Zuzu Angel

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O Brasil possui inúmeros nomes de grande destaque internacional. Nomes que possuem méritos e histórias comoventes e surpreendentes, que muitas vezes são aclamados por sua trajetória nesta vida. Um destes nomes que é muito lembrado por sua história é a da estilista brasileira Zuzu Angel.

Zuleika de Souza Netto, a famosa Zuzu, nasceu em Curvelo, interior de Minas Gerais, no dia 05 de junho de 1921. Desde muito pequena, começou a criar e costurar modelos de roupas para as suas primas. Com o sonho de ser estilista e trabalhar com o mercado da moda, viajou para Bahia em busca de conhecimento e, em 1940, se mudou para o Rio de Janeiro.

No ano de 1950 começou a adquirir um estilo pessoal para as suas criações, trabalhando com materiais diferenciados como conchas, bambu e madeira, pedras brasileiras, fitas e rendas, desta forma passando a trabalhar efetivamente como costureira. Anos à frente, a estilista abriu seu próprio ateliê em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, e foi uma das pioneiras da moda no Brasil. Ela trabalhou fortemente em expressar identidade brasileira genuína e foi influência da moda Tropicalista, valorizando a moda nacional em grande escala.

A estilista utilizava “Anjo” como a sua marca, sendo referência ao seu nome. Com a sua identidade forte e muito marcante, mostrou ao mundo da moda internacional referências a Lampião e Maria Bonita, conquistando artistas renomados como Elke Maravilha, Kim Novak e Joan Crawford com a sua verdadeira arte. Suas coleções de roupas foram vendidas em boutiques requintadas de Nova York.
“A única vantagem de se fazer moda no Brasil é que temos mais fontes de inspiração do que em qualquer outro lugar” - Zuzu Angel.

Zuzu alcançou fama internacional em sua época por lançar conceitos de moda brasileira por todo o mundo. Em uma de suas falas, ela mesma se intitula: “Eu sou a moda brasileira”. Em meio a todo este reconhecimento, conheceu o norte-americano Norman Angel Jones, com quem veio a se casar em 1943. Desta união, nasceram três frutos: as meninas Hildegard, Ana Cristina e o único rapaz Stuart Angel Jones. Algum tempo depois, no ano de 1960, o casal se separou e Zuzu ficou com a missão de criar seus filhos tendo a costura como a sua única fonte de renda.

Nascido em Salvador no ano de 1945, Stuart Edgar Angel Jones foi estudante do curso de economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhou como professor. No ano de 1968, casou-se com Sonia Maria Lopes de Moraes e, juntos, morava na Barra da Tijuca. Stuart se integrou ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (também conhecido como MR-8 e anteriormente denominado Dissidência da Guanabara) na direção geral do movimento em 1969. Este movimento trabalhava em combater a Ditadura Militar, que se iniciou no Brasil em 1964. Por conta de sua participação no MR-8, Stuart foi preso na manhã de um dia do primeiro semestre de 1971 por agentes do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica – CISA e, após isso, desapareceu misteriosamente.

O preso político Alex Polari de Alverga redigiu uma carta-depoimento destinada a Zuzu Angel, na qual foi relatado todo o processo de tortura de Stuart por meio dos agentes. No manuscrito, Alex relata que o jovem foi brutalmente torturado de diversas maneiras e por um número incontável de oficiais e soldados; após isso, relata que Stuart foi amarrado para fora de uma das viaturas com a boca colada no cano de descarga do veículo. Alex afirmou que os gritos de dor e a tosse causada pela grande quantidade de tóxicos ingeridos eram ensurdecedores. Após toda esta tortura, há relatos que o corpo de Stuart tenha sido jogado no mar. Seu corpo nunca mais foi encontrado.

A estilista começou uma verdadeira batalha em busca do corpo do seu filho. Denunciou os responsáveis pelo assalto e ocultação de cadáver de Stuart, porém sem sucesso. Sua luta se exteriorizou em suas criações, expondo em um desfile protesto peças com manchas de sangue, pássaros engaiolados, anjos amordaçados, tanques de guerra e outras estampas em cada nova peça.

Zuzu enfrentou bravamente todos os que tentavam barra-la pela censura. Buscou até mesmo autoridades norte americanas, como Edward Kennedy, porém nada puderam fazer. Em 1976, um acidente misterioso na estrada da Gávea tirou a vida da estilista, divulgada como perda de direção. Alguns relatos afirmam que Zuzu foi perseguida por um carro por agentes e jogada para fora da estrada.