Realismo em Portugal

O Realismo foi um movimento artístico que ocorreu em diversas partes do mundo, influenciando fortemente a literatura. Em Portugal, esse movimento teve seu início no ano de 1865, um período dominado pelos embates entre liberais e monarquistas.

Trata-se de uma fase de intensa renovação cultural e de costumes, que tentava levar Portugal ao encontro da modernidade. As ideias e filosofias difundidas nesse período tinham uma forte conotação científica e deixavam de lado o tradicionalismo.

Nessa época houve a Questão Coimbrã, um movimento intelectual e jornalístico que envolvia a Geração de 70, formada por Oliveira Martins, Teófilo Braga, Antero de Quental e outros defensores das novas ideias, contra os árcades, como Castilho.

Os ataques públicos entre os grupos rivais duraram de 1865 a 1866. Nessa batalha, os intelectuais modernos defendiam as vertentes realistas, e os tradicionalistas defendiam as posturas românticas e conservadoras na literatura. Era, em suma, uma luta do moderno contra o antigo.


Características do Realismo em Portugal

A renovação cultural se tornou cada vez mais popular em Portugal e na Europa como um todo. As Conferências Democráticas do Cassino Lisboense aconteciam nessa época para fortalecer o movimento realista português.

O movimento do Realismo Português acabou dando origem a diversas poesias e prosas marcantes, com características como o foco nas questões e debates sociais, a busca pela realidade, a falta de idealizações e subjetividades, a apresentação de pessoas comuns, a vida cotidiana, os falsos valores e o falso moralismo da sociedade e a crítica aos comportamentos e pensamentos da época. As ideias científicas também ganharam força nesse momento, dando início à tendência do naturalismo.

Na prática, a poesia realista de Portugal focava a realidade, as diferenças sociais, a política, a crítica social e a vida cotidiana. Em muitos casos, a poesia tinha um aspecto quase revolucionário e questionador.

Na prosa realista de Portugal, os ataques à burguesia, à igreja católica, ao governo e ao falso moralismo foram frequentes. Os principais autores da época nesse movimento foram: Antero de Quental, Teófilo Braga, Abel Botelho, Guerra Junqueira e Eça de Queirós.

De certa forma, o surgimento do realismo em Portugal pode ser entendido como uma consequência da inovação intelectual da Europa. A primeira obra realista de ficção publicada em Portugal foi “O Crime do Padre Amaro”, de Eça de Queirós, lançada em 1875.

A Escola Realista de Portugal continuou atuante e influente até, mais ou menos, o ano de 1890, quando Eugênio de Castro lançou a obra "Oaristos", seguindo o modelo simbolista característico da França.

Vale dizer que o realismo como movimento cultural acompanhou a segunda fase da Revolução Industrial da Europa, e foi influenciado pelas doutrinas filosóficas de Hegel, Augusto Comte, Marx e Engels.

Algumas obras importantes para o realismo português foram "O Primo Basílio" e "Os Maias", também escritas por Eça de Queirós.

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