A mudança de forma, sem a alteração de significado, de um fonema se chama alomorfia. Na verdade, quando isso acontece, as funções de um fonema ficam preservadas, ocorrendo uma mudança de forma apenas.

Por exemplo:

Incontestável / Irrepreensível

Percebe-se que são apresentados dois fonemas que dignificam a mesma coisa, a negação. Porém, elas possuem formas diferentes. Na primeira palavra ocorre o IN, já na segunda apenas o I faz a função de negar o sentido.

E assim existem outros exemplos, como:

  • Incomum e infeliz;
  • Irresponsável e ilegal.

Os prefixos I e IN servem para a mesma coisa, a negação do sentido da palavra, ocorrendo a alomorfia. Também são chamadas de palavras alomorfes.

Quando o mesmo morfema passa pela alomorfia, que é a mudança de forma sem perda de sentido, havendo uma adaptação da forma por causa das alterações inerentes à língua falada, percebe-se a reestruturação do idioma para atender seus falantes.

Veja que, provavelmente, o “n” foi se perdendo na pronúncia de algumas palavras, enquanto ficou preservado em outras. Assim temos instável e incapaz, duas palavras nas quais os prefixos contradizem o sentido principal, mas são diferentes na forma.

Como a língua é dinâmica, essas variações na forma são comuns, assim as palavras novas aparecem ou, no mínimo, surgem algumas versões incomuns ou inesperadas. Essas alterações acontecem na morfologia e na fonologia, em praticamente todas as estruturas da língua portuguesa.

A alomorfia demonstra claramente uma variação para determinado morfema, sem mudanças de significado. A forma básica para estabelecer a alomorfia emprega dois critérios distintos, chamados de estatístico (com as variantes mais frequentes) e de regularidade (alomorfes com a mesma frequência).

Em resumo, a alomorfia pode ser compreendida como um fenômeno linguístico. Veja alguns exemplos:

  • Infeliz;
  • Imutável;
  • Imoral;
  • Ilegal;
  • Irresponsável;
  • Insolação.

A formação da alomorfia ocorre, então, quando há variação dos morfemas sem alterar os significados.