acompanha o homem, ao longo do tempo. Homens tentando explicar os próprios homens em sociedade; talvez aí esteja a fascinação que a Sociologia exerce sobre nós.

E o pensamento de Augusto Comte, Karl Marx, Émile Durkheim, Max Weber, Mannheim e de Florestan Fernandes, mesmo tendo suas particularidades foram frutos desse processo.


Bibliografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_fil%C3%B3sofos
http://www.scribd.com/doc/6637696/Sociologia-Comte-Marx-Weber-E-Durkheim
http://cienciadaeducacao.vilabol.uol.com.br/Pensadores.htm


Texto enviado às 11:49 - 25 de Maio de 2011
Autor: Angela Maria

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