A Reforma de Martinho Lutero


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A Reforma de Martinho Lutero

09/09/2008

O homem que não aceitou a venda de indulgências

Martinho Lutero (1483-1546) nasceu em Elsieben, na Alemanha. Era filho de um empreiteiro de minas que atingiu certa prosperidade econômica. Influenciado pelo pai, entrou em 1501 na Universidade de Erfurt para estudar Direito, mas seu temperamento inclinava-o para a vida religiosa. Em 1505, após quase ter morrido durante uma violenta tempestade, ingressou na Ordem dos Agostinianos, cumprindo promessa feita a Santa Ana.

Estudioso, metódico e aplicado, Lutero conquistou prestigio intelectual. Em 1508, já era professor da Universidade de Wittenberg.

Em 1510 viajou a Roma, sede da Igreja católica. Regressou profundamente decepcionado com o ambiente de corrupção e avareza em que vivia o alto clero. Nos anos de 1511 a 1513, aprofundou-se nos estudos religiosos até que começaram a amadurecer, em seu espirito, novas idéias teológicas. Nas epístolas de São Paulo, encontrou urna frase que lhe pareceu de importância fundamental:

O justo se salvará pela fé.

Concluiu Lutero que o homem, corrompido em razão do pecado original, só poderia salvar-se pela fé exclusiva em Deus. A fé, e não as obras, seria o único instrumento de salvação, graças à misericórdia divina.



O rompimento de Lutero com a Igreja católica
Em 1517, explodiu o conflito decisivo que provocou o rompimento entre Lutero e a Igreja católica.

Com o objetivo de arrecadar dinheiro para a reconstrução da basílica de São Pedro, o papa Leão X autorizou a concessão de indulgencias (perdão dos pecados) aos fiéis que contribuíssem financeiramente com a Igreja. Escandalizado com essa salvação comprada, Lutero afixou na porta da igreja de Wittenberg um manifesto público - as famosas 95 teses - em que protestava contra a atitude do papa e expunha alguns elementos de sua doutrina religiosa.

Iniciava-se, então, urna longa discussão entre Lutero e as autoridades católicas que terminou com a decretação de sua excomunhão, em 1520. Para demonstrar firmeza e descaso diante da Igreja católica, Lutero queimou em praça pública a bula papal Exsurge domine, que o condenava.




A expansão do luteranismo
Ao lado dos problemas meramente religiosos, houve urna série de fatores sociais e econômicos que favoreceu a difusão das idéias de Lutero na Alemanha. Destaca-se, entre eles, o fato de a maioria das terras alemãs pertencer à Igreja católica. A nobreza local cobiçava o domínio dessas propriedades.

Nessa época, o que chamamos de Alemanha nada mais era do que um conjunto de principados e cidades independentes. Não existia, portanto, um país unificado, com unidade política. A região fazia parte dos domínios do Sacro Império Romano Germânico, controlado pela dinastia dos Habsburg. A sede do império ficava na Espanha, e o imperador, aliado do papa, procurava preservar certa unidade em terras alemãs e a autoridade sobre seus príncipes e nobres.

Com fome de poder e de riqueza, as classes elevadas (nobreza e alta burguesia) estavam descontentes com a Igreja e o comando do imperador. Por outro lado, as classes sociais exploradas (camponeses e artesa os urbanos) também culpavam a Igreja pela situação de miséria de que eram vítimas. Havia, portanto, entre as diversas classes sociais, certa opinião comum contra a Igreja.

Liderados por Thomas Münzer, os camponeses, a partir de 1524, passaram a organizar urna série de revoltas contra sacerdotes ricos e nobres alemães, donos de grandes propriedades (movimento anabatista). Os camponeses lutavam violentamente pela posse de terras, pela igualdade social e pelo fim da exploração.

As classes dominantes, então, uniram-se para acabar com a revolta camponesa. Lutero apoiou os ricos e publicou um manifesto de ódio contra os camponeses revoltados. O texto escrito por ele dizia:

Contra os bandos camponeses assassinos e ladrões. Nada é mais terrível que um homem revoltado. É preciso despedaça-los e degola-los. Mata-los como se faz com um cachorro touco.

Na luta contra os poderosos, os camponeses foram esmagados. Morreram mais de cem mil e o líder Thomas Münzer teve a cabeça cortada.

Em troca do apoio dado às classes ricas, Lutero conseguiu aliados entre a nobreza e a alta burguesia. Os poderosos viram nele um homem confiável e o auxiliaram a divulgar sua doutrina religiosa pelo norte da Alemanha, na Suécia, Dinamarca e Noruega. Em 1529, protestaram contra as medidas, tomadas pelo imperador contra Lutero, que impediam cada Estado de adotar sua própria religião. Foi a partir desse protesto que se espalhou o nome protestante para designar os cristãos não-católicos.

Não sendo atendidos pelo imperador Carlos V, o grupo de príncipes protestantes formou, em 1531, urna liga político-militar (Liga de Schmalkalden) para lutar contra as forças católicas ligadas ao império. Somente em 1555 o imperador aceitou a existência das Igrejas luteranas, assinando com os protestantes a Paz de Augsburgo. Era o reconhecimento oficial da separação religiosa do mundo cristão.





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