Drogas - Parte 2

Drogas - Parte 2

Por

Crack
Pequenas pedras de formatos irregulares, fumadas em cachimbos na maioria das vezes improvisados. O crack é uma mistura de cocaína em pó, convertida em alcalóide pelo tratamento com um álcali (amônia ou bicarbonato de sódio). Recebeu este nome porque faz um pequeno estalo na combustão quando fumado. Mais barato que a cocaína, produz um efeito forte que dura muito pouco tempo, aumentando o consumo rapidamente e encarecendo a dependência. Em São Paulo, uma pedra de crack chega a custar 15 reais. Se o dependente fumar cerca de vinte pedras por dia, gastará 300 reais em um único dia. Os efeitos produzidos no usuário são basicamente iguais ao da cocaína, porém muito mais intensos. Causa irritabilidade, depressão e paranóia, algumas vezes levando o usuário a ficar violento. Afeta a memória e a coordenação motora, provocando um emagrecimento acentuado, debilitando o organismo como um todo. Atualmente, é a droga que mais causa devastação no organismo do usuário.

O Dr. Içami Tiba, em 123 Respostas Sobre Drogas, assim discorre sobre as reações que esta droga provoca no organismo:

“O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos

cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem-estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença à dor e ao cansaço.”

Mas se a droga leva apenas 15 segundos para chegar ao cérebro e começar a produzir estes efeitos, estes também tem um curto período de duração: cerca de 15 minutos. A cocaína endovenosa, por exemplo, produz as primeiras reações em 3 a 5 minutos, com duração que varia entre 30 e 45 minutos. Esta característica talvez explique o poder que esta droga exerce sobre seus usuários. Segundo Solange Nappo, bioquímica e pesquisadora do Cebrid, Centro Brasileiro de Informações sobre

Drogas Psicotrópicas, “a compulsão para o uso do crack (o que os dependentes chamam de ‘fissura’) é muito mais poderosa que a desenvolvida pela cocaína aspirada ou injetada.”

Uma pesquisa do Grea, Grupo Interdisciplinar de Alcoolismo e Famacodependências do Hospital das Clínicas de São Paulo, apontou os intervalos de tempo entre o uso regular de álcool, cocaína em pó e crack e o aparecimento de problemas por causa disso. Veja o resultado no infográfico abaixo:

O caminho entre a experimentação e a dependência é muito rápido. “Com o crack, não existe o chamado uso social ou recreativo”, afirma o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade. Uma pesquisa do Cebrid com 25 usuários e ex-usuários da droga revelou que 52% deles faziam uso freqüente desta menos de um mês depois de experimentá-la.

Conforme a mesma pesquisa, a idade de suas vítimas também é um fator preocupante: 52% dos consumidores têm entre 13 e 20 anos e 40% entre 20 e 30 anos.

O aumento da criminalidade entre os usuários desta droga também é assustador. A psiquiatra Sandra Scivoletto, coordenadora de um trabalho do Grea, diz que “todos os pacientes que faziam uso regular de crack praticaram roubos ou furtos e mais da metade deles foram expulsos da escola”. Prossegue afirmando que “os usuários do crack se envolvem em atividades ilegais duas vezes mais do que os usuários de outras drogas”. Esta pesquisa do Grea mostrou que 38,1% dos jovens que usavam crack haviam se envolvido em tráfico de drogas e 47,6% apresentavam antecedentes de envolvimento com polícia e prisão.

Como a evolução da dependência com relação a esta droga é muito rápida, quando os familiares descobrem o usuário, na maioria das vezes, já está completamente dependente. Para auxiliar os pais, vale destacar o trabalho da jornalista Andréia

Peres, publicado originalmente na revista Cláudia de outubro de 1995, conforme abaixo segue:

Fatores de risco para o uso de crack - A Organização Mundial da Saúde considera mais propensa ao uso de drogas a pessoa mal informada sobre os efeitos, com saúde deficiente, insatisfeita, com personalidade deficientemente integrada e com fácil acesso às drogas.

Traços que favorecem - O adolescente usuário de crack, segundo a psiquiatra Sandra Scivoletto, tem as mesmas características de quem procura estimulantes de um modo geral. Sente uma enorme melancolia, sem motivo aparente, e um grande vazio, devido à falta de uma atividade que lhe traga prazer e de perspectivas de vida de um modo geral.

Os sintomas - O comportamento do usuário de crack, segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, especializado em drogas pela Universidade de Londres, muda rápido e intensamente. Ele vai mal na escola (ou a abandona), tem um sono altamente perturbado, emagrece muito, isola-se dos outros e começa a apresentar sintomas de paranóia. Acha que está sendo seguido ou que caiu alguma pedra de crack no chão.

Também fica apático, introvertido. A cocaína age ainda sobre as pupilas dos olhos, podendo dilatá-las.

O tratamento - Depende do estado de cada paciente. Vai do tratamento ambulatorial até a internação domiciliar ou em clínicas especializadas. A sua principal dificuldade, segundo o dr. Ronaldo Laranjeira, é a “fissura”, a vontade que o usuário sente de usar a droga. A fase inicial é a mais difícil, e dura, geralmente, uma semana. O jovem só é considerado totalmente reabilitado depois de dois anos de abstinência.

O material utilizado para o consumo desta droga é o cachimbo, normalmente produzido artesanalmente com uma lata de refrigerante com um furo na lateral para inserção do canudo por onde a fumaça será aspirada, colocando-se a pedra de crack no orifício superior da lata por onde o refrigerante é bebido. Copos de água mineral com tampa de papel de alumínio também são muito utilizados.

Um artigo baseado nos dados e na experiência adquiridos em São Paulo durante o “Projeto Cocaína WHO”, quando foram entrevistados usuários ou ex-usuários de crack, de autoria dos pesquisadores do CEBRID (Centro de Informações sobre

Drogas Psicotrópicas), Solange A. Nappo, José Carlos F. Galduróz e Ana R. Noto; intitulado “Uso do ‘crack’ em São Paulo: fenômeno emergente?” traz a seguinte conclusão (Clique aqui para ver os gráficos): “Este estudo aponta o crack como uma das formas mais arrasadoras do uso da cocaína.”

“Jovens com menos de 20 anos pertencentes a diferentes classes sociais, com predominância da classe baixa, são os consumidores preferenciais. Entre eles, o crack é classificado como droga anti-social e egoísta que os leva a um isolamento social. A paranóia que se instala gera medo e suspeita das pessoas, o que contribui para esse isolamento e confinamento a locais fechados.”

“O usuário rapidamente tem ruptura de caráter. A mentira passa a fazer parte de seu discurso, que associada à desconfiança pode gerar agressividade e até violência.”

“A compulsão para o uso da droga (fissura) parece ser mais forte que a desenvolvida pela cocaína nas outras formas de consumo (aspirada, injetável), impedindo qualquer uso controlado.

Em menos de um mês, instala-se a dependência, que para muitos traz também a necessidade de roubar e/ou prostituir-se para sustentar o vício.”

“A degradação física é outra característica do usuário de crack. Ele perde peso logo no início do consumo, passando a não mais cuidar do seu corpo, deixando de lado os princípios básicos de higiene.”

“Devido a essas características, o crack parece ser incompatível com qualquer modo tradicional de vida (trabalho, estudo, relacionamento amoroso, etc.), marginalizando totalmente o indivíduo que dele faz uso.”

“A forma ‘sedutora’ com que se apresenta o uso do crack, ou seja: leve (é apenas fumado), não necessitando de seringas e agulhas que para muitos constituem-se em violação ao próprio corpo; a não transmissibilidade do HIV pela via pulmonar; e os poderosos efeitos alcançados em segundos, são fatores preditivos de aumento cada vez maior do consumo desta droga em

São Paulo, podendo transformar-se num problema emergente de saúde pública a curto prazo.”

“Os autores deste trabalho acreditam que as campanhas de prevenção ao abuso de drogas desenvolvidas para São Paulo, que em relação à cocaína tem enfocado apenas seu uso endovenoso, devem urgentemente ser revistas no sentido de que o crack também seja abordado, descaracterizando esse uso aparentemente inofensivo.”


Papaver somniferum - Opináceas
Entre a farta variedade de drogas de que o homem vem se servindo há milhares de anos, o ópio é uma das mais antigas de que se tem notícia. No quarto milênio a.C., os sumérios conheciam esse tóxico, obtido do látex das flores da papoula (Papaver somniferum), planta nativa da Ásia Menor.

Também os egípcios e os gregos sabiam dos efeitos do ópio. Os médicos árabes utilizava-no para o tratamento de diarréias e tosses.

E, através dos comerciantes árabes, a droga foi introduzida na Cinha. No começo da era cristã, apareceu, empregada terapeuticamente, como analgésico e sonífero.

Na Renascença, o ópio era utilizado para tratamento de histeria, o que comprova a existência de conhecimentos sobre as influência psicológicas da droga. Até o século XIX, era consumida “terapeuticamente”, misturada com uísque ou álcool (láudano). Poucos médicos - todos de reputação duvidosa - receitavam, e os grandes consumidores (além dos próprios médicos) eram intelectuais e artistas.

Acredita-se que o ópio começou a ser fumado em cachimbos pôr volta do século XVII. Mas a Guerra do Ópio (1840 / 42), entre chineses e ingleses, constitui um pretexto para a abertura dos portos de Hong Kong, cidade que se tornou um dos maiores centros de tráfico.


Morfina: É o primeiro derivado do ópio produzido em laboratório (1803). Isolada em 1805, recebendo esse nome pela associação com os poderes de Morfeu, deus grego do sono. Inicialmente, suas propriedades foram tão mal compreendidas que chegou a ser indicada para tratamento de opiômanos. E o vício do ópio era realmente curado: os pacientes transferiam sua depend6encia de uma droga para outra. A morfina está entre os mais eficazes analgésicos usados pela medicina para o combate de dores de fraturas, queimaduras e na cirurgia. Pequenas doses produzem uma sensação de tranquilidade e em doses maiores verifica-se um estado geral de euforia, seguida de uma fase de sonolência e torpor físico e mental. O dependente apresenta como sintoma geral: sonolência, redução das atividades físicas, como contração das pupilas, depressão do ritmo respiratório. Em estágios mais avançados, podem registra-se náuseas e vômitos. O processo intoxicação-tolerância é rápido e de difícil cura, uma vez que a morfina leva a dependência física e psíquica.


Heroína: Também criada em laboratório, durante a busca de substituto seguro para a morfina. Em 1898, o Laboratório Bayer, na Alemanha, anuncia ter encontrada a deacetilmorfina, três vezes mais potente que a morfina. Por sua potência, a Bayer dá à substância o nome de heroína. Hoje está provado que a heroína vicia ainda mais que a morfina. Geralmente injetada, a droga modera as emoções e provoca sensação temporária de bem-estar. A abstinência causa diarréias, vômitos fortes e leva ao risco de morte por desidratação.


Codeína: é freqüentemente empregada para aliviar a tosse, já que age sobre uma zona do encéfalo de que depende essa manifestação. De todos os derivados do ópio, a codeína é a que tem menores possibilidades de criar o vício.




Alucinógenos

LSD - Ácido Lisérgico
Dietilamida do ácido lisérgico, de fórmula C20H25N3O, principal alucinógeno entre os derivados indólicos.

Obtido inicialmente através de síntese por F. Hofmann e A. Stoll em 1938, o LSD foi em seguida encontrado no esporão do centeio (deformação do grão causada pelo fungo Claviceps purpurea). A absorção digestiva do alucinógeno é rápida e o indivíduo, em geral, sente três tipos de efeitos sucessivos: vegetativos (ligados à ação simpático-mimética da droga), que compreendem midríase, aceleração do coração, elevação da pressão arterial e da tensão muscular, problemas digestivos: perceptivos, que incluem distorções perceptivas que podem se transformar em alucinações, sobretudo visuais (as auditivas são mais raras); psíquicos, como distorção da apreensão do tempo, confusões no curso do pensamento, modificações no estado de espírito, estado de confusão onírica, sentimento de despersonalização. Estas modificações agudas podem provocar estados de pânico com impulsos auto ou heteroagressivos. O LSD, como outras drogas de estrutura semelhante, age bloqueando a ação da seretonina, uma neuroindoalamina. No entanto, seu modo de ação ainda não foi completamente esclarecido. Seu uso é permitido para fins terapêuticos e experimentais, sob o controle dos órgãos competentes.

Nos anos 60, este alucinógeno foi proposto para o tratamento de neuroses. Também foi utilizado no tratamento do alcoolismo, para reduzir o sofrimento em doentes terminais de câncer e no tratamento de crianças autistas. É principalmente utilizado portoxicômanos, não provoca dependência física e dependência psíquica é ainda objeto de discussão. Entretanto, parece ter um papel importante na eclosão de doenças psicóticas. Também na década de 60 foi utilizado por milhares de jovens em todo o mundo e se encontra na raiz do movimento psicodélico em função de seus efeitos alucinatórios (visão de imagens caleidoscópicas, sinestesia, etc.).


Mescalina - cacto
A mescalina, conhecido como peyote, é uma alcalóide extraído do cacto (Lophophora williamsii). É nativa de uma pequena área da fronteira entre os EUA e o México, nas margens do rio Grande, é uma das mais curiosas e mais bem estudadas plantas alucinogênicas. Ainda nos dias atuais é objeto de uma espécie de culto, não obstante a pressão contrária das autoridades governamentais dos dois países, por tribos de indígenas americanos e mexicanos. Foi isolado em 1896, e sua semelhança estrutural com a adrenalina ficou estabelecida em 1919. É preparada por extração e purificação, ou seja, o caule do cacto é cortado em fatias transversais, que, uma vez secas, constituem os‘botões de mescal’.

Cada participante masca certo número de botões, secos ou mesmo frescos, até o amolecimento, engolindo-os depois em pequenos pedaços. Em seguida, atinge um estado de intensa excitação cerebral, ou transe, sucedido por perturbações visuais, marcadas por alucinações do tipo caleidoscópio, com uma seqüência de imagens coloridas de grande beleza.

Doses demasiadamente fortes resultam, por vezes, na produção de alucinações decaráter desagradável. Uma longa série de alcalóides foi isolada do peiote, entre eles a mescalina, apontada como responsável pelas alucinações visuais, a analamina, excitante, a lofoforina, a pelotina e muitos outros. A mescalina cristalina é solúvel em álcool e água. Sua fórmula química é C11H17NO3. Aldous Huxley dedicou um livro à mescalina, The Doors of perception (1954), em que descreve o que sentiu sobre os efeitos da droga. Huxley viu-se transportado ao limiar de dois mundo, o real e o irreal, sem que tivesse perdido a consciência, com grande aumento da sua capacidade sensorial. Teve, por assim dizer, uma visão ‘sacramental’ da realidade. É, aliás, o depoimento de pintores que se submeteram a testes com a mescalina: o efeito mais extraordinário que sentiram refere-se a cores e formas. Parece existir grande semelhança entre a mescalina, a adrenalina e o ácido lisérgico. Administrada em doses adequadas, a mescalina modifica maisprofundamente que qualquer outra droga a percepção, além de ser menos tóxica que as demais.


Psicoabina - cogumelos
Alguns tipos de cogumelos possuem agentes (normalmente a psilobicina) que causam reações alucinógenas quando ingeridos.

As espécies mais utilizadas no Brasil são o Paneoulus dispersus e o Psilocybe cubensis. Já o Psilocybe mexicana, cogumelo encontrado na América Central, era muito utilizado pelas civilizações pré-astecas e maias, ingeridos pelos sacerdotes para suas adivinhações e para o aconselhamento dos membros das tribos. Seus efeitos e malefícios são basicamente os mesmos do LSD.


Cola - Benzeno
A cola de sapateiro é uma mistura de vários solventes orgânicos, entre eles há o tolueno, que é tóxico e destrói os neurônios, diminuindo a capacidade intelectual e limitando, desse modo, a memória, a atenção, a concentração, o ânimo e a produtividade. Um estudante, por exemplo, não consegue mais estudar; repete de ano e acaba abandonando os estudos. Há alguns anos, um rapaz de família rica estava cheirando cola em seu quarto, quando desmaiou em cima da droga, continuando assim a aspirá-la de maneira incontrolada; acabou morrendo porque os centros nervosos reponsáveis pela respiração pararam de funcionar.

É preciso estar atento aos perigos da cola de sapateiro, pois, como se trata de um solvente, evapora-se facilmente, podendo ser inalada de modo acidental. Mas, por acidente ou não, numa intoxicação aguda, seus sintomas aprecem em quatro fases. É bom conhecê-los.


1s fase: euforia, excitação, exaltação, tonturas, perturbações auditivas e visuais, náuseas, espirros, tosse, salivação, fotofobia, rubor na face.


2a fase: depressão inicial do sistema nervoso central (SNC) com confusão, desorientação, perda de autocontrole, obnubilação (visão embaçada e nebulosa), diplopia (visão dupla), cólicas abdominais, dor de cabeça e palidez.


3a fase: depressão média do SNC, incoordenação ocular e motora, ataxia, fala pastosa, reflexos deprimidos e nistagmo.


4a fase: depressão profunda do SNC, atingindo a inconsciência, que vem acompanhada de sonhos estranhos, podendo ocorrer convulsões.
Nos casos crônicos, surgem prejuízos na memória, na destreza manual (alteração na reação dos estímulos), cansaço, dor de cabeça, confusão mental, incoordenação motora, fraqueza muscular, quedas (provocadas por lesão dos nervos motores), lesões irreversíveis no córtex cerebral, lesões nos brônquios e nos rins.


Lança Perfume
Trata-se de uma mistura de clorofórmio, éter, cloreto de etila e um pouco de essência perfumada inofensiva. Embalado em forma líquida, pressurizado dentro de um vasilhame, quando entra em contato com o ar, evapora-se rapidamente, exalando um gás, que é o que as pessoas aspiram.

O lança-perfume era uma brincadeira dos antigos carnavais: esguichava-se o produto nos outros, causando, por segundos, uma gostosa sensação “de geladinho”. Por ser lançado e perfumado, daí seu nome: lança-perfume.

Com o tempo, porém, o costume de cheirar lança-perfume tornou-se um vício: em vez de lançado nos outros como brincadeira, passou a ser esguichado em lenço, que as pessoas levam ao nariz, para assim aspirar seu gás.

Na falta do lança-perfume - quando acabava o carnaval ele sumia do mercado - foi descoberto o quelene, um anestésico local, também a base de cloreto de etila, facilmente encontrado nas farmácias.

Em pequenas doses, o lança-perfume e o quelene provocam euforia e torpor. Em doses maiores, podem provocar tonturas, falta de coordenação motora, voz “amolecida”, marcha instável e desmaios. Esses desmaios duram pouco, e, quando a pessoa volta a si, não se lembra do que se passou. Seu grande risco é de a pessoa morrer de parada cardíaca, provocada pelo clorofórmio ou pelo cloreto de etila. Um cardíaco raramente resiste a taquicardia ocasionada pelo lança-perfume, portanto, sua possibilidade de morrer é ainda maior.

Após muitas mortes por parada cardíaca, decorrentes do abuso do quelene e do lança-perfume, o governo brasileiro, por volta de 1965, proibiu a fabricação desses produtos.

Os efeitos do lança-perfume são passageiros e seu uso depende do ato voluntário de manter um lenço embebido próximo às narinas. Seu maior risco é causar parada cardíaca.

Em geral, esse efeito é imediato e efêmero. Dura tão pouco que o cheirador precisa repetir a dose com muita freqüência. Isso pode ocasionar um desmaio, que também passa muito depressa, e a pessoa às vezes nem percebe que desmaiou. Poucos apresentam ressaca no dia seguinte.


Chá de Saia Branca
A Datura arberea é um arbusto conhecido como trombeta, trombeteira, saia branca, aguadeira, buzina, zabumba ou lírio. Com suas folhas pode-se fazer um chá, cujos sintomas iniciam-se alguns minutos depois de ser bebido. O poder tóxico se deve a presença de muitas substância. As alucinações são muito variadas e as vezes são terríveis. As pupilas dilatam-se, a atividade intestinal diminui e a boca seca. Em casos graves pode haver coma profunda e morte.

Em 1886, um médico da Bahia descreve o seguinte fato:


“Fui chamado para visitar os doentes no dia seguinte às 8h. Já podiam caminhar, mas estavem trôpegos e alucinados, vendo objetos imaginários, fantasmas, ratos passando pelo quarto. Ambos estavam com pupilas dilatadas. Na panela que servia para fazer o cozimento estavam dois ramos com muitas folhas de trombeteira.”
Religião e bruxaria geralmente se misturavam em certas culturas antigas, em que uma só pessoa centralizava as funções de sacerdote e curandeiro e diversas plantas alucinógenas eram usadas para fins medicinais como rituais. Conhecidas e usadas desde épocas remotas, as plantas alucinógenas entraram em atrito com a Igreja, na Idade Média, principalmente durante a Inquisição, quando os meimendros, heléboras negros, viscos e mandrágoras, entre outros, eram denominados “ervas de feiticeiro” ou “plantas do diabo”.


Ecstasy (Alucinógeno + Anfetaminas)
Nos últimos meses, uma nova droga começa a causar apreensão no país: o Ectasy. Seu principal elemento ativo, a metilenedioximetanfetamina (MDMA) é uma substância sintética criada em laboratório na Alemanha em 1913. Ganhou notoriedade ao ser utilizada de várias formas: inibidor de apetite, no tratamento do mal de Parkinson (durante a década de 40), como antidepressivo (década de 60), e até mesmo como desinibidor durante as sessões de psicoterapia. Todas sem sucesso, exceto talvez para os fabricantes e alguns terapeutas que, sem maiores cuidados, receitaram a droga para seus pacientes. Há cerca de onze anos, o Ecstasy começou a surgir nas festas clubbers da Europa e dos Estados Unidos, tornando-se presença quase obrigatória e associado à house music e ao tecnopop, desembarcando no Brasil no início dos anos 90. No início uma droga restrita a uma pequena elite (até pelo preço, que varia de US$ 30 a US$ 60), a droga começou a preocupar as autoridades com as primeiras grandes apreensões, ocorridas a partir de 1995.
Em sua maioria, os comprimidos tem chegado ao Brasil pelas mãos de turistas europeus.

A ingestão desta droga aumenta a produção de seratonina, o hormônio que regula a atividade sexual (provocando um estado de excitação quase incontrolável no usuário), humor e sono, ajudando a romper os bloqueios emocionais do usuário, aflorando a libido e fornecendo uma sensação de bem-estar. Causa enrijecimento dos músculos e aumento dos batimentos cardíacos, que pode levar a um superaquecimento do corpo e desidratação. Apesar do aumento da libido, o orgasmo torna-se mais difícil de ser atingido. O uso contínuo do Ecstasy pode provocar paralisia cerebral e morte. A overdose pode acontecer não apenas por doses excessivas da droga, mas também quando estiver associada a outras drogas como álcool e cocaína.


Outros tipos de drogas

Tabaco
Atualmente, o tabaco é preparado para ser fumado de várias maneiras: cigarros, cachimbo, charuto, fumo em corda, palheiro e rapé; todas apresentando substâncias e malefícios ao organismo muito semelhantes.

Entre estas substâncias vamos destacar o alcatrão, que causa sérias lesões pulmonares, e a nicotina, que possui efeitos excitantes no cérebro e que pode levar o usuário à dependência.

O livro Conversando sobre drogas traz este pequeno trecho sobre os componentes da fumaça do cigarro:

“Os componentes gasosos da fumaça como o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de carbono (CO2) são os responsáveis pela diminuição de oxigênio para os órgãos dos fumantes.”

“Nicotina e alcatrão compõem a porção particulada da fumaça e depositam-se nos pulmões. A nicotina é responsável pelos efeitos prazerosos do cigarro, pela dependência e pelo cheiro e cor marrom característicos do tabaco. Além da nicotina presente nas folhas do tabaco, cerca de 4.000 compostos são produzidos pela queima do cigarro, sendo o mais importante o alcatrão.”

“O alcatrão é o que resta da remoção da umidade e da nicotina e consiste de hidrocarbonetos aromáticos, alguns dos quais são cancerígenos. Os cigarros brasileiros contêm 15 a 20 mg. de alcatrão por cigarro; 0,8 a 1,5 mg. de nicotina por cigarro; 20 mg. de monóxido de carbono por cigarro.”

Seguem os problemas ocasionados pelo fumo:

Diminuição dos batimentos cardíacos, da pressão arterial e da respiração.

Câncer do pulmão, da boca, da garganta, do esôfago, da laringe e da bexiga.

Angina de peito e infarto do miocárdio.

Isquemias ou hemorragias cerebrais.

Doença pulmonar obstrutiva crônica.

Maior risco de contrair câncer dos rins, pâncreas e estômago.

Tosse típica.
Maior probabilidade de sofrer bronquite crônica e enfisema.

Entre as mulheres, tendência de entrar na menopausa mais cedo, acarretando maior chance de desenvolver osteoporose. Com o uso de anticoncepcionais orais (pílulas), as chances de morrerem por problemas cardíacos é três vezes maior do que aquelas que não usam pílulas e não fumam.
O uso do fumo durante a gravidez traz conseqüências ainda mais terríveis, pois afeta também a criança. A nicotina diminui a quantidade de oxigênio e de nutrientes para o feto. Eis algumas destas conseqüências:

Aumenta a probabilidade de abortos, partos prematuros e mortalidade fetal.

Maior risco de morte súbita do bebê, problemas pulmonares e anomalias fetais.

Quanto maior o número de cigarros fumados, menor o peso do recém-nascido.

Pode haver intoxicação pela nicotina durante a amamentação, causando agitação, diarréia, irritabilidade e taquicardia no bebê.

Aumenta a probabilidade do recém nascido contrair pneumonia e bronquite.

Desenvolvimento físico e mental em geral inferior aos filhos de mães não-fumantes.

Outro grande problema na questão do fumo são os chamados fumantes passivos. Não fumantes constantemente expostos à fumaça de cigarro aumentam o risco de câncer em 10 a 30%. As crianças são as mais atingidas, apresentando maior freqüência de problemas respiratórios agudos. Estima-se que cerca de 20% dos casos de câncer de pulmão são fumantes passivos.

Um dos mitos que cercam esta droga é o de que cigarros com baixos teores são mais seguros do que os cigarros comuns. Os fumantes costumam compensar estes teores reduzidos tragando com mais força, mais demoradamente, ou simplesmente fumando um número maior de cigarros.

A dimensão dos problemas causados pela dependência do tabaco é gigantesca. Os sintomas físicos e psicológicos da droga no organismo do usuário são os grandes responsáveis pela dificuldade de largar o vício. Entre eles estão maior clareza de pensamentos, maior atenção, maior capacidade de concentração, aumento da memória, diminuição da irritabilidade e da agressividade, relaxamento da musculatura e diminuição do apetite.

Em outros dois trechos de Conversando sobre drogas, os autores discorrem sobre a tolerância e dependência do fumo, bem como sobre os tratamentos para parar de fumar: “Tanto a tolerância aos efeitos adversos agudos do cigarro, como a síndrome de abstinência assinalam a dependência à nicotina e contribuem para manter o hábito de fumar. A síndrome de abstinência ocorre depois das primeiras horas do último cigarro. Diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial ocorre em 6 horas e dura mais de 3 dias. Entretanto a náusea, dor de cabeça, constipação e aumento do apetite são mais importantes. Sonolência ou insônia, fadiga, irritabilidade e dificuldade para concentrar-se também acontecem. O aumento de peso e a compulsão (desejo irreprimível de fumar) são manifestações da retirada; um quarto das pessoas relatam desejo de fumar até 5 a 9 anos depois de pararem. Portanto, as manifestações de abstinência são a principal causa para que a pessoa volte a fumar.”


Santo Daime
O chá utilizado no culto do Santo Daime é um alucinógeno, conhecido ainda como huasca ou ayahuasca, cuja base pode ser o tronco ou a raiz do cipó Banisteriopsis caapi (conhecido como mariri ou jagube), ou as folhas do arbusto Psychotrya virides (conhecido como chacrona ou rainha). Entre as substâncias encontradas neste chá estão a harmina, harmalina e o DMT (dimetril triptamina).

Sobre o histórico deste culto, é um culto brasileiro de caráter católico popular, fundado pelo mestre Raimundo Irineu Serra.

Em 1912, nos seringais amazonenses da fronteira com a Bolívia, ele conheceu a bebida huasca, da qual teria recebido a força e a revelação para fundamentar a doutrina do Santo Daime.

A huasca ou ayahuasca é um chá de uso milenar na cultura indígena andina. Segundo os índios, a huasca lhes permitia ver o mundo real, já que o cotidiano seria apenas uma ilusão. Caapi e Chacrona são as duas plantas alucinógenas com as quais se faz o chá que é tomado durante as maratonas religiosas, que duram até 10 horas. Durante esse tempo, entre cânticos e monótonos bailados, as pessoas ficam expostas às “mirações”, isto é, às visões que o chá provoca. No ritual, as “mirações” são “conduzidas” para as dimensões espirituais da vida, especialmente ao amor entre os homens e à perfeita harmonia com as forças da natureza.

A huasca não está catalogada como alucinógeno e seu consumo não é proibido, já que não há provas de que ela cause dependência. Existem relatos de jornalistas que foram participar do ritual do Santo Daime para experimentar as “mirações”; eles não sentiram nada, só passaram mal fisicamente.

Provavelmente, o chá huasca é parte de uma cultura cujas visões são induzidas por um mestre, como num ritual religioso qualquer. Assim, os não-iniciados, não tendo vivenciado essa cultura, não conseguem “viajar” com o chá.


Esteróides anabolizantes
Os esteróides começaram a ser utilizados na década de 60 por atletas que se dopavam para melhorar a força e o desempenho do corpo.

Os efeitos imediatos no uso de esteróides podem ser impressionantes: aumento da massa muscular, força redobrada e uma sensação confiante de agressividade e invulnerabilidade. Os atletas, sob os efeitos dos anabolizantes, podem apresentar a “psicose do halterofilista”, isto é, alucinações, delírio de poder, episódios paranóides (relaciona tudo o que esteja acontecendo à sua volta com a sua própria pessoa), comportamento motor extravagante e violência incontrolável. O uso crônico pode trazer doenças cardíacas, enfermidade do fígado, problemas urinários, disfunções sexuais, calvície, acne, alterações na aparência, impotência, esterilidade, diminuição da expectativa de vida. Em alguns casos pode ser fatal, e a interrupção do seu uso pode conduzir à depressão e a uma profunda sensação de fraqueza.

Os esteróides anabolizantes são proibidos em atividades atléticas amadoras ou profissionais.

Atualmente, os esportistas conhecem os malefícios destas “bombas”, porém insistem em usá-las porque ambicionam a qualquer custo atingir uma determinada marca esportiva ou buscar um desempenho maior, que o seu corpo naturalmente não conseguiria. Nessa ambição está contida a vaidade pessoal, ainda mal resolvida psicologicamente.


A dependência para com os tóxicos
O vício é algo traiçoeiro que no começo agrada e depois aprisiona as pessoas.

Tomemos como exemplo o tabagismo (vício de fumar cigarros), por ser um dos mais comuns e o mais conhecido. Não há quem não tenha um parente, um amigo ou um colega tabagista. Assim, todos crescem convivendo passivamente com esse vício e, consciente ou incoscientemente, registram na memória inúmeras cenas: propagandas de cigarros na televisão e nas revistas; imagens de pessoas queridas - parentes, professores - e até ídolos fumando; filmes e novelas com fumantes, etc.Uma das fases iniciais do vício é aquela em que se forma o papel imaginário de fumante: a pessoa se imagina fumando, como se estivesse brincando com a idéia de fumar um cigarro. Imagina como segurá-lo, como levá-lo à boca, às vezes até imita alguém que fuma. Porém nem todos que passam por isso ficam viciados, mas todos os viciados já passaram por essa fase.

Depois vem a experimentação. Há pessoas que, apesar de formarem o papel imaginário, abandonam a idéia, por não se encaixarem no “filme” do fumante. Outras, entretanto, vão aprimorando a imaginação com dados mais concretos: quando, como, com quem e que cigarro fumar. Quanto mais elementos palpáveis forem armazenados no papel imaginário, mais próxima está a pessoa da experimentação, ou seja, da realização daquilo que tanto imaginou.

Quanto a experimentação não agrada, porque provocou males físicos, como tonturas, dor de cabeça, náuseas, taquicardia, etc., ou porque não trouxe gratificação psicológica nenhuma, em geral, a pessoa não prossegue no tabagismo. Mas se, mesmo passando fisicamente mal, julgar que valeu psicologicamente a pena, a pessoa pode querer repetir a experiência. E repetir a experiência já é um forte indício de que se vai ficar viciado. Há pessoas que fazem uma experiência para satisfazer sua curiosidade, mas quando repetem várias vezes a mesma experiência é porque estão buscando algo, e é aí que reside o perigo do vício. Aceita-se um cigarrinho aqui, outro ali e isso já não é mais experimentar, é usufruir de alguma coisa já experimentada, conhecida. E é com esse espírito de aventura - não saber quando e qual o cigarro que se vai fumar - que a pessoa entra na terceira fase, aquela de fumar o “se medão”. É aqui que o aventureiro vai apurando o seu gosto e estabelecendo para si a marca de cigarro que mais lhe agrada. Uma vez estabelecida a sua apetência, a pessoa compra o seu primeiro maço de cigarros, o que significa não mais depender dos outros para satisfazer-se.

Desse modo entra na quarta fase, que é o hábito. Passa a ter controle do cigarro, do horário e das circunstâncias em que vai fumar..

Nesse momento é muito pequena a diferença entre o hábito e o vício, pois só com o hábito já se percebe o desejo de portar o próprio maço de cigarros, ainda que não queira fumar, ou fumar apenas com certa regularidade: após um cafezinho, numa situação mais tensa, etc. Nessa fase, o fumante costuma dizer que não está viciado, que pára quando quiser, que consegue dar um tempo, mas isso só serve como argumento para convencer-se e dizer que tem o controle sobre o cigarro e que não está submetido a ele.

Na maioria das vezes, esse comportamento indica falta de segurança. A pessoa precisa dizer isso para se provar que fala a verdade. E se assim se comporta é porque, no mínimo, suspeita de que está viciada. E se há suspeitas, ou já está viciada ou está prestes a ficar. Existem viciados que pensam administrar o seu vício como se fosse um hábito, na tentativa de aliviar a gravidade do vício.

A quinta fase é realmente o vício, e a pessoa admite-o. Ela já sabe que não consegue ficar sem fumar. Sua auto-estima e vaidade pessoal forma derrotadas pelo cigarro, que, agora, faz parte ativa da sua vida e está incluído em tudo o que faz, mesmo sabendo que provoca tosse, principalmente de manhã, pressão alta, alto risco de câncer de pulmão, dificuldades respiratórias. Mesmo com a família insistindo, ou o médico lhe recomendando que pare de fumar, o viciado continua fumando, porque o cigarro o domina. Aquela primeira tragada, que começou como uma experiência e uma satisfação, tornou-se um vício, com problemas e sofrimento.

No geral, é dessa maneira que as pessoas tornam-se viciadas também em outras drogas.

Portanto, a dependência, ou vício, é um estado de necessidade física e/ou psíquica de uma ou mais drogas, resultante de seu uso contínuo ou periódico. A dependência pode ser:


Física: É um estado anormal, produzido pelo uso repetido da droga. Com o passar do tempo, o organismo não consegue funcionar sem o uso da droga.


Psíquica: É um estado psicológico de vontade incontrolável de ingerir drogas periódica ou continuamente.


Síndrome de Abstinência: É um conjunto de sintomas que se apresenta quando o indivíduo interrompe o uso de drogas, ocorrendo um estado de mal-estar. A síndrome pode ocasionar calafrios, tremores, vômitos, náuseas, diarréia, sudorese, confusão mental, delírios, dores generalizadas, etc.


Tolerância: É a adaptação do organismo ao consumo da droga, obrigando o usuário a aumentar a dosagem para obter os mesmos resultado. Pode ocorrer a tolerância cruzada, isto é, quando uma determinada droga confere ao organismo a tolerância a outras drogas.


Sinergismo: É a soma ou potencialização dos efeitos de certas drogas semelhantes ou diferentes, como por exemplo a ingestão de barbitúricos e/ou álcool.


As causas para o uso dos tóxicos
Comecemos pelo conceito de personalidade aberta, que é uma alteração resultante de falhas cometidas com uma criança na primeira infância, quando se inicia o desenvolvimento de sua personalidade.

Uma criança com personalidade aberta torna-se superdependente de algum adulto - a primeira figura é a da mãe, seguida depois de outros familiares como pai, tios, irmãos mais velhos, empregadas. Sem a mãe ou sem a presença de alguém em quem confia, esta criança entre em pânico, fica totalmente perdida, angustiada. Esta criança, para existir, precisa da mãe.

Quando vai à escola, consegue localizar na professora a figura que substitui sua mãe, e até se comporta normalmente, desde que tenha a “sua” professora sempre por perto. Conforme vai crescendo, vai trocando suas figuras importantes, e mesmo um colega de classe pode exercer esse papel da figura asseguradora de que tanto precisa.

Uma criança com personalidade aberta não é auto-suficiente. Ela não consegue brincar ou ficar sozinha como uma criança normal, que vai aos poucos adquirindo sua auto-suficiência. Para se sentir bem e inteira, ela precisa de um complemento, seja a mãe ou qualquer outra figura que a substitua.

Quando chega a adolescência, que é um segundo parto, isto é, renascer - sair da família para a sociedade, sair da dependência familiar infantil para independência psicológica juvenil - o adolescente com personalidade aberta não vai mais querer depender dos adultos em geral e vai querer enturmar-se com outros adolescentes. E como sua auto-estima não lhe permite “grudar” em outro adolescente, apesar de sua personalidade continuar aberta, ele agora irá procurar uma complementação, que tanto pode ser um fanatismo ideológico (pertencer a uma tribo, a uma torcida uniformizada, etc) ou qualquer outra coisa, como, por exemplo, criar dependência de uma droga. Uma personalidade aberta apega-se a tais complementos como se fosse a mãe naqueles momentos de pânico infantil. Se o complemento for uma droga viciável, a vulnerável personalidade aberta dessa pessoa fará rapidamente um viciado.

Mesmo que uma pessoa não tenha a vulnerabilidade da personalidade aberta, se ela teimar em usar uma droga, poderá acabar viciada. Os motivos dessa insistência podem ser os mais variados (insegurança, brincadeira, auto-afirmação, necessidade, etc.), porém o resultado será o mesmo: o vício. Normalmente ninguém gosta da primeira experiência de fumar, mas acaba acostumando-se e depois gostando, de tanto insistir.

Um outro fato que pode levar uma pessoa ao vício é aquele que se baseia nos conceitos freudianos do instinto de vida e do instinto de morte. Para Freud, o ser humano está continuamente submetido a esses dois instintos. Quem quer viver de forma saudável, automaticamente toma atitudes que priorizam o instinto de vida (alimentar-se, ter vida sexual, lutar pela felicidade de todos os que ama, preservar-se contra riscos desnecessários, etc.).

Somente quem não “está de bem” com a vida é que se deixa levar pelo instinto de morte. Isto não significa somente atitudes suicidas e querer acabar com a própria vida. Significa também não preservar a vida (arriscar-se desnecessariamente, pouco fazendo para se preservar; experimentar drogas; viver machucando-se; só usufruir, sem se preocupar para situações mais difíceis, como ficar “zoando” sem estudar para uma prova, ficar bebendo e farreando a noite toda às vésperas de uma competição esportiva). É como se a pessoa não gostasse de sim mesma e ficasse continuamente bombardeando-se com cargas negativas, deixando-se morrer aos poucos.

A frustração também pode contribuir para o indivíduo tornar-se um viciado. As perdas, as rejeições, as humilhações, as injustiças são alguns dos inúmeros sentimentos que nos levam a ficar frustrados e não há quem goste disso. Entretanto, existem pessoas que não suportam frustrações e, em vez de enfrentá-las, tudo fazem para desviar-se delas. Essas pessoas, quando usam drogas, exatamente para não sentir o sofrimento da frustração, até conseguem distorcer a realidade e enxergar só o que querem, porque entram no prazer químico das drogas; só que se esquecem que sentirão ainda mais frustrações, provocadas pelo círculo vicioso: frustração/droga/ frustração.

Quanto à hereditariedade, isto é a predisposição genética e biológica ao vício, o que se tem são controvérsias. As apetências podem ser géneticas: filhos podem gostar do mesmo sabor que os pais. As apetências às drogas pode existir, porém o vício somente vai existir se a pessoa quiser saciá-lo.

Na história de vida dos viciados em drogas é comum encontrarmos evidências de que o indivíduo foi criado num ambiente familiar marcado pela instabilidade, falta de compreensão e afeto, intolerância, frieza, rejeição, hostilidade, indiferença, desconfiança, excesso de mimo, falta de limites e de disciplina, falta de respeito às individualidades e o não-suprimento de suas necessidades básicas. Essas pessoas ficam com a auto-estima tão destruída, com a personalidade tão fragilizada, que, assim como não superaram as pressões de dentro das suas próprias casas, não conseguem superar as pressões do meio em que vivem e podem sucumbir às drogas.


Conseqüências do uso dos tóxicos
As drogas que viciam rapidamente são: morfina, heroína, crack, cocaína, barbitúricos, etc. O álcool pode também viciar rapidamente uma pessoa, porém suas conseqüência levam muito tempo para se manifestar. Muitas drogas podem provocar a overdose:


Heroína e cocaína: como provocam alterações profundas no sistema nervoso central, podem levar à morte por depressão respiratória (heroína) e por ataque cardíaco (cocaína), Causam ainda convulsão, crises de hipertensão, hemorragia cerebral, etc;


Crack: seu quadro é um agravamento da cocaína, pois é derivado;


Álcool: geralmente o coma alcoólico provoca morte se o indivíduo não for atendido, e é mais freqüente quando se misturam álcool e calmantes, principalmente barbitúricos. Pelo vômito, porém, o alcoolizado pode eliminar o excesso de álcool de seu organismo e acabar dormindo antes de chegar à dose letal;


Barbitúricos: provocando uma depressão (diminuição) da atividade cerebral, de maneira generalizada, induz a uma sedação inicial; o aumento da dose leva ao coma e depois à morte;


Codeína: está presente em xaropes infantis, como o Belacodid, Setux, etc. Podem ocorrer intoxicações acidentais principalmente em crianças, apresentando torpor, sonolência, miose (pupila contraída), reflexos diminuídos, pele fria, depressão respiratória, coma e morte. Crianças de dois e três anos não têm ainda formados os mecanismos da barreira protetora do cérebro, por isso são mais vulneráveis aos psicotrópicos que os adultos;


Morfina: apresenta um quadro semelhante ao da codeína, porém muito mais intenso e grave. A morte é previsível pelo uso abusivo. Os morfinômanos sabem desse risco, que aliás, é muito diferente das intoxicações codeínicas infantis.


Métodos usadas para a cura do viciado
Existe tratamento para a cura do viciado, é o caso do tratamento para os dependentes de heroína, feito em regime hospitalar.

Para que o usuário não sofra a síndrome de abstinência, os médicos administram-lhe a metadona, que se encaixa bioquimicamente no organismo, como se fosse heroína, “enganando-o”. A metadona tem a grande vantagem de não produzir dependência física nem psicológica. Mas esse é um caso particular. Normalmente, não existem remédio específicos contra o mecanismo do vício. Cada droga requer um tratamento especial.

A psicoterapia é mais indicada que qualquer medicação, pois são importantes em todas as etapas do envolvimento com a droga, pois atuam nos valores pessoais, na filosofia de vida de cada um, resolvem os conflitos e modificam a postura do indivíduo perante a droga. Tudo isso favorece o entendimento do vício, de modo que o drogado tenha forças para enfrenta e solucionar a questão. Mesmo quando o tratamento é biológico (internação para desintoxicação), a ajuda das terapias psicológicas é importantíssima para que a pessoa compreenda tudo o que está acontecendo com ela.


Curiosidades
Segundo John Solheim, em artigo publicado pela Revista Magnum, “a mais poderosa droga do mundo, no momento é conhecida popularmente na América do Norte por ‘pó-dos-anjos’. Quimicamente, trata-se da fenilcidina, ou simplesmente PCP, abreviatura farmacêutica de seu nome em inglês, phencyclidine. Pode ser cheirada, injetada ou ingerida. Dá uma sensação de superpoderes e pode bloquear de tal forma o SNC que torna a dor inexistente, completamente ausente, embora o usuário tenha seus reflexos e sua percepção ampliados a um grau máximo”.

Existem relatos sobre usuários que assaltam lojas comercias que têm proprietários ou balconistas em idade avançada, ou então que enfrentam destemidamente a polícia. Um viciado de PCP que veio a falecer num hospital, após intenso tiroteio com policiais, ainda reagia e “atirava” contra a polícia, apesar de ter sido atingido por cinco tiros de uma Magnum 41 entre o torso e o abdômen e nas pernas.

No Brasil, não há registro do uso do “pó-de-anjo” ou de alguém que o conheça, e a literatura médica sobre a fenilciclidina é rara. Só se conhece um único capítulo, escrito pelo Prof. Dr. José Elias Murad: “Pó-de-Anjo: a droga maldita”, em seu livro: O que você deve saber sobre psicotrópicos. Seguem-se alguns trechos:


“... no início da década de 70, espalhou-se a fama de que a feniciclidina tinha, ao mesmo tempo, as propriedade alucinatórias do LSD e as ações estimulantes das anfetaminas e da cocaína. Médicos especialistas têm dito que a feniciclidina é a droga mais desintegradora da mente que se conhece. Usuários crônicos apresentam paranóia, alucinações, depressão profunda e ansiedade. Um rapaz usou-a por engano, pensando ser cocaína, e ficou cinco dias em estado de coma, permanecendo psicótico por um mês. Mais tarde foi recolhido a um hospital especializado, por causa do dano permanente no lobo frontal do cérebro.
Talvez o maior atrativo repouse na sensação que ela produz de aumento de força física, de poder e de invulnerabilidade, que coexistem com um senso de total alienação. Parece que os efeitos clássicos são desagradáveis, pois estudantes de medicina, voluntários, a quem se deu PCP para fumar em pequenas doses, quase todos se recusaram a repetir a experiência. É um pó branco, cristalino, que foi sintetizado há alguns anos e usado em veterinária para imobilizar animais, particularmente os de médio e de grande porte. Capaz de tranqüilizar um gorila raivoso, é também capaz de liberar os mais negros demônios da mente humana.”



Entrevista

Entrevista com uma pessoa que entrou no caminho das drogas não pôr influência, mas por uma curiosidade.

Que tipo(s) de drogas(s) você usa?
Uso somente a maconha.


Qual a sua idade e quando começou a usá-la?
Tenho dezesseis anos e comecei a usá-la quando tinha treze anos.


Você foi induzido a usá-la ou começou pôr conta própria?
Comecei pôr contra própria. Na época estava curioso, pois queria saber como reagiria usando a maconha.


Você já chegou a induzir alguém?
Até no momento não, e eu pretendo não induzir ninguém.


De que forma você adquire a droga?
Com os meus colegas que são traficantes.


Como você adquire o dinheiro para comprá-la?
Eu consigo o dinheiro enganando os meus pais ou trocando com os objetos de casa.


Você já ficou muito tempo sem usá-la? Como se sentiu?
Já, cheguei a ficar três dias, mas não senti nenhuma diferença.


Além da maconha, você já experimentou usar outros tipos de drogas?
Não, desde os treze anos só usei a maconha.


Você já tentou parar de usá-la?
Até agora não.


Se os seus pais soubessem, como eles reagiram?
Se eles soubessem, seria uma surpresa. Minha mãe, teria um ataque, mas meu pais talvez não reagiria diante disso, pois acho que ele já deve ter experimentado.




Conclusão
Hoje todo mundo sabe, pelos pais, pelos professores e pelas campanhas antidrogas, que as drogas fazem mal. Daí a dificuldade de se entender por que os adolescentes se drogas. Nem eles mesmos devem saber o motivo.

Talvez, por se sentir mais independente - já está fisicamente crescido - e por se sentir psicologicamente mais preparado para a vida, o adolescente queira provar que já cresceu, que tem sua própria opinião. Querendo então provar sua segurança pode experimentar drogas, sem perceber que está fazendo exatamente o contrário de tudo o que ouviu sobre as drogas.

Além disso, a curiosidade pode também levar um jovem a se drogar, pois a adolescência é a época das descobertas, e o adolescente quer conhecer tudo. É preciso, entretanto, saber diferenciar a boa curiosidade da curiosidade nociva, e querer conhecer o mundo das drogas é, de fato, uma curiosidade ruim, já que sabemos efetivamente que as drogas fazem mal à saúde, alteram o pensamento e mudam o comportamento das pessoas.

Outro fator que pode induzir um jovem a se drogar é a incapacidade de enfrentar problemas. Principalmente aqueles que sempre tiveram tudo e nunca passaram por frustrações e tristezas mais sérias. Muitos desses adolescentes, quando surgem os problemas, acabam recorrendo às drogas, achando que assim os afastarão ou terminarão com eles. Na verdade, só se afastam, porque nenhuma droga resolve nada. Ao contrário, quando passa o seu efeito, o conflito ainda existe e acrescido de mais um: o próprio envolvimento com a droga.

A onipotência juvenil (mania de Deus do adolescente) também pode motivar um jovem a se drogar. Acreditando que nada de ruim vai lhe acontecer, ele abusa de tudo: velocidade, sexo, drogas, etc. Mas é justamente esse excesso de confiança em si mesmo que acarreta acidentes automobilísticos, gravidez indesejada, o vício nas drogas.

É comum ainda o jovem usar drogas para ser aceito pelo grupo que as usa. Outros, querendo mudar o seu jeito de ser, recorrem às drogas, pois eles mesmo não se aceitam e acreditam ser esse o caminho para mudarem. Engana-se. Assim como se enganam aqueles que acham que as drogas acabarão com a solidão, ou que preencherão o tempo, quando não houver nada que fazer.

Sabendo que a droga faz mal, você, para ser coerente com suas outras atitudes para consigo mesmo, não pode mandá-la para dentro do seu corpo.


O seu corpo não é lixo para você ficar jogando droga dentro dele. O seu corpo não é laboratório químico para você ficar experimentado as reações das drogas dentro dele. A melhor prevenção contra o uso das drogas é você gostar de si mesmo.


Bibliografia
• Enciclopédia Exitus
• Enciclopédia Barsa
• Enciclopédia do Estudante
• Compton’s Interactive Encyclopedia
• Drogas - Wilson Paulino
• Internet: ( Comem Jundiaí: www.jundiaí online.com.br

( Projeto Cara Limpa: www.caralimpa.com.br
• Enciclopédia Abril. Volumes: I, VIII, X, XI, XII
• Jornal: O Estado de S. Paulo (reportagem do Zap)

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