Fascismo Ibérico

Fascismo Ibérico

Durante o período entre-guerras, os regimes totalitários encontraram singular momento de avanço entre as nações européias.

Muitas delas arrasadas pela Primeira Guerra Mundial, viram-se na necessidade de recorrer a ferrenhas ditaduras na esperança de reaver seu crescimento e desenvolvimento perdidos.

Os dois exemplos mais bem acabados desse contexto foram o fascismo italiano, de Mussolini, e o nazismo alemão, de Hitler.

Contudo, outros países europeus sofreram a ação de regimes repressores ultranacionalistas, como a Espanha e Portugal.

Essas duas nações não tinham atravessado o processo de industrialização que assolou a Europa durante o século XIX, tendo continuado atrasadas e essencialmente agrárias.

Além disso, o regime monárquico de ambas ainda obedecia às mãos conservadoras e incapazes da aristocracia local, o que descontentava as classes burguesas e enfraquecia não só a economia, mas a própria existência da monarquia.

Não demoraram, portanto, a surgir movimentos republicanos, tanto de direita quanto de esquerda.

Em Portugal, uma República Parlamentar de leve tendência esquerdista foi instalada em 1910, mas derrubada em 1926 por um golpe militar.

O regime, formalmente inaugurado em 1928, tinha como ministro da Fazenda Antonio de Oliveira Salazar, que baseou sua política no modelo de Mussolini.

Com isso, conseguiu satisfazer os burgueses e fez crescer seu prestígio nacional. Sua influência aos poucos ia tornando-se decisiva e ele passou a preparar a ditadura.

Em 1930, fundou a União Nacional, movimento ultranacionalista de pretensões corporativistas e, em 1932, assumiu a condição de chefe de estado, iniciando o totalitarismo.

No ano seguinte, promulgou-se a Constituição que inaugurava o Estado Novo e que trazia todos os princípios fascistas por excelência: adoção do partido único, proibição das manifestações populares, criação de polícia política, propaganda de massa, perseguição aos inimigos do regime etc.

A ditadura salazarista, ao contrário dos períodos de Hitler e Mussolini, atravessou a Segunda Guerra e chegou à década de 70.

No ano de 1970, Salazar morreu, mas a ditadura ainda duraria mais quatro anos, quando um movimento militar deu início à redemocratização do país (via a chamada Revolução dos Cravos). Já na Espanha, embora o quadro fosse bastante similar ao português, a adoção do regime totalitarista se deu especialmente em virtude da prodigiosa expansão dos movimentos revolucionários esquerdistas, que visavam derrubar a monarquia arcaica e parlamentarista, que não conseguia impulsionar o desenvolvimento do país.

À expansão do movimento anarquista e do Partido Comunista, somavam-se as lutas separatistas de bascos e catalães e a crise marroquina.

Todo esse contexto levou a Espanha a uma crise constitucional sem precedentes em sua história e logo ficou claro que a esquerda seria vitoriosa frente àquela caótica situação. Por isso, a monarquia, a burguesia, a aristocracia, o clero, o exército e os grandes proprietários de terras uniram-se em torno de um objetivo: impedir a ascensão esquerdista.

Para tanto, levaram a cabo, secretamente, um golpe militar, cujo objetivo era manter formalmente a monarquia e instalar na Espanha uma ditadura.

Assim foi feito e, em 1923, o general Miguel Primo de Rivera assumia a chefia do governo golpista.

Imediatamente, foram copiados os príncipios fascistas italianos: adoção de partido único, fim das greves etc.

Porém, a crise mundial de 1929 colocou à prova o regime de Rivera, que não conseguiu manter-se.

Ante a pressão popular, o general foi obrigado a deixar o cargo e convocar eleições para 1931.

Logo, todas as tendências esquerdistas (socialistas, anarquistas, sociais-democratas, liberais, separatistas, comunistas etc.) uniram-se e formaram uma coalizão, que venceu esmagadoramente o pleito.

Proclamou-se a República, o que forçou o rei a abdicar. No entanto, assim que chegaram ao poder, todas essas tendências da coalizão passaram a divergir acerca da melhor forma de conduzir o governo. Fragmentada, a aliança enfraqueceu-se e a República não pôde estabilizar-se satisfatoriamente. Percebendo o impasse esquerdista, a direita se reorganizou e formou a Falange, partido nacional-socialista de claras tendências fascistas. Mesmo assim, em 1936, a coalizão conseguiu sair vitoriosa das eleições, dando início a um programa de amplas reformas no campo. A direita não tolerou a decisão e iniciou os preparativos para a intervenção armada (já que contava com o apoio do exército). No mesmo ano, as tropas, comandadas pelo general Francisco Franco, deram início à Guerra Civil.

Os republicanos receberam ajuda soviética e auxílio das Brigadas Vermelhas, formadas por voluntários do mundo todo, mas os franquistas contavam com financiamento maciço alemão e italiano.

Potências, como a Inglaterra e a França, mantiveram-se neutras.

Resultado: a coalizão foi esmagada e, em 1939, a capital Madri foi tomada.

Franco assumiu poderes totalitários e instalou o regime de terror, que duraria até 1975.

Ou seja, assim como o período salazarista, o fascismo espanhol conseguiu atravessar a Segunda Guerra Mundial e ser deposto apenas durante a década de 70, mesmo com a derrocada de Hitler e Mussolini, que os tinha inspirado.


Fonte:
http://www.sosprofessor.hpg.ig.com.br/Historia/fascismo_iberico.htm

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