Ciclo do Gado

A conquista do sertão nordestino e dos limites ao sul do Brasil foram, em grande parte, uma obra da pecuária. O gado chegou a terras brasileiras trazido por europeus e, por ser uma atividade econômica viável longe do litoral, ajudou a deslocar a população rumo ao interior.

As tropas foram abrindo trilhas e semeando currais, pousadas, feiras e povoados por todo o país. O gado logo se transformou no principal meio de transporte de carga e um importante aporte na alimentação e no trabalho nas minas e engenhos canavieiros. No sul, os rebanhos formados pelos jesuítas nos aldeamentos indígenas estiveram no centro das disputas territoriais entre Portugal e Espanha e deram origem à pecuária em todo o Cone Sul.

O gado mudou os hábitos alimentares e enriqueceu a dieta baseada na mandioca. Além de fonte de renda, o aproveitamento do couro como matéria-prima para utensílios domésticos também ajudou a caracterizar a vida do sertanejo. O folclore brasileiro incorporou cantigas como o aboiado, o bumba-meu-boi além de narrativas em verso sobre proezas e domas de bois bravos e vaqueiros valentes.

Recuperar as marcas da convivência entre os pioneiros e seus rebanhos em um tempo em que pampa e sertão eram dois lados da mesma vastidão vai ajudar a apontar as razões para a permanência da criação animal como importante atividade econômica e elemento colonizador ainda neste final de século.

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