Tratado de Lausanne

No dia 24 de julho de 1923, a Turquia e os países vencedores da Grande Guerra (Primeira Guerra Mundial) assinaram na cidade suíça de Lausanne um tratado que anula e substitui o anterior tratado de paz, o Tratado de Sèvres, assinado em 10 de agosto de 1920, pelos representantes do sultão.

O Tratado de Lausanne (ou Lausana, como também é chamado) foi firmado pelos países Reino Unido, Itália, França, Grécia, Romênia, Japão, Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, e a Turquia. Este acordo levou a consideração internacional da nova República da Turquia como legatária do extinto Otomoano, cancelando também o Tratado de Sèvres, que havia sido firmado pelo governo otomano de Istambul.

Com este tratado, os turcos reconquistaram a completa soberania sobre territórios como estreitos de Bósforo e Dardanelos, Istambul e sua extensão europeia.


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O Tratado

O Tratado de Lausanne reconheceu a legalidade do regime de Atatürk situado em Ancara, estabelecendo as fronteiras da Turquia moderna. O país abriu mãos das antigas províncias árabes, a ilha de Chipre (que passou a pertencer aos britânicos) e ao Dodecaneso (tomado pelos italianos).

Sendo assim, a Turquia passou a firmar-se à Anatólia oriental e ocidental, e à Trácia oriental. Com isso, seguiram-se trocas da população entre o povo turco e grego – um número estimado a 1,6 milhões de gregos otomanos e 385 mil muçulmanos da Grécia.

Os Aliados conquistaram permissões fundamentais por parte da Turquia para as regiões árabes e europeias do inexistente Império Otomano. Por outro lado, houve a renúncia às exigências relacionadas à independência ou autonomia do Curdistão e da Armênia, preditas no tratado de Sèvres. Os domínios sobre os recursos e as forças armadas turcas foram eliminados. Os estreitos dos Dardanelos e do Bósforo foram abertos sem ressalvas ao comércio.

Paralelo ao Tratado de Lausanne, o Governo da Turquia assinou junto à União Soviética (URSS) o Tratado de Kars, onde os soviéticos conferiram à Turquia uma região disputada (e cominado à Rússia pelo Tratado de San Stefano, de 1878), que era povoada por armênios, lazos e meskhetes; cujos foram expulsos e substituídos pelo povo turco e curdo.


O pacto que antecedia o Tratado de Lausanne

O Tratado de Sèvres (que não chegou a ser aprovado pela Turquia) de 1920, foi anulado e substituído pelo Tratado de Lausanne, logo após a guerra de independência turca.

O pacto consolidado em Sèvres, que estabelecia uma Armênia livre no nordeste da atual Turquia, um Curdistão independente no sudeste e abdicava à Grécia a Trácia Oriental e a região de Esmirna; foi rejeitado pelo movimento nacional liderado por Mustafá Kemal Atatürk.

Logo após a vitória de Atatürk sobre as forças de ocupação imigrantes ao final da guerra de independência turca (1919-1922), houve uma reunião na conferência internacional, para discutir a substituição do Tratado de Sèvres.

O tratado de paz de Sèvres seria adequado para a dissolução da Questão Armênia, ao proporcionar ao povo armênio uma extensão do seu território, satisfatório o suficiente para seu agrupamento nacional. Todavia, o Tratado de paz de Sèvres só existiu apenas no papel e não foi aprovado sequer pelo governo do otomano da Turquia.

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