Simbolismo

Simbolismo

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O simbolismo nasceu no final do século XIX na França, foi um movimento que veio contra o naturalismo e o realismo, aprofundando e radicalizando as raízes do romantismo, abraçando toda forma de cultura, como: as peças de teatro, a literatura e artes plásticas. Sem o romantismo fazendo oposição ao uso da razão, podemos dizer que o Simbolismo não existiria. É preciso levar em consideração que o simbolismo vai tão fundo às raízes do romantismo que, até mesmo o mais romântico dos artistas não iria.

Os artistas do simbolismo percorrem caminhos mais irracionais e ousados, ainda codificando sua arte com uma quantidade razoável de símbolos, sem mencionar o misticismo que também costumam empregar em suas criações, gerando uma viajam ao interior mais distante do inconsciente, no vazio negro que só pode ser contemplado por olhos que podem avistar as formas mais improváveis no hemisfério escuro da mente.

Os simbolistas imprimiam em seus trabalhos uma realidade à parte do mundo em que estavam inseridos, completamente despegados dos valores estéticos e conhecidos de todas expressões de artes, e por essa razão, o simbolismo acabou sendo alcunhado por decadentistas¸ afinal de contas, muitos viam esse tipo de expressão a decadência de toda arte até então conhecida. Vale lembrar que esse estilo nasceu em um momento delicado da história, podendo até dizer que foi conseqüência da Revolução Francesa, algo que pode ser mais aprofundando com a leitura do manifesto de Jean Moréas, o responsável por estabelecer o nome de simbolismo.

Para os artistas do simbolismo, não é o bastante sentir apenas as emoções, pelo contrário, é preciso mergulhar na dimensão cognitiva, só assim é possível tocar sua poesia intrínseca. O movimento também traz traços da subjetividade, ou melhor explicando, características e individuais dos artistas. Uma ferramenta importante para essa faceta da arte é a musicalidade, algo que se destaca no estilo, ferramentas como: aliteração e assonância. O simbolismo é um estilo transcendental, sempre seguindo os rumos da fantasia e imaginação, dando valor para a intuição e interpretando a realidade de uma maneira diferente, ou seja, desprezando completamente a lógica e a razão.

Por isso, são os sonhos a ideia primordial para os adeptos deste estilo. Através deles os artistas tentam entender as experiências dos antepassados, quando viviam situações anárquicas ou caóticas que, segundo a psicologia psicanalítica, tais sensações vivem apenas no mundo onírico, ou seja, no mundo dos sonhos, onde muitos artistas utilizam como fonte para suas expressões. Uma das áreas que mais compreende o simbolismo é a literatura, que possui a capacidade de criar mundos muito além de nossa imaginação.

No século XIX, Eugênio de Castro, com o seu “Oaristo” trouxe para Portugal o simbolismo, no Brasil, em 1893 foi publicado “Broquéis” e “Missal” de Cruz e Souza, no entanto, no Brasil o movimento não teve muito relevância na poesia, algo que aconteceu na Europa e na França devido ao lançamento de Charles Baudelaire, “As Flores do Mal” de 1857.

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