China - Crescimento Econômico


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China - Crescimento Econômico

Por Diego Maciel

INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem por objetivo analisar os principais determinantes do crescimento econômico na China nas últimas décadas. Partindo do princípio de que a análise histórica e os resultados apontam para o papel crucial desempenhado pela condução da política cambial, o desempenho das exportações e o papel dos fluxos de capitais, em especial sob a forma de investimento direto estrangeiro (IDE). A economia chinesa tem se destacado em relação às demais economias emergentes e em desenvolvimento, no que se refere às elevadas taxas de crescimento verificadas no período pós-reforma, que se inicia a partir do final dos anos 70.


CHINA – CRESCIMENTO ECONÔMICO
A incrível velocidade do crescimento econômico da China impressiona. O país mais populoso do planeta é, também, o campeão no recebimento de investimentos externos. Em 2003, conseguiu atrair 52,7 bilhões de dólares e desbancou os Estados Unidos no ranking mundial dos países que mais receberam investimentos estrangeiros. Um dos setores mais prestigiados é o automobilístico. Em outubro, a Ford anunciou um reforço de um bilhão de dólares nos seus investimentos no país para os próximos anos. Apesar do acelerado crescimento econômico, o maior desafio dos chineses, ainda é a desigualdade social: dois terços dos chineses vivem em áreas rurais extremamente pobres e a renda per capita é compatível com as piores do terceiro mundo. Nos centros urbanos da China, o salário varia de 30 a 80 dólares mensais e a renda per capita é de 760 dólares anuais. No campo, onde vivem 900 milhões de chineses, ganha-se menos de 250 dólares por ano. O país começou a se preparar para a abertura econômica em 1978, quando o então líder Deng
Xiaoping trocou os dogmas de Karl Marx pelos de Adam Smith e deu uma guinada, que incluiu a abertura de zonas comerciais nas províncias costeiras, o aumento de investimentos estrangeiros e a liberalização do comércio e do mercado agrícola, tendo como ingredientes fartos subsídios, mão-de-obra barata e repressão brutal à oposição. Foi quando sob o bordão “Enriquecer é glorioso”, que o então país de Mao começou a experimentar os desafios e prazeres da livre iniciativa na economia. O princípio básico do comunismo, a propriedade estatal, começou a cair por terra em 1997, quando o Congresso chinês anunciou um gigantesco programa de privatização. Dois anos depois, os chineses comemoraram cinqüenta anos de comunismo ao mesmo tempo em que realizava uma manobra histórica: depois de treze anos de negociações, fecharam um acordo para a esperada abertura de sua economia à globalização. Foi quando em menos de uma década o país se transformou numa das maiores economias do mundo.


Em 2001, a China oficializou sua entrada no mundo da globalização, ao ingressar de forma definitiva na Organização Mundial do Comércio (OMC). Com um fabuloso mercado potencial de mais de um bilhão de consumidores, o gigante oriental representava um dos mais tentadores e difíceis mercados internacionais, mas enfim abriu suas portas para o mundo. Com a economia globalizada, a China precisa atualmente criar 80 milhões de empregos e, ao mesmo tempo, assimilar o golpe que deverá arrasar setores inteiros defasados em relação à concorrência externa, como a indústria automobilística. Já as indústrias têxteis, de calçados e de brinquedos, deverão aumentar as exportações em 200%. A mão-de-obra barata é o grande chamariz para a entrada de capital externo. Na maioria das regiões da China, o salário, por exemplo, na linha de montagem é de menos de dois reais por hora. Um operário brasileiro ganha quatro vezes mais. Um mexicano, seis vezes. Um americano não pega no batente por menos de um salário vinte vezes maior. Nessas condições, montar bases para exportar é um ótimo negócio.

A China já responde por metade da produção mundial de máquinas fotográficas. Três em cada dez aparelhos de ar condicionado e de TV produzidos são feitos lá. Mais de 25% das máquinas de lavar e 20% das geladeiras no mundo levam o selo "Made in China”.

Há trinta anos, durante o governo Geisel, o Brasil estabeleceu relações diplomáticas com a República Popular da China e, devido à aceitação internacional do princípio da existência de uma só China, rompeu relações com a República da China (também conhecida pelo nome da única província chinesa a exercer a soberania: Formosa ou Taiwan). Era uma aposta no futuro, pois a China ainda vivia os últimos dias da era Mão Tse-Tung, que viria a morrer em 1976. Em 1978 a China iniciou seu programa de reformas que em um quarto de século mudou a face do país (industrialização intensiva e um crescimento de 10% ao ano), e iniciaram a mudar o equilíbrio de forças no planeta. Muitos pensavam nas oportunidades comerciais, cada dia maiores (a China hoje consome 55% do cimento e 36% do aço do mundo, além de importar imensas quantidades de alimentos e matérias primas), mas outros apostavam mais numa Parceria Estratégica, que significa cooperação e apoio mútuo para o desenvolvimento econômico-social, tecnológico e a construção de um mundo pacífico e multipolar. Uma associação entre o maior país em desenvolvimento do hemisfério Norte e o maior do Sul. Nem todos os governos souberam aproveitar a oportunidade, mas as relações foram intensas, com os presidentes Figueiredo, Sarney, Cardoso e Lula tendo visitado a China, que enviou vários presidentes e primeiros-ministros ao Brasil. O Brasil exportou produtos primários como soja e ferro, além de aço, em quantidades cada vez maiores, importando bens de consumo popular e equipamentos eletrônicos e máquinas, com uma balança comercial favorável. Mas ao mesmo tempo, houve cooperação mútua em infra-estrutura, com empresas brasileiras participando da construção da hidrelétrica de Três Gargantas (a maior do mundo) e os chineses na construção de ferrovias no Brasil, por exemplo. O projeto de satélites de sensoriamento remoto e a parceria tecnológica em áreas de ponta, como a nuclear, são exemplos avançados de cooperação Sul-Sul (entre países em desenvolvimento). A busca de investimentos recíprocos é um processo que está apenas no começo.
Igualmente importante é a dimensão político-diplomática da relação bilateral. Além do apoio chinês à candidatura do Brasil ao CS da ONU, ambos países cooperam na construção de um sistema mundial multipolar, que revalorize o papel da ONU, dentro do espírito dos chamados Cinco Princípios da Coexistência Pacífica. Além disso, o estabelecimento do G-20 (com a participação dos dois países), visando fortalecer a posição dos países em desenvolvimento da OMC, foi um sucesso. A cooperação bilateral é de grande vantagem, se o Brasil encarar com seriedade a parceria estratégica e não concentrar a agenda apenas em aspectos comerciais, adotando um projeto de desenvolvimento mais ousado.

CONCLUSÃO
Estudos sugerem que o crescimento econômico chinês é sustentável e tem condições de manter taxas similares de crescimento econômico nos próximos anos, quando comparadas com as taxas das duas últimas décadas (em torno de 9% ao ano). A justificativa para tal constatação está atrelada ao argumento de que as principais fontes de crescimento continuam presentes e terão impacto sobre o crescimento do produto de maneira similar ao já verificado nos últimos vinte anos.
Há elementos em que a China poderia se inspirar no Brasil, como a inclusão social e o desenvolvimento econômico. Apesar da China ainda ter uma renda per capita menor que a do Brasil (US$ 1.130 contra 3.000), em muitos indicadores sociais eles nos ultrapassaram. Ainda que as reformas produzam desigualdade, segundo a ONU 400 milhões de chineses saíram da faixa de pobreza em pouco mais de uma década. A auto-estima do povo chinês também poderia nos inspirar. Mas o mais importante é o Brasil saber construir alianças para poder avançar, identificando paises com interesses comuns. Neste sentido, a decisão tomada há 30 anos, tão criticada então, foi correta.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Barsa - Enciclopédia Britânica no Brasil (CD)

Wikipédia – A Enciclopédia livre
China – o milagre do oriente
http://www.wikipedia.com.br/china.html

Revista Veja
O novo gigante do mercado
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/china/economia.html

Revista de Economia Política
China: crescimento econômico de longo prazo
Rev. Econ. Polit. vol.26 no.3 São Paulo July/Sept. 2006

Câmara Brasil China
http://www.ccibc.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php?id_pag=2334

Relações Internacionais – Paulo Fagundes Vizentini
Brasil-China: 30 anos de relações diplomáticas
http://educaterra.terra.com.br/vizentini/artigos/artigo_170.htm


Fonte do texto:
http://www.revisaovirtual.com/site/Artigos_205_China_%E2%80%93_Crescimento_Economico.htm






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