A Teoria dos Açúcares

A Teoria dos Açúcares

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Quando você ler ou ouvir a palavra “açúcares” tome cuidado, estão querendo enganar você: trata-se da teoria dos açúcares. Segundo essa teoria existem diversos tipos de açúcar. A glicose ou dextrose, a frutose ou levulose, que são os açúcares das frutas. A lactose, que é o açúcar do leite. Há a sacarose ou sucrose, que é o açúcar comum de mesa, feito de cana ou de beterraba. Há mais outros tantos tipos de açúcar, como maltose, dextrina, ribose, xilose (açúcar de madeira), arabinose (açúcar de goma), manose (açúcar de coco), etc. Tem até açúcar-álcool. Sem contar aquela história de que tudo o que você come, pão, batata, verduras e legumes, em sua barriga vai tudo virar açúcar.

A teoria dos açúcares existe em conseqüência de um engano dos químicos oriundo do século XIX, quando batizaram a classe dos compostos orgânicos de fórmula geral Cn(H2O)n (carbono, hidrogênio e oxigênio) de “hidratos de carbono” (ou carboidratos) ou ainda “açúcares”.

A confusão aconteceu porque nos compostos da família, apesar de os átomos de hidrogênio e oxigênio estarem presentes na mesma proporção que na água, neles não existem moléculas de água, não são átomos de carbono hidratados, como o nome supõe, e sim átomos de carbono unidos a outros grupos químicos. Usar a propriedade do sabor doce para caracterizar os carboidratos e chamá-los de açúcares, também gera confusão, porque na família há substância que não é doce, ao passo que existem substâncias mais doces que açúcar em compostos de outras classes. Os químicos em convenção decidiram adotar o termo glicídios cuja etimologia ainda remete a doce em grego (glykys).

Essa confusão conceitual veio a calhar para a ditadura do açúcar, que pôde expandir e consolidar seu império em segurança. Quando algo de errado no campo da patologia vinha à tona – epidemia de cárie, obesidade, diabetes - a culpa era dos “açúcares”.

Chamar qualquer carboidrato de açúcar é um verdadeiro absurdo. Carboidrato é uma classe de compostos abundante e diversificada na natureza. Celulose, por exemplo, é carboidrato; logo, papel e tecido teriam que ser chamados de “açúcares”. Há carboidrato (quitina) até no exoesqueleto (carapaça) de escorpiões e lagostas. Por outro lado, chamar açúcar de carboidrato, como faz a indústria de alimentos, tem o objetivo de ocultar a quantidade de açúcar que você está ingerindo. Numa barra de chocolate ou numa lata de leite condensado se informa o teor de carboidratos mas esconde-se a quantidade de açúcar.

Atualmente a Food and Drug Administration (FDA) e a União Européia chamam de “açúcar” o açúcar mesmo e de “açúcares” aqueles naturalmente presentes nos alimentos. E os nutricionistas já distinguem os acúcares “intrínsecos” (os naturais) dos “extrínsecos” (os adicionados). Quanto aos açúcares-álcoois, poliálcoois ou polióis (manitol, sorbitol, xilitol) a União Européia, que detém a patente, considera-os carboidratos. A FDA não.

O objetivo dessa teoria complexa é ocultar por mimetismo o único açúcar que faz mal ao ser humano. Ele mesmo, o açúcar propriamente dito, o habitante do açucareiro, que os químicos chamam de sacarose refinada. O açúcar encontra-se camuflado na floresta dos “açúcares”, mas o objetivo deste livro é justamente segurá-lo pelo rabo, sacudi-lo e denunciá-lo, repito, como sendo o único açúcar nocivo à espécie humana.



Sobre o texto acima:
O texto acima foi retirado do livro "O livro negro do açúcar".

Titulo do Livro: O livro negro do açúcar

Subtitulo do Livro: Algumas verdades sobre a indústria da doença


Texto enviado às 15:33 - 13/01/2009

Autor do Livro: Fernando Antonio Carneiro de Carvalho



Fonte Imagem:
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