Sexualidade

Modo como o ser humano responde a estímulos eróticos e obtém prazer por meio de atividade sexual com outra pessoa, em grupo ou sozinho (masturbação).

A sexualidade envolve todas as zonas erógenas do corpo, não somente os órgãos genitais, além de impulsos, desejos e fantasias associados ao sexo. A capacidade de ter sensações eróticas está presente no ser humano desde os primeiros momentos de vida e compõe sua libido, termo que designa na psicanálise a energia do impulso sexual.

Um recém-nascido, por exemplo, sente prazer no contato com o seio materno, proporcionado pelo ato de mamar, ou ao colocar objetos na boca.
Os estudos sobre sexualidade no mundo ocidental são relativamente novos, tendo início no começo do século XX com pesquisadores como o austríaco Sigmund Freud. Pesquisas amplas foram realizadas, principalmente pelo Institute for Sex Research, da Universidade de Indiana (Estados Unidos), fundado em 1938 pelo biólogo norte-americano Alfred Charles Kinsey.

O comportamento sexual humano é determinado por três fatores: a herança genética, que caracteriza biologicamente o indivíduo como sendo do sexo masculino ou do feminino; o social, composto por influências da sociedade (educação, família) sobre o indivíduo; e o psicológico, formado pelos mecanismos psíquicos inconscientes. Quanto à orientação sexual, ou seja, o objeto do interesse sexual, os padrões de comportamento são o heterossexual, o bissexual e o homossexual.

Heterossexualidade - Comportamento baseado na orientação sexual por indivíduos do sexo oposto. A palavra deriva do radical grego héteros, que significa "diferente". É e sempre foi o padrão majoritário no mundo.

Bissexualidade - Padrão de comportamento baseado na orientação sexual por indivíduos de ambos os sexos. Os bissexuais podem atingir ou não o orgasmo em relações sexuais com mulheres ou homens. A palavra "bissexual" aplica-se também aos casos de hermafroditismo, em que a genitália masculina e a feminina coexistem na mesma pessoa, geralmente incompletas, por causa de uma anomalia genética.

Homossexualidade - Comportamento marcado pela orientação sexual por indivíduos do mesmo sexo. Ocorre tanto entre homens quanto entre mulheres e pode manifestar-se ocasionalmente (em particular na adolescência) ou permanentemente. O homossexualismo feminino é mais conhecido como lesbianismo.
Não há estimativas mundiais sobre homossexualidade. Nos EUA, segundo a pesquisa Sexual Behavior in the Human Male (1948), elaborada por Kinsey, 25% dos homens mantiveram experiência homossexual ocasional entre os 16 e os 55 anos, 37% tiveram experiência que os levou ao orgasmo e 10% foram exclusivamente homossexuais durante um período de pelo menos três anos. Entre as mulheres adultas, segundo o estudo Sexual Behavior in the Human Female (1953), 13% declararam ter passado por experiência homossexual que levou ao orgasmo e de 2% a 3% afirmaram ter tido apenas experiências homossexuais. Pesquisas recentes do mesmo instituto indicam que essa incidência permanece constante no país.

Existem muitas teorias sobre as causas da homossexualidade. No início do século, os médicos e psicólogos consideravam-na uma doença, marcada pelo desvio do padrão heterossexual. Atualmente, a maioria das pesquisas procura explicar a homossexualidade como resultado de fatores biológicos ou de influências sociais e psicológicas. Vários pesquisadores consideram a educação, as experiências de contato com membros do mesmo sexo e do sexo oposto e outros fatores da socialização fundamentais na orientação sexual. Essa hipótese é reforçada pela grande variabilidade do comportamento homossexual e de seu grau de aceitação ou reprovação em diferentes sociedades.

A reação da sociedade em relação à homossexualidade varia segundo a época e a cultura. Na Grécia antiga, por exemplo, ela era aceita; já no cristianismo foi e continua sendo reprovada. Durante muito tempo, a homossexualidade foi considerada ilegal nas sociedades ocidentais. É a partir da década de 60, quando os homossexuais começam a tornar pública sua orientação sexual, que a situação começa a mudar de fato.

Chamando a si mesmos de gays (alegres em inglês), eles passam a reivindicar direitos iguais aos dos heterossexuais, como o fim da discriminação e o reconhecimento legal das uniões homossexuais.

No Brasil, projeto de lei criado pela deputada federal Marta Suplicy (PT-SP) em 1997 propõe a legalização da união entre casais homossexuais. A união civil, uma espécie de contrato entre duas pessoas, garantiria a eles alguns direitos que atualmente são restritos aos casais heterossexuais, como por exemplo o de herdar bens do parceiro, receber benefícios previdenciários (pensão) ou declarar imposto de renda conjuntamente. O projeto tem causado grande polêmica entre os diferentes setores da sociedade brasileira.

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