A Revolução Cubana - 1959


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A Revolução Cubana - 1959

07/08/2008 - Pádua Andrade

Cuba, cuja luta pela independência foi liderada pelo poeta José Martí, foi o último país latino-americano a conseguir libertar-se da Espanha, em 1898. Os EUA, então sob a política do Big Stick de Roosevelt, conseguiram incluir na Constituição cubana de 1901 a Emenda Platt, que admitia a possibilidade de uma invasão norte-americana, além de receber dos cubanos uma área 117 Km2 - a baía de Guantanamo, ainda hoje base norte-americana em Cuba. A partir da independência, a tutela político-econômica dos EUA foi garantida por governos locais ditatoriais, como o de Fulgêncio Batista de 1934 a 1958.

Na década de 50, a oposição à ditadura cresceu consideravelmente, surgindo movimentos guerrilheiros , sob a liderança de Fidel Castro, Camilo Cienfuengos e Ernesto “Che” Guevara, que a partir de 1956 obtiveram sucessivas vitóriias e ocuparam cidades e povoados. Em 31 de dezembro de 1958, Fulgêncio Batista, derrotado, fugiu para a Republica Dominicana.

O novo governo revolucionário, apartir de 1959, definiu uma política de mudanças que se chocava frontalmente com os tradicionais interesses dos EUA no país. A realização de reforma agrária e nacionalização das refinarias de açúcar, usinas e indústrias - maioria norte-americanas - levaram os EUA a suspender a importação do açúcar cubano. Sendo a venda do açúcar vital à economia cubana, um novo mercado precisaria surgir, e o país voltou-se para os soviéticos.

Num mundo bipolarizado, apesar da fase de coexistência pacífica, a ligação cubana aos soviéticos, bastou para o presidente John Kennedy tomar medidas radicais. Em janeiro de 1961, os EUA romperam relações diplomáticas com Cuba e, em abril, um grupo de soldados formado por exilados cubanos e mercenários norte-americanos desembarcou na Baía dos Porcos, recebendo apoia da força aérea numa tentativa de derrubar Fidel Castro.

A invasão norte-americana foi um completo fracasso, o que aumentou o prestígio de Fidel, que num discurso após a vitória, anunciou ao mundo que Cuba era socialista. Ao entrar para os socialistas, Cuba se tornaria um importante ponto estratégico para a União Soviética, que promoveu a tentativa de instalar mísseis na ilha. Esse fato desencadeou uma crise entre Kennedy e Kruschev, pondo em risco a paz mundial. Após rigoroso cerco e ameaça de desembarque, os soviéticos desistiram da idéia.

Ainda em 1962, Cuba foi expulsa da OEA sob a acusação de que disseminava a subversão pelo continente, embora contasse com aliados de peso na América. Simultaneamente, Kennedy lançou para a América a Aliança para o Progresso, um programa de ajuda econômica que veiculava ideais norte-americanos, numa tentativa de combater as influências da Revolução Cubana sobre outras regiões do continente.

Aos poucos, estabeleceu-se um isolacionismo forçado sobre Cuba, levando o governo de Havana a apoiar os movimentos guerrilheiros que ocorriam em diversos pontos do continente, buscando subverter os poderes estabelecidos aliados aso EUA. Nesse processo, foi fundada, em 1967, a Organização Latino-Americana de Solidariedade (Olas), em Havana, em apoio às lutas armadas da América Latina, como na Bolívia, Colômbia e países centro-americanos onde atuava pessoalmente o líder da revolução cubana Che Guevara, que foi morto no mesmo ano na Bolívia. À atitude ofensiva cubana, os EUA responderam com uma política de apoio aos golpes militares do continente, implantando governos ditatoriais para afastar o comunismo.

No fim dos anos 60 e mais decididamente nos anos 70 e 80, governos progressistas (como Chile e Peru), decididos a escapar do alinhamento automático aos EUA, restabeleceram relações com Cuba. Reflexo das relações internacionais mais amenas, durante os governos de Jimmy Cartér e Gerald Ford, estabeleceram-se escritórios de representação de ambos os países em suas capitais. Todavia, diante da política internacional pendular, com o governo Reagan retornam-se as pressões e atritos. Os EUA militarizaram Honduras e El Salvador, como medida de pressão aos sandinistas da Nicarágua, apoiados pelos cubanos.

A nova política de enfrentamento transformou a América Central em uma região de guerra civil e crise nos anos 80. Em 1990, o apaziguamento internacional elaborado por George Bush e Mikhail Gorbatchev motivou uma pequena reversão desse quadro na região.

A Revolução cubana, na América Latina, foi uma via específica da solução aos problemas de miséria e ditadura produzidos pelo subdesenvolvimento, cujas soluções apontavam para o não-alinhamento com os EUA durante a Guerra Fria. Assim, após 25 anos de Revolução, o governo cubano pode proclamar que conseguira o fim do desemprego, da miséria e do analfabetismo.

No início dos anos 90, com as mudanças no Leste europeu e o fim da URSS, reforçram-se as pressões por reformas que eliminassem o monolitismo, obstáculo a uma abertura sintonizada com as transformações dos ex-socialistas e exigidas pelos países capitalistas.

Ao mesmo tempo em que as relações entre os ex-socialistas europeus enfraqueciam, os EUA intensificaram o bloqueio econômico iniciado em 1961, multiplicando as dificuldades de Cuba e do socialismo. Os efeitos têm sido tão negativos, que muitas conquistas sociais, econômicas e culurais até os anos 80, ou foram anuladas ou estão sob ameaça de reversão.

O colapso dos socialistas do Leste europeu e da URSS provocou uma retração econômica, próxima a 50% entre 1990 e 94.

Apesar disso, os dirigentes comunistas cubanos reafirmaram o lema revolucionário castrista “socialismo ou morte”, passando, em meados da década de 90, a buscar um reformismo econômico e a aproximação com a comunidade internacional discordante do bloqueio norte-americano. Outro mecanismo adotado pelo governo cubano foi o incremento do turismo, sendo que 750 mil visitantes entraram no país em 1994, trazendo capital que ajudou a enfrentar o bloqueio econômico.

Inúmeras pressões têm sido feitas em busca do fim do bloqueio norte-americano a Cuba, posição contrária aos que defendem que as conseqüências do mesmo culminará na queda de Fidel. Esta política é defendida pela população cubana estabelecida na Flórida, que possui peso nas eleições locais, e que influenciam na política externa dos EUA.

Já não são poucos os defensores de que as mudanças virão em seu ritmo e que o contato com o resto do mundo mudará a estrutura socialista cuban. A todo este quadro soma-se a questão da liderança e sucessão de Castro, com 70 anos de idade.

No início de 1996, devido à derrubada, pela Força Aérea cubana, de dois pequenos aviões norte-americanos pilotados por exilados cubanos anti-castro, a proposta Helms-Burton foi transformada em lei, determinando sanções às empresas e indivíduos de qualquer país que mantivesse relações com Cuba. A medida foi criticada por vários países, até por alguns parceiros comerciais dos EUA e tribunais internacionais, levantando as possibilidades de uma “guerra comercial” em época do crescimento do livre comércio no mundo.

Mesmo assim, enquanto os norte-americanos mantiam o bloqueio, o governo cubano anunciava o aumento da produção açucareira em mais de 30% em 1996, graças aos financiamentos externos, especialmente europeus.





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