História e Histografia

História e Histografia

História e historiografia, no seu sentido mais amplo, é o conjunto dos acontecimentos humanos ocorridos no passado. Historiografia é o registro escrito do que se conhece sobre as vidas e as sociedades humanas e a forma como os historiadores estudam, compilam, registram, analisam e interpretam este passado. Os feitos históricos são conhecidos através de várias fontes de informação: relatos de testemunhas, memórias, cartas, arquivos de tribunais, assembléias legislativas, instituições religiosas ou mercantis e, também, pela informação não escrita que se obtém através do estudo de restos de civilizações já desaparecidas. Os acontecimentos constituem a base sobre a qual se cria a interpretação histórica. Este processo baseia-se numa hipótese ou num modelo teórico provisório, que dirige a pesquisa para um relato minucioso e coerente sobre o elemento que está sendo analisado.


LITERATURA HISTÓRICA NO OCIDENTE
A historiografia ocidental inicia-se no mundo grego. No século V, Heródoto escreveu sua obra intitulada Histórias.

Pouco depois, Tucídides redigiu uma obra clássica sobre a guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta.

No século IV, Xenofonte continuou a tradição da historiografia grega.

No século II a.C., Políbio escreveu a história da vida política e dos triunfos militares de Roma.

Estrabão e Dionísio de Halicarnaso seguiram essa mesma corrente historiográfica durante o século posterior.

Flávio Josefo defendeu os costumes e a religião judaica e Plutarco redigiu biografias de notáveis personagens gregos e romanos.

Em Roma, Catão, o Velho escreveu a primeira história em latim. Salústio teve uma longa e duradoura influência na literatura histórica.

Cícero definiu os ideais da historiografia, mediante elegantes termos estilísticos, sendo imitado por Tito Lívio, Tácito e Suetônio.

Júlio César se destacou pelos relatos escritos sobre suas campanhas militares. Eusébio de Cesaréia escreveu uma história eclesiástica que traçava o desenvolvimento da Igreja das origens à evolução como instituição.

O cristianismo desenvolveu uma doutrina que incluiu o divino no processo histórico.

Santo Agostinho concebeu uma sutil relação entre a história cristã e a secular.

A desintegração do império romano, no século V, restringiu a história à ação do clero.

As obras dos historiadores clássicos foram conservadas nas bibliotecas monásticas e, desse modo, os escritores do início da Idade Média, como São Gregório de Tours, tentaram alcançar o nível estilístico da Antigüidade.

Em plena Idade Média espanhola, destaca-se Afonso X, o Sábio (1251-1284), inspirador da General e Grand Estoria e da Crónica General de España. No mundo medieval hispânico, são conhecidos um grande volume de textos de historiadores islâmicos a partir dos primeiros momentos da presença muçulmana na península Ibérica.

Destacam-se Ibn Hayyan, autor de Al Muqtabis, e Ibn Khaldun. No século XVI, Nicolau Maquiavel e Francesco Guicciardini escreveram obras que novamente situaram a história política em um mundo vinculado às leis e às ambições humanas.

A separação entre as questões laica e eclesiástica foi remarcada, na Europa, pela influência exercida pelo Renascimento, como observa-se em Elio Antonio de Nebrija.

O frei Bartolomé de las Casas escreveu A História Geral das Índias com objetivos missionários, realizando um autêntico tratado sobre os povos indígenas da América.

A partir do século XVII, os eruditos europeus dedicam suas vidas à compilação laboriosa e sistemática das fontes da história, abrindo grandes campos de pesquisa nas áreas diplomática, numismática e arqueológica. Os avanços alcançados pela historiografia no século XVIII foram decorrência das idéias do Século das Luzes.

A obra de Leopold von Ranke levou a História a atingir identidade como disciplina acadêmica independente, dotada de método próprio de crítica e análise que exige rigorosa metodologia.

Em meados do século XIX, o marxismo conduziu a novas formas de pesquisa, partindo da teoria do materialismo histórico, que revolucionou a investigação nas mais diversas ciências, chegando até à arqueologia.

Também surgiram outras linhas de estudo, como o materialismo cultural no campo da antropologia.


HISTORIOGRAFIA NO ORIENTE
Culturas não ocidentais possuem uma importante tradição historiográfica. Maomé dotou o Islã de um forte sentimento histórico, permitindo um pequeno desenvolvimento do estudo da história. No século XIV, Ibn Khaldun escreveu História Universal.

Na China, Confúcio deu ênfase à importância da história. O Shu Jing (Livro de História) e o Chun Qiu (Anais da primavera e do outono) se constituem em clássicos do confucionismo.


TENDÊNCIAS ATUAIS
A história tem aumentado enormemente suas áreas de estudo e interesse, aproximando-se de ciências sociais como a sociologia, a psicologia, a antropologia e a economia.


Fonte:
http://www.slimsite.hpg.ig.com.br/hishis.html

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