Bioterrorismo

O Professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP e palestrante da Palavra concedeu esta entrevista exclusiva, onde discorre sobre como as armas biológicas podem influenciar na nossa vida, depois que caíram nas mãos de terroristas.

O Dr. Araújo foi consultor do Instituto Butantã, onde desenvolveu novas metodologias que resultaram em duas patentes: preservação de imunoconjugados e isolamento de um surfactante pulmonar.

Ele também já coordenou o Pós-Graduação de bioquímica na USP e hoje é ainda secretário da Comissão de Nomenclatura, Propriedades e Unidades da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e da Federação Internacional de Química Clínica (IFCC), onde desenvolve o projeto de normatização em Biologia Molecular. Trata-se, portanto, de uma fonte qualificadíssima sobre este tema que atemoriza não apenas americanos, mas toda a humanidade.

Palavra: Quais as implicações, para o Brasil, do uso da biotecnologia como arma do Terror?
Dr. Araújo: O uso da biotecnologia para o desenvolvimento de organismos patogênicos a serem usados como armas biológicas é eticamente condenado em todos os países. Se grupos terroristas ou países que suportam o terrorismo empregam as técnicas de biotecnologia para este fim, a sua chance de sucesso nesta empreitada odiosa só depende da competência profissional dos cientistas a serviço destes grupos. No Brasil, o desenvolvimento recente da biotecnologia tem sido notável (genoma de bactérias, novas modalidades de plantas transgênicas, entre outras).

Isto nos coloca na desconfortável posição de termos a competência e a infra-estrutura para este tipo de desenvolvimento. Eu gostaria de acreditar que os mais de 30 anos de convivência com a comunidade científica brasileira me permitem descartar a hipótese de que tenhamos algum cientista em atividade nos institutos de pesquisa e nas universidades que tenha a inclinação política e a falta de princípios necessária para se engajar neste tipo de atividade.

Palavra: Quais os perigos reais e imaginários do bioterrorismo?
Dr. Araújo: O bioterrorismo, ou a guerra biológica, sempre estiveram presentes nas considerações dos estrategistas. O uso de armas biológicas remonta à idade média quando exércitos que sitiavam cidades, atiravam para dentro dos muros pedaços de cadáveres de pessoas mortas por varíola. A diferença é que no século XXI não se imaginava que houvesse a possibilidade de que grupos fossem utilizar tais tipos de armas consideradas torpes e de uso condenado internacionalmente.

Hoje, o bioterrorismo é uma realidade presente na vida das pessoas comuns. A questão não é mais saber se tais armas vão ser utilizadas, mas quando e onde poderão ser utilizadas. Para uma pessoa vítima deste tipo de ataque tanto faz se ela morre de varíola ou de carbunculose.



Fonte:
http://www.netvestibulando.hpg.ig.com.br/bioterrorismo.htm

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