Ultrarromantismo

O romantismo foi um período cultural (artístico, literário, político, filosófico) que surgiu no século XVIII principalmente na Alemanha, Itália e Inglaterra. Este movimento surgiu logo após o iluminismo, contrariando toda a onda do racionalismo vivenciado nesta época e oferecendo uma nova perspectiva: a exploração das emoções, liberdade de criação, temas em torno de amores platônicos, religião, nacionalismo, história e muito mais. A Revolução Francesa foi o principal estopim para a criação deste período.

O romantismo no Brasil surgiu após o rompimento da dependência política e cultural europeia logo em seguida da vinda da família Real Portuguesa e a Independência do Brasil, em 1822. Esta fase foi marcada por três gerações distintas:

- 1ª Geração: fase nacionalista ou indianista, apresentando temas como a vida indígena e o nacionalismo. Os principais escritores deste período são Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.

- 2ª Geração: fase ultrarromântica, também conhecida como “o mal do século”, marcada com uma cultura da tristeza, valorização da morte, pensamentos pessimistas e decadência da sociedade. Podem-se destacar, neste período, os escritores Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo.

- 3ª Geração: fase condoreira, ou fase social, marcada pela crítica social da sociedade brasileira com destaque para Castro Alves.

O ultrarromantismo teve seu início nas décadas de 50 e 60 durante o século XIX. A segunda geração da fase do romantismo foi originária por meio de jovens poetas, na época estudantes universitários de São Paulo e Rio de Janeiro, que se embasaram em Lord Byron, um famoso escritor inglês. Por conta desta total influência, esta segunda fase também é conhecida como “geração byroniana”.

Este período foi intitulado de “mal do século” pois a cultura do ultrarromantismo se caracterizava pela tristeza, sofrimentos, ócio, temas mórbidos em toda sua cultura, sofrimento e até mesmo satanismo. Por conta de uma vida desregrada, os jovens que estavam engajados neste estilo tinham muitos vícios (principalmente em álcool), atração pela vida noturna, descontentamentos na vida cotidiana e melancolia, oferecendo um aspecto mais realista e livre de cultura.

Millais, Ofélia, 1851-1852

Por conta de todas estas características, o ultrarromantismo fez com que todo o conteúdo criado para as suas obras fosse mais importante do que a poesia em si, salientando os pontos dramáticos da vida cotidiana e um sincero desabafo por parte dos escritores. Usos de sarcasmo e conotações irônicas são bem marcantes, assim como os comuns erros gramaticais, que caracterizam mais ainda este movimento como ponto atrativo e sincero para o leitor ou apreciador da arte.

A segunda geração do romantismo foi marcada por grandes nomes literários, que tiveram suas vidas encerradas ainda jovens por conta de uma vida desregrada e vícios demasiados. Confira grandes nomes do ultrarromantismo brasileiro:

- ÁLVARES DE AZEVEDO, nasceu em 1831 e retratava em suas poesias o tédio pela vida, o sentimento de morte e muitas frustrações amorosas. A mulher, sempre presente em suas obras, era vista como algo inatingível. Álvares faleceu com 21 anos, vítima de tumor e tuberculose e, em seu funeral, foi lido um trecho de sua obra poética "Se Eu Morresse Amanhã!" que retrata bem esta fase:
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

- FAGUNDES VARELA, nascido em 1841 e falecido aos 34 anos vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Uma de suas obras poéticas mais conhecidas é o “Cântico do Calvário”, o qual foi inspirado na morte de seu primeiro filho com uma artista circense:
Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.

- CASIMIRO DE ABREU, que nasceu em 1839 no Rio de Janeiro. Filho de pai comerciante, foi morar em Portugal para aprender o ofício e logo retorna ao Brasil. Em seu poema “Meus oito anos”, Casimiro retrata a saudade de casa e da família que deixou para a viagem com o pai. Ele faleceu aos 21 anos vítima de tuberculose.
Oh! Que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

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