Disciplina - Limites - Educação

Disciplina - Limites - Educação

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Disciplina, limites e educação
Todos conseguimos perceber que em poucos anos uma grande revolução foi feita cercada pela tecnologia. Mas ao mesmo tempo em que essa revolução foi construída, que essa quantidade de informações foram se estendendo, digamos que a evolução do ser humano – enquanto gente – não conseguiu acompanhar essa modernidade. Ao mesmo tempo em que vemos o crescimento da comunicação, vemos também muitos muros pichados e a natureza sendo agredida dia-a-dia. Convivemos seriamente com os riscos, com a corrupção, com desmandos e por pouco não assumimos uma posição banalizada por nós mesmos, ou seja, nada nos abala mais. A estética e a sensibilidade perderam lugar à técnica e à modernização.

Essa ruptura da falha da educação nos desestrutura, mas temos que saber que o educar se baseiam em coisas simples: - a disciplina que leva ao respeito de si mesmo e do próximo; - a consciência de que somos fatos da natureza e por isso não podemos violá-la; - o senso da ética e o amor ao próximo que impede a violência e conduz a solidariedade. A RBS esta capitaneando uma campanha muito bonita, que cria um propósito interessante quando diz “amar é a melhor herança cuidem das crianças”. Com certeza uma campanha que não se encerra por si só, pois suscita nossa postura crítica e nossa análise.

Chama-me a atenção algumas responsabilidades que parecem não estarem mais sendo defendidas pelos pais das crianças. Parece que aos pais cabe um dever, de colocar limites nos seus filhos. Parece que os pais começaram a delegar às escolas e a outros seguimentos da sociedade essa colocação de limites, como sendo uma tarefa delegável. Mas o limite, aquele que se diz não ao filho, que é o disciplinador, me parece que não é delegável. Só um pai ou uma mãe pode mostrar ao filho o que se pode e não pode fazer.

Penso que a sociedade moderna hoje convive com um trauma com relação ao NÃO. Parece que não se pode dizer mais não. Nos parques assistimos crianças que não tem o menor limite com relação ao convívio social. Saliento também a ação de alguns adultos que passeiam com seus cães soltos (de todas as raças que se pode imaginar, inclusive todos os tamanhos), sem guia, convivendo próximo a outras pessoas que não são seus filhos. Isso tudo esta convivendo conosco de maneira muito clara, muito óbvia. Perdemos o sentido de nos questionar para saber quais são os fatores disciplinadores que são os mestres da nossa convivência.

Amar é sim, amar o próximo como a si mesmo. Amar é saber viver com limites, saber esticar o olho e conjugar esforços para um bom convívio. Amar não é simplesmente não dizer NÃO. Não é dar tudo que uma criança quer, mas fundamentalmente uma tarefa que pai e mãe não podem delegar. É realmente saber conviver em público e saber que algumas orientações de convívio têm que ser seguidas, como, por exemplo, segurar o cão numa guia e saber dizer não a uma criança quando está ultrajando um adulto, pois parece que hoje crianças podem desrespeitar adultos, professores e autoridades. Enfim, me parece que tudo pode.


Cledir Rocha Pereira,
Licenciado em Pedagogia com Habilitação em Supervisão Escolar
e Matérias Pedagógicas do Ensino Médio, pela
Universidade Luterana do Brasil, Canoas/RS



Fonte:
http://cledir.hpg.ig.com.br/artigos/disciplina_limites_e_educacao.doc

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