Nascido no dia 15 de março de 1900, no Recife, Pernambuco, Gilberto de Mello Freyre, filho de Alfredo Freyre e Francisca de Melo Freyre, foi um dos mais importantes sociólogos do século XX. Seu primeiro contato com a literatura se deu aos 8 anos, no Jardim de Infância do Colégio Americano Gilreath, onde conheceu as Viagens de Gulliver. Não conseguia aprender a escrever, mas tomou destaque com seus desenhos, aprendendo a escrever e a ler em inglês, com Mr. Williams. No ano seguinte, sua avó que o mimava por ser um pouco mais devagar para aprender, vem à óbito. Com 11 anos, enche cadernos de desenhos e caricaturas quando passa o verão na Praia de Boa Viagem, onde escreve, também, um soneto camoniano. Com apenas 13 anos, dá suas primeiras aulas no colégio e em 1914, ensina Latim e toma parte ativa nos trabalhos da sociedade literária do colégio.

Aos 20 anos, estudou Ciências Sociais e Artes nos Estados Unidos, e retornou ao Brasil quatro anos mais tarde, após ter conquistado bacharelado em Artes Liberais pela Universidade de Baylor, e se tornou mestre pela Universidade de Columbia.

Em seu retorno, tornou-se redator chefe do Jornal Diário de Pernambuco, atuando ainda como professor de sociologia no Brasil, mas também em universidades dos Estados Unidos. Em 1930, entretanto, partiu para o exílio após a Revolução de 1930, viajando para os Estados Unidos e Europa, e voltou para o Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, em 1932, onde começou a produção de uma obra que foi publicada no ano seguinte. Com a publicação de seu livro “Casa-Grande & Senzala”, o autor revolucionou a historiografia e passou a estudar o cotidiano a partir de relatos pessoais, documentos e história oral, além de manuscritos de arquivos não só públicos, mas privados, e outras fontes que, até então, não recebiam a devida atenção.

Viveu de forma bastante simples em casas de amigos e pensões baratas até que o sucesso de sua obra pudesse lhe devolver a carreira de professor. Aos 41 anos, casa-se com Maria Magdalena Guedes Pereira, e é preso no ano seguinte por ter denunciado nazistas e racistas no Brasil. Junto com seu pai, juiz de direito, reagiu a prisão, sendo ambos soltos no dia seguinte com a ajuda do general Góes Monteiro. Aos 46, torna-se Deputado Federal Constituinte pela UDN (União Democrática Nacional), período em que lutou contra o racismo, apresentando, em 1954, propostas significativas para eliminar as tensões raciais na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Foto Gilberto Freyre

Em 1962, recebe homenagens no Carnaval do Rio de Janeiro com a Escola de Samba da Mangueira, com enredo inspirado em Casa-Grande & Senzala, e no ano seguinte inaugura no Teatro Santa Isabel do Recife, uma exposição sobre a mesma obra. No ano de 1964, recebe o prêmio Moinho Santista para Ciências Soiais e, no ano 1965, torna-se Doutor pela Universidade de Paris. Em 1966, por solicitação das Nações Unidas, apresenta ao United Nations Human Rights Seminaron Apartheid, realizado em Brasília, um trabalho sobre “Race mixture and cultural interpenetration: the Brazilian example”.

No ano de 1971 recebe, em solenidade realizada no gabinete Português de Leitura, do Recife, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Recebeu ainda o título de Sir (Cavaleiro Comandante do Império Britânico) pela Rainha Elizabeth, e em 1973, ganha o Troféu Novo Mundo e o Troféu Diários Associados em São Paulo. Em 1985, ganha o prêmio consagrador de notáveis triunfos nos Estados Unidos, e realiza uma operação em 1986, quando teve que ir internado em decorrência da hérnia do esôfago. Regressa ao Recife, mas já em fevereiro tem que retornar para operar a próstata. No mesmo ano, em outubro, é eleito para ocupar a cadeira 23 da Academia Pernambucana de Letras.

Foto Gilberto Freyre Idoso

No dia 11 de março de 1987, é instituída a Fundação Gilberto Freyre e no mês seguinte, o autor passa por uma cirurgia para colocar um marca-passo, vindo a falecer em 18 de Julho.

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