O Brasil, desde o período colonial, sempre foi palco de levantes, revoltas, sublevações e conflitos sangrentos.

Essa tendência é facilmente explicável pela extensão territorial continental do país, pela fragmentação administrativa, étnica e cultural, mas principalmente pela colonização brutal do território e conflitos políticos decorrentes do acidentado processo de sedimentação política do país.

Somente na Bahia, palco da Sabinada, contabiliza-se pelo menos uma dezena de revoltas, que vão da Guerra dos Aimorés, ocorrida em meados do Século XVI, ainda nos primórdios do Brasil Colônia, até a famosa Guerra de Canudos, comandada por Antônio Conselheiro, tão bem retratada na literatura por Euclides da Cunha, ocorrida já na República Velha, no final do Século XIX.


Uma revolta de classe

A Sabinada, que ganhou esse nome em alusão ao seu líder, o jornalista Francisco Sabino Vieira, aconteceu na Província da Bahia entre 6 de novembro de 1837 e 16 de março de 1838.

Longe de ter o condão de uma revolta popular, foi, ao contrário, um movimento de parte da sociedade da região, do qual participaram profissionais liberais, comerciantes e militares, que desejavam maior autonomia em relação ao poder absoluto do Império, que estava sob o comando do regente Feijó.

Na verdade, a Sabinada trazia traços claros de uma sociedade inclinada pelos encantos da República, tanto que o federalismo republicano estava na pauta dos revoltosos. Assim como já ocorrera na Europa, uma classe econômica ascendente reivindicava para o país um modelo político que transferisse da esfera imperial para a nova burguesia o poder político.

Os fatos concretos que motivaram a insurreição foram as nomeações de autoridades para a província feitas pelo governo regencial e o recrutamento militar obrigatório para combater na Guerra dos Farrapos, que acontecia no sul do Império.


A República Bahiense e a repressão sangrenta

No dia 7 de novembro, os revoltosos, com apoio de parte do exército, tomaram os quartéis militares da região e proclamaram a República Bahiense.

O governo central enviou tropas à província revoltosa e esmagou o movimento impiedosamente. A cidade de Salvador foi cercada, retomada e mais de 5 mil insurgentes foram mortos ou presos. Muitos tiveram suas casas queimadas pelas tropas governamentais.

Em março de 1938 a província da Bahia estava de volta sobre o comando do governo regencial.

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