O período das grandes navegações e das conquistas ultramarinas foi marcado por registros literários. No Brasil, descoberto pelos portugueses em 1500, a literatura se manifestou de forma primária durante o chamado Quinhentismo, o primeiro registro literário do país.

Esse movimento caracterizava o clima de euforia e curiosidade dos portugueses em relação à terra descoberta. As crônicas e relatos produzidos pelos viajantes sobre o Brasil são considerados os primeiros históricos literários da nossa nação.

Os textos do período falavam sobre as terras brasileiras e sobre seus povos nativos. Entre estes textos, a produção pioneira foi a carta que informava ao governo português sobre a descoberta da nova terra. Por isso, o Quinhentismo também ficou conhecido como literatura de informação.

No contexto brasileiro, a produção literária mais importante dentro deste movimento foi a Carta do Descobrimento, escrita por Pero Vaz de Caminha, que ocupava o cargo de escrivão-mor da esquadra de Pedro Álvares Cabral.

Esta carta foi produzida em 1500 e enviada a Portugal, mas só foi divulgada e publicada no ano de 1817. O documento endereçado ao rei de Portugal, Dom Manuel, relatava as características do Brasil.

Confira um trecho da carta: “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem (...)”.

A carta de Pero Vaz de Caminha é classificada por muitos historiadores como uma espécie de “certidão de nascimento” do Brasil.


Mais produções literárias do Quinhentismo

O Quinhentismo foi a primeira forma literária desenvolvida no Brasil. A literatura de informação se baseava em relatos pessoais dos autores sobre suas viagens pelo país. Os textos tinham um perfil informativo e descritivo, e relatavam em detalhes a fauna, a flora e os índios brasileiros.

O período literário foi marcado pelas produções dos padres jesuítas, que vieram para o Brasil a partir de 1500. Os principais autores do período foram Pero Vaz de Caminha, Pero Magalhães Gândavo, Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta.

Características do Quinhentismo

O Quinhentismo apresentava crônicas de viagens, muitas informações e descrições e uma linguagem simples. Nas obras dos padres, aspectos espirituais e de evangelização dos índios eram destacados. Os textos também eram repletos de adjetivos, opiniões e impressões pessoais.

Autores do Quinhentismo

José de Anchieta (1534-1597) – Foi um padre historiador, gramático, poeta e teatrólogo. Nascido na Espanha, José de Anchieta veio para o Brasil com a missão de catequizar os índios. Aprendeu a língua tupi e preparou a primeira gramática da língua indígena.

Pero de Magalhães Gândavo (1540-1580) – Foi um professor, historiador e cronista. Nascido em Portugal, ele veio para o Brasil e escreveu o livro "História da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos de Brasil".

Manuel da Nóbrega (1517-1570) – Foi um jesuíta português. Ele participou da primeira missa celebrada no Brasil e ajudou a catequizar os índios. Escreveu os livros "Informação da Terra do Brasil" (1549), "Diálogo sobre a conversão do gentio" (1557) e "Tratado contra a Antropofagia" (1559).

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