Drogas - Parte 1

Drogas - Parte 1

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As drogas são produtos químicos que se usam no tratamento ou prevenção de doenças ou deficiências dos seres vivos. Os remédios são feitos com drogas. Podem ser administradas por via oral, pela respiração, por meio de injeções intradérmicas, intramusculares ou venosas, por absorção através da pele ou das mucosas, por enemas.

O estudo científico da ação das drogas começou há muitos anos; chama-se Farmacologia. Cada droga deve ser bem conhecida e experimentada, antes de ser usada com propósitos medicinais. Algumas drogas agem sobre certo órgãos do corpo, enquanto outras agem sobre organismos causadores de doenças. Se uma pessoa adicionasse bicarbonato de sódio a uma solução de ácido clorídrico, contida num copo, obteria uma solução neutra. Esta é a mesma reação que provoca o bicarbonato de sódio, em presença do ácido clorídrico que existe no estômago.

A ação de algumas drogas é o resultado de efeitos físicos ou químicos. Esta ação depende da absorção das drogas e sua passagem para a corrente sangüínea. O sangue as transporta para os diferentes tecidos do corpo, onde se produz a reação. É difícil determinar a ação de algumas destas drogas. O médico e o cientista devem saber de quanto tempo a droga precisa para agir, qual a quantidade necessária para produzir o resultado desejado. Também, deve saber como o corpo elimina a droga. Há drogas que mudam a cor das fezes ou da urina. São poucas as que se eliminam pela saliva, através da pele, ou por meio do aparelho respiratório.

As drogas se obtêm das plantas, dos microrganismos, de outros animais e de produtos químicos naturais ou artificialmente fabricados. A digitalina, droga usada no tratamento da insuficiência cardíaca, é retirada da folha seca da dedaleira (Digitalis purpurea). A vacina para a varíola é obtida do vitelo inoculado com o vírus vacínico, ou a partir do cultivo do vírus em ovo embrionado de galinha.

As drogas que se obtêm de processo metabólico dos microrganismo e que são eficientes na destruição de outros organismo, chamam-se antibióticos. Os antibióticos podem classificar-se como de espectro amplo ou espectro estreito. As drogas de espectro amplo são eficazes contra grande número de organismo, como as tetraciclinas. A penicilina é uma droga de espectro estreito, já que só atua sobre os agentes causadores de algumas doenças.

As drogas podem agir localmente ou em forma generalizada. Quando aplicamos creme para suavizar a pele das mãos irritadas, a ação se processa localmente. A aspirina é uma droga que tem ação geral. Algumas drogas, como a cafeína e a adrenalina, aceleram o funcionamento dos órgãos. Estas se chamam estimulantes. Drogas como a morfina e o fenobarbital tornam mais lento o funcionamento dos órgãos; chama-se depressores. As pílulas para dormir são depressoras e uma dose exagerada pode provocar estado de coma.

Nenhuma droga deve ser usada sem prescrição médica.
Certas pessoas se acostumam a tomar drogas. O corpo das pessoas, normalmente, não depende de drogas e é possível então quebrar esse hábito sem muito esforço. Algumas, porém, chegam a depender tanto delas, que é muito difícil abandonar o costume de tomá-las. As doenças provocadas pelas drogas chamam-se farmacogênitas ou farmacoses.


Agradecimento
Agradecemos ao Kléber por ter nos ajudado em nossa pequena entrevista fornecedno seu tempo, recebendo-nos com muita educação, tirando algumas de nossas dúvidas, que pôr fim serviram de material para o nosso trabalho.


Conceito de droga e tóxico segundo a OMS
Segundo a OMS, em grego, tókson quer dizer ‘arco’, ‘flecha’, ‘arco e flecha’; e a forma adjetiva toksikós, ‘relativo a arco, flecha, arco e flecha’. Assim, toksikón phármacon é ‘veneno para flecha’. Curiosamente, o significado de phármacon estendeu-se a toksikón; e quando Ovídio fala em toxicum, quer dizer ‘veneno para flecha’. Em Horácio e Columela a palavra já tem sentido mais amplo: quer dizer veneno em geral.

O sentido ficou nas línguas modernas, em que a intoxicação quer dizer envenenamento. Finalmente, tóxico passou a ser o sinônimo de droga, natural ou sintética. A toxicomina é um estado de intoxicação periódica ou crônica, causado pelo uso exagerado e repetido de drogas. E droga é qualquer substância que, introduzida no organismo, modifica alguma função. Além de acarretar dependência, provoca desvios da conduta, e é usada tanto pelo seu efeito como para neutralizar os fenômenos desagradáveis da abstinência.

Várias são as causas da toxicomania: congênita, viciamento iatrógeno, espírito de imitação, exibicionismo, dor moral. São características da toxicomania: impulso irresistível para o uso; tendência a aumentar as doses, devido ao fenômeno de imunização progressiva conhecido como mitridatismo (Mitridates VI Eupátor, rei do Ponto de 123 a 63 a.C., conseguiu-se imunizar-se contra venenos vegetais consumindo-os habitualmente em doses cada vez mais fortes); dependência psíquica (psicológica) e, às vezes, física, mais aguda no período de abstinência. A suspensão da droga dá lugar ao que se chama em medicina síndrome de abstinência (tremores, vômitos, diarréia, dores várias, excitação, delírio, colapso).

Na intensidade desses fenômenos e no fato de nem todas as drogas implicarem na necessidade do aumento crescente das doses reside a diferença entre o uso dos opiáceos de um lado e do álcool e barbitúricos de outro.

Além dos estupefacientes mais conhecidos e capazes de causar dependência - ópio, heroína, os alucinógenos, as anfetaminas - mais de duzentos produtos farmacêuticos correntes são utilizados com fins idênticos, o que dificulta uma conceituação exata do que seja droga.


Histórico das drogas
A ação das drogas sobre o organismo é estudada pela Farmacologia, ciência bastante antiga, que entre os primitivos se misturava com a magia. Conhecia-se a ação curativa ou anestésica de certos extratos vegetais e os alteradores da consciência tinham as vezes funções mágico-religiosas.

Há mais de 4000 anos a.C. os Sumerianos (atual Irã), utilizavam a papoula de ópio como a “planta da alegria”, que traduzia o contato com os Deuses.

Há 500 anos a.C. o povo Cita (habitantes do Rio Danúbio / Rio Volga - Europa Oriental), queimavam a maconha (cânhamo) em pedras aquecidas e inalvam os vapores dentro de suas barracas ou tendas.

Na Antiguidade, o álcool ou mais comumente o vinho, era conhecido como a dádiva de todos os deuses, sendo Baco o Deus do Vinho.

Aproximadamente no ano de 1500, o Cactus Peyoteera utilizado em cerimônias religiosas (no descobrimento da América). O ópio foi por muito tempo cultivado livremente por camponeses, por volta do século XVI, como fonte de alívio de sua triste realidade sofredora. Na mesma época, os espanhóis utilizavam as drogas alucinógenas como

uma forme de auto-castigo, pois para este povo, Droga significa “Demônios”. Ainda no século XVI, junto com drogas realmente eficazes, como digitalina e beladona, os médicos receitavam pó de asa de morcego, ou pedras preciosas trituradas, que feriam a mucosa do intestino e devem ter matado muitos pacientes.

Nos séculos XVIII e XIX, a Farmacologia tornou-se mais científica, comprovando o efeito de vária drogas tradicionais como a cânfora, quina ou coca, e descartando as ineficazes. A descoberta de medicamentos naturais prosseguiu com os antibióticos, extraídos de fungos, e os tranqüilizantes, extraídos de plantas.

O ópio (morfina / anestésico) incentivado na guerra civil americana (1776) era utilizado para fornecer alívio à dolorosa vida dos soldados.

A primeira droga sintética utilizada pela medicina foi o hidrato de cloral, em 1869. A partir daí os remédios, antes extraídos de ervas pelo boticário, começaram a ser fabricados por grandes indústrias.

Em 1890, iniciou-se a livre comercialização de vinho, elaborado com extratos de coca e xaropes, com as mesmas composições.

Em 1914, deu-se a proibição da livre negociação, com isto iniciou-se o Mercado Negro - ilícito (EUA faturou cerca de 100 a 200 bilhões de dólares).

Por volta de 1920, os EUA instauraram a “LEI SECA” - Proibição do comércio de álcool - lei esta que prorrogou-se por 13 anos.

Durante a 2a Grande Guerra, receitas de anfetaminas (estimulantes) eram utilizadas para combater a fadiga.Barbitúricos / Hipnóticos teve seu auge em 1950 “VIVA MELHOR COM A QUÍMICA” (Lema utilizado pelos laboratórios).

1960 foi o auge do LSD (a era dos ácidos), muitos psiquiatras receitavam impiedosamente o consumo deste tipo de droga.

Em 1970 proliferação da cocaína e seus derivados, entre eles o “crack”, e mais recentemente aparecendo o ecstasy, mais popular entre as classes média e alta.

A atuação desses medicamentos no organismo varia conforme o indivíduo e a dose aplicada. Uma substância capaz de livrar o homem de uma doença mortal pode tornar-se extremamente perigosa se o seu emprego for incorreto.


As drogas na sociedade atual
As pessoas que usam drogas, são discriminados por outras, pois estas não se encontram em seu estado normal, não acompanham um diálogo, comportam-se inadequada e inconvenientemente e, às vezes, até de modo perigoso.

Se é uma ou outra vez que se drogam, podemos até agüentar, mas se é toda hora, não há “santo” que agüente.

Além disso o critério de valores de um drogado passa a ser vem diferente do nosso. Caso não tenha dinheiro para comprar a droga, ele não se incomodará em roubar, seja da própria família, seja de amigos. As mulheres podem se prostituir quando pressionadas por essas situações.

As conversas, as atitudes, os interesse dos drogados também não interessam àqueles que querem viver saudavelmente. Além disso, como são pouco motivados a trabalhar (ou estudar) porque já que não têm mais a mesma capacidade, num ambiente de trabalho (ou estudo) só atrapalham. Os drogados têm, ainda, dificuldade de enfrentar as frustrações decorrentes das atividade do dia-a-dia, reagindo a elas de modo agressivo ou impulsivo, o que os torna inadequados ao ambiente familiar, profissional ou social.

As pessoas que trabalham com drogas (traficantes) são obviamente discriminadas por serem marginais, já que o tráfico de drogas é, pela lei brasileira, um crime hediondo e inafiançável (Lei Antitóxico nº 6368 de 21/10/76). E, como os drogados são obrigados a adquirir drogas nesse mundo da ilegalidade, onde estão os traficantes, mais um motivo para as pessoas se afastarem deles.


As drogas mais usadas
Há dois tipos de drogas: As Lícitas e as Ilícitas.

Lícitas: São aquelas legalmente produzidas e comercializadas (álcool, tabaco, medicamentos, inalantes, solventes), sendo que a comercialização de alguns medicamentos é controlada, pois há risco de causar dependência física / psíquica.

Ilícitas: São aquelas substância cuja comercialização é proibida por provocar altíssimo risco de causar dependência física e / ou psíquica (cocaína, maconha, crack, etc.).

Drogas psicotrópicas
Medicamentos que agem sobre o psiquismo. Agrupam quatro categorias: tranqüilizantes (diminuem a ansiedade e a tensão nervosa), antidepressivos (evitam ou atenuam a depressão), neurolépticos (produzem estado de indiferença psicomotora e suprimem surtos psicóticos) e soníferos (provocam sono). Todos têm propriedade diferentes e podem causar dependência.

No seu conjunto, os psicotrópicos formam a psicofarmacologia, campo de rápido desenvolvimento e que tem trazido importantes contribuições ao conhecimento dos processos psicóticos e do funcionamento do sistema nervoso central em geral.

Substâncias psicotrópicas são conhecidas e usadas desde a mais remota antiguidade na forma de sedativos e tranquilizantes.


Drogas psicolépticas
Também chamados de Sedativos, são as drogas que diminuem a dor e combatem a insônia, os estados de ansiedade e de agitação psicomotora. Muitos deles possuem efeito hipnótico, induzindo ao sono. Classificados também como hipnosedativos, são apropriados para os diversos tipos de agitação e ansiedade, mesmo nos casos de convulsão psicótica, embora não possuam efeitos antipsicóticos específicos.

Os hipnosedativos, utilizados para produzir sonolência, constituíram, juntamente com o álcool, os opináceos e a beladona, os únicos medicamentes conhecidos com propriedades de sedação, isto é, de acalmar pacientes ansiosos e agitados. Seu papel como sedativo ainda é importante, apesar do arsenal terapêutico contar com grande número de agentes tranqüilizantes, que se distinguem pôr produzirem menos sonolência. entretanto, alguns desses medicamentos, preponderamente ansiolíticos na ação (sedativos), são utilizados também como hipnóticos.

A maioria dos hipnosedativos constitui-se de depressores gerias, atacando o sistema nervoso central e uma série de atividades celulares vitais. Pôr isso é indispensável um profundo conhecimento da ação e dos riscos propiciados pôr esses medicamentos, para que sua utilização reverta em benefício e não em prejuízo do paciente.

Estes tipos de drogas podem atuar sobre o estado de vigília (noolépticos), onde ficam incluídos os hipnóticos (soníferos), barbitúricos ou não; ou sobre o humor (timolépticos), subgrupo em que se incluem os neurolépticos (fenotiazina, reserpínicos e butirofenonas) e os tranquilizantes (meprobamato, diazepínicos).São:

Álcool
Hipnóticos: combatem a insônia
barbitúricos (Ex: Gardenal)
não-barbitúricos (Ex: Mogadon, Dalmadorm, Dormonid, Sonebon)
Ansiolíticos: calmantes que diminuem a ansiedade
Narcóticos ou hipnoanalgésicos: apresentam três propriedades farmacológicas fundamentais, como aliviar a dor,
produzir hipnose e induzir à dependência
opiáceos naturais (Ex: morfina e codeína)
opiáceos semi-sintéticos (Ex; heroína)
opiáceos sintéticos (Ex: Metadona)
Solventes (cola de sapateiro, benzina, acetona)



Benzodiazepínicos
São medicamentos usados para controlar a ansiedade e o nervosismo das pessoas, causando dependência física e psicológica.

Efeitos psíquicos: Tranqüilidade, relaxamento, indução ao sono, redução do estado de alerta.

Efeitos Físicos: Hipotonia muscular (a pessoa fica “mole”), dificuldade para andar, diminuição da pressão sangüínea e dos reflexos psicomotores.


Barbitúricos
O grupo mais importante de sedativos e hipnóticos deriva do ácido barbitúrico, cujos medicamentos são, pôr isso, reunidos sob o nome genérico de Barbitúricos. O ácido barbitúrico (maloniluréia) resulta da combinação do éter dietílico do ácido malônico com a uréia e foi obtido pela primeira vez pôr Adolph von Bayer, em 1864.

Entretanto, a propriedade de depressor do sistema nervoso central não se relaciona com o próprio ácido barbitúrico, mas sim com a substituição de dois átomos de hidrogênio do carbono em posição 5, pôr grupos alcoíla ou arila.

O primeiro barbitúrico hipnótico, o barbital foi suplantado pôr inúmeros barbitúricos de ação mais curta. Assim, em 1912, surgiu o fenobarbital (comercialmente, Luminal) que, além de bom hipnótico, possui propriedades que o tornam útil como anticonvulsivo e sedativo. Posteriormente, foram sintetizados mais de 2500 barbitúricos, dos quais cerca de cinqüenta chegaram a ser comercializados.

Os barbitúricos são depressores gerias, que atuam sobre as atividades dos nervos, músculos esqueléticos lisos e músculos cardíacos, diminuindo o consumo de oxigênio em vários tecidos de mamíferos., Devido à grande suscetibilidade do sistema nervoso central aos barbitúricos, ele pode ser deprimido pôr um pequena dose do medicamento, sem que outros sistemas sejam afetados. Embora a ação dos barbitúricos na condução e transmissão dos impulsos nos nervos periféricos seja conhecida ainda há controvérsia em atribuir-se a esse mecanismo a ação hipnótica do medicamento.

O grau de depressão produzido pelos barbitúricos no sistema nervoso central varia da leve depressão ao estado de coma. Tal variação depende não só da dose e do tipo de barbitúricos empregados, como também na suscetibilidade do sistema nervosos central no momento da administração. Essa suscetibilidade pode esta diminuída devido à tolerância decorrente de repetidas administrações do medicamento, com a conseqüente resistência do indivíduo.

Em muitos aspectos, o sono induzido pelos barbitúricos é semelhante ao sono normal (fisiológico). A diferença principal está na diminuição da fase fundamental do sono fisiológico, conhecida pôr sono paradoxal, cuja privação acarreta a vários efeitos nocivos. Nessa fase, há aumento da atividade eletroencefalográfica, acompanhada de movimentos oculares rápidos, movimentos das extremidades e diminuição da tensão muscular. Com o uso contínuo de barbitúricos, diminui a ação do medicamento sobre a fase paradoxal e, com a retirada do mesmo, há um aumento ressaltado dessa fase, com irregularidades do ciclo do sono, ocorrendo pesadelos e sensação de ter dormido mal.

Os barbitúricos acarretam uma série de efeitos secundários, que vão desde alterações sutis do humor e da capacidade de julgamento e coordenação motora até depressão do centro respiratório. Podem causar também dependência, da mesma forma que diversos outros hipnosedativos não barbitúricos.

Efeitos psíquicos: Sonolência, sensação de calma e relaxamento, sensação de embriaguez.

Efeitos físicos: Afeta a respiração, o coração e a pressão do sangue, causando dificuldade para se movimentar e sono pesado.


Drogas psiconalépticas
Psiconalépticas ou psicoestimulantes, ou estimulantes centrais, são drogas que provocam o aumento da atividade motora ou psíquica.

Já algo comum entre o estudante que toma café para ficar acordado e ler, o índio boliviano que masca tranqüilamente sua folha de coca à beira da estrada, o suicida que ingere grande dose de estricnina e o artista que experimenta LSD para ter visões: todos eles estão usando substância psiconalípticas. O uso de drogas que altera o humor e o comportamento do homem é conhecido desde a Antigüidade e difundiu-se pôr todo o mundo.

Os estimulantes do sistema nervoso central podem ser divididos em três classes principais, segundo a região afetada pôr sua dosagem mínima efetiva:


Psicomotores: Em pílulas são encontradas as anfetaminas, que também podem aumentar a capacidade de concentração e de realização de trabalho mecânico, especialmente a metanfetamina. De efeitos semelhantes, porém mais fracos existem o metilfenidato, o pipadrole e o dianol. Um dos problemas das anfetaminas é que, após o período de estimulação, pode seguir-se uma depressão profunda. Para esse tipo de problema existem outras drogas, de efeito antidepressivo como a imipramina, que substitui o emprego de choques elétricos.
Outras substâncias antidepressivas agem como inibidoras da monoaminoxidase (MAO). O principal grupo delas é derivado da hidrazina que antagonizam a depressão, produzem sensação de bem-estar e aumento da capacidade motora. São, entretanto, muito perigosas para o fígado, especialmente a ipronizida, que causa necroses hepáticas fatais.

Os inibidores da MAO pode ter uma multiplicidade de efeitos: estimular o apetite, agir como analgésico, aumentar as ações cardiovasculares das aminas, reforçar a potência de outras drogas, como os barbitúricos.

Os estimulantes psicomotores estão presentes no café, chá e cacau, eles estimulam a atividade mental e diminuem a fadiga, alteram o funcionamento cardíaco e tem efeito diurético. Consumidas em excesso, essas drogas originam dores de cabeça, inquietação, insônia e confusão mental.


Analépticos: Os estimulantes analépticos são indicados no tratamento da depressão produzida pôr doses excessivas de barbitúricos ou morfina. Quando são usados em grandes doses, estimulam também as áreas motoras cerebrais, causando convulsões acompanhadas de inconsciência. Diferem entre si na maneira de dosar e na potência e duração de efeito. O leptazol é administrado em dose única, de ação rápida e efeito breve. Menos potentes, mas efeitos mais prolongados, a niquetamida e a bemegrida são administradas em doses fracionadas.


Medulares: A estricnina é o mais importantes dos estimulantes medulares. Em grande quantidade, ela pode causar a morte pôr depressão do centro respiratório, sem produzir nem mesmo convulsões. Em doses menores, aguça os sentidos da audição, olfato e tato. os efeitos de sua intoxicação são semelhantes aos da toxina tetânica. Nesse caso provoca convulsões que podem ser controladas pela menesina ou pôr barbitúricos.
Também com ação sobre a medula espinhal, a brucina e tebaína, alcalóides obtidos da Strychonos nux vomica, são menos potentes do que a estricnina.


Drogas psicodislépticas
Também conhecida como alucinógenos, são drogas perturbadoras da atividade do SNC. São os chamados despersonalizantes, porque desestruturam a personalidade, também conhecidos por psicomiméticos, porque mimetizam uma psicose.

Alucinógenos primários (principal efeito: alucinação) sintéticos (Ex: LSD) naturais derivados da maconha (haxixe, THC) derivados indólicos (de plantas e cogumelos) derivados do peiote

Alucinógenos secundários (Alucinação: efeito secundário) anticolinérgicos outras substância em doses elevadas A nicotina foi incluída nas drogas psicoestimulantes pelo Dr. Augusto Jorge Cury. Segundo o Prof. Dr. José Rosemberg, ela pode afetar todos os órgão através da ação estimuladora, em pequenas doses, e ser depressiva, em doses maiores, sobre todos os nervos que são ativados pela acetilcolina.


Álcool
Imagine-se voltando no tempo até a época em que nossos antepassados ainda habitavam as cavernas; há alguns dias o tempo está bom, o sol iluminando e aquecendo a terra depois de vários dias de chuva. Frutas maduras estão caindo das árvores; por mais algum tempo seus problemas de alimentação estarão resolvidos. Colhendo algumas destas frutas, repentinamente você sente sede. Vê no chão um abacaxi com um pequeno buraco no meio, cheio de água. Sem pensar duas vezes, apanha-o, bebendo sofregamente. A partir deste instante, sentimentos estranhos e agradáveis tomam conta de você, fazendo-o sentir-se eufórico (apesar de que este conceito ainda não foi inventado, pois a própria comunicação ainda é muito primitiva). Passam algumas horas e este efeito se desvanece. Muito tempo depois, ao beber a água contida em outra fruta nas mesmas condições, a sensação volta a tomar conta de você, que chega a conclusão que é esta água dentro da fruta que produz estes efeitos. A partir de então, você passa a procurar frutas caídas no hão com o único objetivo de beber a água dentro delas. Pronto, você se tornou o primeiro alcoolista da história.

O álcool é a droga mais antiga utilizada pelo homem. A pequena estória acima ilustra como esta droga pode ter surgido, através da fermentação da água da chuva em uma fruta sob os efeitos do sol e do tempo. O vinho e a cerveja desenvolveram-se praticamente junto com a agricultura. No antigo Egito, a embriaguez fazia parte dos ritos e cerimônias religiosas em louvor à Osiris, deus protetor da agricultura. Na tumba de um faraó que morreu aproximadamente há 5.000 anos constava o seguinte epitáfio: “Sua estada terrestre foi devastada pelo vinho e pela cerveja, e o espírito lhe escapou antes que fosse chamado”. As referências bíblicas sobre bebidas alcoólicas são inúmeras. Filósofos da antigüidade como Hipócrates,

Sócrates e Platão já alertavam para os malefícios do álcool. Com o aperfeiçoamento das técnicas de destilação e fermentação, espalharam-se pelo mundo diversas qualidades de bebidas alcoólicas, disseminando seu uso.

Os tipos de álcool existentes são os seguintes:


Etílico: Obtido por fermentação de substâncias açucaradas ou amiláceas (que contém amido), ou mediante processos sintéticos. Este é o álcool encontrado em bebidas alcoólicas.


Cetílico: Álcool saturado, sólido e incolor.


Isoamílico: Com odor pouco agradável, presente no resíduo de algumas fermentações, usado como solvente e em sínteses orgânicas.


Isopropílico: Líquido incolor, volátil, com odor característico, usado como solvente ou antisséptico.


Metílico (metanol): Líquido incolor com cheiro etílico, formado na destilação da madeira, usado como solvente ou combustível. Mais tóxico.


Pirúvico: Líquido incolor com cheiro agradável.
Portanto, para o que se propõe este texto, quando a palavra álcool for utilizada estará subentendido que é uma referência ao álcool etílico.

Cada tipo de bebida tem uma concentração diferente de álcool por volume. Convencionou-se então que o álcool puro existente em cada dose de bebida seria conhecido por unidade de álcool, equivalente a aproximadamente oito gramas. Por exemplo: um copo de chope ou cerveja equivale a uma dose de cachaça, vodca, rum, gim ou uísque, que são iguais a uma taça de vinho ou um cálice de xerez. Para o homem, o limite considerado seguro para beber é de no máximo 21 unidades distribuídas nos dias da semana; para a mulher, este limite é de 14 unidades semanais.

Esta diferença acontece porque o homem possui maior quantidade de água no organismo do que a mulher e o álcool, ao ser distribuído pelos líquidos orgânicos, apresenta maior concentração nos indivíduos que possuem menor quantidade desses líquidos. Outros fatores que influem nesta diferença é o tamanho geralmente menor das mulheres e o fato de que seus corpos contém mais gordura, onde o álcool se concentra. Alguns estudos também mostram diferenças enzimáticas que retardam o metabolismo do álcool na mulher. Mas é importante saber que estes são limites de segurança para o organismo. Ao ingerir bebidas alcoólicas, a pessoa sofrerá diminuição dos reflexos, predispondo-a a acidentes de todo tipo, desde um pequeno tropeço até graves acidentes automobilísticos.

Exemplo: se um uísque tiver 35% de álcool, significa que 100 ml (1/2 copo) terá 35g de álcool. O álcool ingerido é metabolizado pelo fígado e desdobrado em outros elementos, sendo então neutralizado e eliminado pela urina e suor. Esse processo leva em média uma hora para cada unidade de álcool ingerida e é cumulativo, ou seja, duas unidades levariam duas horas e assim sucessivamente.

Em As drogas e a vida: uma abordagem biopsicossocial, livro organizado por Richard Bucher, encontramos um pequeno texto sobre álcool que vale a pena reproduzir: “Depressor do SNC, promove em pequenas doses euforia e desinibição, sendo que em doses maiores provoca depressão.”

“Aqui estamos diante de uma ‘patologia’ basicamente de adulto, enquanto para as outras drogas, trata-se em geral de uma patologia de adolescente.”

“Com relação ao álcool, é preciso que se denuncie a hipocrisia das sociedades que toleram ou mesmo encorajam seu uso.

Sabemos que ele provoca os mesmos problemas de dependência física, dependência psíquica e tolerância que as drogas ilícitas. A mortalidade devida à cirrose hepática de origem alcoólica é altíssima. A maior parte das internações em hospitais psiquiátricos são causadas pelo alcoolismo.”

É preciso destacar que, apesar de ser mais comum entre os adultos pelo tempo que leva para aparecer os primeiros problemas, o alcoolismo também surge entre crianças e adolescentes. Mas afinal de contas, o que é alcoolismo? O que separa o chamado “bebedor social” do alcoolista? Eis algumas das respostas:


J. Bertolote: “Intoxicação crônica repetida de que resultam conseqüências físicas, psíquicas e sociais.”


Mário Tannhauser, Semíramis Tannhauser, Helena Maria T. Barros e Cláudia Ramos Rhoden, autores de Conversando sobre drogas: “O alcoolismo (etilismo) ocorre quando o uso de bebidas alcoólicas ocasiona prejuízos ao indivíduo, à sociedade ou a ambos. Ou seja, quando a pessoa, por ficar alcoolizada, apresenta problemas com a saúde, com os relacionamentos ou com a sociedade.”


Jandira Masur: “Alcoolismo é a perda da liberdade de beber.”
Podemos sintetizar os ensinamentos adquiridos acima com a afirmação de que alcoolismo é quando o ato de ingerir bebidas alcoólicas deixa de ser um prazer e passa a ser um problema. É importante saber ainda que o alcoolismo é uma doença, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Considerar que uma pessoa bebe porque quer, porque é sem-vergonha ou porque não presta (como ainda é praxe em nossa sociedade), não é apenas discriminação, mas também caminhar na contramão dos conhecimentos adquiridos nos últimos anos.

Bebedores sociais que eventualmente tenham se excedido em uma festa ou num final de semana não se enquadram na definição de alcoolista, mas se isto tornar-se freqüente pode indicar uma tendência ao alcoolismo. Quando a bebida passa a ter demasiada importância na vida da pessoa e esta não consegue mais controlar o ato de beber, desenvolvendo tolerância a quantidades cada vez maiores de bebida alcoólica, estamos diante dos sintomas iniciais da doença.

A ingestão de álcool ocasiona vasodilatação (aumento do diâmetro dos vasos) e perda de calor pela pele, diminuindo a temperatura corporal. Uma pessoa alcoolizada não deve ser exposta ao frio (banhos frios, ficar ‘pegando ar fresco’). Pelo contrário, deve ser aquecida com agasalhos.

O nível alcoólico máximo permitido para motoristas é de 80mg% que é atingido em uma hora, quando um adulto bebe o correspondente a 2 copos de cerveja. É preciso salientar ainda que, por causa da tolerância, o organismo das pessoas que bebem regularmente acaba acostumando-se com o álcool, demorando mais para surtir os mesmos efeitos.

Portanto, as pessoas que se consideram “fortes para a bebida” correm maiores riscos do que aquelas que ficam alteradas com uma ou duas doses.

Os danos causados pelo álcool são inúmeros. Podemos catalogá-los em três categorias, sejam elas:


Problemas sociais: desajustes no lar e separação conjugal, perda de emprego, incapacidade de desempenhar papéis sociais, endividamento, acidentes de trânsito e demandas legais.


Distúrbios psíquicos: empobrecimento da auto-imagem, perda de memória, problemas de orientação temporal e espacial, delírio alcoólico, desestruturação da personalidade, ciúme patológico, alienação e demência.


Doenças físicas: hepatite, cirrose hepática, inflamação dos nervos dos braços e pernas (polineurite), problemas do coração, disfunções do pâncreas, gastrites e úlceras estomacais, deficiências vitamínicas, traumatismos, redução da coordenação motora, impotência sexual e lesões cerebrais.
Durante a gravidez, o álcool não deve ser consumido em qualquer quantidade. Os problemas decorrentes da ingestão de bebidas alcoólicas podem ser inúmeros no recém-nascido: retardamento mental, deformidades da face ou da cabeça, doenças cardíacas, retardo do crescimento e problemas de coordenação motora são alguns efeitos que podem surgir nestes casos. São freqüentes ainda as ocorrências de dificuldades do aprendizado e problemas psicológicos à medida que a criança cresce. Se a mãe é alcoolista, existe a possibilidade de que a criança apresente síndrome de abstinência alcoólica e convulsões. A natimortalidade também ocorre com maior freqüência nas gestantes que bebem demais.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 9,8% da população brasileira bebe em excesso. Isto significa que aproximadamente 16 milhões de pessoas tem problemas com a bebida no país. As perdas daí resultantes são assustadoras.

Não existem muitas pesquisas confiáveis no Brasil, mas estima-se que um quinto dos acidentes de trabalho são provocados pelo álcool, e geralmente acontecem no início dos turnos ou após o almoço, ocasiões em que o trabalhador está sob o efeito de bebida alcoólica. Isto sem falar na impontualidade, faltas repetidas, mau desempenho, ocorrências disciplinares, longas e freqüentes licenças-saúde e a aposentadoria precoce.

Mas é a relação álcool-volante que revela a faceta mais cruel deste problema: em cerca de 75% dos acidentes com vítimas fatais nas ruas e estradas de nosso país existe um motorista alcoolizado envolvido. O Brasil está no topo da lista de países com o maior número de acidentes de trânsito do mundo, com 1 milhão de acidentes por ano. Resultam daí 300.000 vítimas, 50.000 fatais. As autoridades têm conhecimento do tamanho do problema, e chegam até mesmo a computar alguns números. Sabe-se, por exemplo, que nas noites de sexta-feira, sábado e domingo, quando os excessos alcoólicos são mais comuns, os acidentes com vítimas triplicam. O que falta é fiscalizar e punir, utilizando-se para tanto de experiências que já deram certo em outros países, ou adaptando-as a nossa realidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, a polícia submete os motoristas a constantes

vistorias e à aplicação do teste do bafômetro. No Japão, se um convidado sair alcoolizado de uma reunião etílica e bater o carro, o dono da festa será autuado como co-responsável pelo acidente. O envolvimento da sociedade neste processo também é necessário, e em vários países as autoridades tem feito parcerias para combater o problema. O sindicato das boates e danceterias da França proibiu seus manobristas de entregarem a chave do carro para os motoristas que estivessem embriagados. Na Suécia, donos de bares ou garçons devem avisar a polícia se algum de seus clientes saiu dirigindo depois de beber em excesso. Aqui no Brasil, poderíamos começar com uma medida bem simples: não incentivando outros a beberem.

O número crescente de jovens alcoolistas é um alerta que não deve ser desprezado. As últimas pesquisas têm colocado em dúvida o tempo necessário ao organismo para desenvolver dependência do álcool, estimado em torno de 15 a 20 anos.

Segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), em 1987 o índice de estudantes de 1o e 2o graus da rede estadual da cidade de São Paulo que começam a beber por conta própria entre 10 e 12 anos era de 64,2%.

Em 1993, este número subiu para 70,4%. O impacto deste índice pode ser ainda maior se compararmos com os números do Japão (52,6%) e Estados Unidos (50,2%). Outra pesquisa, esta realizada em Porto Alegre pelo psiquiatra Flávio Pechansky, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade da Pennsylvania (EUA), revela que na maior parte das vezes a idade do primeiro gole é aos 10 anos, e a do primeiro porre aos 13 anos. Apesar de não haver estudos anteriores a 1987, estima-se que nos anos 70 o primeiro gole acontecia entre os 13 e 15 anos. Segundo Pechansky, “está baixando a idade para o acesso a tudo: ao sexo, ao crime e ao álcool”. O psiquiatra Jorge Gomes de Figueiredo complementa ao dizer que “é um erro brutal do governo colar a imagem do capeta na maconha e na cocaína e ignorar o álcool nessas campanhas (antidrogas)”. A legalidade da droga, apesar da proibição de se vender álcool para menores de 18 anos, também é um dos fatores que empurram os jovens na direção do alcoolismo. “Os adolescentes abusam porque sabem que não vão ter uma overdose e existe a comodidade de que a bebida é legalizada”, afirma o psiquiatra Jair de Mari, professor da Escola Paulista de Medicina. Cabe aos pais conscientizar-se de que a bebida na adolescência pode não ser um problema passageiro e tratar o uso abusivo como o problema médico que ele realmente é. Observar o comportamento dos filhos é o melhor método de avaliação. Os problemas escolares também podem ser bons indicadores dos sintomas do alcoolismo. São comuns entre os adolescentes que bebem demais as perdas de memória, capacidade de concentração e de raciocínios abstratos. Manias de perseguição e agressividade também surgem em alguns casos. A escola acaba tornando-se um verdadeiro fardo para o jovem alcoolista, e as repetências de ano acontecem porque ele perde a capacidade de associar.

Como toda droga, o álcool também está cercado de mitos, e muitos deles dizem respeito sobre o que fazer quando alguém bebeu demais. A este respeito, reproduzimos abaixo uma série de orientações originalmente encontradas no livro Conversando sobre drogas:

Leve-o para casa; não o deixe dirigir automóvel ou moto.

Se estiver inconsciente (desmaiado) leve-o para um pronto-socorro. Não o deixe nadar.

Passe um agasalho por seu corpo para mantê-lo aquecido; é prejudicial dar banhos frios.

O uso de café forte não melhora a intoxicação. Não existem remédios que previnem os efeitos do álcool.

Se estiver agitado, procure ajuda e não remédios calmantes.

Se desmaiar deite-o de lado para evitar que aspire (“sufoque”) caso vomite; se estiver consciente deixe-o sentado ou deitado de lado.

O alcoolismo é uma doença incurável; pode apenas ser controlada como o diabetes, a hipertensão e as artroses. A única maneira realmente eficaz de controlá-lo atualmente conhecida é parar de beber. No link Tratamentos já vimos como isto pode ser feito. No Brasil, apenas um antigo remédio, o Antabuse, tem sido recomendado em alguns casos para auxiliar no tratamento do alcoolismo, já que causa diversas reações aversivas como náuseas e vômitos em pacientes que insistem em beber. Assim mesmo questionado por vários médicos que não vêem eficácia alguma nestes desconfortos físicos, já que, segundo sua óptica, o principal seria o fator psicológico da doença. A possibilidade de riscos para a vida do paciente que se utiliza deste medicamento também é questionada.

Mas nos Estados Unidos foi recentemente liberado pelo FDA, rigoroso órgão americano que controla alimentos e remédios, um novo medicamento que promete ajudar na recuperação de pacientes alcoólicos. Produzida em associação pelos laboratórios DuPont e Merck, a naltrexona, nome do princípio ativo do remédio (que já era usado na recuperação de dependentes de heroína), tem o efeito de impedir a sensação de euforia e bem-estar provocada por doses de bebidas alcoólicas, diminuindo o apetite para o álcool, sem contudo dispensar assistência psicológica. Nos testes que foram realizados, a naltrexona diminuiu os casos de pacientes que têm recaída depois de abandonar a bebida por algum tempo. No grupo que não tomou o remédio, 79% voltaram a beber. No grupo em que o medicamento foi utilizado, o índice caiu para 39%, e apenas 10% dos pacientes deste grupo apresentaram efeitos colaterais como náuseas, ansiedade, nervosismo, dores no estômago e na cabeça. “Não é uma pílula mágica”, ressalva Enoch Gordis, diretor do Instituto

Nacional para o Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos. Comecializada sob o nome de Revia, a naltrexona pode ser importada pelos Correios com prescrição médica.


Tetra-Hidro-Carbinal (THC)
É a substância psicoativa encontrada na maconha e no haxixe - delta-9-tetrahidrocannabinol. O THC é encontrado, também, em tipos mais potentes de maconha, como o skank, teor de até 33% de THC, enquanto os habituais não passam de 8% de teor de THC.

O THC pode provocar alterações em várias áreas do aparelho psíquico: memória, atenção, concentração, ânimo, capcidade de realização, noção de tempo e espaço, percepção dos sentidos, etc.

Se considerarmos as alterações na percepção dos sentidos, a visão, por exemplo, temos que a sensação visual pode passar de normal, a ilusória ou alucinada. Na sensação visual ilusória, pode-se ver um objeto modificado em seu tamanho, cor e movimentos; na alucinada enxergar um objeto que não existe. Ora, o THC pode então provocar um exagero visual que varia desde o aumento da luminosidade e intensidade de cores até a alucinação, passando pela ilusão. Portanto, tendo em conta que o efeito de um cigarro de maconha dura de duas a três horas, nesse período, o canabizado em geral fica prostrado (corpo mole), sem concentração suficiente para produzir algo que necessite de atenção e memória, com a iniciativa diminuída, prejudicando a realização de qualquer trabalho corporal.

O tabaco não apresenta as características provocadas pelo THC, pois o organismo tem mais tolerância pelos cigarros e nicotina é rapidamente eliminada do corpo, o que, aliás, permite que muitos cigarros sejam fumados em um só dia.

Já a maconha é menos consumida nesse mesmo período, porque, além de seus efeitos serem mais duradouros, o organismo tem menos tolerância a eles, embora algumas pessoas, com uso, crime maior tolerância. Os prejuízo a que a maconha, causa, porém, são muito maiores que os do tabaco. Por exemplo: com tantas alterações psicológicas, o rendimento escolar cai, e o aluno ou repete de ano, ou muda para uma escola mais fraca. Repetência provocadas pelo tabaco são praticamente nulas.

A longo prazo, a maconha é dez vezes mais cancerígenas que o tabaco. Como a maioria dos canabistas são também tabagistas, tem-se atribuído ao tabaco a “responsabilidade” pelo alto índice de câncer de pulmão, que na realidade pode ter sido provocado pela maconha.

Acidentes de carro são muito freqüentes em canabizados, pela alteração que o THC provoca na noção de tempo e de espaço, alterando conseqüentemente a percepção da velocidade e diminuindo a atenção. Estatísticas canadenses apontam a maconha como a segunda maior causa de acidentes automobilísticos; em primeiro lugar está o álcool.

Tudo isso não significa que o cigarro é inofensivo. O cigarro é prejudicial à saúde, mas comparado à maconha faz menos mal.

Dizer que a maconha faz menos mal que o cigarro também é discurso de canabistas que, para se defenderem, atacam o cigarro: desse modo, pensam que pais tabagistas não teriam como condenar em seus filhos o uso da maconha. Dizer também que a maconha é um produto artesanal e natural e que o cigarro, por ser industrializado, é cheio de “químicas” e faz mal à saúde, é outra inverdade. O fato de ser natural não garante que seja bom, pois existem muitos menos que são naturais.

Quando a ser artesanal, isso também não dá nenhuma garantia de equilíbrio de qualidade.


Cannabis Sativa - Maconha
Derivada de um arbusto da família Moraceae que pode chegar a dois ou três metros de altura chamado Cannabis sativa, também conhecido como cânhamo, a maconha é a droga mais discutida atualmente em nosso país, fortalecendo e aumentando os mitos existentes em torno deste alucinógeno. Cresce praticamente em todos os tipos de solo e clima, e este é um dos motivos pelos quais esta droga tornou-se utilizada em culturas tão diferentes como a África do Sul, os Estados Unidos e o Brasil, entre dezenas de outros países.

Planta dióica (ou seja, tem espécimes masculinos e femininos), sintetiza várias substâncias (chamadas coletivamente de canabinóides) dentre as quais os três principais são o canabinol, e uma substância conhecida como delta-9-tetrahidrocanabinol (ou simplesmente THC), que provocam alterações psíquicas importantes no usuário. Normalmente, a droga é fumada sob a forma de cigarros (conhecidos por diversos nomes como baseado, fino, fininho, finório, erva, pacau, charão, vela, etc.), mas também pode ser ingerida por via oral. Dependendo do tipo de preparo, muda a concentração de canabinóides na droga.

Vejamos quais são eles:

Na sua utilização mais comum, são fumadas as folhas e flores secas (algumas vezes também sementes), com um teor aproximado de 2% de canabinóides. Conhecida por marijuana, marihuana, diamba, liamba ou bangüê.

Efeitos psíquicos: Sonolência, alterações na percepção, alucinações, dificuldades para concentração, compulsão, síndrome amotivacional, prejuízos de memória e atenção.

Efeitos físicos: Conjuntivite crônica, relativa impotência sexual, insônia, taquicardia, sede e náuseas, boca seca.


Cannabis Indica - Haxixe
A ganja ou sensimilla (sem sementes) é um subproduto de uma variedade conhecida como Cannabis indica. Resistente a temperatura baixas e atingindo pouca altura, é cultivada no Afeganistão e Paquistão. Obtida utilizando-se apenas das flores das plantas fêmeas, que são preparadas através de aparos de modo que uma maior concentração de THC ocorra nas inflorescências. Mais potente que o anterior (teor de 6% de canabinóides), também é fumada.

O haxixe é um composto obtido por grande pressão nas inflorescências. Obtêm-se uma pasta semi-sólida, normalmente moldada sob a forma de bolotas, com alta concentração de canabinóides (cerca de 8%). É mascado ou fumado.


Erytroxylon cocal - Cocaína
Pó branco, normalmente inalado (cheirado) ou diluído em água para ser injetado nas veias (administração intravenosa). Quase sempre vendida em pequenas quantidades (aproximadamente 1 grama), embrulhada em pedaços de plástico ou papel alumínio, conhecidos como papelote. Em doses reduzidas ocorre euforia, excitação, inquietação, confusão, apreensão, ansiedade, sensação de competência e habilidade, diminuição da fome e da sede. O tempo de duração destes efeitos é de uma a duas horas.

A cocaína é um alcalóide, substância com propriedades de base, extraído de uma planta originária da América do Sul e Central conhecida como Erytroxylon coca. Conhecida há cerca de sete mil anos entre os povos dos Andes, seu uso estava ligado à religiosidade, servindo ainda para combater a fadiga e a sensação de fome. Com a chegada dos conquistadores espanhóis foi levada para a Europa, onde se propagou seu consumo. Estes mesmos conquistadores disseminaram o uso da coca entre os índios escravizados, com o intuito de fazer-lhes trabalhar mais e comer menos. Masur e Carlini, em Drogas - Subsídios para uma discussão, assim referem-se a este período:

“O vinho de coca, uma preparação feita à base da planta, foi considerado durante muito tempo uma bebida reconstituinte e reconfortante, que dotava os apreciadores de novas energias. Foi um verdadeiro modismo, elegante mesmo, o uso desse vinho. As mais altas autoridades da Europa, príncipes e reis, primeiros-ministros, nobres, etc., eram os principais apreciadores. Houve até um papa que agraciou com uma medalha o principal fabricante desse vinho.”

“E das folhas da planta, o químico alemão A. Niemann conseguiu extrair a cocaína, sob forma pura. Agora o mundo dispunha não mais de um vinho ou chá (onde as quantidades de cocaína não eram grandes), mas de um pó branco, muito ativo.

Novamente, a Europa se vê maravilhada com a descoberta. Um dos mais famosos adeptos da cocaína foi Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Este ilustre médico participou das experiências mostrando que a cocaína era um anestésico local (isto é, tira a dor das mucosas, o que permitiu pela primeira vez um grande progresso na cirurgia dos olhos, por exemplo). Freud foi mais além! Ingerindo ele próprio cocaína, sentiu-se tomado de tal energia e vitalidade que passou a difundir seu uso entusiasticamente; escreveu artigos científicos sobre a cocaína, dizendo num deles que somente após passar a tomar cocaína é que ‘se sentiu verdadeiramente um médico’. Chegou a dizer ainda que a cocaína iria permitir esvaziar os asilos e combater a dependência da morfina, que gera um grave quadro de abstinência. Freud desistiu de usar e recomendar cocaína quando um íntimo amigo seu, dependente de morfina, ao tentar curar-se dessa dependência, acabou por apresentar uma psicose cocaínica que se somou à síndrome de abstinência da morfina.”

“A cocaína chegou a ser usada como medicamento até o início deste século, para vários males. Houve surtos (‘epidemias’) de uso não médico (abuso) de cocaína, no passado, que foram muito comentados na ocasião, não sendo o Brasil exceção à regra.”

Em 1914, a cocaína ficou sujeita às mesmas leis que a morfina e a heroína, sendo classificada em termos legais juntamente com os narcóticos. Mesmo a Coca-cola, que era tida como uma bebida estimulante porque possuía cocaína em sua fórmula, substituiu-a por outros ingredientes. Paulo Roberto Laste, Cláudia Ramos Rhoden e Helena Maria Tannhauser Barros, em Critérios diagnósticos de intoxicação por drogas de abuso, assim discorrem sobre os vários tipos de preparação de cocaína:

a) Folhas de coca: podem ser mascadas ou ingeridas, nas quais é adicionado carbonato de cálcio, o que permite uma liberação sustentada e lenta da droga pela mucosa bucal. Os níveis sangüíneos atingidos e o risco de dependência são baixos. No chá de cocaína, prática comum no Peru, há pouca quantidade do alcalóide.

b) Pasta de coca: é fumada em mistura com maconha e tabaco, também conhecida como “basuco” na Colômbia. É um extrato bruto da folha de coca, preparado pela adição de solventes orgânicos, como querosene, gasolina ou metanol, combinados com ácido sulfúrico. Contém 60 a 80% de sulfato de cocaína, acrescido de alcalóide de coca, ecgonina, ácido benzóico, metanol, querosene, compostos alcalinos, ácido sulfúrico e algumas impurezas.

c) Cloridrato de cocaína em pó: é cheirado ou injetado. Obtido pelo tratamento da pasta de coca com ácido clorídrico (rendimento de 98%). No mercado ilícito aparece com 12 a 75% de impurezas, após adição de contaminantes, como açúcar, anestésicos locais, anfetaminas, cafeína.

d) Cocaína alcalóide: também conhecido como “rock” ou “crack” é fumado. O cloridrato de cocaína é convertido em alcalóide pelo tratamento com álcali (amônia ou bicarbonato de sódio) e éter; o produto extraído chama-se base livre. Difere do cloridrato de cocaína por não ser prontamente solúvel na membrana da mucosa nasal ou no sangue. Mas, como possui baixo ponto de vaporização, pode ser fumada, sendo que 84% se mantém após a combustão.

Além de causar dependência, a cocaína afeta o sistema nervoso central, reduzindo a capacidade intelectual e o desempenho profissional, causando ainda paranóia e depressão. Seu uso contínuo perfura o septo nasal, causando hemorragia, dores de cabeça, problemas pulmonares e cardíacos. Em quantidades maiores, podem ocorrer tonturas, náuseas, vômitos e tremores.

Em alguns casos podem acontecer convulsões, por causa do aumento da temperatura. A overdose acontece por superdosagem, ou seja, o usuário utiliza-se de uma dose maior do que a habitual ou adquire cocaína mais “pura” do que normalmente consome. Neste último caso, apesar de fisicamente parecer a mesma quantidade, ele está utilizando várias vezes a quantidade pretendida.

Na overdose, o usuário passa a ter taquicardia, que evolui para uma fibrilação ventricular e à morte. Nos casos de superdosagem de cocaína, vale destacar para os profissionais da área os ensinamentos de Kaplan & Sadock, em Compêndio de Psiquiatria:

“Para uma superdosagem aguda de cocaína, o tratamento recomendado é a administração de oxigênio (sob pressão, se necessário) com a cabeça do paciente para baixo, na posição de Trendelenburg, relaxantes musculares, se necessários e, se houver convulsões, barbitúricos intravenosos de curta ação (25 a 50 mg de pentotal sódico) ou diazepam (5 a 10 mg). Para a ansiedade com hipertensão e taquicardia, 10 a 30 mg de diazepam intravenoso ou intramuscular podem constituir um procedimento útil. Uma alternativa para esta finalidade, que parece ser um antagonista específico dos efeitos simpato-miméticos da cocaína, é o bloqueador b-adrenérgico propranolol (Inderal), 1 mg injetado intravenosamente a cada minuto, por até 8 minutos. Entretanto, o propranolol não deve ser considerado uma proteção contra doses letais de cocaína ou como tratamento para superdosagens graves.”

O risco de se adquirir AIDS ou hepatite é bastante alto entre os usuários de cocaína injetável, tornando-os um grupo de alto risco para estas doenças. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica - Divisão DST/AIDS de São Paulo em 1995 demonstrou que entre os casos notificados da doença naquela cidade, 32,12% dos que contraíram o vírus eram usuários de drogas, seguidos pelos homossexuais (23,06%), heterossexuais (17,43%), bissexuais (9,9%), de mãe para filho (2,79%), transfusão de sangue (1,78%), hemofílicos (0,72%) e não identificados (12,2%).O ritual deste uso da droga muitas vezes inclui o compartilhamento de seringas, já que cuidados com a saúde não são uma constante entre os usuários, aliado ainda ao medo de passar por uma revista em uma batida policial e ser encontrado com material descartável no bolso.

Pela lei de entorpecentes em vigor no país, distribuir seringa ao usuário de drogas injetáveis equivale a incentivar o consumo de tóxicos. Ainda assim, alguns médicos estão convencidos de que fornecer seringas é o modo mais eficaz de deter o avanço da AIDS.

Outra doença, até então rara, que têm aparecido muito nos últimos anos com o grande aumento do uso de cocaína entre dependentes com problemas nos músculos esqueléticos é a rabdomiólise, um processo irreversível de degeneração destes músculos.

Existem dúvidas se a cocaína desenvolve ou não tolerância no organismo, ou seja, se há ou não a necessidade de tomar doses cada vez maiores para que o usuário sinta os mesmos efeitos.

Existem dúvidas ainda se a parada abrupta do uso continuado de cocaína leva a uma síndrome de abstinência, mas é certo que a fissura pela droga permanece durante algum tempo, variável de acordo com o paciente e o tempo de uso da droga. Além disto, observa-se neste primeiro período de abstinência muito sono, cansaço, aumento do apetite e depressão.

As misturas que se fazem nesta droga também são responsáveis por vários danos ao organismo de quem as consome. Além das já citadas (açúcar, anestésicos locais, anfetaminas e cafeína), podemos acrescentar pó de giz, talco, reidratantes para crianças, vapor de mercúrio (o pó branco que existe dentro das lâmpadas fluorescentes), vidro moído (para dar brilho ao pó), etc.

Alguns dos materiais que são utilizados no consumo da droga: pratos, espelhos, ou qualquer material com superfície dura e lisa (para colocar o pó, normalmente em carreiras); canudos de papel ou dinheiro, caneta esferográfica sem carga, ou qualquer outro tipo de tubo (utilizado para aspirar o pó, levando-o diretamente para dentro do nariz); giletes, cartões ou qualquer material duro e fino com formatos aproximados (para separar as carreiras); seringas; colheres com o cabo torto, sem cabo, pequenos copos ou qualquer outro tipo de material côncavo (para diluir a cocaína na água); cadarços, gravatas, cintos, etc. (com o objetivo de se fazer o torniquete para a aplicação intravenosa); entre outros.

Uma notícia promissora (e apenas isto, por enquanto) no combate aos problemas do consumo de cocaína veio do Instituto de Pesquisa Scripps, Califórnia, no final do ano passado. Utilizando ratos como cobaias, os cientistas deste Instituto desenvolveram uma substância que ao ser injetada no sangue, estimula o organismo a produzir anticorpos para combater a droga. A nova vacina impede o estado de euforia do usuário de cocaína ao combater as moléculas da droga quando elas ainda estão trafegando na corrente sanguínea. Os testes demonstraram que os níveis de cocaína encontrados no cérebro dos ratos imunizados eram 77% mais baixos que nos animais que não receberam a vacina. “Os anticorpos agem como uma esponja, absorvendo a droga e impedindo que ela chegue ao cérebro”, afirma Kim Janda, um dos divulgadores da vacina em artigo da revista Nature. Como a sensação de euforia é menor, os cientistas acreditam que o usuário perderá o estímulo para continuar utilizando a droga. A este respeito, o psiquiatra brasileiro Jorge
Figueiredo explica que “a importância da vacina está no fato de tornar cada vez mais distante a lembrança eufórica dos efeitos psicoativos”. A solução do consumo desta droga ainda está longe. Não se sabe ainda os efeitos concretos que ela teria no tratamento dos dependentes, já que foi testada apenas em ratos de laboratório. Mas uma vantagem destaca-a dos remédios hoje utilizados no tratamento de usuários da droga: ela não tem efeitos colaterais. “Não devemos esquecer que a dependência de drogas é uma doença mental, para a qual não existem curas rápidas”, alerta o psiquiatra David Self, professor da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Por enquanto é apenas uma esperança. O que já é uma grande coisa.

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