O Fim do Regime Militar

O fim do Regime Militar no Brasil foi concretizado no dia 15 de janeiro de 1985, quando Tancredo Neves foi eleito presidente do país. Esse fato colocou um ponto final em uma história de 21 anos de uma ditadura militar violenta, repressiva e controladora.

A votação que elegeu Tancredo ocorreu no colégio eleitoral e foi considerada uma importante resposta ao movimento das Diretas Já. O processo que levou à redemocratização do Brasil foi lento e contou com o apoio de artistas, sindicalistas, personalidades, médicos, bancários, professores e outras classes trabalhistas. Todas essas pessoas se uniram em greves e manifestações. O movimento sindical do ABC Paulista teve grande importância nesse movimento.

Os opositores ao governo militar ganharam a força da sociedade civil e, juntos, formaram uma grande pressão sobre o Congresso, que havia sido reaberto. A primeira importante medida para a derrubada da ditadura militar ocorreu em 1979, com a revogação do AI-5. Com isso, o Congresso não podia mais ser fechado pelo governo e os direitos políticos não podiam mais ser cassados.


Ditadura militar: o fim de um período marcado pela violência

Segundo a Comissão Nacional da Verdade (CNV), a ditadura militar brasileira deixou 434 mortos, além de 210 desaparecimentos. O período foi marcado pela ocorrência de graves violações aos direitos humanos, como detenções ilegais e arbitrárias, práticas de tortura, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. Por esses crimes, mais de 300 militares, ex-presidentes e agentes do Estado foram responsabilizados. Esse tipo de conduta só foi abolido do Brasil após o fim da ditadura militar.

Violencia contra manifestante, ditadura

O movimento das lideranças sindicais que iniciou os protestos contra o governo militar ganhou força em 1981, durante a Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat). As ações dos movimentos foram responsáveis pela transição lenta e gradual da ditadura para a democracia.

Em 1983, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) passou a exigir as eleições diretas no Brasil. Em 1984, o colégio eleitoral responsável por referendar o nome de um possível presidente indicado pelo governo entrou em ação, mas a sociedade brasileira protestou contra essa decisão, exigindo as eleições diretas. Assim, teve início o movimento das Diretas Já!

Amanha vai ser outro dia

No dia 25 de janeiro de 1984, cerca de 300 mil pessoas estiveram presentes na Praça da Sé, em São Paulo, para protestar. As manifestações tomaram conta das ruas do país nesse mesmo ano.

Em 25 de abril 1984, o governo decretou estado de emergência no Distrito Federal e fez com que o Congresso derrubasse a emenda das Diretas Já. Logo depois disso, a oposição lançou a candidatura de Tancredo Neves para a presidência da República.

O Colégio Eleitoral teve que decidir entre Tancredo e Paulo Maluf. A votação dos deputados federais e das Assembleias Legislativas dos Estados deu a vitória a Tancredo, que prometeu ao povo que essa seria a última eleição indireta do Brasil.

Contudo, antes da posse, Tancredo Neves adoeceu e precisou ser internado em estado grave. Ele acabou morrendo em 21 de abril de 1985. Com isso, o vice-presidente, José Sarney, assumiu a presidência.

Depois do fim da ditadura, o Brasil voltou a praticar o pluripartidarismo e a democracia.

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