Das Dietas

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É raro ver uma menina alimentar-se racionalmente de peixe, carne e vinho. Comem doce e alface, jantam as sobremesas. A gulodice do açúcar, dos bolos, das natas, é uma perpétua desnutrição. Lisboa é uma cidade doceira, como Paris é uma cidade intelectual. Paris cria a idéia e Lisboa o pastel. Daí a grande quantidade de doenças de estômago e de maus dentes. A deterioração pelo doce começa aos quatro anos.
Eça de Queirós

Dieta é uma palavra polissêmica, isto é, que possui vários significados. Na Rússia dieta é o parlamento. O sentido mais usual é sinônimo de “regime”, ou seja, uma ração especial que geralmente suprime ou adiciona alguma coisa do prato devido a algum tipo de problema. Assim há dietas de supressão ou restrição de sal, de açúcar, de gordura ou de proteína. Dieta nesse sentido é mais ou menos “coisa de doente”, posto que o sujeito normal é aquele que “come de tudo”. Há, por outro lado, a famosa dieta de superalimentação, que é uma dieta de acréscimo na quantidade de comida ou de algum nutriente específico para fazer alguém engordar, ganhar massa muscular ou sair da subnutrição. Mas dieta ultimamente vem adquirindo o significado daquilo que antigamente chamávamos de culinária ou cozinha típica, de modo que posso dizer dieta baiana, chinesa ou francesa, em vez de cozinha baiana, etc.



A guerra das dietas
Povos como o chinês, o francês e o árabe têm sua cozinha típica estabelecida há séculos. Não obstante, todas as cozinhas do mundo estão sofrendo um processo de adulteração pela adição de açúcar. O avanço da ditadura do açúcar não respeita a mesa de povo nenhum do mundo. Tem sido um processo universal até agora. A pátria da dieta açucarada moderna são os Estados Unidos da América.

Não é à toa que os Estados Unidos têm sido palco de um verdadeiro “festival de dietas que assola o país”. Um livro que trata do assunto é The Clowns Of Commerce (Os Palhaços do Comércio), de Walter Goodman.(26) Nos Estados Unidos dieta é mercadoria cada autor trata de patentear a sua para poder ganhar dinheiro com ela. O festival de dietas terminou virando uma guerra de dietas. Como proteína é um alimento acima de qualquer suspeita, não existe nenhuma dieta famosa que preconize baixos teores de proteínas. A briga principal terminou ficando por conta das dietas pobres em carboidratos e ricas em gorduras versus as pobres em gorduras e ricas em carboidratos.

Já no século XIX o Dr. William Banting, que era gordo e sofria de dores nos ouvidos, ganhou de seu colega Dr.W.Harvey, o qual descobrira que a ingestão de carne não provocava hiperinsulinemia, a prescrição de um regime. A dieta indicada incluía carne de veado, ovos e peixes, excluía doces e amidos e permitia algum álcool. Um ano depois Banting pesava menos vinte quilos e a dor de ouvidos fora curada. Agradecido, Banting publicou The Banting Diet (A dieta de Banting), que seria a primeira dieta americana rica em carnes e gorduras.

No século seguinte ganhou força entre os médicos a teoria das calorias, que virou um dogma. Baseia-se no conceito de que calorias ingeridas em excesso, isto é, que ultrapassam a quantidade de calorias que são necessariamente queimadas no dia–a-dia, transformam-se em gorduras. E como as gorduras são alimentos calóricos por excelência ela foi eleita o vilão da dieta. Considerando também as “pesquisas” que associavam o colesterol aos problemas cardíacos mediante a administração de uma dieta godurosa a coelhos (animais vegetarianos), tudo isso ajudou a criar a ideologia médica dominante da indústria da doença. E a dieta pobre em gordura ganhou foros de dieta oficial. Tal dieta diaboliza a gordura e faz vista grossa para o açúcar. A gordura, aliás, cumpre o papel de bode expiatório com o objetivo de ocultar o doce vilão.

A despeito da hegemonia da dieta de baixas calorias e pobre em gorduras, o festival das dietas continuou e dá para escrever um catálogo sobre elas. Há a dieta das estrelas, da lua, da zona e do arco-íris; a da água de coco e a do abacaxi, a das fibras, a alcalina e a dos alimentos crus, a dos astronautas e a dos esquimós; a das sopas e a do milkshake; a macrobiótica e a dos micronutrientes, a do tipo sanguíneo, a do Demis Roussos e até a do Emerson Fittipaldi.

A verdade é que ninguém precisa fazer dieta nenhuma. Dieta é coisa para doente; se a humanidade têm apelado tanto para dietas é porque está doente, e está doente porque vem sendo obrigada a fazer determinada dieta, a dieta açucarada moderna, uma dieta supercalórica e patogênica.

É por causa da dieta açucarada imposta à humanidade que existem as epidemias de cárie dentária, obesidade, diabetes, etc. ou, em outras palavras as doenças crônicas, metabólicas e degenerativas. Essa falsa guerra das dietas é pura manobra diversionista da indústria da doença. Carboidratos, proteínas e gorduras são alimentos e é absurda qualquer dieta que queira eliminar ou restringir qualquer uma dessas categorias de alimentos.

A única “dieta” que a humanidade precisa fazer é eliminar o produto químico que transforma sua mesa numa ração doce e doentia. É zerar o açúcar.

Tirando o açúcar da mesa o resto é cada um comer de acordo com seus costumes, desejos, psicologia, idade, localização geográfica, estação do ano, trabalho, atividade esportiva, cultura, gosto e apetite. Lembrando que moderação é uma virtude.



A dieta patogênica
Há mais de 2.500 anos Hipócrates disse: “fazei do alimento o vosso remédio”. Hoje, em pleno século XXI, a Humanidade tem feito do seu alimento o seu veneno. Até a algum tempo fazia parte do senso comum dos médicos que a alimentação do homem contemporâneo tinha problemas. Essa alimentação conheceu várias denominações: “moderna”, “ocidental”, ou “civilizada”.

Tal constatação, não obstante, revelou-se um tanto perigosa para a indústria da doença. Alguém poderia querer saber o porquê disso; o que torna a dieta moderna causadora de doenças? E mesmo esse conceito vago de que a alimentação do homem moderno era “doentia” foi abandonado pelo establishment médico em troca de conceitos tais como “maus hábitos alimentares” e “estilo de vida sedentário”.

A Drª Elisa Biazzi, por exemplo, relacionou treze fatores patogênicos característicos do estilo de vida moderno, segundo ela colhidos em entrevistas e estatísticas: falta de exercícios físicos, alimentação rica em gorduras, excesso de alimentos de origem animal, gula, refeições em horários irregulares, consumo elevado de refrigerantes, falta de vegetais nas refeições, estresse físico ou emocional, dormir pouco, obesidade, fumo, álcool, fatores genéticos. E, além disso, ouvir rock metálico...(27) Da vaguidão pulamos para a diluição total.

O Dr. Herman Taller, já havia notado que, por volta de 1930, os médicos, desprezando as teorias metabólicas na determinação de uma dieta adequada, passaram a considerar os “hábitos alimentares defeituosos”.(28) Atkins dá mais detalhes sobre esse marco na história da medicina. Os médicos Newburg e Johnston, da Universidade de Michigan são os autores dos estudos que associavam perda de peso à deficit calórico. E ele cita a conclusão: “Desejamos expor a afirmação de que a obesidade nunca é causada diretamente por um metabolismo anormal, mas que é sempre devida a hábitos alimentares não ajustados às necessidades metabólicas”. Segundo Atkins essa afirmação virou um dogma repetido até os dias de hoje.

Coincidentemente com essa inflexão no discurso médico a indústria farmacêutica colocava no mercado as anfetaminas usadas para inibir a fome. Convenhamos, uma verdadeira tabelinha da indústria da doença e um gol de placa contra a humanidade. Quando o povo americano andava consumindo 8 bilhões de doses dessa droga por ano um decreto federal proibiu a sua fabricação.(29) No Brasil tais drogas são vendidas sem receita médica e com propaganda em horário nobre da televisão.

De fato, médicos e nutricionistas não estão preocupados, por exemplo, com o que acontece em termos de transformações químicas com o açúcar no organismo. Se, como queria o doutor Taller a medicina levasse em consideração o metabolismo o açúcar substância química portadora de calorias vazias logo seria colocado em xeque.

A dietologia só volta aos trilhos do metabolismo e da fisiologia com a dieta Atkins. Uma tentativa malograda foi a Dieta da Zona de Barry Sears. Esse autor coloca muita ênfase na relação entre alimentos e reações hormonais: “Acontece que os alimentos que você ingere têm um efeito excepcionalmente poderoso em todas essas reações hormonais: endócrinas, parácrinas e autócrinas. Ao entender o poder das reações hormonais geradas pelos alimentos ingeridos, você não pensará mais nos alimentos apenas como fontes de calorias”.(30)

Barry Sears vai além do eixo insulina-glucagon e focaliza os hormônios parácrinos e autócrinos (prostaglandinas, lioxinas, leucotrienos, etc.). Mas a despeito de ter fundamentado sua dieta no metabolismo, ele infelizmente cometeu um erro crasso: atribuiu a origem da incompatibilidade entre alimentos e homeostase hormonal à introdução dos grãos na dieta humana, fato ocorrido há dez mil anos. Para Barry Sears o arroz e o trigo, verdadeiras colunas da dieta humana, são os vilões da dieta. Engabelado pela nova teoria do índice glicêmico dos carboidratos, Barry Sears não deu atenção ao açúcar, substância patogênica adicionada aos alimentos poucos séculos atrás.

Segundo a ideologia médica vigente o “açúcar de mesa” é um cidadão acima de qualquer suspeita; o culpado é você, que possui maus hábitos alimentares, ingere muitas calorias e engorda. Foi nesse momento que se consolidou a diabolização das gorduras. Gordura virou sinônimo de obesidade e se transformou num espantalho atrás do qual se escondia o açúcar. Há milênios um alimento básico da humanidade, a gordura, foi anatematizada e usada como bode expiatório para deixar passar ileso um produto químico moderno que entrou de penetra na mesa da humanidade há alguns séculos. É antigo o expediente da indústria da doença de arranjar bodes expiatórios para livrar a cara do açúcar. Na Coletânea de provérbios de Martinho Lutero (1483-1546) consta: “A culpa é minha, falou o queijo, mas foi o açúcar que estragou os dentes”.(31) Até o queijo! Hoje as vítimas são a gordura, o sal e até o mel.

Os conceitos em moda de “estilo de vida sedentário” e “maus hábitos alimentares” são perversos na medida em que os pacientes de vítimas passam a culpados - afinal as pessoas escolhem seu estilo de vida e seus hábitos alimentares. Trabalho com o conceito de que a dieta do homem moderno é uma dieta patogênica. Segundo esse conceito, aqueles que adoecem por causa do que comem são vítimas dessa dieta.

Sou aquele que quer saber por que a dieta é patogênica, o que é que a baiana tem?

O que é que faz com que a alimentação da humanidade de hoje seja uma ração doentia? Não é preciso ser historiador para se saber que o homem há muito tempo come e bebe mais ou menos as mesmas coisas: carne, pão, leite, ovos, lentilha, peixe, cereais, frutas, mel, vinho, cerveja etc. A Bíblia fala muito em comida, o mel é citado umas duzentas vezes. Então essa parte, digamos, básica da mesa da humanidade, que é a mesma há muitos séculos, está acima de qualquer suspeita.

Todo mundo sabe que, com o avanço da civilização, entraram componentes na mesa da humanidade com os quais os autores da Bíblia sequer sonhavam: cereais refinados, adoçantes artificiais, Coca-Cola, aditivos químicos, transgênicos, alimentos processados, leite em pó e açúcar. Então só pode ser isso: são essas coisas modernas que tornam a alimentação do homem contemporâneo uma alimentação doentia.

Mas o que é que exatamente dá o caráter patogênico à dieta? Será o conjunto dos produtos químicos? Será que dá para dizer que a dieta do homem moderno é doentia por que consiste em um coquetel de produtos químicos? Em minha opinião, é simpática e verossímil essa idéia.

A lista dos aditivos químicos já alcança a casa dos milhares, dos mais de 6000 aditivos químicos existentes a maioria deles destina-se a alterar a cor e o sabor dos alimentos. O consumo do corante caramelo corresponde a 90% de todos os corantes utilizados, com um consumo mundial aproximado de 200 mil toneladas por ano. Quase 40% do corante caramelo são de açúcares residuais.

Acontece que todos, um por um, os aditivos alimentares são rigorosamente controlados pelo governo, através de suas agências. Os níveis de toxicidade, ingestão diária aconselhável, níveis de segurança, etc.

O que quero dizer é que não me parece que seja por aí. De per si também, nenhum dos chamados aditivos químicos, reconhecidos como tal, chega a marcar ou condicionar a dieta humana. Se eu disser que a dieta moderna é doentia porque é salgada, isso não soa como verdade. E olhe que o sal não é para ser comparado com um produto químico moderno, como por exemplo, o acessulfame k. Ou que a dieta é patogênica por ser colorida de tanto corante. Urucum, corante natural, não faz mal a ninguém. Já os corantes artificiais são suspeitos de provocar câncer. Em todo o mundo há um movimento visando a retirada desses aditivos da lista dos permitidos. O país que foi mais longe nessa direção, a Noruega, aboliu totalmente o uso de corantes artificiais em alimentos no ano de 1975. Se esses corantes em conjunto respondessem pelo caráter patogênico da dieta do homem civilizado, a Noruega seria um exemplo para o mundo de país dotado de uma dieta normal, não patogênica. Não é o caso. A Dinamarca há dois anos proibiu as gorduras trans, e a dieta dos dinamarqueses não deixou de ser patogênica por causa disso.

Uma falácia muito comum, também, é pôr a culpa numa categoria de alimentos: uns acusam a gordura como o vilão da dieta, outros acusam os carboidratos. Ambos estão errados - carboidratos e gorduras são alimentos e o veneno da dieta não é nenhum alimento, é claro. Ou pelo menos deveria ser.

O veneno da alimentação da humanidade contemporânea é um produto químico barato e abundante que, travestido de alimento, vem impregnando progressivamente não só os alimentos, mas tudo o que entra pela boca do ser humano: comida, bebida, remédio, e até fumaça de cigarro e pasta de dente. Refiro-me ao açúcar, produto químico por excelência, extraído de um capim e adicionado aos alimentos, agente adoçante e ao mesmo tempo conservante. Não é considerado como tal nem pelas agências do governo que controlam os aditivos alimentares. O açúcar consegue enganar até médicos e químicos que o consideram um “carboidrato” como outro qualquer. Quando na verdade é o aditivo químico que mudou o caráter da alimentação do ser humano conferindo-lhe patogenicidade.

O açúcar, hoje, impregna a alimentação do ser humano de tal modo que a denominação que melhor a define é dieta açucarada moderna. É o açúcar o verdadeiro e único agente que conferiu caráter patogênico à dieta moderna, por adicionar calorias desnecessárias que prejudicam o metabolismo, além de provocar cárie, ser isento de nutrientes, roubar água, vitaminas e minerais do corpo, vir acompanhado de lixo químico fino, e também de promover o fenômeno da glicação não-enzimática das proteínas e da inflamação crônica generalizada que vão lentamente conduzindo o organismo para a vala comum das moléstias crônicas metabólicas e degenerativas (vide o capítulo: A doce degeneração humana).

Os resultados de pesquisas científicas “associando” o açúcar a uma infinidade de doenças dá para preencher um catálogo telefônico. Este “livro negro” é apenas um bosquejo. As evidências epidemiológicas já assustam a banda honesta da comunidade científica.

A Nutrire, mesmo sendo uma revista apoiada por pesos pesados da civilização do açúcar (Coca-Cola, Nestlé, Danone, Ajinomoto, etc.), publicou um artigo a respeito do índice glicêmico dos carboidratos. Segundo esse artigo, o índice glicêmico dos carboidratos varia muito entre si. Uma mesma quantidade de carboidratos pode provocar respostas glicêmicas (nível de açúcar no sangue) diferentes dependendo de alguns fatores. Uma porção de carboidrato refinado, por exemplo, eleva o açúcar do sangue a níveis mais altos que uma porção equivalente de carboidrato integral.

Na tabela de índices glicêmicos de alguns alimentos que ilustra o artigo da Nutrire, está que o IG de feijão fava é 42 e o mesmo feijão conservado em água com açúcar é 74; o IG de iogurte sem açúcar é 27 e com açúcar 48; o de lentilha verde é 42 e conservada em açúcar 74.

A adição de açúcar eleva o indice glicêmico dos alimentos. E segundo explicações propostas por estudiosos citados pela revista, dietas com alto índice glicêmico produzem picos altos de insulina após as refeições, que podem resultar em diminuição de açúcar no sangue para níveis muito baixos. O que desencadearia uma reação aumentando os níveis de ácidos-graxos livres e diminuindo a sensibilidade à ação da insulina.(32)

Outros autores citados sustentam que dieta com alto índice glicêmico induz alterações hormonais (insulina, glucagon) e metabólicas (redução da produção hepática de glicose e ácidos-graxos provocada pela alta incorporação de açúcar pelas células musculares e hepáticas). Isso pode limitar a disponibilidade dos combustíveis metabólicos prejudicando a homeostase energética e provocando fome. Tomo a liberdade de concluir: com fome o sujeito volta a se alimentar da dieta açucarada que novamente irá provocar o mau funcionamento endócrino e metabólico e assim por diante. Esse sim é que é o verdadeiro “círculo vicioso do açúcar”.

O açúcar só não é denunciado como o agente responsável pelo caráter patogênico da dieta humana por várias razões, entre as quais: a) a existência de uma indústria da doença em funcionamento: aquela “cultura industrial que se sustenta mutuamente de alimentos e medicamentos”; b) o green card conferido ao açúcar pela FDA; c) o fato de o açúcar em geral fazer mal à maioria das pessoas de maneira lenta e gradual, se bem que a cárie é um mal imediato que o açúcar provoca, e obesidade e diabetes estão tendo suas incidências aceleradas pelo avanço do açucaramento da dieta; d) o fato de o açúcar ser atualmente o mais dissimulado ópio do povo e até de médicos e intelectuais, e de estar envolto numa cortina ideológica que o apresenta como um alimento natural que faz parte da mesa tanto quanto a carne, o sal e o feijão e não um aditivo químico patogênico; e) e, last but not least, ninguém quer encarar o ônus de uma denúncia dessa natureza.

O segundo problema da alimentação da humanidade contemporânea é o uso de cereais refinados. Destituídos de fibras, vitaminas e minerais eles contribuem para a subnutrição e obesidade. Outros problemas são os agrotóxicos ou um ou outro aditivo químico potencialmente cancerígeno. Talvez os alimentos transgênicos sejam um problema, não se sabe. Mas se forem retirados da mesa da humanidade os cereais refinados (e adotados os integrais), os aditivos perigosos, os agrotóxicos e até os transgênicos e for deixado o açúcar a dieta continuará com seu caráter patogênico.




Dieta hipocalórica
Desde os anos trinta do século XX que se fazem experiências com animais de laboratórios (ratos ou macacos), testando tanto as dietas hipercalóricas quanto as hipocalóricas. Entre os pesquisadores pioneiros destacam-se o Dr. Clive MacCay, da Universidade de Cornell, Estados Unidos, e também a Dra. Judith Campise, diretora do Departamento de Biologia Molecular do Laboratório Nacional Berkeley. Uma preocupação desses pesquisadores é que a dieta hipocalórica não comprometa a ingestão ideal de nutrientes. Os resultados sempre apontaram na mesma direção: as cobaias testadas com alimentação de baixas calorias tinham mais saúde, eram mais magras, espertas e tinham seu tempo de vida prolongado em até 100%. Por outro lado, as dietas de altos níveis calóricos ficaram associadas a obesidade e a uma incidência maior de câncer de próstata e possivelmente de mama.

Recentemente a revista Veja (edição 1837) trouxe reportagem sobre pesquisas recentes levadas adiante pela Calorie Restriction Society, da Califórnia coordenadas pelos cientistas Brian Manning e outros. Na matéria há uma informação interessante: os açúcares e carboidratos são praticamente banidos da dieta, mas são mantidas as fontes de proteínas, gorduras e vitaminas. Em outras palavras a famosa dieta hipocalórica é uma versão da dieta do doutor Atkins com a diferença de que utiliza uma menor quantidade de comida. Atkins restringia os carboidratos mas liberava o consumo de proteínas e gorduras animais, as quais não engordam nem provocam a insulina. A bem da verdade, então, o nome da dieta hipocalórica deveria ser dieta de restrição de carboidratos. Eis uma verdade dura para a indústria da doença: juventude e longevidade têm a ver com carnes e gorduras. O doutor Atkins diz em seus livros que seus pacientes novos que praticavam a dieta oficial equilibrada/balanceada que diaboliza gordura e colesterol tinham a pele envelhecida, macilenta e sem tônus. E aqui no Brasil em 2005 completou 110 anos o baiano de Macaúba, Raimundo José de Souza. O prato básico de sua dieta é feijão cozido com toucinho. Ele comemorou seu aniversário com um churrasco oferecido por uma fração de seus 500 descendentes!

Nos dias de hoje há até tribos organizadas em torno do ideal de baixas calorias - ideal que, diga-se de passagem, é dos tempos bíblicos, posto que a gula era tida como pecado e o jejum praticado periodicamente. Ainda dentro do tema baixas calorias o Guia de Apoio Nutricional para Diabéticos, edição coordenada por Alfredo Halpern, diz que o tratamento do diabetes “depende inteiramente da obediência do paciente a duas coisas, às recomendações do médico e a um plano alimentar de preferência individualizado”.

O objetivo do plano alimentar é o controle de peso. O pequeno guia médico afirma que “dietas hipocalóricas e perda de peso ajudam de maneira insofismável no controle metabólico”.

E no capítulo três, sobre necessidades calóricas, está dito que a indicação médica é de uma redução de 250 a 500 Kcal por dia quando necessário.

A humanidade tem sido feita de cobaia de uma dieta artificialmente hipercalórica e patogênica, a dieta açucarada moderna. Tal “experiência”, levada adiante pelos traficantes de açúcar, constitui um verdadeiro crime que conta com a conivência, ignorância ou autoengano de médicos e nutricionistas.

A conclusão que se impõe é a seguinte: quer se trate do carola que procura evitar o pecado da gula, do tribalista adepto da estratégia nutricional de baixas calorias ou do médico que cuida de seu paciente diabético, se houver honestidade o primeiro passo no caminho da redução de calorias é a proibição do consumo de açúcar. A retirada do açúcar da dieta significa apenas redução de calorias sem que seja necessário abrir mão de um grama sequer de alimento de verdade. E não é só de calorias que se livra, o indivíduo livra-se também das patologias do açúcar, a começar pelas cáries.



Sobre o texto acima:
O texto acima foi retirado do livro "O livro negro do açúcar".

Titulo do Livro: O livro negro do açúcar

Subtitulo do Livro: Algumas verdades sobre a indústria da doença


Texto enviado às 15:33 - 13/01/2009

Autor do Livro: Fernando Antonio Carneiro de Carvalho



Fontes:
26 - GOODMAN apud TALLER, H. Calorias não engordam. Rio de Janeiro: O cruzeiro, s/d., p. 58.
27 - BIAZZI, E. Diabetes: um gua prático. Rio de Janeiro: Exped/Páginas Amarelas, 2001, p. 46.
28 - TALLER, H. Op. cit., p. 29.
29 - ATKINS, R. Op. cit., p. 90.
30 - SEARS, B. Op. cit., p. 27.
31 - LUTERO apud LIPPMANN, E. v. Op. cit., p. 64.
32 - CARUSO, L.; MENEZES, E. W. Índice glicêmico dos alimentos. In: Nutrire. São Paulo, 2000, V19/20, pp. 49-64.



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