Preconceito Linguístico

É considerado preconceito linguístico todo tipo de discriminação em relação à forma que uma pessoa ou grupo de pessoas se comunica e se expressa verbalmente. De acordo com os especialistas, este é um dos tipos de preconceitos mais frequentes em nossa realidade e sociedade, sendo responsável por causar enorme exclusão social.


Entenda o Preconceito Linguístico

Preconceito Linguístico, de acordo com o linguista e filólogo Marcos Bagno, é uma forma de discriminação com graves implicações sociais. Este preconceito nasce da ideia de que existe apenas uma língua correta, que é aquela baseada na gramática. Contudo, para Bagno, não existem formas certas ou erradas de fazer uso do idioma. Toda comunicação, empregada em um contexto social, é correta e deve ser aceita e respeitada.

O apego excessivo pela linguagem formal gera uma prática da exclusão social totalmente injusta e incoerente, uma vez que a língua é viva e dinâmica, e está sempre passando por transformações e adaptações.

Todo idioma é formado por expressões populares, gírias, variações linguísticas, regionalismos e licenças poéticas e de comunicação. Em um país como o Brasil, por exemplo, com suas dimensões continentais, é comum encontrar o povo falando de forma diferente em cada região e estado. As variações linguísticas são ricas e fazem parte da cultura de cada povo, não podendo ser alvo de deboche ou violência verbal.

O preconceito linguístico é uma prática que traz diversos problemas para quem é vítima, provocando dificuldade de socialização e até distúrbios psicológicos, como baixa autoestima, vergonha, depressão e medo.

Esta forma de preconceito pode ser destinada às pessoas que falam errado, àqueles que apresentam sotaques diferentes, aos cidadãos que vivem no interior ou aos que vieram de outros países. Essa discriminação também é comum contra os imigrantes e turistas que viajam ao exterior e tentam se comunicar com a população local.

O preconceito linguístico é formado quando uma pessoa acredita que sua maneira de falar é superior à dos outros cidadãos. Normalmente, a comunicação diferente daquela estabelecida pela gramática normativa é classificada como vulgar e errada, levando a comentários pejorativos e depreciativos.

É preciso respeitar as variedades linguísticas. O preconceito linguístico causa constrangimento e, por isso, é proibido. Pela Constituição, nenhuma pessoa pode ser submetida a tratamento desumano ou degradante, o que significa, entre outras coisas, que ninguém deve ser tratado com preconceito em nosso país.

Mas, infelizmente, no Brasil, ainda existe um forte preconceito linguístico contra nordestinos, pessoas com baixo nível de escolaridade e contra os pobres. É preciso acabar, de uma vez por todas, com essa marginalização causada pela língua.

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