Região Sudeste do Brasil


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Região Sudeste do Brasil

Desde o início da colonização de Brasil, os portugueses, sabendo das riquezas minerais descobertas na parte da América pertencente aos espanhóis (México e Peru), tentavam a todo o custo descobri-las em nosso território.

Com a descoberta do ouro, no final do século XVII (1690), no atual estado de Minas Gerais, na região das cidades de Sabará, Mariana e Ouro Preto, surgiu para Portugal uma nova fonte de renda muitas vezes superior ao açúcar, que entrava em decadência.

A partir dessa época, como decorrência da corrida do ouro, o espaço do Sudeste começou a ser ocupado e organizado.

Com a descoberta do ouro e, depois, dos diamantes (1729), as expectativas de um rápido enriquecimento passaram a atrair um grande número de pessoas para a região das Minas Gerais, dando origem a vários núcleos de povoamento (os arraiais) que logo se transformariam em vilas e cidades.

Ao lado dos senhores de engenho nordestinos surgiu uma nova figura na sociedade colonial brasileira: o senhor de lavras, que, ao contrário dos primeiros, vivia na cidade, dando origem a um processo de crescimento urbano bastante acelerado.

Os primeiros descobridores de ouro nas gerais foram os paulistas. Entretanto, em virtude de conflitos que começaram a haver entre eles e os portugueses (apelidados de emboabas) que para cá vieram explorar os minerais, alguns paulistas decidiram caminhar rumo ao oeste em busca de novas jazidas de ouro e diamantes, fixando-se, por fim, em territórios dos atuais estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (1718) e Goiás(1725).

Mas não foi só a atividade mineradora que propiciou o surgimento de núcleos de povoamento nesse período.

A necessidade de abastecer a população dedicada à mineração levou ao desenvolvimento de atividades agrícolas e comerciais no sul de Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além da criação de gado no Sul do Brasil.

O comércio de bovinos e principalmente de muares (mulas), que os paulistas buscavam no Sul para vender na região das minas, proporcionou o aparecimento de pousadas ao longo dos caminhos entre essas duas regiões. Muitas dessas pousadas deram origem a importantes cidades paulistas da atualidade como Franca e Sorocaba, e Passa Quatro, em Minas Gerais.





A MUDANÇA DO EIXO ECONÔMICO DO NORDESTE PARA O SUDESTE
Durante praticamente todo o século XVIII, a mineração constituiu a principal atividade econômica da Colônia, fazendo com que o Sudeste assumisse o comando da economia colonial brasileira.

Com a passagem do eixo econômico do Nordeste para o Sudeste transferiu-se, em 1763, a capital do Brasil para o Rio de Janeiro, que então passou a ser o mais importante centro urbano da Colônia.

Nas primeiras décadas do século XIX, quando a atividade mineradora começava a declinar, e o açúcar e o algodão perdiam competitividade no mercado internacional, um novo produto agrícola veio fortalecer ainda mais o crescimento e a estruturação dessa região: o café, até hoje um dos mais importantes produtos de exportação do país. Plantado inicialmente no Norte, no estado do Pará (1727), o café encontrou nas terras do Sudeste um excelente local de cultivo.

Paralelamente ao desenvolvimento da cultura cafeeira desenvolveu-se também a criação de gado, destinada ao abastecimento da população. o gado ocupou vastas áreas do Sudeste, destacando-se o oeste de São Paulo, o Triângulo Mineiro, o norte e o sul de Minas Gerais, o vale do rio Paraíba (em São Paulo e no Rio de Janeiro), como também a área do atual estado de Mato Grosso do Sul, e as campinas do Sul do Brasil.



CAFÉ, A BASE PARA A INDUSTRIALIZAÇÃO DO SUDESTE
No Rio de Janeiro, o café encontrou as condições ideais de clima e solo para o seu desenvolvimento (final do século XVIII e início do século XIX). Posteriormente, irradiou-se para São Paulo, sul de Minas Gerais e Espírito Santo.

Nas primeiras décadas do século XX, os cafezais atingiram as terras dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, e o Brasil passou a ser o maior produtor mundial de café, tendo os Estados Unidos como principal comprador.

Inúmeras ferrovias e estradas foram abertas para o escoamento da produção cafeeira até os portos de Santos e do Rio de Janeiro. Nas proximidades dessas estradas, começaram a se desenvolver aglomerados urbanos, embriões de grandes cidades da atualidade.

Assim como ocorreu no Nordeste com a lavoura canavieira, a monocultura do café organizou-se em grandes propriedades, a princípio tendo por base o trabalho escravo, e posteriormente empregando trabalhadores livres (assalariados), principalmente imigrantes. Ao avançar mais para o interior da região, o cultivo do café propiciou o aparecimento de médias propriedades.

Dos quase 5 milhões de imigrantes que o Brasil recebeu até o início deste século, a maior parte deles fixou-se sobretudo no Sul e Sudeste, marcando profundamente sua vida econômica e social. A preferência por essa região, entre outros fatores, deveu-se à necessidade de mão-de-obra para a lavoura e à necessidade de efetivar-se a colonização do Sul.

A partir da década de 30, a importância do café na economia do Sudeste e do Brasil começou a diminuir devido à crise internacional que afetou brutalmente a comercialização do produto, principalmente por depender das exportações aos Estados Unidos. Nesse momento, os investimentos econômicos passaram a ser dirigidos para outras culturas e para uma outra atividade: a indústria, que inicialmente se estruturou em torno de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O acúmulo de capitais, proporcionado pela cultura do café, a rede ferroviária, a modernização dos portos de Santos e do Rio de Janeiro, a mão-de-obra qualificada dos imigrantes e o crescente mercado consumidor urbano foram fatores importantíssimos para o desenvolvimento da atividade industrial, que acelerou o processo de estruturação do espaço da região Sudeste, comandado por São Paulo.



A POPULAÇÃO DO SUDESTE
Desde o século XVIII, em decorrência de suas atividades econômicas, a região Sudeste não parou de receber contingentes populacionais vindos de outras regiões e de fora do país.

A mineração foi a atividade que deu início ao processo de atração populacional, sendo seguida pelo cultivo do café (até a década de 30 deste século). Por último, a atividade industrial (a partir de 1950), juntamente com outras atividades ligadas a ela, gerou muitos empregos, atraindo grandes contingentes de migrantes das mais variadas regiões, principalmente do Nordeste.

A região Sudeste abriga mais de 40% do total da população do país, sendo a mais populosa e também a mais densamente povoada (cerca de 70 hab./km2) das regiões brasileiras.

Essa elevada concentração de habitantes deve-se não apenas ao recebimento de migrantes, mas também ao crescimento vegetativo da população da região.

Como ocorre em todas as outras regiões, a população do Sudeste não se apresente igualmente distribuída pelo seu território. Enquanto em São Paulo e no Rio de Janeiro encontramos altas densidades demográficas (São Paulo com 130 hab./km2), em algumas áreas, como o noroeste de Minas Gerais e alguns trechos litorâneos, são escassamente povoadas, apresentando baixas densidades demográficas.

O Sudeste, com mais de 85% da população concentrada nas cidades, apresenta altos índices de urbanização. Nela localizam-se as mais importantes cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que concentram mais de 30% da população da região.

Desempenhando várias funções (centro industrial, comercial, financeiro etc.), São Paulo e Rio de Janeiro são as duas grandes metrópoles nacionais, exercendo grande influência sobre todo o país. Belo Horizonte é uma metrópole regional.




A NATUREZA DO SUDESTE E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
A região Sudeste, localizada na parte centro-oriental do país, ocupa pouco mais de 10% do território brasileiro.


Relevo
O planalto Atlântico, com suas terras altas (acima de 500 m de altitude, em média), é a forma de relevo predominante na região. Ele se subdivide em três serras principais: da Mantiqueira, do Espinhaço e do Mar. É entre a serra do Mar e da Mantiqueira que se situa o vale do Paraíba, o primeiro grande cenário da lavoura cafeeira no Brasil.

No norte de Minas Gerais, atravessada pelo rio São Francisco, encontra-se outra unidade do relevo da região, a depressão Sanfranciscana, situada a oeste da serra do Espinhaço.

Caminhando no sentido oeste, em direção ao interior do estado de São Paulo, é encontrada a depressão Periférica (área sedimentar muito antiga) e depois dela, o planalto Arenito-basáltico. Essas duas unidades do relevo pertencem ao planalto Meridional, que ocupa boa parte de São Paulo e do Triângulo Mineiro, prolongando-se em direção ao sul do país.

No planalto Arenito-basáltico, formado por terrenos sedimentares (arenito) e terrenos vulcânicos (basalto), verifica-se a ocorrência do famoso solo de terra roxa, formado pela decomposição do basalto, que serviu de base para a expansão cafeeira da região e, desde a década de 70, vem sendo largamente ocupado pela cultura da cana.

Entre o oceano Atlântico e o planalto Atlântico, apresentando-se ora mais larga, ora mais estreita, encontra-se a planície Litorânea. Essa planície, constituída por sedimentos recentes, é o resultado do trabalho de acumulação de materiais desagregados do planalto Atlântico e de acumulação marinha, no litoral.

Nessa planície podem-se individualizar duas áreas importantes, conhecidas pelo nome de baixada, que se encontram amplamente ocupadas, apresentando altas densidades demográficas: a baixada Fluminense (RJ) e a baixada Santista (SP).





Hidrografia
Na hidrografia do Sudeste alguns rios merecem destaque.

O rio São Francisco, rio de planalto, tem em seu curso a usina hidrelétrica de Três Marias, que, além de gerar energia para a região, através da construção de barragens, contribui para a regularização do trecho do rio onde está localizada.

Outro rio importante do Sudeste é o rio Paraná, onde se localizam as mais importantes usinas hidrelétricas do país, como as de Jupiá e de Ilha Solteira, que constituem o Complexo Hidrelétrico de Urubupungá (5 300 000 kW).

Um dos afluentes do Paraná, que atravessa quase todo o estado de São Paulo, é o rio Tietê. Esses dois rios formam a hidrovia Tietê-Paraná, a mais importante do Brasil, que já se encontra em funcionamento parcial.

Por essa hidrovia, milhares de toneladas de soja produzidas anualmente em Goiás estão sendo transportadas de São Simão, cidade goiana, até Pederneiras, em São Paulo, numa extensão de 640 km pelos rios Parnaíba, Paraná e Tietê. Cada comboio com quatro chatas transporta carga equivalente à 135 caminhões, o que demonstra o baixo custo do transporte fluvial.

Próximo a Barra Bonita, em São Paulo, essa hidrovia, com 400 km de extensão, recebe a denominação de hidrovia do Álcool, por onde trafegam embarcações transportando cana-de-açúcar, álcool, gado e fertilizantes.

O rio Tietê, além de ser aproveitado como meio de transporte, é muito utilizado como fonte de energia, tendo em seu curso várias usinas hidrelétricas, como as de Barra Bonita, Bariri, Promissão e Nova Avanhandava.

Atravessando terras de Minas Gerais e do Espírito Santo, encontra-se o rio Doce. parte de seu vale possui grande importância econômica, pois dele se extrai o minério de ferro, que é exportado para inúmeros países.

Outros rios da região que merecem destaque são: o Paraíba do Sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro; o Ribeira do Iguape, no sul do estado de São Paulo; e o rio Grande, entre São Paulo e Minas Gerais. Este último, com grande potencial hidrelétrico, comporta as usinas de Furnas, Itutinga e Marimbondo, entre outros.

A principal fonte de energia do Sudeste é a hidreletricidade obtida das inúmeras usinas dos rios da região.



Clima e Vegetação
O clima que predomina na região é o tropical (úmido), que sofre variação no trecho de terras mais elevadas (parte de Minas Gerais e São Paulo), apresentando temperaturas mais baixas do que nas demais áreas, sendo conhecido como clima tropical de altitude.

Enquanto no extremo sul do estado de São Paulo, próximo à região Sul, o clima é subtropical, no norte de Minas Gerais, próximo à região Nordeste, há um pequeno trecho onde predomina o clima semi-árido, apresentando as mesmas características socioeconômicas do sertão nordestino, ou seja, baixa densidade demográfica e baixo nível de vida da população.

A cobertura vegetal do Sudeste, devido à sua intensa ocupação, encontra-se quase totalmente devastada.

A floresta ou mata Atlântica, que se estendia (no sentido leste-oeste) do litoral até o planalto Atlântico, subdividia-se em dois tipos: floresta tropical de encosta ou úmida, que se apresentava bastante densa e com grande número de espécies vegetais (sapucaia, jatobá, jacarandá etc.) e floresta tropical de planalto ou semi-úmida, menos densa e com menor número de espécies vegetais (cedro, peroba etc.). Hoje, a maior parte dessa floresta quase não existe, restando apenas alguns trechos esparsos em encostas montanhosas -- como a serra do Mar --, que correspondem a 8% da vegetação original.

Caminhando em direção ao oeste da região (na parte norte do estado de São Paulo e grande parte do estado de Minas Gerais, nos terrenos sedimentares (mais permeáveis) encontramos a vegetação dos cerrados.

Nas regiões serranas predominam os campos limpos.

No norte de Minas, onde o clima é semi-árido, aparece a caatinga, enquanto na vegetação litorânea predomina o mangue (baixada Fluminense, baixada Santista e Cananéia-Iguape).

No extremo sul de São Paulo surge a floresta subtropical, cuja espécie característica é o pinheiro.



A GEOECONOMIA DO SUDESTE
Com a mineração e o cultivo do café, a região Sudeste foi se firmando como o centro da economia nacional.

Posteriormente, a atividade industrial concretizou essa posição. As indústrias cresceram e concentraram-se no eixo Rio-São Paulo e na região de Belo Horizonte (MG).

O crescimento industrial atingiu o setor agropecuário, que, através da mecanização do campo, se desenvolveu bastante, aumentando consideravelmente a produtividade. Em conseqüência, introduziu-se a agricultura comercial, que visa ao comércio em grande escala, com obtenção de lucro máximo, e é controlada por empresas rurais. Esses, entre outros fatores, levaram ao aparecimento de um tipo de mão-de-obra que hoje predomina no campo: o trabalhador temporário.

Os trabalhadores temporários, comumente chamados bóias-frias, não se fixam à terra. Trabalham onde e quando há emprego (geralmente na época das colheitas), e suas condições de vida são precárias, devido ao injusto salário que recebem.

Esses trabalhadores rurais vivem na periferia das cidades e diariamente são transportados para a zona rural, onde trabalham: regressando no final do dia.

Nos últimos anos no estado de São Paulo, em virtude de muitas lutas dos sindicatos dos trabalhadores rurais, foram obtidas algumas melhorias nas condições de trabalho dessas pessoas: transporte em ônibus, creches, registro em carteira obrigatório por lei.

Entretanto, por causa do aumento nos custos de manutenção dos empregados, muitas empresas e grandes proprietários rurais passaram a investir na mecanização do processo produtivo. Algumas usinas de açúcar e álcool passaram a ter 75% da área de cana cortados por máquinas, com redução de 60% no número de empregados.



A AGRICULTURA COMERCIAL DO SUDESTE
Hoje o café é cultivado em grande escala em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, junto com outros importantes produtos agrícolas.

Até 1930, o café ocupava praticamente todas as terras férteis do Sudeste. Em 1929, uma grande crise mundial dificultou as exportações, obrigando os agricultores a uma maior diversificação da produção agrícola. A partir desse momento, produtos como o algodão, a cana, a laranja, entre outros, passaram a substituir parte dos cafezais.

Atualmente é a cana-de-açúcar que domina a maior parte das terras cultivadas do Sudeste. Isso ocorreu a partir de 1975 com a criação do Proálcool (Programa Nacional do Álcool). Hoje, São Paulo é o maior produtor nacional de açúcar e álcool e tem inúmeras usinas espalhadas pelo interior do estado.

Outro produto, ao lado da cana, cultivado na região é o algodão (herbáceo). Importante matéria-prima para as indústrias têxteis instaladas em grande número no Sudeste. Os maiores produtores brasileiros são o estado de São Paulo, no Sudeste, e o estado do Paraná, no Sul.

Além desses produtos, a soja e a laranja vêm-se destacando nos últimos anos. Com a grande procura que a soja e a laranja (suco de laranja) passaram a ter no mercado externo, as plantações desses produtos têm se espalhado pela região.

A laranja é cultivada mais intensamente no estado de São Paulo, em aproximadamente 110 municípios das regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Campinas, Itapetininga, Limeira, Araraquara e Bebedouro, onde existem grandes grupos empresariais produtores de suco, que exportam sua produção principalmente para os EUA e a Europa.

Nas áreas que circundam as grandes cidades, como São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, encontram-se culturas de frutas, verduras e legumes e a criação de aves, como frango e galinha (em granjas). Essas áreas cultivadas são os cinturões verdes.

Esses produtos hortifrutigranjeiros atendem a demanda dessas cidades, que abrigam elevado número de habitantes.

Muitas dessas pequenas plantações e granjas são controladas por famílias de agricultores que residem na propriedade.

A expansão urbana e a conseqüente especulação imobiliária têm causado problemas a esses pequenos agricultores, que cada vez mais vão-se afastando das cidades. Com isso, o preço de alguns produtos sobe, devido ao custo do transporte, que passa a ser maior, e aos atravessadores.

Embora as lavouras modernas de exportação predominem na região Sudeste, em algumas áreas é encontrada a agricultura sob a forma tradicional. Para exemplificar, o vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, é grande produtor de chá e banana, e o vale do Jequitinhonha, que abrange parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, possui lavouras de subsistência.



PECUÁRIA
Encontram-se no Sudeste cerca de 36 milhões de cabeças de bovinos, correspondendo a aproximadamente 24% do rebanho brasileiro.

O gado criado na região Sudeste destina-se tanto à pecuária de corte (abate) quanto ao fornecimento de leite, e suas principais áreas de criação são:

¦ Triângulo Mineiro:
¦ sul de Minas Gerais (gado leiteiro), sendo o maior produtor brasileiro de leite e seus derivados;
¦ região do rio São Francisco;
¦ São Paulo, no vale do Paraíba (gado leiteiro), e no oeste e no norte do estado (gado de corte).

A criação de gado bovino, no Sudeste, vem-se modernizando com a melhoria de raças e o desenvolvimento de novas técnicas de criação.

Algumas áreas, como Governador Valadares e Montes Claros, em Minas Gerais, e o norte e o oeste de São Paulo, vêm-se especializando na engorda de bois. Essas áreas, conhecidas pelo nome de invernadas, possuem pastagens artificiais, que propiciam o rápido aumento de peso do animal, favorecendo o abate em menor período de tempo.

Outro importante rebanho criado na região é o de suínos, destinado à obtenção de banha (toucinho) e carne. A maior parte desse rebanho encontra-se nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Com a entrada de um grande número de imigrantes japoneses na região Sudeste desenvolveu-se a avicultura. O Sudeste e o Sul são os maiores produtores de frangos abatidos em todo o país. Metade da produção brasileira de ovos cabe ao Sudeste, destacando-se nessa atividade o estado de São Paulo.




OS FARTOS RECURSOS MINERAIS E A INDÚSTRIA
Recursos Minerais
A região Sudeste constitui uma das áreas de mineração mais importantes do Brasil.

Os interesses da industrialização e da exportação associados ao desenvolvimento da tecnologia de pesquisa do subsolo propiciaram a descoberta de diversos tipos de minerais, que constituem importantes matérias-primas para a indústria. Um desses minerais é o ferro.

A jazida de ferro mais importante do país está situada numa área ao sul de Belo Horizonte, conhecida como Quadrilátero Ferrífero, constituída pelas cidades de Belo Horizonte, Mariana, Santa Bárbara e Congonhas.

A exploração do minério de ferro é realizada pela Cia. Vale do Rio Doce.

Juntamente com o ferro, um dos principais produtos brasileiros de exportação, também foram descobertas no Quadrilátero Ferrífero jazidas de ouro, de manganês e (um dos ingredientes necessários para a fabricação do aço) e da bauxita (matéria-prima para a fabricação do alumínio).

As jazidas de calcário, material usado na fabricação de cimento, estão espalhadas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Neste último estado encontra-se outro recurso mineral do Sudeste, o petróleo.

O petróleo é uma importantíssima fonte de energia, que, juntamente com a energia proveniente das usinas hidrelétricas, fornece condições para o crescimento industrial da região Sudeste. No estado do Rio de Janeiro, maior produtor nacional, ele é encontrado na região da plataforma continental (bacia de Campos). No estado do Espírito Santo, ele é extraído tanto na região da plataforma continental quanto no continente, nas proximidades de São Mateus.


Para refinar o petróleo extraído, transformando-o em vários subprodutos, existem importantes refinarias:
¦ Henrique Lages, em São José dos Campos (SP);
¦ de Paulínia, em Paulínia (SP);
¦ de Capuava, em Mauá (SP);
¦ Presidente Bernardes, em Cubatão (SP);
¦ Duque de Caxias, em Campos Elíseos (RJ);
¦ Gabriel Passos, em Betim (MG).





Indústria
Em decorrência da existência de ferrovias, capital, mão-de-obra, mercado consumidor, a atividade industrial estruturou-se na região Sudeste.

Transformando as matérias-primas fornecidas pela agricultura, desenvolveram-se inicialmente as indústrias têxteis e as alimentícias, que atualmente se distribuem por várias áreas da região.

Após a construção da primeira grande usina siderúrgica brasileira (Usina Siderúrgica Nacional), em 1946, situada em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, foi possível o desenvolvimento, com maior intensidade, das indústrias de base (siderúrgica, mecânica etc.).

A siderurgia brasileira alcançou notável desenvolvimento, principalmente no Sudeste, que concentra 17 das 22 usinas siderúrgicas existentes no país, colocando o Brasil entre os maiores produtores de aço bruto do mundo.

A partir de 1957, com a entrada do capital externo (através de empréstimos e multinacionais) e a interferência do Estado na economia, um novo impulso foi dado à industrialização do Sudeste, propiciando condições para o desenvolvimento da indústria automobilística.

Em seguida, outras indústrias começaram a se desenvolver, como a química, a eletrônica, a naval etc.

Dessa forma, é no Sudeste que se encontra o maior parque industrial do Brasil e da América Latina, destacando-se o eixo Rio-São Paulo e a região da grande Belo Horizonte.

A cidade de São Paulo, o ABCDM (Santo André, São Bernardo do Campos, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá) e os centros próximos, como Campinas, São José dos Campos, Guarulhos, Osasco e Santos, apresentam uma superconcentração industrial.

Entretanto, o processo de industrialização não atinge toda a região, ocasionando a existência de espaços geográficos bem diferenciados. Existem espaços urbano-industriais de grande porte, espaços rurais que utilizam modernas tecnologias (portanto, altamente produtivos) e espaços rurais subdesenvolvidos.

Dois exemplos de áreas rurais pobres são o vale do rio Ribeiro do Iguape, no sul do estado de São Paulo, e, principalmente do vale do rio Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais.

Nos municípios do vale do Ribeira que possuem reservas ecológicas (áreas onde a vegetação não pode ser devastada, a população não pode aumentar as áreas para a agricultura e a pecuária, e, portanto, fica impedida de gerar mais renda.

O vale do Jequitinhonha é conhecido como o “Vale da Miséria”, título dado pela ONU em 1974. É uma região formada por 55 municípios que, segundo sociólogos e técnicos agropecuários, teve a sua situação de pobreza acentuada com a implantação de áreas de reflorestamento para a produção de carvão vegetal, utilizado pelas usinas siderúrgicas da região Sudeste.

As empresas de reflorestamento e as carvoarias empregam muitos trabalhadores do vale, pagando-lhes salários baixíssimos e submetendo-os a condições precárias de trabalho.

Todos os anos, nas épocas de colheita de alguns produtos agrícolas em São Paulo (cana-de-açúcar, laranja), milhares de trabalhadores migram do vale do Jequitinhonha para esse estado.

O Sudeste apresenta grandes desigualdades em relação às áreas (áreas pobres e áreas ricas) e também em relação à qualidade de vida das pessoas, pois algumas se beneficiaram com o crescimento econômico, enquanto a maioria, mesmo tendo contribuído para esse crescimento, não foi beneficiada. É o problema da repartição injusta das riquezas, que se agrava com a crescente exploração capitalista que caracteriza o mundo atual.



TRANSPORTES
Para dar vazão à sua produção, a região Sudeste precisa dispor de bons meios de transporte e de comunicação.

Com o desenvolvimento da cultura do café, um dos setores que recebeu grande impulso foi o do transporte ferroviário, para ligar as áreas produtoras aos pontos de embarque para a exportação do produto.

A partir da década de 50, com o ingresso das empresas automobilísticas estrangeiras no Brasil o transporte ferroviário entrou em decadência. Hoje, o país tem praticamente a mesma quilometragem que possuía em 1930, ou seja, cerca de 30 mil km de ferrovias em todo o território nacional.




As ferrovias do Sudeste
Dos quase 30 mil km de ferrovias que o Brasil possui, mais da metade encontra-se na região Sudeste e pertence à RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A) ou a Fepasa (Ferrovias Paulistas S/A).


Entre as mais importantes ferrovias da região pertencentes à RFFSA, destacamos:
¦ Estrada de Ferro Central do Brasil;
¦ Estrada de Ferro Leopoldina;
¦ Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que liga Bauru (SP) - Corumbá (MS) - Santa Cruz de La Sierra (Bolívia);
¦ Viação Férrea do Centro-Oeste;
¦ Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.


Outra importante ferrovia é a Estrada de Ferro Vitória-Minas, pertencente à Companhia Vale do Rio Doce, responsável pelo transporte do minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero (MG) para os portos de Vitória e Tubarão (ES).


As redes ferroviárias administradas pela Fepasa são:
¦ Estrada de Ferro Sorocabana;
¦ Companhia Paulista de Estradas de Ferro;
¦ Companhia Mojiana de Estradas de Ferro;
¦ Estrada de Ferro Araraquarense.



O sistema rodoviário do Sudeste
O Sudeste possui um avançado e extenso sistema rodoviário,

A mais importante estrada de rodagem é a via Dutra, considerada o maior eixo rodoviário brasileiro. Numa extensão de pouco mais de 400 km, liga as duas grandes metrópoles do país: São Paulo e Rio de Janeiro.

Outras importantes estradas de rodagem interestaduais situadas nessa região são: a Rio-Belo Horizonte-Brasília (BR-040); a Rio-Bahia (BR-101); a São Paulo-Brasília (BR-050); a Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba; a Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte; e o trecho da Transbrasiliana (BR-153), que cruza no sentido norte-sul o oeste do estado de São Paulo e o triângulo Mineiro.


O estado de São Paulo possui o maior número de rodovias da região, destacando-se:
¦ rodovia dos Imigrantes, inaugurada em 1976, une a cidade de São Paulo ao porto de Santos, aliviando o intenso tráfego que existia na via Anchieta;
¦ rodovia Castelo Branco, que vai da capital paulista até quase a fronteira com o Paraná (na região de Ourinhos);
¦ rodovia dos Bandeirantes, que liga São Paulo a Campinas. Com a construção dessa rodovia, diminuiu o intenso tráfego que existia no mais movimentado trecho da via Anhangüera;
¦ rodovia Ayrton Senna (antiga Trabalhadores), que liga São Paulo ao município de Guararema;
¦ rodovia Carvalho Pinto, que liga o município de Guararema ao município de Taubaté;
¦ via Anhangüera, que liga São Paulo ao interior de Minas (Triângulo Mineiro);
¦ via Raposo Tavares (São Paulo-Mato Grosso do Sul);
¦ via Washington Luís (Limeira-Ilha Solteira, na divisa com Mato Grosso do Sul);
¦ via Marechal Rondon, que liga a região de Jundiaí a Mato Grosso do Sul.




O setor portuário do Sudeste
Os portos mais antigos e movimentados do Brasil são o de Santos e o do Rio de Janeiro (primeiro e segundo colocados em valores de cargas exportadas no país, em 1992). O terceiro porto brasileiro em valores de cargas exportadas (1992) foi o de Vitória, no Espírito Santo.

Outros portos que escoam parte da produção do Sudeste são: o porto de São Sebastião (São Paulo), que é também um terminal petrolífero; o de Angra dos Reis (Rio de Janeiro); e o de Tubarão (Espírito Santo), responsável pelo escoamento de boa parte do minério de ferro exportado pelo Brasil.


O transporte aéreo
São Paulo possui dois importantes aeroportos: o de Cumbica (internacional) e o de Congonhas (nacional, com função comercial).

No Rio de Janeiro, há o Aeroporto internacional do Rio de Janeiro (Galeão) e o Santos Dumont (nacional, com função comercial).

Em Minas, o principal aeroporto é o de Confins, em Belo Horizonte.






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