Doença de Huntington

Doença de Huntington

Por

Doença de Huntington: Uma abordagem das características clínicas e fisiopatológicas

Autores:
Elisa Maire Ferreira da Silva
Joiciane Jéssica Pantoja Ramos
Kaline Jackson da Gama
Karoline Sousa do Nascimento
Luciana Letícia Pires
Luana Beatriz Brito de Jesus
Marcos Danilo do Carmo
Nina Fernandes Lobato
Ricardo Domingues


RESUMO
A doença de Huntington (DH) é um distúrbio cerebral genético degenerativo de herança autossômica dominante. O presente trabalho vem enfatizando a doença de Huntington, a fim de se obter um maior esclarecimento sobre suas características clínicas e fisiopatologia Foi realizada uma revisão bibliográfica. Foram selecionados artigos obedecendo ao tema. Conclui-se, a partir do referencial teórico levantado, que o grande desafio da biomedicina é oferecer uma melhor qualidade de vida para este doente, fazendo as intervenções na área de biodiagnósticos e, principalmente, aplicando a essas intervenções a visão holística e a humanização.


INTRODUÇÃO
A doença de Huntington (DH) é um distúrbio genético degenerativo de herança autossômica dominante. Sua prevalência na população em geral é de 10/100.000 pessoas, e origina-se mais freqüentemente ao redor da quarta ou da quinta décadas de vida (ROXO, 2005).

O estudo das características clínicas e da fisiopatologia da doença de Huntington, assim como várias outras anomalias cromossômicas, é de suma importância para a evolução da medicina no que diz respeito à prevenção e tratamentos. O avanço no conhecimento da sequência da macromolécula de DNA permitiu identificar genes responsáveis por grande parte das doenças genéticas. Atualmente as doenças causadas por fatores genéticos são na sua totalidade incuráveis, sendo que algumas delas têm tratamento (JESUS, 2008).


MATERIAIS E MÉTODOS
Neste trabalho é apresentada uma revisão bibliográfica sobre a pesquisa: Doença de Huntington: uma abordagem das características clínicas e fisiopatológicas. Foram selecionados artigos originais, revisões bibliográficas, um site e um dicionário de saúde, obedecendo ao tema, no período de maio de 2011.


HISTÓRICO E EPIDEMIOLOGIA DA DOENÇA DE HUNTINGTON
De acordo com Barsottini (2007), a doença de Huntington (DH foi descrita pela primeira vez em 1860 pelo físico norueguês Johan Christian Lund, que lhe deu o nome de Chorea St.Vitus; entretanto, a repercussão do fato foi praticamente nula. Em 1872, um médico de Long Island (EUA), Dr. George Huntington, descreveu detalhadamente uma afecção que chamou de “coréia hereditária”. A história admite que pessoas identificadas como bruxas em épocas passadas, muitas delas eram na verdade, vítmas dessa enfermidade.

A Doença de Huntington: “É uma doença presente em todo o mundo”. Nos EUA, a prevalência está estimada entre 5 e 10 casos por 100.000 habitantes. Porém, existem algumas regiões do mundo, como Maracaibo na Venezuela, que apresenta grande incidência no número de casos da doença (BARSOTTINI, 2007).


FISIOPATOLOGIA DA DOENÇA DE HUNTINGTON
A DH tem transmissão autossômica dominante com o gene chamado IT15, responsável pela doença localizada no braço curto do cromossomo 4. A mutação responsável pela doença consiste em número excessivo de repetições anormais do trinucleotídeo CAG (que representa os nucleotídeos: citosina – adenina – guanina). O número de repetições do trinucleotídeo CAG normalmente ocorre entre 9 e 34 vezes, enquanto que na DH o número de repetições é bem maios que 40 vezes. Indivíduos com 38 ou mais repetições da trinca CAG no gene herdaram a mutação patológica e terminarão por desenvolver sintomas se viverem até uma idade avançada. Cada um de seus filhos tem uma probabilidade de 50% de também herdar o gene anormal (ROXO, 2005).

O gene mutante codifica uma proteína chamada huntingtina, que parece ter um papel importante no transporte de vesículas no interior das células. A agregação de vesículas contendo fragmentos protéicos dentro da célula causa a alteração no funcionamento neuronal e possivelmente tem um papel no processo de morte neuronal (BARSOTTINI, 2007). Uma outra hipótese é a de que o acúmulo desses fragmentos causam reações anormais de ligação a proteínas, as quais interferem em outros processos celulares, como a atividade mitocondrial (ROXO, 2005).

Do ponto de vista anatomopatológico, os pacientes apresentam uma atrofia grave dos núcleos caudados e putâmen, em fase mais avançada a atrofia cortical também costuma ser muito pronunciada (BARSOTTINI, 2007).

“Microscopicamente a marca da doença é a perda dos neurônios espinhosos médios”. Estes neurônios tem o GABA (ácido – gama – aminobutírico) e a encefalina como seus principais neurotransmissores. Observa-se uma redução acentuada do principal GABA, bem como de sua enzima sintética – descarboxilase do ácido glutâmico – em todos os núcleos da base, principalmente no núcleo caudado e no putâmen (ROXO, 2005).

De acordo com Roxo (2005), outros neurotransmissores, como a substância P, também estão reduzidos em pessoas com a patologia. A espectroscopia por ressonância magnética (ERM), outro exame de imagem do sistema nervoso, demonstrou níveis elevados de lactato nos núcleos da base em indivíduos vivos com DH.


CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A DH é um distúrbio degenerativo progressivo que causa alterações no controle motor e emocional, prejuízo da habilidade cognitiva e o aparecimento de movimentos involuntários. O começo das manifestações clínicas pode ser prenunciado por uma alteração na personalidade, com a capacidade do paciente de adaptar-se ao seu ambiente. É uma afecção com padrão de herança autossômico dominante de penetrância completa. (CHEMALE, 2000).

A doença tem freqüentemente, início insidioso de inabilidade e movimentos adventícios, inquietos, aleatórios e rápidos. Sinais clínicos como nistagmo (descontrole do globo ocular), disartria (dificuldade na articulação das palavras), movimentos disrítmicos e repetitivos dos dedos ou da língua e a presença de reflexos aumentados podem participar do quadro inicial da doença (CHEMALE, 2000). A DH costuma iniciar-se gradualmente com distúrbios de comportamento, principalmente com irritabilidade, insônia ou sintomas depressivos. Muitas vezes o paciente recebe atenção psiquiátrica por longos períodos antes do aparecimento dos movimentos involuntários. Distúrbios afetivos podem aparecer em 50% dos pacientes e a atitude suicida também é muito comum. Quadros de psicose fraca aparecem em aproximadamente 10% dos casos (BARSOTTINI, 2007).

A demência na DH, segundo Barsottini (2007), é dita como “subcortical”, pelo comprometimento da atenção, disfunções executivas, visuoespaciais e poucos sinais de envolvimento cortical como: afasia (impossibilidade de falar), agnosia (ausência da percepção dos sentidos corporais) e apraxia. De modo geral, a demência aparece nas fases mais avançadas da doença, sucedendo em alguns anos as manifestações psiquiátricas. A doença pode ter uma evolução longa de até 30 anos em alguns casos, mas a morte ocorre principalmente em decorrência da imobilidade e infecções (BARSOTTINI, 2007; GUIMARÃES, 2008).


DIAGNÓSTICO
Pode ser realizado baseado na presença das manifestações clínicas. O diagnóstico de certeza da doença é feito somente por exame genético preditivo (TGP) para indivíduos sob risco de desenvolver a doença implica em questões éticas, discriminatórias, jurídicas e religiosas (CHEMALE, 2000).

O diagnóstico molecular é realizado para confirmar se um paciente com a suspeita clínica da síndrome realmente apresenta a doença de Huntington. É via de regra o método com melhor relação custo-efetividade quando se deseja realizar o diagnóstico diferencial de outras afecções coreiformes em adultos (CHEMALE, 2000).

O diagnóstico diferencial da DH é bastante amplo e inclui doenças como a coréia familiar benigna, neuroacantocitose, atrofia dentatorubropalidoluisiana (DRPLA), doença de Machado-Joseph (SCA-3), doenças priônicas e uma doença reconhecida recentemente chamada Huntington-like 2. Outros distúrbios como a doença de Wilson, desordens mitocondriais e porfirias raramente podem ter representações que em muito lembram a doença de Huntington (BARSOTTINI, 2007).

Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico, será necessária uma história da saúde familiar completa para um eficaz aconselhamento genético. Porque tal aconselhamento incide não só sobre a probabilidade de haver outros membros da mesma família afetados, mas também sobre aspectos de prognósticos, tratamentos e suporte emocional (ALVES, 2008).


TRATAMENTO
Os sintomas comportamentais e depressivos podem ser tratados com antidepressivos, transtornos psicóticos podem ser manejados com antipsicóticos (PASTERNAK, 2007). Os sintomas motores como a coréia são tradicionalmente tratados com bloqueadores dopaminérgicos. Os sintomas comportamentais podem ser tratados com antidepressivos tricíclicos ( amitriptilina, nortriptilina, clormipramina) e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Distúrbios de ansiedade e transtornos obsessivo-compulsivos podem ser adequadamente tratados com ISRS (BARSOTTINI, 2007).

O uso do ácido valpróico no uso do controle dos movimentos coréicos e ressalta que atualmente, em alguns centros, é a primeira escolha dos médicos, pois tem efeitos colaterais bem menores do que os antipsicóticos convencionais. Atualmente, medicações como amantadina (agente antiglutamatérgico ) e tetrabenazina (depletor dopaminérgico) tem sido utilizadas no controle dos sintomas motores com boa resposta (BARSOTTINI, 2007).

Novas abordagens terapêuticas envolvendo células-tronco com capacidade de se tornarem neurônios ou células da glia ainda são extremamente prematuras e estão longe da aplicação prática para os indivíduos acometidos pela DH. É esperado que nos próximos anos sejam desenvolvidas estratégias preventivas e neuroprotetoras eficazes, mas neste momento devemos nos preocupar em desenvolver abordagens racionais para minimizar os sintomas dos indivíduos portadores de DH e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seua cuidadores (BARSOTTINI, 2007).


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os recentes avanços de pesquisas na área da saúde ajudam os profissionais da saúde a aumentar a gama de conhecimentos já existentes. Com estudos recentes na área da biomedicina, especialmente da genética, o futuro dos diagnósticos e tratamentos médicos está a um passo de descobrir formas de tratar e até curar doenças genéticas, que no presente momento, é impossível.

Com um maior número de pesquisas no campo das doenças neurodegenerativas, como está ocorrendo na Medicina moderna e ciências afins, é possível que a qualidade de vida dos pacientes portadores de tais patologias obtenha uma melhora satisfatória. Indo além, há possibilidades de, num futuro próximo, descobrir-se a cura dessas doenças, seja por meio dos novos tratamentos com ênfase na genética, com ênfase na neurobiologia molecular ou, até mesmo, com base em um novo ramo de pesquisas, que teve início recentemente e poderá prover resultados surpreendentes: o das células-tronco.

Conclui-se, então, que são necessárias pesquisas com o objetivo de aprofundar o conhecimento na área da genética e da biologia molecular, para que se possam aproveitar todos os benefícios da terapia com células-tronco.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, D. R. A árvore da saúde da sua família. [Página disponível na internet]. 2008. [Acesso em 2 de maio de 2011] Disponível em: http://74.125.45.104/search?q=cache:tcZ7i813LCkJ:familia.sapo.pt/gravidez/pregravidez/bebe_saude/824899.html+diagnostico+huntington+familia+teste+genético&ht=pt-BR&ct=clnk&cd=15&gl=br.

BARSOTTINI, Orlando Graziani Povoas. Doença de Huntington: O que é preciso saber? In Revista Einstein: Ponto e Contraponto. 5 ed. São Paulo: 2007. (p. 85-87).

CHEMALE, Fernando Anderson. et al. Doença de Huntington. Porto Alegre: Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre. Departamento de Ciências Morfológicas, 2000.

GUIMARÃES, Deocleiciano Torrieri. Dicionário de Termos Médicos, Enfermagem e de Radiologia. 2ª ed. São Paulo: Rideel, 2008.

JESUS, Keitt Rodrigues de. O Diagnóstico de Doenças com Padrão de Herança Monogênica: a Discussão Bioética. Revista Bioética. Goiânia – GO: Universidade Católica de Goiás, 2008.

ROXO, Marcelo R. Doença de Huntington: Conceituação e Novas Perspectivas no Tratamento. Caxias do Sul: Universidade de Caxias do Sul. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Departamento de Clínica Médica, 2005.


Texto enviado por Marcos Danilo do Carmo às 22:14 - 26/05/2011
Autores: Elisa, Joiciane, Kaline, Karoline, Luciana, Luana, Marcos, Nina e Ricardo

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